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06 março 2015

Opinião: O Miniaturista (Jessie Burton)

Editora: Editorial Presença (2015)
Formato: Capa mole | 412 páginas
Género: Ficção histórica

"O Miniaturista" é o romance de estreia de Jessie Burton e tem sido um sucesso de vendas nos EUA. Segundo a capa, foi considerado um dos melhores livros de 2014 pela Waterstones.

Foi, em parte, por isso que comprei este livro. As outras razões incluem a maravilhosa campanha de marketing, a bela edição portuguesa (abram o livro, I dare you) e, claro, a sinopse, que me pareceu bastante interessante.

Esta obra foi, nalguns aspetos, bastante interessante. Nunca tinha lido um romance histórico focado nos Países Baixos e como não sei muito sobre a sociedade da época na região, foi bastante intrigante ler sobre a mesma e a sua evolução política, religiosa, social e cultural, em alguns aspetos tão diferente da do resto da Europa.

O livro centra-se em Nella Oortman, uma jovem de 18 anos de uma família rural aristocrata mas empobrecida, que se vê subitamente casada com um rico mercador de Amesterdão, chamado Johannes Brandt.

Nella chega à sua nova casa sem nunca ter conhecido bem o marido (apenas se viram na cerimónia de casamento) e mal preparada para a vida na grande cidade. A adaptação revela-se difícil: o marido é distante, a irmã do marido é autoritária e amarga e os criados tomam demasiadas liberdades. Nella sente-se deslocada, sozinha e como se não pertencesse a lado nenhum e vai encontrar consolo na compra de miniaturas para uma pequena casa, réplica da sua nova casa, que Johannes lhe oferece, como prenda de casamento.

Encomenda algumas miniaturas a um misterioso profissional, que começa depois a mandar-lhe cada vez mais miniaturas, que parecem prever as tragédias e segredos com que Nella terá de lidar na sua nova vida. À medida que Nella procura conseguir a identidade do miniaturista, a sua vida e a sua nova família começam a cair numa espiral de intrigas e segredos negros que podem ter consequências muito graves.

O enredo deste livro tinha tudo para ser genial: uma jovem largada no seio de uma nova família rica e poderosa, parte da elite e aparentemente de bem, mas também com muitos segredos e intrigas à mistura. E, claro, temos o miniaturista, uma figura misteriosa que adiciona ainda mais mistério e alguma magia subtil à história.

Podia ter sido bom, sim. Mas creio que a execução deixa muito a desejar, possivelmente porque é o primeiro livro da autora (e nota-se). O problema, para mim, enquanto leitora, é que este livro deveria ter sido... mais atmosférico. Mais misterioso. Mais... mágico. Mas não foi.

A autora não conseguiu criar a atmosfera que o livro merecia. Não acreditei na "magia" do miniaturista. Os segredos da família não me deixaram de boca aberta, quer por serem demasiado óbvios, quer por terem, pelo contrário, aparecido de repente, sem qualquer explicação racional ou premonição. Nella não é uma personagem suficientemente interessante para sustentar a narrativa, pelo que não consegui ligar-me a ela e sentir algo quando ela descobre o que realmente se passa na sua nova casa. O resto das personagens pareceram-me igualmente sem sal e bidimensionais. 

Gostei, como já mencionei, de ler sobre a cultura dos Países Baixos no final do século XVII, sobre o facto da sociedade ser bastante puritana e do contraste que a autora faz entre estas mentalidades e a realidade de uma cidade governada pela ganância e pela riqueza. Mas aquela magia que esperava sentir, não está lá. 

No geral, uma boa leitura dentro do género do romance histórico. A escrita da autora é competente e mesmo de leitura compulsiva, por vezes, mas o enredo não foi desenvolvido e falta qualquer coisa ao livro para o tornar especial.

05 março 2015

Opinião: The Luckiest Lady in London (Sherry Thomas)


Editora: Headline Eternal (2013)
Formato: Capa mole | 304 páginas
Género: Romance histórico

Sherry Thomas, autora com algumas obras já publicadas em Portugal, é mais uma daquelas escritoras que têm livros que gosto bastante, mas outros que não gosto assim tanto. 

Este livro da autora, "The Luckiest Lady in London", é um daqueles que... não gostei tanto como desejaria. Não porque não é um bom livro e um bom romance histórico, mas porque lhe falta aquele componente que acho essencial todos os livros do género terem: a química entre as personagens. 

Louisa Cantwell tem de casar bem para se salvar a si e às suas irmãs da ruína. Por isso, quando a sua benfeitora a convida para uma Temporada em Londres, Louisa desenvolve um plano e modela-se segundo a imagem da debutante perfeita: nem demasiado entusiasta, nem demasiado aborrecida, sempre com um sorriso pronto e sempre bem arranjada, bonita e radiosa.

Assim, consegue ser um sucesso.

Felix Rivendale, o Marquês de Wrentworth é o cavalheiro mais popular de Londres, perfeito em todos os aspetos, tendo ganho até a alcunha de "O Cavalheiro Ideal". Mas, na realidade, Felix é manipulador e sarcástico e diverte-se imenso com o facto de conseguir mascarar tão bem a sua personalidade. Felix consegue sempre o que quer, quando quer... sem escândalos.

Mas Louisa pressente que Felix não é quem aparenta ser. E isso faz com que ele fique interessado nela. Tão interessado que faz tudo para a conseguir e Louisa não tem hipótese senão casar com ele no final da temporada.

Como disse anteriormente, este livro é interessante. Fala de duas personagens pragmáticas e pouco dadas a drama (apesar das suas vidas terem drama suficiente) e o herói não é necessariamente a melhor pessoa do mundo; ele é refrescantemente humano e nem por sombras demasiado dramático ou torturado.

De facto, gostei imenso das personagens e do "jogo do gato e do rato" que jogaram durante a Temporada londrina. Também gostei dos momentos de camaradagem entre os dois.

Sim, foi uma relação muito realista, a que estes dois personagens construíram. Infelizmente não era isto que procurava num romance histórico pelo que, apesar de achar que esta foi uma boa leitura, não adorei este livro. Faltou alguma química romântica às personagens, o que foi uma pena.

No geral, "The Luckiest Lady in London" é uma boa leitura, sim, mas não pode ser considerado um romance histórico típico, com foco na sensualidade (apesar de haver atração sexual entre as personagens, não senti isso enquanto leitora... as personagens limitaram-se a dizer que era isso que sentiam), no romance e na química. Foca-se mais no aprofundamento do conhecimento entre os protagonistas, na construção da sua relação a um nível não romântico. O que é interessante, objetivamente, mas não aquilo que estava à espera de ler, subjetivamente. Por isso, é difícil perceber até que ponto gostei deste livro, uma vez que não correspondeu às minhas expectativas mas não deixa de ser um bom livro. 


Outras obras da autora no blogue:

03 março 2015

Opinião: Fated (Benedict Jacka)

Editora: Orbit (2012)
Formato: Capa mole | 322 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

... ou "A razão pela qual não consigo escrever nada de jeito ultimamente... porque não há nada para escrever!". 

