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26 agosto 2011

Opinião: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (JK Rowling)

Editora: Editorial Presença (2000)
Formato: Capa Mole | 343 páginas
Idioma: Inglês
Géneros: Lit. Infanto-Juvenil, Fantasia, Fantasia Urbana
Descrição (Goodreads): "Faltavam ainda algumas semanas para o fim de mais umas horrendas férias de Verão com os Dursleys, quando Harry ouve a triste notícia da vinda da detestável tia Marge! Quebrando as leis de Hogwarts, Harry não resiste a usar os seus poderes de feiticeiro e acaba por abandonar a casa dos tios, deixando a perplexa tia Marge, mais inchada do que um balão, a flutuar junto ao tecto da cozinha dos Dyrsleys... Mas este terceiro ano de Harry Potter na Escola de Magia e Feitiçaria esconde perigos insuspeitos.
De Azkaban, a prisão-forte para feiticeiros, evade-se o prisioneiro mais temido, Sirius Black, que muitos dizem ser o fiel servidor de Voldemort, o Senhor das Trevas.
E porque repetiria ele, durante o sono, a frase: «Ele está em Hogwarts... Ele está em Hogwarts»? Estaria a referir-se a Harry Potter? Tudo indica que sim. O nosso herói não está a salvo nem mesmo dentro das parades da Escola, agora que o lado negro está a reunir as suas forças.
A atmosfera em Hoqwarts trona-se cada vez mais tensa. Quem é, afinal, Sirius Black? Porque é que os Dementors, os guardas de Azkaban, têm um efeito tão devastador sobre Harry? Haverá realmente um traidor entre os seus amigos de Hogwarts? A cada nova aventura, Harry enfrenta forças mais poderosas, a cada nova aventura, levanta-se um pouco mais o véu que esconde os mistérios da sua família..."
AVISO: Contém SPOILERS! 
Devo dizer que me tem sido difícil escrever opiniões ultimamente, em especial no que toca aos livros desta série. Creio que isto se deve ao facto desta ser uma saga que aprecio especialmente e que tem muito valor para mim em termos literários. Por isso, se esta opinião parecer... desconjuntada... bem, já sabem porque é. Mais ou menos.

"Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban" leva-nos de volta ao fantástico mundo da feitiçaria criado por J.K. Rowling.
Harry e os amigos preparam-se para mais um ano em Hogwarts, a escola dos feiticeiros. E tal como nos outros anos, o perigo e a aventura parecem persegui-los: desta vez vão ter de lidar com Sirius Black, um feiticeiro negro muito poderoso que conseguiu a proeza de escapar de Azkaban, a prisão mais segura do mundo. Black anda à solta e à procura de Harry Potter, a quem culpa pela queda de Voldemort.

Neste terceiro livro, Rowling continua a surpreender-nos com o seu mundo mágico. A mistura imaginativa de mito, realidade conferem ao mundo de Harry Potter um ambiente misterioso e intrigante. Mais pormenores são adicionados; à medida que Harry descobre novos feitiços e novas poções, o leitor vai aprendendo mais sobre o universo escondido dos feiticeiros.

A história continua a ser dirigida para o público juvenil mas nota-se uma ligeira diferença na narrativa: afinal, as personagens estão mais crescidas e creio que a passagem da infância para a adolescência começa neste livro e é notória. O enredo dá-nos também informações preciosas sobre o passado dos pais de Harry e sobre a primeira guerra contra o Voldemort; este é um livro importante porque alguns dos acontecimentos terão repercussões em livros posteriores (e isto seria óbvio mesmo para quem não tivesse lido os livros a seguir), mas não é um livro essencial.
Ou seja, apesar da autora começar neste livro a desenvolver mais o enredo que diz respeito a Harry Potter e a Voldemort, fá-lo ainda utilizando a 'fórmula' dos livros anteriores, com um mistério e pistas que culminarão no final do livro (e do ano) num desfecho satisfatório mas algo aberto.

Alguns dos conceitos mais fascinantes do mundo de Rowling estão neste livro. Os Animagus, o mapa do Salteador, Azkaban e os Dementors são alguns exemplos daquilo que faz com que estes livros sejam diferentes da maioria das ofertas do género.

No geral, "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban" é mais um óptimo livro juvenil que começa já a mostrar alguma complexidade de enredo a juntar à crescente complexidade do fascinante universo criado por Rowling. Uma óptima leitura.

