29 março 2010

Opinião: Jane Bites Back

Jane Bites Back de Michael Thomas Ford
Editora: Ballantine Books (2010)
Formato: Capa Mole | 299 páginas
Géneros: Romance, Chick Lit
Sinopse (Ballantine Books): Two hundred years after her death, Jane Austen is still surrounded by the literature she loves—but now it's because she's the owner of Flyleaf Books in a sleepy college town in Upstate New York. Every day she watches her novels fly off the shelves—along with dozens of unauthorized sequels, spin-offs, and adaptations. Jane may be undead, but her books have taken on a life of their own.
To make matters worse, the manuscript she finished just before being turned into a vampire has been rejected by publishers—116 times. Jane longs to let the world know who she is, but when a sudden twist of fate thrusts her back into the spotlight, she must hide her real identity—and fend off a dark man from her past while juggling two modern suitors. Will the inimitable Jane Austen be able to keep her cool in this comedy of manners, or will she show everyone what a woman with a sharp wit and an even sharper set of fangs can do?
Jane Austen é, sem dúvida, uma das minhas escritoras favoritas. Li as suas obras bastantes vezes, especialmente Orgulho e Preconceito (não, não foi por causa do Mr Darcy...lol) que considero um dos seus melhores livros; não é somente um romance mas também uma crítica de costumes. Também me agrada que as personagens principais, que são de diferentes sexos, se defrontem a nível intelectual e estejam bem equiparadas; isto é coisa rara na época, pelo que sempre me pareceu que Austen foi uma autora inovadora.

Actualmente, Jane Austen é mais popular do que nunca. Entre adaptações cinematográficas e televisivas das suas obras, sequelas literárias dos seus livros e algumas adaptações literárias (como Orgulho e Preconceito e Zombies, por exemplo), não há muita gente que ainda não tenha ouvido falar desta autora dos inícios do século XIX.

Jane Bites Back é mais um livro relacionado com a autora britânica, que combina elementos populares hoje em dia: o paranormal e... bem, Jane Austen (que nesta obra é mesmo a protagonista).

Ao contrário do que a maioria dos seus fans pensa, a popular autora Jane Austen ainda vive actualmente... como vampira. Jane foi transformada cerca de dois séculos antes e vive hoje numa calma cidade rural nos Estados Unidos onde gere a sua livraria. Jane viu passar os anos e observa com algum divertimento a nova onda de popularidade das suas obras. Mas o facto de ser vampira não faz com que Jane não tenha uma vida... entre um ou dois apaixonados, um vampiro do seu passado, uma autora rival que lhe quer fazer a vida negra e uma saga para arranjar um editor para o seu novo livro, Jane Austen tem, na verdade, uma vida bastante atribulada.

Jane Bites Back é uma leitura rápida e relativamente agradável. Seguimos Jane Austen na sua luta para arranjar uma editora que lhe publique o seu novo livro "Constance" (que conta já com 116 rejeições) e ao mesmo tempo a sua complicada vida amorosa, pois Jane sente-se dividida entre vários pretendentes. Pelo meio, Jane tem ainda de enfrentar uma autora rival que lhe quer roubar o manuscripto da sua nova obra e ficar com toda a glória.

Todas estas linhas de acção são apenas exploradas superficialmente; algumas têm uma conclusão rápida, a meio do livro enquanto outras só se resolvem no final. Mas o que todas têm em comum é que nenhuma é explorada em profundidade e como consequência o leitor nunca sente que Jane está em perigo ou que pode ficar angustiada com algo que se passe na sua vida amorosa. Daí ser uma leitura leve.

Gostei de algumas partes do livro, como o facto de uma das autoras mais conhecidas do mundo ter dificuldade em encontrar quem lhe publique o livro, mas outras, como a parte da "autora rival" (que é o "mistério"/gerador de acção do livro), pareceram-me demasiado ridículas. As personagens são também muito pouco profundas e algumas das suas reacções deixaram-me de boca aberta de tão irrealistas que eram. Creio que o autor pretendia que as reacções fossem humorísticas, mas infelizmente pareceram apenas tolas.

No geral, não é uma ideia má para um livro, mas penso que o autor incluiu demasiadas peripécias e o livro é pequeno demais para permitir um desfecho satisfatório de todas as acções, para além de não permitir um desenvolvimento correcto tanto da história como das personagens.