Sim, este é mais um livro de fantasia urbana que tinha cá por casa e que decidi ler. E sim, esta é uma das séries de fantasia urbana mais populares (pelo menos pelo número de vendas e/ou pessoas que leram os livros no Goodreads), mas tal como aconteceu com Rivers of London, senti-me algo defraudada depois de terminar a leitura (quase que poderia dizer que há dúzias de livros de fantasia urbana que mereciam mais a atenção, mas alas! São escritos por mulheres e o público masculino não se aproxima deles nem que lhes paguem).

Como descrever este livro? Pouco imaginativo, mal desenvolvido, com um protagonista irritante que tenta desesperadamente ser Harry Dresden (e falha redondamente).

Alex Verus é um "mago de probabilidades". Ou, podem apenas chamar-lhe um vidente. A única coisa mágica que Alex consegue fazer é ver todos os possíveis futuros associados, ainda que remotamente, à sua pessoa, e evitá-los. É quase impossível surpreender um "mago de probabilidades" (ou possibilidades), mas os inimigos de Alex fazem-no, neste livro, logo desde o início. Ou então ele é burro demais para não saber o que se passa, apesar do seu aparente acesso aos possíveis futuros. Then again, se ele tivesse analisado bem a situação, tinha fugido a sete pés e não havia livro.

Basicamente, o nosso herói é um pária, porque foi aprendiz de um Mago negro e depois não gosta do Conselho de Magos, porque eles são muito permissivos com os Magos negros. Os magos negros são, aparentemente, iguais aos Magos brancos em tudo exceto na filosofia [de vida], por isso poderia argumentar-se que algumas das pessoas do Conselho dos Magos são magos negros porque lhes faltam completamente os escrúpulos e matam indiscriminadamente. Mas para o autor, não. Penso que o objetivo era reavivar aquele argumento (já abordado em 500 000 livros) que a magia não é má, as pessoas é que são.

Mas voltando à sinopse. O Alex é um pária, mas aparentemente o Conselho e alguns magos negros precisam dos seus "skillz" para tentar "abrir" uma relíquia mágica. Há um objeto muito cobiçado dentro da relíquia e toda a gente ultrapassará toda a espécie de limites para o obter. E como Alex foi o único "mago de probabilidades" que não fugiu a sete pés, andam todos atrás dele.

Como disse, este livro é pouco imaginativo, mal desenvolvido e tem um protagonista irritante. É um daqueles livros em que o autor força os acontecimentos fazendo com que aconteçam coisas extremamente convenientes (como a amiga do Alex encontrar "por acaso" - ou magia - a "chave" da relíquia"). A construção do mundo não me convenceu, com a sua distinção nebulosa entre magos "brancos" e "negros", o seu "Conselho de Magos" (nada cliché) e a sua magia à Dungeons and Dragons.

Alex é irritante e... bem, é irritante e isso estragou logo tudo, pronto.

No geral, mais uma série que vai para a "caixinha" das abandonadas. Fantasia urbana no seu mais cliché, sem nada de remotamente original.

Ora, afinal até escrevi alguma coisita.

23 fevereiro 2015

Opinião: A Estátua Assassina (Louise Penny)

Editora: Relógio D'Água (2014)
Formato: Capa mole | 312 páginas
Géneros: Mistério/Thriller

Nunca tinha ouvido falar desta autora ou dos seus livros, mas quando li a sinopse deste, lembrei-me das histórias da Agatha Christie e achei que seria uma boa leitura para quando me apetecesse um "mistério à moda antiga", com dedução e trabalho de investigação ao invés de autópsias e testes de ADN.

E foi, mais ou menos, o que consegui.

O inspetor Gamache e a mulher vão passar uns merecidos dias numa estância de luxo, a Manoir Bellechasse. Juntamente com eles, a família Morrow ocupa o chalé e parece haver algumas tensões entre os membros. Quando uma estátua comemorativa cai em cima de uma das Morrow, o inspetor tem de interromper as suas férias para investigar.

Foi uma leitura agradável, mas não tão intrincada ou explorativa como eu pensava que ia ser. O inspetor Gamache não se revelou um homem surpreendente, qual Poirot e os seus ajudantes muito menos. Não consegui achar piada a qualquer das personagens e, não adivinhei, de todo, quem era o culpado. No entanto, penso que isso se deveu ao facto de a autora não nos dar pistas e da investigação não ter seguido um fio condutor particularmente lógico, que nos pudesse dar a nós, leitores, esse "foreshadowing" necessário para podermos fazer as nossas próprias deduções.

No geral, um mistério bastante brando e pouco entusiasmante. Foi uma leitura rápida e medianamente interessante, mas não me inspirou para ler mais livros da autora.

20 fevereiro 2015

Opinião: The Becoming (Jeanne C. Stein)


Editora: Ace (2006)
Formato: Capa mole/bolso | 293 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Mais uma opinião que tive de arrancar a ferros à minha preguicite. Estou bastante atrasada com a escrita de "reviews" para os livros que li este ano; muitos podem mesmo chegar a não ter qualquer opinião escrita, quer porque já os li há algum tempo, quer porque... bem, não me apetece muito escrevê-las, é mais isso.

Mas voltando a este livro. Li "The Becoming" pela primeira vez há já bastante tempo, quando ainda era nova no mundo da fantasia urbana. Lembrava-me vagamente de ter gostado do livro e deve ter sido por isso que andei a comprar os restantes volumes da série que comecei, finalmente, a ler devido à minha resolução de começar a ler os livros que tenho nas estantes.

Anna Strong é uma caçadora de recompensas. Este trabalho não é a primeira escolha dos pais, mas Anna gosta do que faz e é boa profissional. 

Mas tudo muda quando a pessoa que persegue a ataca e viola. Anna em breve percebe que algo está a mudar dentro de si.

Este livro é irritante por uma razão muito simples: a violação é tratada de forma leve e como se não tivesse importância. Oh, os amigos de Anna ficam preocupados, mas como a Anna em si é uma durona, depressa se recompõe e depois quando percebe que é vampira e que o sexo entre vampiros é 5 estrelas, tipo sempre, nem se lembra mais nisso. A autora conseguiu reduzir uma experiência traumática a... nada, e ainda parece sugerir que não fez mal, porque o violador era um vampiro e a Anna sentiu prazer. I mean, what?

Mas, pondo isso de lado (eu sei, é dificil!), "The Becoming" foi uma leitura bastante... meh. A história, as personagens e o mundo não são propriamente originais e apenas a escrita torna este livro de leitura compulsiva.

Não gostei particularmente da Anna, que é uma heroína de fantasia urbana na tradição da típica durona-e-eu-é-que-sei-e-vocês-são-todos-parvos, que mesmo assim consegue ter amigos e pessoas que se preocupam. Também não achei piada a que a Anna saltar logo para a cama do vampiro bonzão e nem pensar no namorado. 

Enfim, este livro é daquele tipo de livros que têm montes de pequenas coisas que nos irritam solenemente, mas que por alguma razão não conseguimos deixar de ler. E depois, lemos o segundo. E o terceiro. 

