Mostrar mensagens com a etiqueta R.A. Salvatore. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta R.A. Salvatore. Mostrar todas as mensagens

15 maio 2011

Opinião: Exílio

Exílio de R.A. Salvatore
Editora: Saída de Emergência (2011)
Formato: Capa Mole | 288 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição (SdE): "Após renegar a sua própria família e partir para longe de Menzoberranzan, a sua pátria, Drizzt tem que aprender a sobreviver e conquistar um novo lar no imenso labirinto dos túneis subterrâneos onde se ocultam criaturas das trevas. Mas o verdadeiro perigo parte da sua própria raça e Drizzt terá que estar atento a sinais de perseguição, pois os elfos negros não são um povo misericordioso...
Venha descobrir Drizzt, o elfo negro, uma das personagens mais lendárias da fantasia. E acompanhe-o na épica e intrépida jornada para longe de um mundo onde não tem lugar... em busca de outro, na superfície, onde talvez nunca o aceitem.
"
AVISO: Contém alguns SPOILERS.
Este segundo livro da 'Trilogia do Elfo Negro', continua a história do primeiro, apesar de uns anos mais tarde.

Drizzt fugiu da sua família e dos malvados preceitos que regem a sociedade drow. Dez anos passados, vive nas selvas do Subescuro caçando para sobreviver e tendo como única companhia Guenhwyvar a pantera negra contida numa figura de madeira.

Apesar de ter apreciado o livro em geral, não achei que "Exílio" tão bom como "Pátria". Senti falta da descrição detalhada que acompanha o primeiro livro, nomeadamente no que diz respeito à sociedade drow - o Subescuro é descrito com muito menos pormenor e como muitas vezes é apenas povoado por criaturas selvagens, tem menos interesse. Penso que o autor perdeu tempo demais a contar esta parte da história em particular, que as aventuras de Drizzt no Subescuro não necessitavam de um livro inteiro. O autor arrastou um pouco as situações pelo que a leitura se tornou por vezes morosa.

No que às personagens diz respeito, continuo a sentir que o autor falha na caracterização e desenvolvimento. Apesar de Drizzt sofrer uma espécie de conflito interior que deriva do seu modo de vida isolado, nunca senti que esse lado mais negro fosse tomar conta dele; ou seja, tive sempre a percepção de que Drizzt ultrapassaria os seus instintos e que a sua faceta "heróica" continuaria a prevalecer.

A única personagem que me cativou e cuja luta interior me pareceu "realista" por assim dizer, foi Clacker o Pech transformado em "horror de garras". Mas devo dizer que achei toda a situação que levou a esta transformação bastante inverosímil e algo ridícula... o feiticeiro humano que Salvatore atirou no caminho de Drizzt e do seu companheiro não fez sentido nenhum. Este é aliás, outro dos problemas de "Exílio": a existência de pequenas inconsistências ao nível da história, que deixam o leitor algo perplexo.

Mais uma vez, o autor não se aprofundou muito sobre Lolth e as suas origens; achei sinceramente que o livro teria beneficiado de um encontro entre Drizzt e a Rainha Aranha ou pelo menos os seus poderes (excluindo o zin-carla). Mas o enredo foca-se apenas em Drizzt e nas suas aventuras no Subescuro.

Com uma escrita acessível e personagens exóticos, "Exílio" é um livro de aventuras que agradará certamente aos leitores do género fantástico. Tal como em "Pátria", a história não é particularmente complexa, mas Drizzt é uma personagem simpática assim como o são os seus companheiros. No geral, uma boa obra de fantasia se bem que não prime pela originalidade.

