13 janeiro 2010

Opinião: O Mapa do Tempo

O Mapa do Tempo de Félix J. Palma
Editora: Editora Planeta (2009)
Formato: Capa Mole | 552 páginas
Géneros: Ficção Histórica, Fantasia
Sinopse (Planeta): Londres, 1896. Inúmeros inventos convencem o homem de que a ciência é capaz de conseguir o impossível, como o demonstra o aparecimento da empresa Viagens Temporais Murray, que abre as suas portas disposta a tornar realidade o sonho mais cobiçado da humanidade: viajar no tempo, um anseio que o escritor H. G. Wells tinha despertado um anos antes com o seu romance A Máquina do Tempo. De repente, o homem do século XIX tem a possibilidade de viajar até ao ano 2000, e é o que faz Claire Haggerty, que vive uma história de amor através do tempo com um homem do futuro. Mas nem todos querem ver o amanhã. Andrew Harrington pretende viajar até ao passado, a 1888, para salvar a sua amada das garras de Jack, o estripador. E o próprio H. G. Wells enfrentará os riscos das viagens temporais quando um misterioso viajante chegar à sua época com a intenção de assassiná-lo e roubar-lha a autoria de um romance, obrigando-o a empreender uma desesperada fuga através dos séculos. Mas que acontece se alterarmos o passado? É possível reescrever a história?
Este romance histórico do escritor espanhol Félix J. Palma relata a história de três personagens victorianas: Andrew Harrington, Claire Haggerty e o famoso escritor de ficção científica H. G. Wells, autor de "A Máquina do Tempo". O livro divide-se, portanto, em três partes, cada uma dedicada a uma personagem, embora todas as partes estejam, de algum modo, ligadas.

Foi mais uma leitura agradável, que me surpreendeu pela positiva, apesar de estar à espera, confesso, de um enredo um pouco diferente do apresentado. As duas primeiras histórias (as de Andrew Harrington e Claire Haggerty) são interessantes, se bem que um pouco previsíveis e algo diferentes daquilo que estava à espera depois de ler a sinopse. É a parte da narrativa que conta os dissabores de H. G. Wells que redime um pouco a obra em geral uma vez que a história deste é bastante mais apelativa e complexa. Aliás, é o próprio Wells que serve de elo de ligação entre todas as histórias e enquanto personagem, achei-o fantástico!

08 janeiro 2010

A Estirpe (A Estirpe, livro 1)

Título Original: "The Strain"
Autor: Guillermo Del Toro, Chuck Hogan
Editora: Editora Objectiva - 2009
Nº de Páginas: 550
Idioma: Português
Géneros: Mistério/ Thriller, Terror, Ficção Científica

Sinopse: Tudo começa com a chegada de um Boeing 777, vindo da Alemanha, ao Aeroporto JFK em Nova Iorque. Depois da aterragem, a Torre de Controlo é incapaz de contactar o avião. Cedo descobrem que parece ter ocorrido uma avaria total; as luzes, os motores e mesmo o oxigénio, tudo está desligado. O segundo passo é, claro, resgatar passageiros e tripulação; mas os oficiais do aeroporto rapidamente percebem que está em causa mais do que uma simples avaria quando todos os ocupantes do Boeing são encontrados mortos.

A suspeita de pandemia insinua-se, levando os responsáveis a chamar o CCD (Centro de Controlo de Doenças) e o seu génio/ especialista Ephraim Goodweather. Goodweather vai descobrindo provas sinistras acerca desta nova doença, mas tudo foge do seu controlo quando os passageiros começam a desaparecer das morgues para onde foram transportados.

A minha segunda leitura de 2010 foi... completamente arrepiante.

Uma vez que sou uma leitora assídua de livros de Fantasia Urbana, os vampiros não são novidade para mim. Já li sobre vampiros sexy, perigosos, torturados e incompreendidos. A perspectiva dos autores Guillermo Del Toro e Chuck Hogan embora não seja 100% original (o vampirismo como doença foi explorado por Richard Matheson em "Eu sou a Lenda") é rara o suficiente para tornar a leitura de "A Estirpe" adictiva... e algo aterrorizante.