25 março 2010

Aquisições de Março (1)

Hoje tive um tempinho livre pelo que decidi dar um salto à FNAC do Chiado e à Tema nos Restauradores (o que nunca é bom para a minha carteira). E pois eu tinha razão, pois voltei com a mala bem recheada de livros. *sigh*

Jane Bites Back de Michael Thomas Ford
Detalhes: Capa Mole - 299 págs
Editora: Ballantine Books

White Witch, Black Curse de Kim Harrison
Detalhes: Capa Mole/ Livro de Bolso - 432 págs
Editora: Eos

Undead and Unworthy de MaryJanice Davidson
Detalhes: Capa Mole/ Livro de Bolso - 304 págs
Editora: Jove

21 março 2010

Opinião: Flashforward

Flashforward de Robert J. Sawyer
Editora: Saída de Emergência (2010)
Formato: Capa mole | 284 páginas
Géneros: Ficção Científica
Sinopse (Saída de Emergência): "O que faria se tivesse um vislumbre trágico do seu próprio futuro? Tentaria mudar as coisas, ou aceitaria que o futuro é imutável? Em Flashforward - Presságio do Futuro, é iniciada uma experiência científica que conduz ao inesperado: o mundo inteiro cai inconsciente por instantes e todas as mentes são projectadas vinte anos no futuro. Quando a humanidade desperta, o caos impera por todo o lado: carros arruinados, cirurgias falhadas, quedas, destruição em massa e um elevado número de mortes. Mas esse é apenas o início. Passado o choque das visões, cada indivíduo tenta desesperadamente evitar ou assegurar o seu próprio futuro vislumbrado... Expondo as perspectivas de várias personagens, Robert J. Sawyer realiza uma brilhante reflexão filosófica sobre viagens no tempo, consciência, destino e o que significa ser humano."
Será que o futuro é imutável? Ou pode ser modificado devido às nossas acções? Esta é a premissa principal do livro de Robert J. Sawyer, "Flashforward - Presságio do Futuro". É uma leitura rápida e viciante, com uma tema sempre em voga (viagens no tempo) e um dilema moral e social que dá um pouco de "profundidade" à obra.

Desde que vi a série no AXN e soube que era baseada num livro que fiquei interessada em ler "Flashforward". Por isso fiquei bastante contente quando a Whitelady me emprestou o livro. Comecei a lê-lo ontem e num instante tinha chegado às quarenta páginas. Acabei de o ler em tempo recorde; hoje de manhã já tinha acabado.

É realmente uma leitura absorvente e gostei muito da história e das personagens, apesar da obra não apresentar um conceito propriamente novo e a discussão "filosófica" (algo quase sempre presente em obras de Ficção Científica) não apresentar ideias diferentes do habitual. A questão de podermos ou não influenciar o futuro através das nossas acções não é propriamente nova; foi estudada desde muito cedo, quer a nível religioso quer científico (o autor providencia mesmo algumas teorias científicas como o multi verso que se cria de acordo com as escolhas que fazemos - dando o famoso exemplo do Gato de Shrodinger - e o Universo em bloco, no qual não temos livre-arbítrio). Gostei do estilo de escrita, simples e directa mas adictiva e da exposição de conceitos científicos mais ou menos complexos, feita em termos relativamente acessíveis, que não perturbaram por aí além o desenvolvimento da acção.

Acção esta que se encontra bem encadeada, com a múltiplas histórias que têm todas uma conclusão satisfatória. As personagens eram típicas e algo estereotipadas mas mesmo assim foi fácil entrar no seu mundo e gostar delas.

O que me fez um pouco de confusão foi a tradução. Não que houvesse algo de errado com a tradução, mas esta é um produto pós Acordo Ortográfico pelo que me custou um pouco ler todas as palavras sem as consoantes mudas (uma vez que estava sempre a "tropeçar nelas"). Mas suponho que acabarei por me habituar, claro!

No geral, uma óptima leitura dentro do género da Ficção Científica. Recomendado para todos, mesmo os que não gostem particularmente do género, pois tem acção e romance suficientes para agradar a fans de muitos géneros.
Devo dizer também que o livro não tem muito a ver com a série, o que é bom e mau ao mesmo tempo; bom, porque se fosse daria um livro muito maior, e mau porque o enredo da série também é muito bom, misturando um mistério (a causa do Flashforward é desconhecida) à história.

15 março 2010

Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo

Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo de Rick Riordan
Editora: Casa das Letras (2010)
Formato: Capa mole | 331 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil
Sinopse (Casa das Letras): "Percy Jackson está prestes a ser expulso do colégio interno...novamente.E esse é o menor dos seus problemas.Ultimamente, criaturas fantásticas e os deuses do Olimpo parecem estar a sair das páginas de mitologia para entrarem na sua vida.E o pior de tudo é que ele parece ter enfurecido alguns deles.O raio-mestre de Zeus foi roubado e Percy é o principal suspeito.
Agora, Percy e os seus amigos têm apenas dez dias para encontrar e devolver o símbolo do poder de Zeus e reestabelecer a paz no Olimpo.Para o conseguir terá de fazer bem mas do que descobrir o ladrão: terá de enfrentar o pai que o abandonou, resolver o enigma do Oráculo e desvendar uma traição mais ameaçadora e poderosa do que os próprios deuses
."
Harry Potter. Uma das minhas séries preferidas. De sempre. Está naquela categoria reservada aos livros especiais que se lêem uma e outra vez. Não posso dizer que cresci com o Harry Potter, mas quase. Resumindo, adoro a série (sim, está bem, sou bué de geeek. Ou lá como é que se diz agora).

