14 fevereiro 2010

Feitiços de Amor

Título Original: "Casting Spells"
Autor: Barbara Bretton
Editora: Quinta Essência - 2009
Nº de Páginas: 296
Idioma: Português
Géneros: Romance, Fantasia

Sinopse (Quinta Essência): Parece uma vila bucólica igual a tantas outras, mas esconde um segredo antigo de todos os visitantes…
Sugar Maple é uma terra encantada habitada por feiticeiras, fadas, vampiros e outras criaturas mágicas. Chloe Hobbs é a única que não tem poderes especiais naquele lugar onde nada é o que parece.

Chloe é a proprietária da Sticks & Strings, uma popular loja de artigos de tricô. Mas é também a última descendente de uma longa dinastia de feiticeiras com o futuro de Sugar Maple nas mãos. Chloe sabe que tem de se apaixonar para receber os poderes mágicos e continuar a proteger a sua terra natal. Mas, aos 30 anos, ainda sonha com o verdadeiro amor e as amigas decidem lançar feitiços para a ajudar a encontrar o homem dos seus sonhos. O que ninguém esperava era que Chloe se apaixonasse perdidamente por Luke MacKenzie, o polícia destacado para investigar o primeiro crime ocorrido em Sugar Maple e cem por cento humano. Se o amor abre finalmente a porta aos seus poderes mágicos, esses mesmos poderes impedem Chloe de sonhar com um futuro ao lado de Luke… Feitiços de Amor é um romance encantador e inesquecível sobre o poder do amor e a magia dos sonhos.

"Feitiços de Amor" foi mais uma leitura rápida e relativamente agradável.

No entanto, este livro tem alguns problemas muito visíveis em termos de desenvolvimento da história. A autora não se dá ao trabalho de desenvolver o enredo (um caso de homicídio, que é pouco mais do que uma razão para os personagens principais se encontrarem) de modo a torná-lo interessante, preferindo centrar-se nas personagens. O que até é compreensível, visto ser esta obra um romance.
Infelizmente a parte do romance também não é das melhores, uma vez que não é minimamente verosímil: o casal "principal" apaixona-se em tempo recorde; não senti que houvesse grande química entre as personagens porque elas simplesmente... não se conheciam de lado nenhum.

No geral: a ideia é boa, mas a execução deixa muito a desejar. É também importante referir alguns erros muito óbvios de tradução. Como exemplo, temos a adaptação da frase inglesa "things that go bump in the night"; a tradutora escolheu uma tradução literal que simplesmente não resulta.

Recomendado para os que gostam de romances leves "com um toque de magia".

08 fevereiro 2010

Traída (Casa da Noite, 2)

Título Original: "Betrayed"
Autor: P.C. Cast, Kristin Cast
Editora: Saída de Emergência - 2009
Nº de Páginas: 332
Idioma: Português
Géneros: Lit. Juvenil, Fantasia Urbana

Sinopse (SdE): Zoey Redbird pertence à Casa da Noite e sabe que foi abençoada com vastos poderes pela deusa vampyra Nyx. Mas quando começa finalmente a sentir-se integrada entre os amigos e é escolhida para líder das Filhas das Trevas, o impensável acontece: a Casa da Noite é acusada das mortes misteriosas de alguns adolescentes humanos.
Mais do que nunca o perigo ronda os amigos de Zoey - e ela sabe que os poderes que a tornam única também ameaçam aqueles que ama. Quando a tragédia chega à Casa da Noite, a jovem precisará de coragem para enfrentar a traição que ameaça o seu coração, a sua alma... e o próprio mundo que a acolheu.
Traída é o segundo volume da série "Casa da Noite", que conta com seis volumes em inglês (três dos quais, já publicados pela Saída de Emergência).

Passaram cerca de dois anos (penso eu), desde que li o primeiro livro da série, "Marcada" (ou "Marked", no original), e apesar de já não me lembrar da maior parte dos pormenores (não é propriamente uma história que nos fica na memória), lembro-me do enredo em geral.

Este livro é uma continuação directa do primeiro; a acção decorre alguns dias depois dos acontecimentos de "Marcada". Em termos de história "Traída" não constituiu nenhuma surpresa. O vilão é exactamente quem eu pensava que seria e as personagens deram as voltas que eu esperava que dessem (excepto num ou noutro particular, mas são coisas ínfimas). Ou seja, a acção é extremamente previsível e as personagens são clichés ambulantes. Não há nada de inovador nesta série, cujas principais qualidades são o estilo de escrita escrita apelativo e o óptimo encadeamento dos acontecimentos que tornam a leitura fluida e viciante.

Uma leitura leve e agradável para quem (como eu), gosta de fantasia urbana.