Relido para a Leitura Conjunta Harry Potter

17 agosto 2011

Opinião: Harry Potter e a Câmara dos Segredos

Editora: Editorial Presença (2011)
Formato: Capa Mole | 275 páginas
Géneros: Lit. Infanto-Juvenil, Fantasia, Fantasia Urbana
Descrição (Ed. Presença): "Os dias de Verão com os Dursleys estavam a tornar-se insuportáveis. Harry Potter já não gostava muito de muggles, mas o pior é que tinha de passar os seus dias de férias em casa dos muggles mais muggles de todo o planeta e arredores. Não havia maneira de voltar para a sua querida escola de feitiçaria... E ultimamente mesmo esse regresso se encontrava ameaçado, pois o duende Dobby não cessava de o avisar de que algo terrível o aguardava em Hogwarts... Nada mais nada menos do que a revelação dos misteriosos e ameaçadores poderes da câmara do segredos! O regresso do herói que está a conquistar jovens e adultos de todo o mundo numa aventura que te enfeitiçará até à última página."
O segundo livro da série Harry Potter leva-nos novamente a Hogwarts onde Harry está prestes a iniciar o seu segundo ano de aprendizagem.
No entanto, parece que as coisas não serão mais fáceis do que no primeiro. Durante o verão Harry recebe a visita de uma estranha criatura, Dobby o elfo doméstico, que o avisa de um grande perigo e lhe transmite uma mensagem: "Harry Potter não deve voltar para Hogwarts". Harry não fica muito contente com este aviso uma vez que Hogwarts se tornou o seu verdadeiro lar. Mas pouco depois de chegar, acontecimentos estranhos começam a desenrolar-se e Harry, Ron e Hermione precisarão de toda a sua coragem e perspicácia para descobrirem a sua origem.

"Harry Potter e a Câmara dos Segredos" é o segundo numa série de sete dedicado às aventuras de Harry Potter e dos seus amigos na escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts. Sempre achei que este livro era mais "para encher" do que outra coisa. Apesar dos nossos protagonistas se depararem com um mistério para resolver, não temos nesta segunda obra de J.K. Rowling um grande desenvolvimento do enredo geral (a saber: Voldemort e a importância de Harry na luta contra o feiticeiro negro).

Neste livro, Rowling estabelece mais vincadamente as características e comportamentos das suas personagens mais importantes (Harry, Ron, Hermione, Draco Malfoy, Dumbledore e Snape) sem nunca revelar muito acerca da sua real importância para a história da saga.
No final Dumbledore dá-nos mais alguma informação sobre a ligação entre Harry e Voldemort, mas este é sem dúvida o livro da série que se pode saltar sem grande perigo pois não contém nenhuma informação particularmente vital.

No geral, "Harry Potter e a Câmara dos Segredos" é mais uma leitura agradável que nos dá a conhecer mais pormenores sobre o mundo dos feiticeiros e sobre os protagonistas, mas que tem pouca importância em termos do enredo principal.

É de referir o excelente trabalho de revisão realizado pela Presença aquando do lançamento destas novas edições; ao comparar a minha edição mais antiga com esta, reparei que o texto flui melhor na de 2011 e faz muito mais sentido.

Relido para a Leitura Conjunta Harry Potter

09 agosto 2011

Opinião: Harry Potter e a Pedra Filosofal

Editora: Editorial Presença (2000)
Formato: Capa Mole | 254 páginas
Géneros: Lit. Infanto-Juvenil, Fantasia, Fantasia Urbana
Descrição (Capa): "Quando naquela cinzenta manhã de terça-feira o senhor Dursley deparou, ao sair de casa, com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa, mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar.
Mas, quando dez anos mais tarde, enigmáticas cartas endereçadas a Harry Potter, o sobrinho desprezado dos Dursleys, começam a chegar em catadupa lá a casa, é como se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado. O que poderá acontecer se Harry Potter descobrir que é um feiticeiro?
Esta é uma história mágica, recheada de fantasia e encantamento, de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes, de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas, que está a enfeitiçar as crianças... e também a gente mais adulta, um pouco por todo o mundo.
"
Já perdi a conta ao número de vezes que li este livro. Deve ser um dos livros que reli mais vezes e sendo o primeiro de uma das minhas séries preferidas tem um lugar muito especial na minha prateleira.

Ainda me lembro bem de quando o meu pai nos apresentou (a mim e à minha irmã), um dia os quatro primeiros livros da série dizendo que estava a fazer furor em Portugal pelo que tinha decidido comprá-los para experimentar. Como naquela altura já gostava imenso de ler, atirei-me logo de cabeça e num instante fiquei envolvida no mundo e aventuras de Harry Potter, um rapaz que é muito mais do que parece à primeira vista.