No geral, uma fantasia urbana sem pingo de originalidade e com personagens algo irritantes. Mas li-o todinho. Go figure.  

18 fevereiro 2015

Opinião: Carmilla (Joseph Sheridan Le Fanu)

Editora: Quadra (2010)
Formato: Capa mole | 152 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Conto

(A edição original está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa).
Numa altura em que estava a pender para as histórias de vampiros, decidi ler este pequeno conto clássico que, diz-se, inspirou a obra de Bram Stoker, "Drácula".

"Carmilla" (publicado pela primeira vez em 1871) surpreendeu-me pela positiva. É um conto de leitura rápida, mas não deixa de impressionar, não tanto pela história em si, que é bastante irregular e cujo desfecho é bastante desapontante (a heroína não tem um papel assim muito ativo, a não ser como narradora; é uma personagem de fora que traz todos os elementos necessários à resolução do mistério), mas pela mitologia e pela atmosfera gótica e atmosférica que Le Fanu consegue criar em poucas páginas. E Carmilla impressiona também, pela sua... diferença.

Laura, a protagonista, vive num castelo isolado apenas com o pai e com os criados. Por isso, não é surpreendente que se sinta contente quando uma misteriosa jovem, de nome Carmilla, tem de ficar no seu castelo após um acidente de carruagem. Carmilla é amável, bela e parece querer ser genuinamente amiga de Laura. Mas se Laura gosta, no geral, desta jovem, algumas das suas atitudes causam-lhe surpresa e mesmo alguma repulsa. E Laura não sabe bem porquê. Mas um velho amigo de família sabe-o e Laura e o pai percebem que Carmilla é muito mais do que pensavam.

Tive bastante pena que Carmilla fosse apenas um conto. É que mesmo como conto é tão incrivelmente atmosférico (à boa maneira vitoriana), tão subtilmente assustador que nos provoca mais arrepios do que as cenas explícitas de carnificina que por vezes nos são apresentadas em livros mais recentes. Gostei da forma como o vampiro é aqui descrito e apresentado, da forma como, mais do que um ser corpóreo, por vezes, parece quase um espírito, que pode atravessar paredes e aparecer e desaparecer quando quer. De como é uma manifestação daqueles medos que vemos, quase sempre, pelo canto do olho.

A natureza obsessiva de Carmilla foi outro toque de génio, que mostra eficazmente como ela já não é humana.

No geral, achei que Carmilla é um pequeno conto muito bem conseguido. Certamente que os protagonistas não têm um papel particularmente ativo, não contribuem grandemente para a resolução dos problemas, mas o foco da narrativa não é bem esse, penso eu. É, sim, a construção de uma história sobre um ser ao mesmo tempo arrepiante e psicopático, mas ainda com alguma beleza. Gostei (mas dei-lhe três estrelas porque queria mesmo que fosse maior).

Este livro pode ser descarregado gratuitamente na página do Projeto Gutenberg (e-book em inglês).

08 fevereiro 2015

Opinião: Ill Wind (Rachel Caine)


Editora: Roc (2003)
Formato: Capa mole/bolso | 337 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Cá temos mais uma leitura de janeiro, sobre a qual ainda não escrevi uma opinião, devido, principalmente porque me deu um ataque agudo de preguicite e não me apeteceu mesmo andar a escrever reviews.

Já não é o primeiro livro que leio da autora norte-americana Rachel Caine. Um dos maiores problemas que tenho tido com os seus livros é que são, para falar bem e depressa "muita parra e pouca uva", ou seja, cada livro acaba por ser mais um "conto" do que outra coisa e, para além disso, há sempre um "to be continued" no final.

Os seus livros pecam muito pela falta de desenvolvimento do mundo, do sistema de magia (todos os livros que li são fantasia urbana) e mesmo das personagens. São mais livros de ação non-stop, com pouco mais do que isso.

"Ill Wind" não é assim muito diferente. A protagonista, Joanne Baldwin, é uma Guardiã do clima (Weather Warden, desculpem mas agora não me ocorre mais nada em termos de tradução). Ou seja, ela consegue controlar os elementos da água e do ar e, consequentemente, é uma espécie de Storm (referência aos X-men, aqui). Acontece que, aparentemente, o planeta Terra não é assim tão bom para os seres humanos viverem como estes pensam e é por isso que existe o Conselho dos Guardiões, uma instituição secreta onde pessoas que controlam os elementos tentam... controlar os elementos, de forma a minorar a ação da Mãe Natureza na vida e sociedade humanas.

Mas não é sobre isso que se foca o livro. Foca-se em Joanne e o livro abre com ela em fuga do Conselho por ter morto um dos seus oficiais mais proeminentes. O porquê vai sendo desvendado em múltiplos "flashbacks" (onde também nos é dada a conhecer a existência dos Guardiões e a sua missão).

Basicamente, o livro relata a fuga de Joanne, que quer encontrar o seu amigo (e, aparentemente, antigo amante), Lewis, o Guardião mais poderoso do mundo, que controla os quatro elementos. 

A história não tem muito que se diga. Fez-me lembrar um pouco o "Sobrenatural", com os carros vintage, a fuga desesperada e tudo o mais. Como disse anteriormente, não há assim grande desenvolvimento, porque Joanne nos conta tudo sobre o seu mundo em flashbacks, pelo que não me consegui ligar a ela ou a Lewis e não consegui visualizar a sua antiga ligação romântica. O sistema de magia é "preguiçoso"; muito pouco nos é explicado e os Guardiões parecem conseguir fazer coisas muito complexas com pouco esforço.

A única personagem que me interessou foi David, embora tenha achado que o romance foi também inverosímil.

No geral, uma boa leitura devido à escrita compulsiva e à ação non-stop. Mas não é um livro particularmente bem desenvolvido e se for bem espremido não tem conteúdo suficiente para as páginas que ocupa. Ainda assim, vou continuar com a série e ver no que dá.

04 fevereiro 2015

Curtas: Grave Memory e Nightlife

Editora: Berkley UK (2012)
Formato: Capa mole | 373 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Neste terceiro livro da série “Alex Price”, a nossa heroína tem de investigar uma série de suicídios que parecem estranhos. Como a polícia não considera suicídios como sendo crimes, terá de ser Alex a perceber o que se passa.

Gostei mais deste livro do que dos seus antecessores. O mistério é mais complexo e interessante, e Alex passa mais tempo a investigar o mesmo, se bem que a resolução e os poderes “super-duper” que alteram alguns dos acontecimentos no livro sejam demasiado “deus ex-machina” para o meu gosto.

No geral, o melhorzito da série, até agora, se bem que o triângulo amoroso e os crescentes poderes “raros” de Alex sejam irritantes.