"A Estirpe" é uma obra "Pós-Apocalíptica" que tem muitas parecenças com os filmes de zombies clássicos (ou não fosse Del Toro, primariamente, realizador de cinema). Senão vejamos: um estranho vírus propaga-se pela cidade de Nova Iorque a um ritmo alucinante, transformando as pessoas em animais sedentos de sangue. Um grupo selecto de herois (incluindo Goodweather) tenta descobrir a origem desta pandemia enquanto matam vampiros a torto e a direito.

Cenas algo sangrentas em que pessoas ao acaso são violentamente atacadas por vampiros esfomeados repetem-se, na minha opinião, com algum exagero (lá está... o exagero reservado aos filmes de terror e/ou de zombies). Isto podia mesmo ser transformado num filme.
O enredo em si é algo cliché (vampiro chega, vampiro começa a transformar pessoas indescriminadamente), parecendo ser pouco mais do que uma "desculpa" para o gore.

Apesar disto, "A Estirpe" é uma leitura viciante, com muitas cenas de acção e algum mistério (apesar de ser um mistério... incipiente e muito básico). Recomendado para quem quer descontrair com um livro de terror que dá mesmo arrepios. Ah, não recomendado a Hipocondríacos.

04 janeiro 2010

Opinião: A Interpretação do Crime (Jed Rubenfeld)

Editora: Bertrand (2009)
Formato: Capa mole | 436 páginas
Géneros: Mistério/ Thriller
Sinopse.

Esta foi uma leitura verdadeiramente decepcionante. Esperava muito mais deste livro, uma vez que é um "bestseller" do New York Times, como a Bertrand tão orgulhosamente apregoa na capa. Mas suponho que isso, afinal, não é garantia de qualidade.
Esperava um mistério mais complexo, personagens mais trabalhadas, uma tapeçaria histórica mais detalhada... enfim, esperava um pouco... mais de todos os aspectos que compõem um livro e este em particular.

Por isso, esta obra ficou definitivamente aquém das minhas expectativas.

A história começa com a chegada de Freud aos Estados Unidos, acompanhado de Carl Jung e de outros discípulos. Quase ao mesmo tempo, uma rapariga da alta sociedade é assassinada de forma brutal na sua casa. Isto é o ponto de partida para uma grande investigação que vai envolver não só Freud (supostamente) como detectives da polícia e a suposta personagem principal, um médico chamado Younger que adoptou (relutantemente) a ideologia de Freud.

Esta premissa poderia ter dado um enredo interessante; mas não deu. O mistério acaba por ter uma resolução simplista e um pouco tola. Younger, não é, nem de perto nem de longe a "personagem principal" deste livro... essa honra cabe ao detective Littlemore, que é quem resolve o mistério. Freud e a sua psicanálise pouco contribuem para o desfecho (apesar de ser, supostamente, a psicanálise que resolve o crime).

As personagens são todas representadas de forma pouco realista. Freud pouco aparece, Carl Jung parece ser louco, os outros seguidores de Freud são mono-dimensionais (tanto que os nomes deles me escapam, de momento) e Younger é extremamente idiota para um médico tão proeminente (e ainda por cima, personagem principal!). Parece não ter capacidade de dedução e vai a correr para Freud a pedir ajuda de cada vez que as coisas não lhe correm de feição.
Littlemore foi escrito para parecer uma personagem simplória e pouco inteligente, mas também aí o autor falha, uma vez que o detective mostra, desde o início, perspicácia e argúcia. Os vilões são pouco subtis e tornam fácil a resolução do mistério pelo leitor.

A mudança de ponto de vista torna a leitura ainda mais difícil. Num momento seguimos Younger (que relata os acontecimentos na primeira pessoa) e logo a seguir estamos a seguir Littlemore (na terceira pessoa), seguido de um interlúdio sobre uma qualquer personagem misteriosa. A narrativa fragmentada faz com que o livro se torne moroso.

No geral... este livro é simplesmente medíocre.