Quando me foi proposta uma nova leitura da série devo confessar que fiquei de pé atrás. Fiquei com algum receio de reler os livros, especialmente os primeiros que são mais infantis. Fiquei com medo de não os apreciar tanto agora como os apreciei das primeiras vezes que os li uma vez que actualmente sou uma leitora diferente.

Mas não precisava de me ter preocupado. "Harry Potter e a Pedra Filosofal" conseguiu mais uma vez, a proeza de me cativar. Quando dei por mim tinha já acabado a leitura!
Certamente que notei o quão infantil este primeiro livro é, especialmente quando comparado com os mais recentes mas isso não tirou charme nenhum à leitura, pelo contrário! Achei que a autora fez um trabalho maravilhoso ao conseguir capturar quase na perfeição a mente e o comportamento de um jovem de 11 anos. Isso não é tão fácil como parece, algo que descobri ao ler outros livros infanto-juvenis em que as personagens se comportavam de forma muito adulta para a idade que tinham.

Rowling consegue criar um mundo mágico, mesmo neste primeiro livro que é claramente introdutório. São-nos apresentadas as personagens principais - Harry, Ron e Hermione - e todo um elenco de secundárias que terão mais ou menos importância no decorrer da série. A maneira como descobrimos Hogwarts, a Diagon-Al e todo o mundo escondido dos feiticeiros continua a ser genial!

É claro que a caracterização das personagens e a construção do mundo são bastante simplistas, mas isso não constitui uma falha grave se pensarmos na série como um todo (e será isso que farei em cada opinião, uma vez que já li todos os livros); estes aspectos melhoram muito ao longo dos livros tornando-se as personagens mais complexas à medida que crescem e o mundo mais intrincado à medida que a Harry vai fazendo mais descobertas acerca dele e também à medida que a sua percepção muda.

"Harry Potter e a Pedra Filosofal" é um primeiro livro extraordinário que nos transporta para um mundo encantado tão interessante que queremos imediatamente saber mais. As personagens são carismáticas e penso que este é, no geral, um óptimo livro de introdução. Uma obra que encantou milhões e que aguenta bastante bem o teste do tempo, penso eu. Um livro a manter na biblioteca, definitivamente!

Relido para a Leitura Conjunta Harry Potter

12 julho 2011

Opinião: O Segundo Cerco

O Segundo Cerco de Henry H. Neff
Editora: Editorial Presença (2011)
Formato: Capa Mole | 423 páginas
Géneros: Lit. Infanto-Juvenil, Fantasia Urbana
Descrição (Ed. Presença): "Este segundo volume de A Tapeçaria leva a série a um novo nível de sofisticação e suspense. Max Mc Daniels e David Menlo, agora no seu segundo ano na Academia de Rowan, desenvolveram as suas potencialidades, os seus conhecimentos e são agora jovens adultos preparados para enfrentar os seus adversários. Entretanto Astaroth, um demónio que se libertou de um cativeiro de séculos, vai tentar apoderar-se do Livro de Tot, o Livro das Origens, e utilizá-lo para os seus tenebrosos objectivos. Uma saga que decorre no mundo actual e que reúne fantástico, ficção científica e magia." 
AVISO: Contém alguns SPOILERS!
Após ter ficado algo desiludida com o primeiro livro desta série, entrei na leitura de "O Segundo Cerco" com expectativas algo baixas. Talvez tenha sido um pouco por isso que este segundo livro da série me agradou mais do que o primeiro; mas creio que o facto de o autor ter passado muito mais tempo a desenvolver o seu mundo e as personagens também contribuíram para que este livro fosse bem mais interessante do que o seu predecessor.

Passou um ano desde que Max McDaniels, agora a viver permanentemente na Academia de Rowan com o seu pai, descobriu que tinha poderes mágicos. O primeiro ano de aprendizagem na Academia foi atribulado e resultou na libertação de um mal antigo: Astaroth, o temido líder do "Inimigo".
Com Astaroth à solta, o mundo torna-se um lugar sombrio: governos caiem, o caos instala-se em cidades e vilas e as pessoas vivem num clima de medo. Em Rowan, os Místicos preparam-se para uma luta difícil e esforçam-se por chegar antes de Astaroth a um objecto mágico que lhe dará poder suficiente para controlar o planeta: o Livro de Tot.