Editora: Roc (2006)
Formato: Capa mole/bolso | 339 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Cal Leandros está em fuga. Desde que a raça do seu pai o raptou, aos 14 anos, que Cal e Niko (o irmão mais velho) fogem do pai de Cal e dos outros Auphe (que são “elfos”, supostamente… mas que no fundo pouco têm a ver com elfos como os imaginamos porque são sedentos de sangue, violência e têm umas unhas assassinas). Nenhum dos irmãos sabe bem porque é que os Auphe perseguem um meio-sangue mas têm uma vida nómada devido a isto.

Esta é, basicamente, a premissa do primeiro livro da série “Cal Leandros”. Gostei da caracterização das raças sobrenaturais, mas a personalidade de Cal não me agradou particularmente… há já muitas personagens como ele.

Também não ajudou que, durante metade do livro, Cal tenha sido possuído por uma banshee macho (don’t ask) e que o próprio plano dos Auphe que envolvia o Cal não tenha sido assim muito bem explicado.

No geral, uma leitura mediana. Fiquei interessada no mundo, mas nas personagens… nem por isso.

01 fevereiro 2015

Opinião: Grave Dance (Kalayna Price)


Editora: Roc (2011)
Formato: Capa mole/bolso | 371 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Já há algum tempo que o blogue não tem uma atualização devido, principalmente, à vida, que se intromete das formas mais terríveis nos nossos hobbies.

Por isso, com os livros lidos e as respetivas opiniões a formarem uma pilha cada vez maior, decidi que era tempo de escrever novamente uma pequena opinião.

A opinião sobre o segundo livro da série “Alex Price”, não será muito pormenorizada porque já li alguns livros depois deste e a história não é propriamente memorável.

Poderão ter (ou não) reparado que ando a ler muita fantasia urbana; isto deve-se principalmente ao facto de ter, em tempos, comprado muitos livros deste género e, como quero começar a ler o que tenho nas estantes, como é natural, este é um género que irei ler muito nos próximos tempos (ou até me fartar).

Mas voltando ao livro… Grave Dance, apesar de ter sido uma leitura rápida e compulsiva, não foi exatamente original e já não me lembro bem do que se passou, exceto que Alex, a nossa heroína, recebeu mais um “power-up” bastante previsível enquanto tenta resolver um mistério relacionado com um assassino que deixa apenas os pés esquerdos das suas vítimas como prova.

O mistério é interessante, mas é bastante óbvio que a sua relevância e desenvolvimento, a sua existência no livro servem o propósito de fazer com que Alex se embrenhe mais no mundo dos fae, raça sobrenatural da qual ela descobriu recentemente que faz parte.

O desenvolvimento dos seus “poderes” (que são raros, mesmo entre os fae, claro) e da sua vida pessoal (a escolha de novas alianças no mundo dos fae, o inevitável triângulo amoroso e mais), ocupam, inevitavelmente, tanto “tempo de antena” no livro como o mistério.

No geral, um livro de fantasia urbana bastante típico com uma heroína que é um bocado “Mary Sue” super especial demais para o meu gosto. No entanto, gosto do mundo criado pela autora e da sua descrição dos fae, do seu mundo e da sua cultura. E, claro, a escrita ajuda: é bastante envolvente.

22 janeiro 2015

Opinião: Grave Witch (Kalayna Price)


Editora: Roc (2010)
Formato: Capa mole/bolso | 325 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Este livro foi mais uma releitura, porque tendo já adquirido os dois seguintes, queria relembrar-me um pouco do que se passava no primeiro.

No mundo de Alex Craft, os fae anunciaram a sua existência ao mundo há 70 anos, porque precisam que os seres humanos acreditem neles para poderem sobreviver. Isto deu origem a uma série de mudanças, não só a nível social como a nível geológico porque alguns “espaços” que haviam estado escondidos (os “folded spaces”), passaram a não estar. Isto fez com que os EUA ganhassem um novo estado, cuja capital é a cidade de Nekros.

É lá que a Alex, uma “grave witch”, vive. As bruxas também anunciaram os seus poderes e algumas das bruxas têm poderes diferentes. É o caso de Alex que consegue ligar-se à “energia” da terra dos mortos (onde vivem fantasmas e criaturas de pesadelo) e “construir” um “shade” de uma pessoa morta. Um “shade” é uma coleção de memórias da pessoa falecida e ajuda a saber como morreu.
Mas o talento de Alex tem consequências: de cada vez que utiliza a sua “grave sight”, os seus olhos sofrem.

Alex sobrevive trabalhando para a polícia ou para clientes que querem questionar os mortos, mas quando um dos seus “shades” a ataca, vê-se envolvida num mistério que pode envolver uma criatura antiga e maléfica de Faerie… um ladrão de corpos.

Neste livro, somos apresentados a Alex e ao seu mundo. Um mundo em que as bruxas e fae são aceites mas onde ainda há bastante preconceito e mesmo uma fação política que quer restringir os direitos desta parte da população. O pai de Alex pertence a esse partido e ela foi forçada a sair de casa e a mudar de nome.

Penso que foi uma boa leitura ao nível da fantasia urbana. Gostei bastante do mundo desenvolvido pela autora, a mitologia pareceu-me sólida e bem explicada. Também gostei das personagens q.b., se bem que o detetive Fallin, com quem Alex está sempre a trocar bitaites, é um bocado parvo às vezes.

O mistério também foi interessante, se bem que podia ter sido melhor explorado.

Poderia ter dado 4 estrelas ao livro, mas o facto de se desenvolver um triângulo amoroso lá pelo meio não me agradou assim muito, até porque gosto de ambas as personagens masculinas. Também me parece que a Alex se está a preparar para ser uma “Mary Sue”, ultra especial e esse tipo de personagens não me agradam particularmente.

No geral, uma boa leitura dentro do género. A autora conseguiu um mundo interessante e não muito cliché, a escrita é competente e o sistema de magia é intrigante. Houve alguns pontos dos quais não gostei muito, mas globalmente, diria que é um começo sólido para uma nova série.

21 janeiro 2015

Opinião: Kindling the Moon (Jenn Bennett)

Kindling the Moon de Jenn Bennett
Editora: Pocket Books (2011)
Formato: Capa mole/bolso | 358 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Já não é a primeira vez que começo este livro, mas da última vez não estava com o espírito necessário para ler fantasia urbana. Agora, pelo contrário, estou numa fase em que só estou a ler fantasia urbana (muito porque uma boa parte da minha biblioteca é constituída por este género), por isso decidi dar uma segunda hipótese a esta obra.

Arcadia Bell é dona de um bar que serve clientes especiais: demónios das classes inferiores que estão presos na Terra. E a própria Arcadia também é mais do que parece; é uma mágica (não confundir com bruxa) e não é uma mágica qualquer: é a filha de dois mágicos que andam fugidos à lei por serem os presumíveis autores de vários assassínios rituais (Arcadia sabe que não são).

Quando os seus pais são avistados, sete anos depois de eles e Arcadia terem forjado as suas mortes, Arcadia sabe que tem de encontrar o responsável pelos crimes para ilibar a sua família.