01 janeiro 2010

Leituras de 2010

01. A Interpretação do Crime de Jed Rubenfeld - 435 págs
02. A Estirpe de Guillermo del Toro & Chuck Hogan - 560 págs
03. O Mapa do Tempo de Felix J. Palma - 552 págs
04. 2012 - A Guerra das Almas de Whitley Strieber- 384 págs
05. Minha Besta de Christopher Moore - 344 págs
06. Os Homens que Odeiam as Mulheres de Stieg Larsson - 539 págs
07. Firespell de Chloe Neill - 256 págs
08. O Fim do Sr. Y de Scarlett Thomas - 428 págs
09. Dead until Dark de Charlaine Harris - 292 págs
10. Betrayed de PC Cast & Kristin Cast - 310 págs
11. Nice Girls don't Have Fangs de Molly Harper - 355 págs
12. Feitiços de Amor de Barbara Bretton - 296 págs
13. O Quarto Mágico de Sarah Addison Allen - 278 págs
14. A Princesa de Gelo de Camilla Läckberg - 399 págs
15. A Paixão de Emma de Charlotte Bingham - 288 págs
16. Um Estranho nos Meus Braços de Lisa Kleypas - 320 págs
17. Anoitecer de Karen Marie Moning - 288 págs
18. Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo de Rick Riordan - 331 págs
19. Flores na Tempestade de Laura Kinsale - 557 págs
20. Soulless de Gail Carriger - 357 págs
21. O Monte dos Vendavais de Emily Bronte - 316 págs
22. Flashforward - Presságio do Futuro de Robert J Sawyer - 274 págs
23. Northern Lights (His Dark Materials, #1). de Phillip Pullman - 399 págs
24. The Eyre Affair de Jasper Fforde - 373 págs
25. Jane Bites Back de Michael Thomas Ford - 299 págs
26. Blasfémia de Douglas Preston - 400 págs
27. Voices of Dragons de Carrie Vaughn - 320 págs
28. Acheron de Sherrilyn Kenyon - 682 págs
29. Bleeding Violet de Dia Reeves - 454 págs
30. One Dark Night de Sherrilyn Kenyon - 310 págs
31. Eternidade (Os Imortais, #1) de Alyson Noel - 284 págs
32. MythOS de Kelly McCullough - 304 págs
33. Hell to Pay (Nightside, #7). de Simon R. Green - 272 págs
34. The Unnatural Inquirer (Nightside, #8). de Simon R. Green - 256 págs
35. Just Another Judgement Day (Nightside, #9). de Simon R. Green - 272 págs
36. Unshapely Things (Connor Grey, #1). de Mark Del Franco - 305 págs
37. So Yesterday de Scott Westerfeld - 238 págs
38. Norse Code de Greg Van Eekhout - 292 págs
39. Um Violino na Noite de Jojo Moyes - 416 págs
40. O Oito de Katherine Neville - 632 págs
41. O Homem Pintado de Peter V. Brett - 606 págs
42. Filha do Sangue (Jóias Negras, #1). de Anne Bishop - 384 págs
43. Herdeira das Sombras (Jóias Negras, #2). de Anne Bishop - 432 págs
44. Rainha das Trevas (Jóias Negras, #3). de Anne Bishop - 460 págs
45. Jóia Perdida de Anne Bishop - 320 págs
46. Defending Angels de Mary Stanton - 293 págs
47. Catarina de Bragança de Isabel Stilwell - 644 págs
48. O Livro de Feitiços de Deliverance Dane de Katherine Howe - 408 págs
49. Unclean Spirits de M.L.N. Hanover - 368 págs
50. Sangue-do-Coração de Juliet Marilier - 400 págs
51. The Intrigue at Highbury: Or, Emma's Match de Carrie Bebris - 288 págs
52. A Floresta de Mãos e Dentes de Carrie Ryan - 254 págs