04 fevereiro 2010

Sangue Fresco (Sangue Fresco, 1)

Título Original: "Dead until Dark"
Autor: Charlaine Harris
Editora: Saída de Emergência - 2009
Nº de Páginas: 272
Idioma: Português
Géneros: Fantasia Urbana, Mistério/ Thriller
Sinopse (SdE): Uma grande mudança social está a afectar toda a humanidade. Os vampiros acabaram de ser reconhecidos como cidadãos. Após a criação em laboratório, de um sangue sintético comercializável e inofensivo, eles deixaram de ter que se alimentar de sangue humano. Mas o novo direito de cidadania traz muitas outras mudanças…

Sookie Stackhouse é uma empregada de mesa numa pequena vila de Louisiana. É tímida, e não sai muito. Não porque não seja bonita – porque é – mas acontece que Sookie tem um certo “problema”: consegue ler os pensamentos dos outros. Isso não a torna uma pessoa muito sociável. Então surge Bill: alto, moreno, bonito, a quem Sookie não consegue ouvir os pensamentos. Com bons ou maus pensamentos ele é exactamente o tipo de homem com quem ela sonha. Mas Bill tem o seu próprio problema: é um vampiro. Para além da má reputação, ele relaciona-se com os mais temidos e difamados vampiros e, tal como eles, é suspeito de todos os males que acontecem nas redondezas. Quando a sua colega é morta, Sookie percebe que a maldade veio para ficar nesta pequena terra de Louisiana.

Aos poucos, uma nova subcultura dispersa-se um pouco por todos os lados e descobre-se que o próprio sangue dos vampiros funciona nos humanos como uma das drogas mais poderosas e desejadas. Será que ao aceitar os vampiros a humanidade acabou de aceitar a sua própria extinção?
Mais uma vez, começo por referir que li este livro em inglês ("Dead until Dark"), mas achei que apresentando a informação da versão portuguesa seria mais fácil aos eventuais leitores do blogue identificarem a obra uma vez que a tradução do título não é, de modo nenhum, literal.

Dito isto, "Sangue Fresco" foi mais uma leitura agradável. É um livro que se lê bem (e depressa), devido ao seu estilo de escrita apelativo.

No entanto, notei que a autora comete nesta obra, o mesmo erro que cometeu em "Shakespeare's Landlord"; ou seja, dá muito mais importância à relação entre personagens, passando assim para segundo plano o "mistério", pelo que parece ter alguma tendência para falhar um pouco na construção de um enredo coerente. Ao mistério é dada muito pouca importância e a sua resolução é bastante simplista... sabe a pouco, como costumo dizer. E mesmo apesar deste livro se centrar nas personagens, achei que as interacções entre Bill, o vampiro e Sookie eram algo forçadas e irrealistas.

Mas tendo em conta que "Sangue Fresco" é o primeiro livro de uma série, penso que talvez seja por isso que a autora se centrou mais nas personagens; assim vou continuar com ela, para ver como se desenvolve a história. :D

Em suma, um livro recomendado para os amantes de Fantasia Urbana.

26 janeiro 2010

Firespell (Dark Elite, 1)

Autor: Chloe Neill
Editora: Signet (Livro de Bolso) - 2010
Nº de Páginas: 256
Idioma: Inglês
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil

Sinopse (Signet): As the new girl at the elite St. Sophia’s boarding school, Lily Parker thinks her classmates are the most monstrous things she’ll have to face…

When Lily’s guardians decided to send her away to a fancy boarding school in Chicago, she was shocked. So was St. Sophia’s. Lily’s ultra-rich brat pack classmates think Lily should be the punchline to every joke, and on top of that, she’s hearing strange noises and seeing bizarre things in the shadows of the creepy building.

The only thing keeping her sane is her roommate, Scout, but even Scout’s a little weird—she keeps disappearing late at night and won’t tell Lily where she’s been. But when a prank leaves Lily trapped in the catacombs beneath the school, Lily finds Scout running from a real monster.

Scout’s a member of a splinter group of rebel teens with unique magical talents, who’ve sworn to protect the city against demons, vampires, and Reapers, magic users who’ve been corrupted by their power. And when Lily finds herself in the line of a firespell, Scout tells her the truth about her secret life, even though Lily has no powers of her own—at least none that she’s discovered yet…

A minha primeira obra de fantasia urbana de 2010! Já há algum tempo que não lia um livro daquele que é um dos meus géneros preferidos, por isso decidi pegar em "Firespell" não só porque apreciei o outro livro da autora (primeiro da série "Chicagoland Vampires") mas porque me pareceu um livro apropriado para ler no fim-de-semana, já que não é muito grande.

Primeiro que tudo, tenho de dizer que a sinopse é bastante enganadora e não retrata muito fielmente aquilo que acontece no livro. O resumo de contracapa faz o livro parecer bem mais interessante do que é na realidade (mais uma vez, suponho que é essa a função dos resumos de contracapa, mas não deixa de ser irritante).