11 maio 2011

Opinião: Pátria

Pátria de R.A. Salvatore
Editora: Saída de Emergência (2010)
Formato: Capa Mole | 304 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição (Goodreads): "Nas profundezas da terra e rodeada de trevas eternas, esconde-se a imensa cidade proibida de Menzoberranzan. Habitada pelos drows, os temidos elfos negros, Menzoberranzan é governada por um complexo sistema de Casas em constante batalha. No meio de uma dessas batalhas nasce uma criança com olhos cor púrpura. A criança, Drizzt Do'Urden, destinada a tornar-se príncipe de uma das Casas, cresce num mundo vil onde a sua própria família não hesita em conspirar, trair e assassinar. Surpreendentemente, Drizzt desenvolve um sentido de honra e justiça completamente estranho à sua cidade. Mas haverá lugar para ele num mundo onde a crueldade é a maior virtude? Venha descobrir Drizzt, o elfo negro, uma das personagens mais lendárias da fantasia. E acompanhe-o na épica e intrépida jornada para longe de um mundo onde não tem lugar... em busca de outro, na superfície, onde talvez nunca o aceitem."
AVISO: Contém Spoilers
Já há muito que conheço (de nome) a série "Forgotten Realms", baseada no jogo com o mesmo nome que por sua vez deriva (se não estou em erro) do famoso Dungeons and Dragons. No entanto, apesar de não ser adversa a ler fantasia baseada em jogos RPG (já li alguns do universo Dragonlance, por exemplo) nunca tive curiosidade em ler os livros desta série. Até que um exemplar de "Pátria" me veio parar às mãos.

Em "Pátria", seguimos Drizzt Do’Urden um elfo negro (ou drow) que vive no subsolo (ou Subescuro) numa impressionante cidade subterrânea, Menzoberranzan. O livro inicia-se com o nascimento do nosso protagonista numa altura em que a sua família (nobre) conspira para ganhar ainda mais poder. Marcado para ser sacrificado à misteriosa e maléfica deusa-aranha Lolth, Drizzt é salvo por circunstâncias imprevistas e torna-se no "Segundo Filho" da sua "Casa".

Nos capítulos seguintes, seguimos então o processo de crescimento de Drizzt, desde os seus inocentes primeiros anos até à sua intensa formação na Academia de guerreiros. Pelo caminho, o nosso herói vai também aprender os horrorosos costumes da sua raça, que glorificam a violência, a manha e a dissimulação.

"Pátria" é um livro que se lê rapidamente e chega mesmo a ser de leitura compulsiva nalgumas partes. Contém a maioria das características gerais da fantasia épica: diversas raças, magia, divindades misteriosas, entre outras. Gostei bastante de ler sobre a viagem de Drizzt, mas o que mais me impressionou foi a sociedade dos drow. Achei refrescante (apesar de não ser inédito) que as mulheres detivessem o poder; Gostei também de ler sobre a cidade e a sua construção. As descrições eram apropriadamente vividas e fiquei com uma boa ideia de como os elfos negros viviam. Só gostaria de ter tido mais informação - verdadeira, não a que é comunicada a Drizzt e aos seus colegas nas aulas da Academia - sobre as origens da raça, o porquê da sociedade se ter tornado tão vil e claro, sobre a misteriosa Lolth. Mas talvez haja mais informação sobre tudo isto em livros posteriores.

Apesar de ter gostado da história, no geral, não achei que as personagens estivessem particularmente bem desenvolvidas. Tanto a família de Drizzt como a maioria dos Drow com que este se cruza me pareceram muito mono-dimensionais, como se colectivamente representassem a maldade e a natureza vil da sociedade dos elfos negros. Não há grande individualidade no carácter das personagens; não parece existir mais nenhum drow que tenha dúvidas acercas das práticas da sua sociedade, e sinceramente, achei isso bastante inverosímel.
Só Zak se destaca, mas mesmo assim não gostei particularmente dele como personagem. Quanto a Drizzt, apesar de estar muito mais bem desenvolvido do que os outros nunca parece afastar-se muito da sua personalidade "heróica" por assim dizer. Acho que teria gostado mais de ter visto alguma vulnerabilidade em Drizzt, de vê-lo ceder aos preceitos da sua raça porque isso daria mais sentido à sua decisão final.

Mesmo com esta falha, "Pátria" é um livro interessante, apesar de claramente introdutório. Penso que os livros seguintes da saga trarão mais respostas em relação a muitos dos conceitos introduzidos nesta obra pois Drizzt irá conviver com outras raças e conseguir novas perspectivas.

No geral, um bom livro dentro do género... nada de verdadeiramente épico ou original, mas um começo sólido para uma saga. Recomendado para os que gostam de fantasia e mesmo para os que querem entrar neste género pela primeira vez.