08 janeiro 2009

Mais Fantasia Urbana em Portugal

O blog Bela Lugosi is Dead noticia hoje a publicação, pela editora Saída de Emergência, da série de fantasia urbana "Merry Gentry" da autoria da americana Laurell K. Hamilton.

Para quem não conhece, Laurell K. Hamilton é uma popular escritora (pelo menos no seu país) de livros de fantasia urbana e conta com duas séries publicadas: "Anita Blake, caçadora de vampiros", correntemente no livro 16; e "Merry Gentry", cujo sétimo livro saiu em Novembro passado.

A primeira série centra-se na personagem de Anita Blake que, como o nome da série indica, é uma caçadora de vampiros, para além de trabalhar numa empresa chamada Animators Inc. onde faz uso dos seus poderes de necromancer.

A segunda série é sobre Merry Gentry uma híbrida (fada/humana) que trabalha como investigadora privada em Los Angeles até a rainha da corte das fadas lhe oferecer o seu trono... se Merry conseguir ter um filho antes do primogénito da rainha.
Fico contente com o incremento de livros de fantasia urbana em Portugal, claro. Penso que é um género interessante que mexe bastante com a nossa imaginação.

No entanto, creio que Laurell K Hamilton não é o autor apropriado para nos introduzir a este género; os seus últimos livros estão bastante mal escritos e penso que a série de Merry Gentry tem uma história bastante ridícula... que se traduz, basicamente, na personagem principal a ter sexo com vários homens (fadas, etc) para conseguir engravidar. Não creio que seja o melhor exemplo de fantasia urbana. A outra série de Hamilton, Anita Blake, seria mais apropriada, pelo menos os primeiros 5 ou 6 livros (depois disso também começa a descambar).

Felizmente, ao que parece, a Saída de Emergência vai apostar também na série de Charlaine Harris, "The Southern Vampire Mysteries". Esta série involve também criaturas sobrenaturais mas tem uma boa dose de mistério e histórias mais interessantes.

02 janeiro 2009

Evernight (Evernight School, 1)

Autor: Claudia Gray
Editora: HarperTeen (capa dura) - 2008
Nº de Páginas: 336
Idioma: Inglês
Géneros: Lit. Juvenil, Fantasia Contemporânea/ Urbana

Eis a minha primeira leitura do ano... Evernight é o primeiro livro de uma nova série virada para os jovens adultos.

Este livro conta a história de Bianca uma tímida jovem de 16 anos que se instala com os seus pais (que são professores) na Academia de Evernight. Esta é uma escola privilegiada, com história (foi construída nos finais do século XVIII), onde apenas os mais ricos têm entrada; Bianca, como filha de professores não é rica e não faz parte da elite... pelo que ela teme tornar-se impopular.

No entanto, á medida que o ano passa, Bianca apercebe-se que ser impopular é o menor dos seus problemas...

Evernight é uma leitura relativamente rápida, apesar dos buracos na história e das personagens algo ocas. A comparação com o bestseller "Crepúsculo" é inevitável, uma vez que o assunto é o mesmo, mas penso que no geral, Evernight fica claramente a ganhar.

01 janeiro 2009

Nefertiti

Título Original: "Nefertiti"
Autor: Michelle Moran
Editora: Bertrand Editora - 2007
Nº de Páginas: 480
Idioma: Português
Géneros: Ficção Histórica, Romance
Sinopse (site Bertrand): Trata-se da biografia de uma das mulheres mais belas e famosas do antigo Egipto, contando-nos a história do seu apogeu como Grande Esposa Real e da influência que teve na política egípcia. Esta rainha e o seu marido formam os primeiros monoteístas da História.

Este livro foi, numa palavra, decepcionante.

A história de Nefertiti e Akhenaton, dois dos líderes mais emblemáticos da Civilização Egípcia sempre foi um tema que me interessou particularmente.
Talvez por isso, tivesse grandes expectativas para este livro... expectativas essas que não foram correspondidas.

Segundo a sinopse oferecida no site da editora Bertrand, esta obra da autoria de Michelle Moran, retrata a vida de Nefertiti, esposa do Faraó Egípcio Akhenaton; também, segundo a sinopse, esta obra é bibliográfica. Em relação a este último ponto, sempre tive as minhas dúvidas, uma vez que não existem vestígios suficientes da vida desta Rainha para "construir" uma biografia bem fundada da sua vida.

"Nefertiti", não só contém uma grande quantidade de erros históricos (o que devia ser impossível numa obra deste cariz e bem investigada, segundo a contracapa) como espelha uma visão subjectiva da autora em relação às suas personagens pelo que está longe de ser uma biografia, sendo antes uma obra de ficção, um romance.

Moran retrata Akhenaton como um homem violento, inseguro e pouco inteligente; condena a sua visão (a mudança religiosa efectuada por este líder) e apesar de nos apresentar a principal razão para ela (a tentativa de dispersar o poder dos sacerdotes do deus Amon, que neste período era tanto que podia influenciar as decisões de vizires e Faraós), condena-a não lhe reconhecendo qualquer mérito, como o fazem muitos historiadores.