A ideia da autora não é muito original no vasto mundo da fantasia urbana (escola privada, meninos ricos, acontecimentos sobrenaturais) pelo que penso que deveria ter passado mais tempo a desenvolver as personagens e a história. Pareceu-me que aconteceu tudo muito rápido (e foi tudo muito previsível) e o desfecho soube a pouco...

Por outro lado, gostei da escrita acessível e captivante.

Uma boa obra para ler na praia (ou no sofá), "Firespell" é uma história em tudo comparável aos nossos livros da colecção "Uma Aventura", mas com bruxas adolescentes em vez de detectives adolescentes. Nada de especial.

18 janeiro 2010

Opinião: 2012 - A Guerra das Almas

2012 - A Guerra das Almas de Whitley Strieber
Editora: Livros D'Hoje (2009)
Formato: Capa mole | 384 páginas
Géneros: Ficção Científica
Sinopse (Livros D'Hoje): Em 2012 pode vir a acontecer um dos marcos mais importantes da História. A cada 26 000 anos, a Terra fica alinhada com o centro da nossa galáxia. Às 11h11, do 21 de Dezembro de 2012, este acontecimento vai voltar a suceder. O povo Maia acreditava que marcaria o fim, não só desta era, mas também da consciência humana como a conhecemos.

Mas o que irá realmente acontecer? Estaremos perante o fim do mundo? Uma nova era para a humanidade? Coisa nenhuma? Da última vez que isto aconteceu, o homem de Cro-Magnon começou subitamente a desenhar nas cavernas do sul de França, o que até hoje permanece uma das mudanças mais inexplicáveis na história do homem.

Agora Whitley Strieber explora o ano de 2012 numa imponente obra de ficção que vai surpreender os leitores com ideias verdadeiramente novas.

Nesta história estimulante com altos e baixos, a misteriosa presença alienígena irrompe inesperadamente de locais sagrados em todo o mundo e começa a dilacerar as almas humanas dos seus corpos, mergulhando o mundo num caos nunca antes visto.
Não há muito que se possa dizer sobre este livro excepto que é um desperdício. Um desperdício de dinheiro, de tempo e de papel. A parte mais interessante desta obra é a sinopse na parte de trás da capa, que faz parecer este livro muito, muito melhor do que é (claro que é esta a sua função, mas considerando que este livro é muito mau, é de louvar o esforço de quem escreveu este pequeno sumário de contracapa).

A história começa no Egipto onde um arqueólogo, chamado Martin... qualquer-coisa está a conduzir "testes arqueológicos" na grande pirâmide de Queóps. De repente, e quase sem aviso esta explode violentamente, lançando pedras gigantescas para todos os lados e destruindo quase toda a cidade do Cairo. Para grande espanto do leitor, o arqueólogo Martin... qualquer coisa sobrevive; para nos contar como no lugar da pirâmide está agora uma grande "lente negra" que parece ser de origem alienígena. Esta catástrofe é noticiada, claro, e depressa se percebe que não é ocorrência única pois outros treze locais antigos explodem, revelando mais "lentes negras" sob os seus escombros.

Depois o focus muda para outra personagem, um tal de Wylie... e é aí que uma trama já de si pouco original começa a descambar ainda mais...

O enredo, fragmentado e desconexo é bastante ridículo e fantasioso (sim, isto é claramente ficção científica, mas até a ficção científica tem de parecer minimamente verosímil). A história não tem ponta por onde se lhe pegue, não tem sequência e principalmente, não tem coerência. Algumas cenas parecem mesmo retiradas da versão cinematográfica de "A Guerra dos Mundos" (pessoas a fugir e a serem "capturadas", e isso tudo). O estilo da escrita é atroz com diálogos bastante confusos e descrições que não batem certo.

As personagens não puxam minimamente pela nossa simpatia, e não parecem, de todo, reais. Kelsey, a filha mais nova de uma das personagens principais, ri-se quando um alienígena é morto à sua frente. Nick, o seu irmão mais velho e um rapazinho de 14 anos, torna-se um especialista em armas de um momento para o outro.

No geral, uma obra muito fraca. Não recomendada.

