Editora: Saída de Emergência (2011)
Encadernação: Capa Mole | 232 páginas
Géneros: Thriller, Fantasia Urbana
Descrição (GR): "Quando um grupo de feiticeiros renegados decide despertar uma personagem maldita da história portuguesa para cumprir uma profecia de séculos, Baltazar Mendes (investigador policial a quem acusaram de loucura!) vê-se envolvido contra sua vontade num conflito mortal em que nem todos os oponentes são humanos. Tudo dependerá de si porque, se a profecia se cumprir e o desejado regressar, o fim chegará numa manhã de nevoeiro. Uma aventura frenética, metade thriller, metade fantasia, que apresenta uma nova e talentosa voz do fantástico nacional."
"O Fim Chega Numa Manhã de Nevoeiro" de Renato Carreira foi a minha primeira obra de fantasia urbana por um autor português. Como sempre, entrei na leitura com expectativas baixas (devido a desilusões passadas e ao facto de ler, maioritariamente, obras do género e por isso conhecer a maioria dos enredos e características inerentes a este tipo de livros).
Felizmente, esta aventura sobrenatural pelas ruas de Lisboa lê-se com facilidade devido à acção quase constante, às personagens caricaturais e ao humor verdadeiramente engraçado (e algo auto-depreciativo).
Baltazar Mendes, inspector da polícia, foi recentemente despedido por motivos de saúde; ou seja, foi corrido da força por ser doido. Ou pelo menos é o que os seus superiores pensam... porque a verdade é que Baltazar está longe de ser maluco e tem apenas a má sorte de se ter associado com um feiticeiro.
Sem emprego e com a sanidade em causa, Baltazar certamente não precisa de mais complicações. Mas quando se conhece um feiticeiro e se tem uma insignificante imunidade ao sobrenatural as complicações vem bater-nos à porta, como o ex-polícia descobre quando se vê envolvido numa conspiração secreta que envolve feiticeiros renegados, uma mão-cheia de vampiros e uma ou outra figura histórica.
"O Fim Chega Numa Manhã de Nevoeiro" é como já disse, um livro que se lê bastante bem e com relativa rapidez. Tenho de confessar que achei a história mal explorada (tudo aconteceu muito depressa e algumas pontas ficaram por atar) e por vezes demasiado inverosímil, mas não é por isso que deixa de ser interessante, com a acção constante e um protagonista sarcástico que é, primeiro que tudo, um "tipo muito normal" e por isso uma personagem com quem o leitor se identifica facilmente.
Gostei também da óbvia brincadeira do autor com as suas personagens. Foi engraçado ver versões tipicamente portuguesas de vampiros e feiticeiros; nem todos são belos e hipnotizantes: alguns têm mau gosto no vestir, no pentear e nem mesmo os vampiros escapam aos problemas dos mortais, como uns quilinhos a mais ou um sinal no meio da cara.
Um dos meus maiores problemas foi mesmo o facto da caracterização não ser muito mais pronunciada no caso das personagens principais do que no das secundárias.
O ponto mais fraco do livro é o enredo. O autor poderia ter feito muito, mas muito mais com a história, mas o que me incomodou mais foi o facto de sermos lançados abruptamente num mundo escondido sem grandes explicações. As experiências iniciais de Baltazar dentro desse mundo são-nos relatadas de forma sucinta, o que não me agradou particularmente; acho que teria tido mais impacto se o livro abrisse com o herói a viver essas experiências.
No geral, este é um livro que irá certamente agradar a leitores que gostam de acção, aventura e alguma fantasia. Não tem uma história propriamente original ou particularmente bem desenvolvida e as personagens precisavam de uma caracterização mais cuidada, mas o ritmo "frenético" (como o descreve o resumo na capa) o humor e a escrita envolvente cativarão os leitores desde a primeira página. Um autor a seguir.
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