"O Segundo Cerco" foi, como já referi, bastante mais interessante do que o "O Guardião de Rowan". Nota-se um esforço claro por parte do autor para desenvolver mais o seu mundo e as personagens. Muitas das questões levantadas no primeiro livro (como a relevância de Max, entre outras) são respondidas de forma clara, há um incremento na acção o que tornou o livro mais fácil de ler e muitas das personagens que no primeiro livro pouca ou nenhuma personalidade possuíam parecem neste ganhar dimensão.

Neff dá-nos muitos mais pormenores acerca do mundo dos místicos, das suas relações com o mundo "exterior" e outras Ordens secretas como as que preferem seguir a via da tecnologia. Dá-nos a conhecer as tensões existentes neste mundo escondido onde diversas tradições mágicas se cruzam e coexistem numa frágil paz. Distancia-se assim da realidade construída por Rowling na série "Harry Potter"; consegue também integrar com muito mais eficácia do que no primeiro livro, a mitologia dos Tuatha Dé Danann e a lenda de Cúchulain.

Max cresce imenso como personagem e senti que neste livro ele passou realmente a ter o papel principal, ao contrário do que acontecia no primeiro livro onde sempre me pareceu ter um papel secundário. Ao ler sobre Max n'"O Guardião de Rowan" lembrava-me sempre de personagens como Ron Weasley ou Robin (o parceiro do Batman); nesta segunda obra o papel e a importância de Max são bem referenciados e a própria personagem parece adquirir uma auto-confiança que o catapulta para primeiro plano. Outras personagens como a Professora Boon e o Agente Cooper ganham também vida através das interacções com Max e David.

David continua a ser uma personagem bastante mono-dimensional e desinteressante apesar da sua aparente importância. A sua evolução é irrealista, muito porque parece que o rapaz "já nasceu ensinado" sabendo fazer tudo e mais alguma coisa - é o melhor Feiticeiro e parece ser muito sábio apesar da idade. E nunca dá explicações acerca daquilo que diz ou do que pede aos outros para fazer.

Apesar destas melhorias, existem ainda alguns problemas na construção da história: algumas situações parecem forçadas e mesmo inverosímeis (como o facto dos humanos comuns aceitarem com naturalidade, ao que parece, as estranhas mudanças a ocorrer pelo mundo fora); outras parecem não ter qualquer objectivo. A magia, apesar de ser o 'fio condutor' da narrativa continua a ser pouco impressionante; basicamente alguém sussurra umas palavras ou faz um gesto com a mão.

Contudo, mesmo com estas falhas penso que este livro foi bastante melhor do que o primeiro e as reviravoltas no enredo certamente aguçaram a minha curiosidade acerca do que se passará no terceiro livro!

No geral, "O Segundo Cerco" foi uma leitura bem mais agradável e interessante do que "O Guardião de Rowan" e representa uma melhoria considerável em relação ao primeiro livro. Mesmo assim, considero que o autor continua a não desenvolver suficientemente bem alguns dos aspectos e "regras" do seu mundo e que este seria mais intrigante se a magia dos Místicos e os engenhos dos cientistas fossem explicados com mais pormenor.
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Nota: Foi-me enviado, pela Editora, um exemplar desta obra para análise mas isso não influenciou em nada a opinião aqui apresentada.

10 julho 2011

Opinião: O Guardião de Rowan

O Guardião de Rowan de Henry H. Neff
Editora: Editorial Presença (2010)
Formato: Capa Mole | 350 páginas
Géneros: Lit. Infanto-Juvenil, Fantasia Urbana
Descrição (Goodreads): "A vida sossegada de Max McDaniels está prestes a nunca mais voltar a ser como dantes. Durante uma visita com o pai ao Instituto de Arte de Chicago, uma velha tapeçaria celta ganha vida à sua frente e, pouco depois, Max recebe um enigmático convite para ingressar na Academia de Rowan. Aí aguardam-no criaturas fantásticas, um currículo exigente e colegas com capacidades extraordinárias, mas também uma batalha ancestral entre as forças da luz e das trevas. Neste romance de estreia, o autor e ilustrador Henry H. Neff combina elementos de fantasia, ficção científica e mitologia para criar uma história emocionante que nos conquista do início ao fim."
AVISO: Contém SPOILERS!
Quando me foi proposta a leitura deste livro, fiz alguma pesquisa sobre o mesmo e descobri várias opiniões no Goodreads que o caracterizavam como sendo parecido com Harry Potter mas não desprovido do seu próprio encanto.

Parti então para a leitura com algum entusiasmo pois a saga de Harry Potter é uma das minhas preferidas e se "O Guardião de Rowan" tinha o mesmo tipo de premissa isso só podia significar que ia ser um livro agradável.