13 janeiro 2010

Opinião: O Mapa do Tempo

O Mapa do Tempo de Félix J. Palma
Editora: Editora Planeta (2009)
Formato: Capa Mole | 552 páginas
Géneros: Ficção Histórica, Fantasia
Sinopse (Planeta): Londres, 1896. Inúmeros inventos convencem o homem de que a ciência é capaz de conseguir o impossível, como o demonstra o aparecimento da empresa Viagens Temporais Murray, que abre as suas portas disposta a tornar realidade o sonho mais cobiçado da humanidade: viajar no tempo, um anseio que o escritor H. G. Wells tinha despertado um anos antes com o seu romance A Máquina do Tempo. De repente, o homem do século XIX tem a possibilidade de viajar até ao ano 2000, e é o que faz Claire Haggerty, que vive uma história de amor através do tempo com um homem do futuro. Mas nem todos querem ver o amanhã. Andrew Harrington pretende viajar até ao passado, a 1888, para salvar a sua amada das garras de Jack, o estripador. E o próprio H. G. Wells enfrentará os riscos das viagens temporais quando um misterioso viajante chegar à sua época com a intenção de assassiná-lo e roubar-lha a autoria de um romance, obrigando-o a empreender uma desesperada fuga através dos séculos. Mas que acontece se alterarmos o passado? É possível reescrever a história?
Este romance histórico do escritor espanhol Félix J. Palma relata a história de três personagens victorianas: Andrew Harrington, Claire Haggerty e o famoso escritor de ficção científica H. G. Wells, autor de "A Máquina do Tempo". O livro divide-se, portanto, em três partes, cada uma dedicada a uma personagem, embora todas as partes estejam, de algum modo, ligadas.

Foi mais uma leitura agradável, que me surpreendeu pela positiva, apesar de estar à espera, confesso, de um enredo um pouco diferente do apresentado. As duas primeiras histórias (as de Andrew Harrington e Claire Haggerty) são interessantes, se bem que um pouco previsíveis e algo diferentes daquilo que estava à espera depois de ler a sinopse. É a parte da narrativa que conta os dissabores de H. G. Wells que redime um pouco a obra em geral uma vez que a história deste é bastante mais apelativa e complexa. Aliás, é o próprio Wells que serve de elo de ligação entre todas as histórias e enquanto personagem, achei-o fantástico!

08 janeiro 2010

A Estirpe (A Estirpe, livro 1)

Título Original: "The Strain"
Autor: Guillermo Del Toro, Chuck Hogan
Editora: Editora Objectiva - 2009
Nº de Páginas: 550
Idioma: Português
Géneros: Mistério/ Thriller, Terror, Ficção Científica

Sinopse: Tudo começa com a chegada de um Boeing 777, vindo da Alemanha, ao Aeroporto JFK em Nova Iorque. Depois da aterragem, a Torre de Controlo é incapaz de contactar o avião. Cedo descobrem que parece ter ocorrido uma avaria total; as luzes, os motores e mesmo o oxigénio, tudo está desligado. O segundo passo é, claro, resgatar passageiros e tripulação; mas os oficiais do aeroporto rapidamente percebem que está em causa mais do que uma simples avaria quando todos os ocupantes do Boeing são encontrados mortos.

A suspeita de pandemia insinua-se, levando os responsáveis a chamar o CCD (Centro de Controlo de Doenças) e o seu génio/ especialista Ephraim Goodweather. Goodweather vai descobrindo provas sinistras acerca desta nova doença, mas tudo foge do seu controlo quando os passageiros começam a desaparecer das morgues para onde foram transportados.

A minha segunda leitura de 2010 foi... completamente arrepiante.

Uma vez que sou uma leitora assídua de livros de Fantasia Urbana, os vampiros não são novidade para mim. Já li sobre vampiros sexy, perigosos, torturados e incompreendidos. A perspectiva dos autores Guillermo Del Toro e Chuck Hogan embora não seja 100% original (o vampirismo como doença foi explorado por Richard Matheson em "Eu sou a Lenda") é rara o suficiente para tornar a leitura de "A Estirpe" adictiva... e algo aterrorizante.

"A Estirpe" é uma obra "Pós-Apocalíptica" que tem muitas parecenças com os filmes de zombies clássicos (ou não fosse Del Toro, primariamente, realizador de cinema). Senão vejamos: um estranho vírus propaga-se pela cidade de Nova Iorque a um ritmo alucinante, transformando as pessoas em animais sedentos de sangue. Um grupo selecto de herois (incluindo Goodweather) tenta descobrir a origem desta pandemia enquanto matam vampiros a torto e a direito.

Cenas algo sangrentas em que pessoas ao acaso são violentamente atacadas por vampiros esfomeados repetem-se, na minha opinião, com algum exagero (lá está... o exagero reservado aos filmes de terror e/ou de zombies). Isto podia mesmo ser transformado num filme.
O enredo em si é algo cliché (vampiro chega, vampiro começa a transformar pessoas indescriminadamente), parecendo ser pouco mais do que uma "desculpa" para o gore.

Apesar disto, "A Estirpe" é uma leitura viciante, com muitas cenas de acção e algum mistério (apesar de ser um mistério... incipiente e muito básico). Recomendado para quem quer descontrair com um livro de terror que dá mesmo arrepios. Ah, não recomendado a Hipocondríacos.