53. Hush, Hush de Becca Fitzpatrick - 320 págs
54. Uma Aposta Perversa de Emma Wildes - 352 págs
55. Goddess of the Hunt de Tessa Dare - 384 págs
56. The Rules of Seduction de Madeline Hunt - 387 págs
57. To Beguile a Beast (Legend of the Four Soldiers, #3) de Elizabeth Hoyt - 349 págs
58. The Leopard Prince (Princes Trilogy, #2) de Elizabeth Hoyt - 345 págs
59. What Happens in London (Bevelstoke, #2) de Julia Quinn - 372 págs
60. Lessons from a Scarlet Lady de Emma Wildes - 336 págs
61. Seis Suspeitos de Vikas Swarup - 496 págs
62. Duna de Frank Herbert - 576 págs
63. A Pousada da Jamaica de Daphne du Maurier - 288 págs
64. Her Fearful Symmetry de Audrey Niffenegger - 485 págs
65. The Raven Prince (Princes Trilogy, #1) de Elizabeth Hoyt - 388 págs
66. Promise me Tonight de Sara Lindsey - 320 págs
67. Tempting the Marquess de Sara Lindsey - 320 págs
68. To Sin with a Scoundrel de Cara Elliott - 368 págs
69. O Espelho Quebrado de Agatha Christie - 224 págs
70. A Festa das Bruxas de Agatha Christie - 208 págs
71. The Switch de Lynsay Sands - 368 págs
72. Sins of a Wicked Duke de Sophie Jordan - 384 págs
73. His at Night (Eng) de Sherry Thomas - 417 págs
74. With Seduction in Mind (Eng) de Laura Lee Guhrke - 384 págs
75. Blood & Ice (Eng) de Robert Masello - 495 págs
76. To Conquer Mr Darcy (Eng) de Abigail Reynolds - 416 págs
77. A Little bit Wild de Victoria Dahl - 352 págs
78. On my Lady's Honor de Kate Silver - 318 págs
79. Hex Hall de Rachel Hawkins - 240 págs
80. Something about Emmaline de Elizabeth Boyle - 384 págs
81. Criaturas Maravilhosas de Kami Garcia e Margaret Kohl - 480 págs
82. Nevermore (Nevermore, #1) (Eng) de Kelly Creagh - 543 págs
83. Os Jogos da Fome (Os Jogos da Fome, #1) de Suzanne Collins - 286 págs
84. The DUFF (Eng) de Kody Keplinger - 288 págs
85. Hunger (Eng) de Jackie Morse Kessler - 180 págs
86. Incarceron (Eng) de Catherine Fisher - 464 págs
87. Blood Song (Bloodsinger, #1) de Cat Adams - 364 págs
88. Siren Song (Bloodsinger, #2) de Cat Adams - 384 págs
89. The Body Finder de Kimberly Derting - 352 págs
90. Once a Witch de Carolyn MacCullough - 312 págs
91. The Devil's Kiss de Sarwat Chadda - 272 págs
92. The Iron King (Iron Fey, #1) de Julie Kagawa - 363 págs
93. The Iron Daughter (Iron Fey, #2) de Julie Kagawa - 359 págs
94. Changes (Dresden Files, #12) de Jim Butcher - 448 págs
95. The Better Part of Darkness de Kelly Gay - 394 págs
96. Unholy Ghosts (Downside Ghosts, #1) de Stacia Kane - 346 págs
97. Unholy Magic (Downside Ghosts, #2) de Stacia Kane - 352 págs
98. Touch the Dark (Cassandra Palmer, #1) de Karen Chance - 307 págs
99. Claimed by Shadow (Cassandra Palmer, #2) de Karen Chance - 374 págs
100. Midnight's Daughter (Eng) de Karen Chance - 384 págs
101. Sins and Shadows de Lyn Benedict - 368 págs
102. Magic Bleeds (Kate Daniels, #4) de Ilona Andrews - 349 págs
103. Rosemary and Rue (October Daye, #1) (Eng) de Seanan McGuire - 346 págs