Esta leitura até nem é má, quando se está no espírito. A história e o mundo foram um bocado “meh”, não são particularmente originais ou mega interessantes, mas dão uma boa leitura e as personagens surpreenderam-me pela positiva. O interesse amoroso da Cady (Arcadia) é um homem genuinamente interessante e alguém que gostaria de conhecer na vida real, não sendo pois demasiado perfeito, estereotipado ou irrealista. A Arcadia também é uma personagem simpática.

O mundo da magia e das forças sobrenaturais não é grandemente explorado, pelo menos no primeiro livro, mas penso que não é particularmente original (lembra-me o da série Kara Gillian da Diane Rowland). A progressão da história é típica e bastante usual.

No geral, um livro que se lê rapidamente e com gosto, mas que, para mim, não se destaca particularmente dentro do género. Gostei dele como um todo, mas não consegui encontrar nada de verdadeiramente surpreendente. No entanto, o balanço geral é definitivamente positivo.

16 janeiro 2015

Opinião: Rivers of London (Ben Aaronovitch)

Editora: Orion Publishing Group (2011)
Formato: e-book | 391 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Eis um livro que parece ser bastante popular e sobre o qual tinha curiosidade. Mas, apesar da escrita competente e do enredo não achei este “Rivers of London” nada de especial e pouco tempo depois, já muitos dos pormenores se eclipsaram da minha mente.

Peter Grant está quase no final do seu treino de polícia. Um dia, quando ele e a sua companheira e amiga Lesley estão de guarda ao local de um crime bizarro, Peter vê um fantasma… e de uma maneira estranha e natural não só fala com ele e obtém informações sobre o crime, como tenta fazer passar essas informações dentro da polícia.

É assim que chama a atenção de Nightingale, um inspetor e único membro de uma unidade especial que, suponho (porque nunca nos é bem explicado) tem como objetivo controlar os habitantes sobrenaturais de Londres.

É que parece que Londres tem um problema com um espírito maligno que causa o caos e a violência e Peter, como o membro mais jovem da brigada chefiada por Nightingale e um aprendiz de feiticeiro terá de investigar, com alguma ajuda de Lesley e de Beverley, uma ninfa do rio e a filha mais nova da Mamã Tamisa.

Esta história tinha tudo para resultar, mas o livro tem falta de foco. As cenas sucedem-se, muitas vezes desconectadas, tudo parece aleatório e um pouco ao acaso. Nunca consegui ligar-me a nenhuma das personagens e o mundo está apenas esboçado; nunca nos é dito claramente como funciona e, se não sou grande fã de descrições exageradas e sem objetivo, a falta de informação também irrita.

O livro pareceu-me um pouco “nonsense”, do género de… Dr. Who. Peter, a personagem principal deixa-se levar e nunca parece horrorizado ou admirado pelas coisas estranhas que vê. O problema é que o que resulta em Dr. Who, possivelmente devido à personalidade e carisma das personagens, não resulta, de todo, em “Rivers of London”. As personagens do livro não têm o carisma que lhes permite fazer com que o livro seja interessante, apesar da sua substância confusa e pouco definida.

No geral, nada de especial. Não gostei particularmente nem da história, nem do mundo, nem das personagens e o típico humor britânico também não pareceu resultar bem neste caso. Pelo menos para mim.

14 janeiro 2015

Opinião: Tainted Blood (M.L. Brennan)

Tainted Blood de M.L. Brennan
Editora: Roc (2014)
Formato: e-book | 318 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

O terceiro livro da série “Generation V” não me cativou tanto como os anteriores.

Neste livro, Fort continua a ser o mediador entre a família Scott e a comunidade sobrenatural. Mais do que nunca, terá de tomar conta dos problemas que vão aparecendo até porque Chivalry, que está a lidar com uma crise pessoal, não o pode ajudar.

Quando o líder dos lobiursos (ahah) aparece morto recai sobre Fort e a sua parceira Suzume investigarem para descobrirem quem é o culpado.

A história neste terceiro livro pareceu-me bastante mais fraca. O mistério foi mal explorado porque o Fort está a passar por algumas mudanças e a própria família Scott está a passar por mudanças devido aos problemas com a Madeline, a chefe de família. E tudo isto pode mudar o balanço do poder dentro do território controlado pelos Scott.

Foi mais por essa vertente que este livro valeu, uma vez que, como já mencionei antes, parece que a autora só incluiu um mistério “porque sim”. O culpado é bastante cliché e o mistério quase não é um mistério.

As personagens crescem e desenvolvem-se mais um bocado neste livro, mas a relação entre o Fort e a Suze não andou nem desandou, o que foi um bocado chato, especialmente tendo em conta que no segundo livro parecia que ia haver um bom desenvolvimento no terceiro. Mas não.

No geral, mais uma boa leitura, que parece ser um prenúncio de uma mudança em livros posteriores, mas o livro em si não foi de leitura tão compulsiva como os anteriores. Ainda assim, uma boa adição à série.

09 janeiro 2015

Opinião: Iron Night (M.L. Brennan)

Editora: Roc (2014)
Formato: e-book | 320 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

No segundo livro da série Generation V (Iron Night), Fort ganha novas responsabilidades devido ao facto de ter começado a sua transição para vampiro. Assim, apesar de estar desempregado e de o seu último companheiro de casa se ter ido embora no final do último livro, este abre com Fort num novo emprego e com um novo companheiro que até é um tipo bastante fixe.

Por isso, quando o companheiro de casa de Fort aparece brutalmente assassinado no seu quarto, Fort quer investigar, porque Gage era seu amigo. Apesar dos vampiros acharem que foi um crime aleatório, cometido por humanos, Fort não acredita nisso e as suas investigações vão levá-lo ao mundo dos Elfos, criaturas antigas que tudo farão para repor a sua população.

Neste segundo livro, Fort está um pouco mais confiante nas suas capacidades, apesar de ser ainda mais humano do que vampiro. Por vezes os seus sentidos estão mais apurados (a sua visão noturna é agora melhor do que de uma pessoa normal) e consegue aguentar mais porrada do que um ser humano normal, mas de resto, é em tudo humano (exceto que tem de se alimentar do sangue da mão regularmente, mas isso é um pormenor sem importância). É numa dessas alturas, em que os seus sentidos se tornam mais apurados, que Fort ouve alguém a colocar o corpo do seu amigo Gage dentro do apartamento.

Fort vai investigar o assassínio do seu amigo e descobre, ao contrário das predições da sua família, que se trata de um crime sobrenatural: Gage foi um sacrifício e os elfos estão envolvidos. Com a ajuda da sua irmã sociopática, Prudence, Fort vai tentar impedir seres muito antigos de matarem mais pessoas para atingirem os seus fins.

Fort tem algumas decisões difíceis pela frente neste livro: tem de torturas (ou mandar a sua irmã torturar) pessoas para obter informações e de ultrapassar algumas fronteiras que a sua moralidade considera imutáveis. Também se debate com a sua transição e com o desejo de beber sangue. Ao seu lado tem Suzume, a kitsune que está sempre a pregar partidas (como é normal neste tipo de espíritos/criaturas) mas que também é bastante leal.