Infelizmente, não foi o caso. Ao contrário de outros leitores não achei o mundo construído por Henry H. Neff particularmente interessante; nem o mundo, nem o enredo e nem mesmo as personagens.

Mas comecemos pelo principio. A história faz realmente lembrar a do Harry Potter. O protagonista, Max McDaniels, está de visita a um museu quando se depara com uma velha e puída tapeçaria numa sala meio escondida. Quando se aproxima, a tapeçaria parece mudar: as cores avivam-se, cenas bucólicas desenham-se, os fios brilham em várias cores... enfim, basicamente a tapeçaria transforma-se. E pouco depois Max recebe uma carta informando-o que é um "Potencial". E é assim que a vida deste jovem de 12 anos muda para sempre... indivíduos estranhos aparecem de repente, alguns para lhe fazer mal, outros para lhe dizer que fora aceite na Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwa... Academia de Rowan.
Quando chega à escola, Max aprende que é um "Místico" e que pode manipular energia. E não, não é preciso varinhas como os professores salientam peremptoriamente.

Esta é, em linhas gerais, a história do primeiro livro que me parece ser um livro introdutório à série, uma vez que a acção é escassa. Muito pouco acontece que não esteja relacionado com o funcionamento normal de uma escola em regime de internato. Isto tornou a leitura um pouco morosa, por vezes.
Max ingressa então na Academia, um local misterioso carregado de 'Magia Antiga', onde as divisões mudam de aspecto para acomodar quem lá está dentro; os seus testes indicam que tem qualquer coisa de invulgar, mas não se sabe bem o quê. Quase de início, Max e os colegas são confrontados com um trio de alunos arrogantes do segundo ano que persistem em gozar com eles. Bailes e banquetes a celebrar o dia das Bruxas ou o Dia dos Namorados sucedem-se... e, claro, todos os alunos têm de cuidar e conviver com criaturas mágicas, inventadas pelo autor e que, para serem distintas das apresentadas numa certa série são... bem, ridículas. O "lymrill", por exemplo, é uma misturaça tão grande de espécies que não fui capaz de criar qualquer imagem mental do animal. O único ponto positivo que tenho a apontar é a utilização de engenhos tecnológicos lado a lado com a magia.

Como podem ver o enredo é assustadoramente reminiscente do de Harry Potter; a triste diferença é que Neff não é, nem de perto nem de longe um escritor tão imaginativo como Rowling. É por isso que o seu mundo falha e que não consegue imprimir às suas criaturas ou à sua academia o ambiente mágico e arcano que caracterizam os livros de Rowling. A prática da 'magia' é escassa no livro e Max utiliza mais a sua misteriosa força sobre-humana do que os seus supostos dons de místico.

Também a mitologia é confusa. O autor utiliza mitologia Irlandesa e Escocesa para explicar a constante mas antiga batalha entre os Místicos "bons" e os "maus" (também comummente designados como "O Inimigo"), metendo os Tuatha Dé Danann pelo meio; Cúchulain entra também na história para explicar porque é que Max é especial, mas sinceramente as explicações são tão atabalhoadas e incompletas que não se percebe bem a relação.

As personagens também têm muito pouco que se recomende. Não estão particularmente bem desenvolvidas e em termos comportamentais são semelhantes às de Rowling (temos David, o Místico prodígio e a Directora que trata Max como o Dumbledore trata o Harry). Max distingue-se de Harry Potter na medida em que parece ter mais garra e ser um pouco mais volúvel emocionalmente. Mas de resto não há nenhuma personagem que se destaque.

No geral: "A Tapeçaria - O Guardião de Rowan" é mais um livro dirigido aos leitores que apreciaram Harry Potter. Atenção, digo aos que apreciaram e não aos fans. Isto porque o universo criado por Henry H. Neff é tão similar ao de Rowling que um fan desta depressa estaria a comparar as duas obras. E a de Neff sai claramente a perder pois falta-lhe o encanto e complexidade que caracterizam os livros de J.K. Rowling. Confesso que este livro não me cativou particularmente por achar o enredo previsível e o mundo pouco interessante e mal desenvolvido. Destaco, no entanto, a escrita acessível do autor e as belíssimas ilustrações espalhadas pelo livro. Talvez o segundo livro tenha mais detalhes sobre o mundo em que as personagens se movem.
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Nota: Foi-me enviado, pela Editora, um exemplar desta obra para análise mas isso não influenciou em nada a opinião aqui apresentada.