Já Nefertiti, é como uma rapariguinha mimada; ler sobre ela neste livro fez-me lembrar o último filme sobre Marie Antoinette e a maneira como a sua personagem parecia uma lider de claque fútil e parvinha. Nefertiti comporta-se de um modo infantil e petulante durante a maior parte do livro, recuperando apenas um pouco no final do livro.

Em relação às discrepâncias históricas, há muitas que podem ser apresentadas; nomeadamente no que respeita aos actos políticos e reinado do Faraó e num âmbito mais geral, erros que demonstram uma total incompreensão por parte da autora, da sociedade egípcia; muitas vezes pensei estar a ler sobre uma sociedade medieval.
Por exemplo, Michelle Moran confunde os "haréns" Egípcios com os dos Sultões Otomanos; fala-nos também de "dinheiro" quando é bem conhecido o facto de que a sociedade Egípcia era uma sociedade de trocas e que o dinheiro só foi introduzido aquando da chegada dos gregos.

"Nefertiti" é, portanto, uma obra de ficção; não se deve dar grande valor às informações históricas nela contidas, sob pena de se conceber uma ideia errada sobre a sociedade do Antigo Egipto.

Creio que se não estivesse realmente à espera de ler um livro bem pesquisado e suportado por factos históricos sólidos não teria ficado tão desiludida e teria gostado bem mais do livro, que no fundo não é mau de todo de se ler.

12 dezembro 2008

Opinião: Shakespeare's Landlord (Charlaine Harris)

Editora: Berkley (2005)
Formato: Capa mole/bolso | 216 páginas
Géneros: Mistério
Sinopse.

Lily Bard tem uma vida calma na pequena e pacata vila de Shakespeare. Sendo uma pessoa calada e eficiente no seu trabalho (como empregada de limpezas), Lily não arranja problemas.

Certo dia, a sua vida pacífica é perturbada por um bizarro acontecimento; uma noite, quando se encontra a fazer jogging, Lily vê um vulto indistinto livrar-se de um corpo... e o veículo que utilizam para transporte é o seu próprio carrinho do lixo! Zangada, Lily decide descobrir o culpado, tanto mais que o carrinho do lixo a pode incriminar a ela.

Shakespeare's Landlord faz parte da popular categoria denominada "cosy mysteries" (nos EUA); são basicamente livros com histórias que envolvem mistérios e geralmente uma personagem feminina com que com alguma astúcia, ajuda a polícia a desvendar o caso. Estes mistérios têm normalmente lugar em cidades pequenas e mais ou menos isoladas.

Esta história em particular desiludiu-me; apesar de termos um cadáver, oh sim, dá ideia que a autora estava muito mais preocupada em descrever aos leitores a personalidade da heroína, Lily Bard e os factores (nomeadamente um passado trágico) que a levaram a ter esse tipo de carácter. A parte do mistério, ao contrário das personagens, estava mal desenvolvido... Lily nem sequer participou muito na resolução daquele.

No entanto, este livro tem alguns pontos positivos: o bom desenvolvimento das personagens, especialmente da principal, Lily e a escrita captivante. Estou convencida de que este livro é sobretudo um livro de introdução e de que Lily Bard será muito mais activa nas histórias que se seguem.

10 dezembro 2008

Opinião: Poison Study (Maria V. Snyder)

Poison Study de Maria V. Snyder
Editora: Mira Books (2007)
Formato: Capa Mole | 416 páginas
Géneros: Aventura, Fantasia Épica, Romance
Descrição (GR): "Choose: A quick death
Or slow poison...
Yelena has a choice – be executed for murder, or become food taster to the Commander of Ixia. She leaps at the chance for survival, but her relief may be short-lived.
Life in the palace is full of hazards and secrets. Wily and smart, Yelena must learn to identify poisons before they kill her, recognise whom she can trust and how to spy on those she can’t. And who is the mysterious Southern sorceress who can reach into her head?
When Yelena realises she has extraordinary powers of her own, she faces a whole new problem, for using magic in Ixia is punishable by death..."
Confesso que apesar de ter ouvido boas opiniões acerca dos livros, estava um pouco receosa de os ler, exactamente por causa do seu género. A maioria dos livros dentro deste estilo têm características muito semelhantes, desde cidades e vilas medievais a elfos, anões e outras criaturas parecidas.

No entanto, Poison Study foi uma surpresa agradável. Apesar dos territórios e armamento sugerirem um cenário medieval (apesar de haver alguns indícios de este mundo estar numa época quase industrial), o mundo ficcional de Snyder é mais original do que a maioria dos criados por autores de "high fantasy". Neste mundo não temos elfos, anões ou dragões, mas apenas humanos. As mulheres têm um papel mais proeminente e o sistema político é mais complexo, sendo mesmo a base da trama.

O mundo em que as personagens se movem é considerado secundário, pelo que não temos muita informação. Snyder concentra a sua atenção no desenvolvimento das personagens e na acção central, conseguindo deste modo, uma história coesa e interessante, sem aquelas pausas que se encontram em muitos livros de fantasia clássica, onde os autores explicam em detalhe a história dos locais.