No geral, mais um livro de leitura compulsiva. Gostei bastante da história, do desenrolar da mesma e das personagens. Uma boa adição à série.


Outros livros da autora no blogue:
  1. Generation V

08 janeiro 2015

Opinião: Generation V (M.L. Brennan)

Editora: Roc (2013)
Formato: e-book | 320 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

“Generation V” já me havia chamado a atenção há algum tempo, especialmente por ser uma fantasia urbana com um protagonista masculino. No final do ano passado, decidi finalmente ler o primeiro da série e fiquei imediatamente viciada!

Fortitude Scott, mais conhecido por Fort, tem uma vida bastante normal… para um vampiro. Depois de uma licenciatura virada para as Artes Cinematográficas, Fort vê-se obrigado a, não só trabalhar num café, bem longe da sua área preferida, como a partilhar o apartamento com um estudante de doutoramento que não lhe paga a renda há quatro meses e ainda por cima lhe anda a dormir com a namorada.

Mas o maior problema de Fort é a sua família. Madeline Scott, com mais de 600 anos é a governante incontestada de um vasto território, povoado de criaturas sobrenaturais e tanto ela como os seus filhos mais velhos e irmãos de Fort, a Prudence e o Chivalry, acham que ele é estranho por ter reações tão humanas… mas claro que Fort ainda não é bem um vampiro.

Quando os Scott oferecem hospitalidade a um vampiro vindo de Itália, Fort tem oportunidade para conhecer outro vampiro que não a sua família. Será que todos os vampiros são tão frios e distantes da humanidade como os Scott? Ou existirão vampiros que tenham algo em comum com Fort.

Aquilo de que mais gostei neste livro, sem sobra de dúvida, foi a mitologia. Brennan concebe os seus vampiros como seres completamente biológicos (e vivos) e explica de forma bastante pormenorizada e original a sua conceção. Nestes livros, os vampiros nascem de hospedeiros humanos após estes serem “modificados” através da substituição do seu sangue pelo sangue do vampiro que deseja “conceber”.

Os vampiros não vivem para sempre; vivem muito tempo e à medida que o tempo passa, vão ganhando cada vez mais as características que conhecemos: a aversão à luz do sol, a necessidade de se alimentarem de sangue humano e muito mais.

Fortitude foi uma personagem interessante, um rapaz algo perdido, dividido entre a sua família e aquilo que é, e entre o lado humano que teme poder perder quando a sua transição para vampiro estiver completa. Suzume, a kitsune que ajuda Fort neste livro foi também uma personagem super engraçada e energética.

Quanto ao enredo, foi… intrigante e arrepiante. Uma espécie de cruzamento entre “Mentes Criminosas” e um filme qualquer sobre um vigilante. Algumas das cenas fizeram-me alguma impressão, mas achei a história bem conseguida e que havia um bom equilíbrio entre o enredo e a vida pessoal e interior de Fort.

No geral, um ótimo primeiro livro de fantasia urbana. Com ação, criaturas sobrenaturais, uma escrita cativante e uma mitologia bastante original, como poderia ter resistido a saltar logo para o segundo?

06 janeiro 2015

Opinião: Fireborn (Keri Arthur)

Editora: Penguin Group - USA (2014)
Formato: e-book | 400 páginas
Géneros: Romance paranormal

“Fireborn” é mais uma nova série dentro do género da fantasia urbana/romance paranormal. De facto, é mais romance paranormal do que fantasia urbana, mas pela sinopse, não parecia. E, como muitos leitores do blogue já sabem (talvez), não vou muito à bola com romance paranormal.

Li este livro principalmente porque a heroína é uma fénix e estava bastante curiosa relativamente à forma como a autora iria explorar mais esta criatura mágica. Posso dizer que gostei, no geral, da forma como Emberly (a nossa fénix) e os seus poderes foram desenvolvidos. Emberly, enquanto fénix, vive eternamente através de diversas vidas (cada uma com exatamente 100 anos, a não ser que não morra de morte natural). Quando o ciclo de vida acaba, Emberly tem de se deixar consumir pelas chamas que tem dentro de si, mas o processo de renascimento é mais complexo do que o de outras fénixes: em vez de renascer das cinzas, é necessário que um macho da espécie (que tem também de ser a “alma gémea”) execute um ritual.

Em “Fireborn”, Emberly começa logo por se encontrar com um antigo namorado, Sam, no processo de o salvar da morte (porque a nossa heroína, para além de ser um espírito do fogo, tem sonhos proféticos). É a partir daí que Emberly se vê envolvida com uma agência que mantém na ordem os seres paranormais (e da qual Sam faz parte); esta agência está a investigar e a tentar conter um vírus concebido com ADN de vampiros, que transforma os infetados em criaturas ainda piores e, para além disso, loucas.

Sinceramente, este livro foi… mediano. Teve mais elementos de romance paranormal do que outra coisa, uma vez que a autora se focou nas desventuras amorosas de Emberly com (neste livro), três homens diferentes: Rory, a fénix macho que é a sua alma gémea, mas que devido a uma maldição mal explicada que recai sobre as fénixes, Emberly nunca poderá amar (e vice-versa), pelo que ambos têm apenas “sexo em fogo” (literalmente, transformam-se em chamas e unem-se) para ganharem energia; Sam, o ex-namorado de quem Emberly ainda gosta, woe; e um terceiro, do qual nem me lembro do nome, que é uma “fada do fogo” e que se torna o “fuck-buddy” da Emberly neste livro (e parece que nos próximos).

Este foco desmesurado no drama que é ter três homens e uma mulher envolvidos numa trama amorosa (e o Sam foi um idiota tão grande e nojento durante grande parte do livro, o que ainda tornou tudo pior) fez com que o mistério fosse deixado para segundo plano… não só é bastante simplista, como não há qualquer resolução do mesmo neste livro (sim, vai passar para o segundo livro, yay! Not). As personagens são bastantes estereotipadas e, como já disse, o Sam é um idiota demasiado grande para que gostasse dele.

O mundo é também bastante genérico e algo aborrecido.

No geral, uma leitura sem sal. Não foi horrorosa, mas o livro não se destaca e creio que ficarei por aqui com esta série, até porque prefiro fantasia urbana com um mundo interessante, do que romance em que as personagens por acaso têm algumas capacidades especiais, mas que mal nos são explicadas porque o importante é o drama amoroso.

04 janeiro 2015

Opinião: Para Sir Phillip, com Amor (Julia Quinn)

Editora: Asa (2014)
Formato: Capa mole | 336 páginas
Géneros: Romance histórico

(A edição lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa).
A Julia Quinn é, há já muito tempo, a minha escritora favorita dentro do género do Romance histórico; e de todas as suas séries e livros, os meus favoritos são os da série Bridgerton, que contam as histórias de amor de oito irmãos e irmãs, filhos de um visconde inglês. Estes livros passam-se ao longo de vários anos, no século XIX.

Este ano, planeio (ainda estou apenas na fase de planeamento, não sei se vou fazê-lo ou não), reler os livros da série, não só porque comecei a adquirir a coleção em português (para viciar outras pessoas, eheh), mas também porque o mês passado reli mais uma vez o meu livro favorito da série, “Para Sir Phillip, com amor”.