Feliz Ano Novo!

Muito bom ano para todos!! Oh, e boas leituras. :D

28 dezembro 2009

Opinião: A Guerra é para os Velhos

A Guerra é para os Velhos de John Scalzi
Editora: Gailivro/1001 mundos (2009)
Formato: Capa mole | 328 páginas
Géneros: Ficção Científica
Sinopse (Gailivro): John Perry fez duas coisas no dia do seu septuagésimo quinto aniversário, primeiro visitou a campa da mulher e a seguir alistou-se no exército. A boa notícia é que a humanidade finalmente é capaz de viagens interestrelares. A má noticia é que planetas capazes de sustentarem vida são escassos e que raças alienígenas, dispostas a Lutarem para ficar com os planetas, são comuns. Sendo assim, nós lutamos para defender a terra e para manter o direito aos planetas que descobrimos. Longe da terra, a guerra dura há décadas. É brutal, sangrenta e não dá tréguas. A terra é um planeta atrasado em termos de desenvolvimento. O grosso da tecnologia e do desenvolvimento da humanidade está nas mãos das forças de defesa coloniais. O que todos sabem é que, quando se atinge a idade da reforma, pode-se juntar às FDC. Não querem gente jovem, mas quem tem os conhecimentos e a experiência de décadas de vida. O candidato será levado da terra, onde nunca mais lhe é permitido voltar. Irá servir dois anos na frente de batalha. e, se sobreviver, receberá um pedaço de terra numa das, arduamente conquistadas, colónias novas. John perry resolveu aceitar a proposta. Ele tem uma vaga ideia do que o espera. Porque a verdadeira luta, a anos-luz de casa, é muito mais dura que tudo aquilo que ele pode imaginar.
"A Guerra é para os Velhos" foi, talvez, o segundo livro de ficção científica que li este ano, mas sem dúvida aquele de que gostei mais. Apesar da descrição da Terra futurista nesta obra não ser tão captivante ou pormenorizada como a de "Carbono Alterado", por exemplo, gostei mais deste livro.

A história é bastante apelativa e interessante. O enredo é simples (por vezes demasiado simplista, mesmo) mas puxa-nos e a escrita é envolvente. John Perry tem a oportunidade de começar uma nova vida ao alistar-se nas Forças Coloniais, uma espécie de exército intergaláctico que tem como missão proteger as colónias terrestres de invasões alienígenas. O único problema é que tanto John como os outros recrutas (todos idosos) não sabem bem ao que vão, aquilo para que se alistaram. Achei a leitura muito envolvente porque vamos descobrindo ao mesmo tempo do que a personagem principal aquilo que o espera.

O mundo em que as personagens se movem é, como já referi, bastante simples; temos alienígenas insectóides, naves espaciais e muitos outros clichés a que a FC já nos habituou. No entanto, isso não diminui significativamente o prazer da leitura desta obra.

Já as personagens não me captivaram tanto, apesar de na generalidade terem personalidades realistas (ou seja, serem mais humanas do que em muitos dos livros de Ficção Científica que já li). Apesar de algumas sofrerem um destino trágico, não consegui ligar-me a elas o suficiente para o lamentar. Mesmo John Perry não me puxou muito.

No geral, uma leitura agradável, com uma história original, mas pouco pormenorizada e pretenciosa.

10 outubro 2009

Opinião: As Suspeitas do Sr Whicher (Kate Summerscale)

As Suspeitas do Sr. Whicher de Kate Summerscale
Editora: Bertrand (2009)
Formato: Capa mole | 364 páginas
Géneros: Mistério, História, Não-ficção
Sinopse.

O que dizer sobre este livro? A obra "As Suspeitas do Senhor Whicher", centra-se num famoso crime ocorrido em 1860, em plena época Vitoriana. Este caso, que é quase mais estranho, macabro e horrorizante do que qualquer crime ficcional mexeu profundamente com a sociedade do tempo.
Apesar de não ser grande fã do género (ensaio/dissertação sobre crimes reais, como por exemplo o caso de Maddie ou de Joana), o facto de ter uma componente histórica levou-me a adquirir o livro.

No geral, gostei bastante desta leitura. Achei fascinante a descrição do trabalho investigativo e de todo o imaginário que se criou em volta da figura do detective Victoriano (uma criação recente naquela altura). Adorei ler sobre como este caso em particular inspirou autores de ficção policial, como Dickens e Wilkie Collins, durante décadas.

Teria gostado, no entanto, de alguma análise dos acontecimentos por parte da autora e as suas subsequentes conclusões. Kate Summerscale limita-se a fazer uma descrição detalhada e cronológica (na maioria das vezes) do caso, mas não faz uma análise sociológica per se, nem tenta, ela própria, fornecer uma opinião crítica sobre os processos de investigação e os resultados.
Se tudo o que a autora desejava era recontar os factos, podia tê-lo feito de forma mais envolvente... tendo transformado o livro num romance histórico por exemplo. De resto, foi uma leitura bastante interessante e coesa, especialmente tendo em conta que o 'enredo' foi conseguido através da junção de um aglomerado sortido de registos e artigos de jornais da época.