A história segue a personagem Yelena Zaltana, uma jovem orfã criada no território de Ixia, por um general ambicioso e maldoso. Yelena sofre terrivelmente às mãos do General e do seu filho, até que um dia, desesperada por evitar novos mãos tratos, assassina aquele. Assassínio não é tolerado em Ixia, que é uma ditadura militar chefiada pelo Comandante Ambrose, pelo que Yelena é presa e condenada à morte.

Mas no dia da execução, Valek, o chefe de espionagem do Comandante oferece a Yelena uma saída: se ela concordar em tornar-se a nova provadora de comida de Ambrose, ser-lhe-á dada a oportunidade de viver. Yelena aceita e é treinada por Valek na arte de identificar venenos na comida e bebida.

Enquanto provadora, Yelena vai fazendo amizades e inimigos no castelo ao mesmo tempo que uma conspiração secreta ameaça o Comandante.

Uma leitura recomendada para amantes de fantasia em geral. Este livro tem acção, aventura, romance e um bom mistério, para além, claro de magia.

08 dezembro 2008

Opinião: Sangue na Piscina (Agatha Christie)

Editora: Edições Asa (2007)
Formato: Capa mole | 224 páginas
Géneros: Mistério
Sinopse.

Sangue na Piscina (em inglês, The Hollow) é uma das inúmeras obras escritas pela "rainha do mistério", Agatha Christie. A personagem principal é o bem conhecido detective belga Hercule Poirot, que neste livro é convidado para a mansão de Lady Angkatell. No dia seguinte o marido de uma das residentes aparece morto.

Apesar de ter apreciado o livro em geral, devo dizer que certos aspectos me perturbaram. Um deles foi a disposição da história: este livro centra-se muito mais nas características de cada personagem envolvida do que no mistério propriamente dito; a este é dada uma breve atenção nas últimas 50 ou 70 páginas e o desfecho... sabe a pouco.

O outro aspecto perturbador são as já mencionadas características das personagens; todas as pessoas envolvidas no mistério, exceptuando, talvez Sir Henry, são estranhamente desiquilibradas de uma forma ou de outra. Pode dizer-se mesmo que a maioria delas chega mesmo a ser algo perversa. Por um lado, são personagens brilhantes, mas por outro são... perturbadoras devido à sua aparente imoralidade ou melhor dizendo, frieza e calculismo.

Sangue na Piscina vale pelas incríveis caracterizações de personagens que são humanos desconcertantes mas ao mesmo tempo muito realistas. No entanto, como história de mistério não é tão bom como outras obras da autora.

03 dezembro 2008

Opinião: Eu Sou a Lenda

Eu sou a Lenda de Richard Matheson
Editora: Saída de Emergência (2007)
Formato: Capa mole | 160 páginas
Idioma: Português
Géneros: Ficção Científica, Fantasia Urbana
Descrição: "Robert Neville é o último homem vivo na Terra ... mas não está sozinho. Todos os outros homens, mulheres e crianças transformaram-se em vampiros e estão sequiosos pelo sangue de Neville.
De dia, ele é o predador, caçando os mortos vivos pelas ruínas abandonadas da civilização. De noite, Neville barrica-se em casa e reza para que chegue a manhã.
Durante quanto tempo pode um homem sobreviver num mundo de vampiros?"
Como refere o sumário de "Eu sou a Lenda" (I am Legend), obra de ficção científica publicada em português pela editora Saída de Emergência, "um dos melhores filmes de acção do ano...nasceu de um dos melhores livros de horror de todos os tempos".

O que muitos leitores podem não saber, talvez, é que esta obra não só não é recente como já foi adaptada para o grande ecrã anteriormente. Com efeito, Eu sou a Lenda data dos anos 70 do século XX e ganhou alguma notariedade nos nossos dias, não apenas devido ao filme carregado de efeitos especiais que estreou em 2007 mas também com a recente popularidade da fantasia urbana e contemporânea.

No entanto, é necessário referir que esta obra não tem muito a ver com o filme. A escolha de Will Smith para protagonizar Robert Neville foi para mim motivo de surpresa; o próprio filme, o seu final e a caracterização dos "vampiros" entre outros aspectos, deixaram-me, confesso, perplexa... pelo que tenho de avisar aos novos leitores deste livro que o filme de 2007 não é exactamente "baseado na obra" de Richard Matheson; de facto para além de vagas parecenças com a história original e o título em comum o filme e o livro são muito diferentes.

O livro tem muito menos acção e explosões para além de um final diferente, mas claro, não direi mais. Apenas posso dizer que apesar de o filme ser espectacular (pelo menos em termos de efeitos especiais), ainda vale a pena ler esta obra que mostra o vampirismo sob a perspectiva de um escritor de ficção científica ao invés do escritor de fantasia. O resultado é bastante interessante. Além disso, penso que é mais fácil identificarmo-nos com o Robert Neville do livro.

Uma obra que vale a pena ser lida. Mas para que seja devidamente apreciada é necessário que nos desliguemos do filme.