Este livro conta a história de Eloise Bridgerton, a quinta filha de oito, e de Sir Phillip, um baronete viúvo que vive no campo, com os seus filhos de 8 anos. Aos 28 anos, Eloise é considerada uma “solteirona” e ela até nem se sente mal com o rótulo, porque tem uma família que a adora e uma melhor amiga na mesma situação.

Mas quando a sua melhor amiga se casa, Eloise começa a reavaliar muitas coisas e a pensar que, talvez, não queira ficar sozinha.

Por seu lado, Sir Phillip, um homem viúvo com duas crianças pequenas que não sabe como controlar, decide que tem de casar novamente para arranjar alguém que olhe pelos filhos e lhe organize a casa.

Entre ambos, desenvolve-se uma correspondência amigável e Sir Phillip decide propor casamento a Eloise (por carta), e convidá-la a visitar o seu lar, para ver se se dão bem o suficiente para se casarem.

Não sei muito bem porque é que este é o meu favorito da série, exceto, talvez, porque os heróis introvertidos e com filhos são dos meus favoritos. Seja como for, este é um dos livros para o qual me viro quando quero uma leitura rápida e fofinha, com crianças a fazer partidas e muito humor.

Como sempre, Quinn tem um humor muito próprio e extremamente eficaz, que deixa qualquer leitor bem-disposto e risonho. As suas personagens são muito humanas e interessantes e a escrita da autora ajuda a focar esses aspetos.

O romance não foge muito ao que é normal neste tipo de livros, mas não é por isso que deixa de ser uma leitura envolvente. É bastante mais leve e menos dramático do que outros livros da série, mas não deixa de ter os seus momentos menos felizes. 

No geral, um livro sobre o qual não tenho muito a dizer exceto que é uma leitura maravilhosa e que a série Bridgerton é ideal para fãs deste género. Uma série (e um livro) a não perder.


Outras obras da autora no blogue:

02 janeiro 2015

Opinião: The Lesser Dead (Christopher Buehlman)

Editora: Berkley (2014)
Formato: e-book | 368 páginas
Géneros: Fantasia urbana

É um bocado difícil escrever uma opinião sobre “The Lesser Dead” porque este livro é… tantas coisas, so many feels, que não sei bem o que dizer.

É daqueles livros que, apesar de parecerem não ter nada de especial em termos narrativos, nos puxa de tal forma, que damos por nós a adorar o livro, pelo menos enquanto o lemos.

Estamos em 1978 e Joey Peacock, um vampiro de 14 anos, vive nos túneis abandonados de Nova Iorque, juntamente com a sua “família” de vampiros. Mas não pensem que Joey é um vampiro fofinho e bondoso, não. É tudo o que um vampiro na década de 70 do século XX deve ser e sabe como divertir-se e seduzir mulheres (com a ajuda do seu charme vampírico, para parecer mais velho), beber sangue de famílias incautas e fazer tudo o que os jovens andam a fazer: ver TV, sair à noite e tudo isso.

A vida destes vampiros não é perfeita, mas é boa. Infelizmente, muda-se para a zona, um grupo de vampiros que gosta de matar e torturar as suas vítimas, e Margaret, a rainha vampira dos túneis simplesmente não pode deixar que tal aconteça. Por isso, os vampiros investigam e descobrem que os invasores são… crianças.

A narrativa de Joey é algo não-linear, porque salta no tempo. Por vezes narra-nos o que se passa em 1978, por vezes volta atrás, a 1943, quando foi transformado em vampiro. E conta também as histórias de alguns dos seus companheiros dos túneis, como Margaret e Cvetko, o vampiro que foi transformado com cerca de 50 anos e que é demasiado calmo e dócil (na opinião de Joey).

Este livro mistura muita da mitologia existente sobre os vampiros, mas fá-lo de uma forma absorvente e interessante e o autor não deixa de adicionar um cunho muito seu ao vampirismo. Partes da história descrevem os vampiros como criaturas brutais e fazem lembrar as narrativas mais clássicas (imaginem: vampiro do lado de fora da janela).

Esta história contém bastante violência, mas nunca achei que fosse gratuita. Achei que o autor conseguiu caracterizar os seus vampiros com mestria, dando-lhes características muito humanas, mas não escondendo o seu lado predatório e que processa emoções de forma diferente.

Joey é um narrador irreverente, muito humano e na maioria das vezes, vê-se que tem muito mais idade do que aparenta; outras vezes, porém, quase que parece um rapaz de 14 anos.
Não posso dizer muito mais sem começar a entrar em spoilers, mas gostei bastante deste livro. Da construção da narrativa, do seu estilo, das personagens, de tudo.

No geral, uma boa leitura dentro do género da fantasia urbana. Tem alguns momentos assustadores, arrepiantes e envolventes e é um livro que, penso, está bastante bem escrito. Recomendado.

30 dezembro 2014

Opinião: The Bridgertons: Happily Ever After (Julia Quinn)

Editora: Little, Brown Book Group (2013)
Formato: Capa mole | 384 páginas
Géneros: Romance histórico

Aviso: ligeiros spoilers
Para falar a verdade, não sou grande fã de “short stories” ou contos porque sinto que fica sempre tanto por contar, por desenvolver.

Mas uma vez que sou uma grande fã (ahah) da Julia Quinn que é, provavelmente, a minha autora favorita de romances históricos, decidi ler este livro que reúne os chamados “segundos epílogos” da série Bridgerton.

Passo a explicar. Todos os livros da série Bridgerton têm o seu epílogo, mas a série tornou-se tão popular que os leitores tinham imensas questões relativamente ao que acontecia depois do “feliz para sempre” de cada livro. E, por isso, Julia Quinn decidiu escrever pequenas histórias passadas vários anos após os casamentos que retratam determinadas situações que, claro, reforçam esses finais felizes.

A maioria das histórias é alegre, fofinha e romântica tal como os livros originais. Uma ou duas têm alguma angústia, mas claro, tudo acaba por se resolver.

Fartei-me de rir com a história do Anthony e da Kate, que recria o jogo de Pall Mall onde eles se apaixonaram. Todos os anos eles convidam as pessoas que lá estavam para um novo jogo e tentam ficar com o taco preto, que eles acham que lhes dá sorte.

A história que mais me tocou foi a da Francesca e do Michael, mas não gostei assim muito da resolução. Não me pareceu assim muito realista.

Algumas das histórias focam-se em personagens menores. A de Sophie e Benedict foca-se na irmã adotiva de Sophie, Posy e em como esta encontrou a felicidade.

Para além dos epílogos, o livro contém também um outro conto, intitulado “Violet in Bloom”. Cuja personagem é, claro, Violet, a matriarca dos Bridgerton. Este conto é composto por uma série de “flashes” da vida de Violet e finalmente, o falecido visconde, o seu marido Edmund tem algum protagonismo. É uma história muito fofinha e engraçada da qual gostei muito.

No geral, uma leitura leve e romântica, definitivamente recomendada (de leitura quase obrigatória, mesmo) para quem gosta da série Bridgertons.


Outras opiniões de livros da autora no blogue:

28 dezembro 2014

Opinião: Soul Screamers - livros 4-7 (Rachel Vincent)

Editora: Mira Ink/Harlequin Teen (2010 a 2013)
Formato: Capa mole/e-book | 1327 páginas (4 livros)
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA

Agora que já passou algum tempo desde a minha leitura super rápida da série Soul Screamers, começo a ver as coisas de outra perspetiva. Isso e os detalhes da história começam a desvanecer-se da minha mente, porque a série, apesar de viciante, não é propriamente memorável.

E foi por isso que resolvi escrever uma opinião mais compacta dos últimos quatro livros. Porque, no fundo, os livros não são assim tão diferentes, apesar de haver um grande acontecimento no quinto livro (bem, dois, na verdade). No fundo tudo continua na mesma, com Kaylee e os leais amigos a lutarem contra o malvado hellion Avari.

No quarto livro (My Soul to Steal), Kaylee e Nash estão separados devido aos acontecimentos do livro anterior; Kaylee perdeu a confiança em Nash e sente que não pode continuar, por enquanto, a relação. Mas não fica satisfeita quando uma antiga namorada de Nash, Sabine, aparece pronta a reconquistá-lo.

E mais, Sabine é, literalmente, um pesadelo. É uma mara, uma criatura parasítica que sobrevive retirando energia dos seres humanos quando estes estão a dormir… e a sonhar. O medo é o seu alimento e Sabine sabe tudo sobre os medos mais profundos das suas vítimas. Quando parece que Sabine anda a matar professores para se alimentar, Kaylee sente que tem de investigar, mesmo contra a vontade de Nash. Encontra em Todd, o irmão mais velho de Nash, um aliado.

O quarto livro prima pelo dramatismo. Há muito drama associado à relação amorosa conturbada de Kaylee com Nash, que traiu a sua confiança no livro anterior e fez coisas muito pouco recomendáveis. O mistério é, como no terceiro livro, afastado para segundo plano, até porque Kaylee suspeita de Sabine mais por ciúmes do que por outra coisa.

É um livro intenso, com emoções e drama à flor da pele, tal como é típico dos adolescentes. Há muita injustiça e sentimentos feridos de parte a parte e devo dizer que Vincent constrói um triângulo amoroso muito dramático e angustiado.

If I Die, o quinto livro, é um ponto de viragem acentuado na trama central dos livros. Kaylee recebe uma notícia que irá, literalmente, mudar radical e permanentemente a forma como vê as coisas. Confrontada com uma realidade definitiva acerca da qual não pode fazer nada, Kaylee esforça-se por tentar remediar os seus problemas, especialmente a sua relação com o pai e com o talvez-ex-namorado Nash. E também tem de confrontar sentimentos de uma pessoa inesperada e talvez admitir que os seus próprios sentimentos relativamente a essa pessoa e a Nash mudaram.

Ao mesmo tempo, Kaylee tenta proteger as raparigas da sua escola, que estão a ser atacadas por um incubus, que tudo fará para procriar… apesar de as mães de uma criança incubus não terem uma taxa de sobrevivência muito alta.
Temos neste livro um quadrado amoroso à moda antiga e níveis nunca antes vistos de angústia adolescente emocional. Sabine, Kaylee, Nash e o novo interesse amoroso de Kaylee todos lutam com os seus sentimentos e com aquilo que irá, inevitavelmente, acontecer a Kaylee no final.

A luta contra o professor de Matemática, aka incubus é, novamente, secundária. No entanto, a intensidade da narrativa continua a prender o leitor. 

No sexto livro, Before I Wake, Kaylee sobreviveu a uma mudança radical na sua vida. Ou melhor, “sobreviveu” talvez não seja a melhor palavra. Kaylee é agora, para além de uma bean sidhe com uma vida amorosa complicada, uma funcionária do Departamento de Recuperação (de almas), uma outra divisão dos reapers. O seu trabalho é recuperar almas que foram roubadas aos reapers. Para além do seu novo emprego, que lhe permite continuar a sua vida “normal”, Kaylee está ainda a habituar-se à sua nova relação e ao facto de Nash não lhe falar.

E, claro, Avari continua obcecado por ela e quer a sua alma… e tudo fará para a obter, inclusive arranjar maneira de ter uma presença na Terra.

Mais angústia a potes. Mais drama amoroso, mais drama relacionado com o facto de Kaylee ser tão perfeita e altruísta que Avari está obcecado por ela. Há algumas lutas e tudo o mais, mas a frase anterior resume o livro bastante bem. Mas… adoro o novo namorado da Kaylee. E adorei ler sobre ele na short story que vem neste livro.

E chegamos ao sétimo livro (With all My Soul). Depois dos acontecimentos traumáticos do livro anterior, Kaylee e os amigos decidem que têm de parar Avari e os outros hellions a qualquer custo. Vão tentar virá-los uns contra os outros, mas quando um novo hellion chamado Ira aparece, tudo vai de mal a pior. E Kaylee poderá ter de fazer o derradeiro sacrifício…

Se os outros livros foram emocionais, este bate todos os recordes. Finalmente Nash começa a perdoar Kaylee, Kaylee começa a perdoar Nash e Sabine está lá convenientemente para oferecer um final feliz ao ex-namorado rejeitado. Muito deste livro centra-se na personagem fulgurante que é Kaylee, tão especial que uma data de habitantes do Netherworld a querem.

Tendo em conta as minhas palavras sarcásticas, poderão pensar que não gostei da série. Não é o caso. Gostei, sim, li-a de um fôlego, devorei todos os livros e digo-vos: a escrita é o máximo. Não é floreada ou intrincada ou mesmo bela, mas é viciante, intensa e prende-nos de tal forma que parece que nos tem sob um feitiço. A escrita é o ponto forte da série porque é tão… envolvente.

E foi por isso, mais do que por qualquer outra coisa, que gostei da série. Certamente que o imaginário é interessante, mas depressa se tornou evidente que o mundo está lá para suportar a angústia emocional de Kaylee e do elenco de personagens que compõem os livros. Até o facto de Avari andar obsessivamente atrás de Kaylee contribui para isso. Nunca há grande desenvolvimento do mundo ou do imaginário (ou melhor, houve algum nos primeiros livros, mas depois acabou e passou a ser “Um drama na Escola Secundária”).

No geral, esta série está bastante bem escrita, de uma forma que nos dá vontade de ler sem parar, mas tenho de ser sincera: não é nenhuma obra-prima da fantasia (mesmo da urbana). Aliás, é mais romance paranormal do que fantasia urbana e tem demasiado drama para agradar, provavelmente, à maioria dos adultos. Eu, pessoalmente, gostei do facto de ser uma leitura compulsiva, mas teria gostado mais se houvesse menos drama e mais desenvolvimento da mitologia. A história é basicamente a mesma em todos os livros, como disse no início, e pouco mais.