Este discurso todo para explicar o porquê de ter adquirido e lido "Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo". Quando li a sinopse, percebi logo que este era um daqueles livros só subiram ao topo e se tornaram grandes sucessos (com direito a filme e tudo) porque se inserem no género de um livro (ou série) extra-popular. Mas como o último da saga Harry Potter já saiu há uns dois anos e eu queria algo do género... enfim.

Posso dizer que fiquei agradavelmente surpreendida. Talvez fosse por não ter muitas expectativas, mas até foi uma boa leitura, em termos de entretenimento. Claro que as parecenças com Harry Potter são mais que muitas, desde a personagem principal masculina que é "especial" até aos seus melhores amigos que tal como na série HP são uma miúda inteligente e um rapaz cheio de músculo (mas com pouco cérebro). Entre outras coisas.

No entanto gostei das múltiplas referências à mitologia grega (muito bem pesquisadas, penso eu), do estilo da escrita e da história em geral. Penso que o protagonista se comporta de forma adulta demais para a idade (12 anos), mas de resto este livro não foi mau. Pouco original... mas pronto, não se pode ter tudo. Apesar de tudo, não penso adquirir o resto dos livros... acho que este "cheirinho" do mundo de Percy Jackson me chegou, pelo menos por agora.

04 março 2010

Anoitecer (Fever, 1)

Título Original: "Darkfever"
Autor: Karen Marie Moning
Editora: Contraponto - 2009
Nº de Páginas: 288
Idioma: Português
Géneros: Fantasia Urbana, Mistério/ Thriller
Sinopse (Contraponto): "(...) Antes de ser assassinada, a irmã de MacKayla deixou uma única pista sobre a sua morte - uma mensagem enigmática no telemóvel de Mac. Numa viagem à Irlanda em busca de respostas, Mac vê-se subitamente perante um enorme desafio: conseguir manter-se viva até conseguir dominar um poder que não fazia ideia possuir, um dom que lhe permite ver para lá do mundo do Homem, para o perigoso reino dos Fae... Enquanto Mac mergulha cada vez mais fundo na tentativa de solucionar a misteriosa morte da irmã, todos os seus movimentos são seguidos pelo sombrio Jericho...e o implacável V'lane - um Fae-alfa que transforma o sexo num vício para as mulheres humanas - aproxima-se dela. À medida que as fronteiras entre os dois mundos começam a desmoronar-se, a verdadeira missão de Mac torna-se clara:encontrar o poderoso Livro Negro Sinsar Dubh antes que mais alguém o reclame, pois quem conseguir chegar até ele primeiro terá nas mãos o controlo completo sobre ambos os mundos..."
Devo dizer que nunca me interessei particularmente pelos livros desta autora; nunca me imaginei a pegar num, porque sempre me pareceu que puxavam mais para o lado do "Romance Paranormal", um género que prefiro evitar, devido aos inúmeros clichés e às histórias formulaicas. Assim, apesar de há já algum tempo conhecer esta série ("Fever"), esta nunca me pareceu interessante o suficiente (tendo em conta as sinopses).
Mesmo quando saiu em Português, havia sempre outros livros a comprar. No entanto, recentemente sucumbi à tentação de adquirir o primeiro volume da série em Português (com um vale de desconto da Bertrand, pois está claro!) e... sinceramente não sei porque é que não comprei este livro antes, porque foi uma leitura extremamente interessante e agradável! O enredo (que mete fadas, ou "Fae" e muita mitologia celta) está muitíssimo bem construído e explorado e torna a leitura viciante.

MacKayla Lane, residente numa pequena cidade do sul dos EUA vê o seu calmo e simples mundo desabar quando recebe a notícia da morte da sua irmã mais velha, Alina, que estudava numa Universidade na Irlanda. O encerramento precoce da investigação leva MacKayla (ou Mac, como é mais vulgarmente conhecida) a viajar para a Europa numa tentativa de tentar descobrir o assassino da sua irmã.
Mas ao chegar a Dublin, Mac descobrirá que as coisas não são bem o que parecem e que está metida num mundo bem mais negro e perigoso do que alguma vez imaginou. Só a ajuda do misterioso Jericho Barrons pode agora impedir que os assassinos de Alina cheguem também a Mac.

Como mencionado acima, a história de "Anoitecer" está bem encadeada. Karen Marie Moning consegue dar vida ao enredo, contado na primeira pessoa por Mac, uma heroína relutante. A narrativa é fluida e agradável e os acontecimentos formam uma história coerente.
Mac é uma personagem invulgar no mundo da fantasia urbana… a sua adaptação ao mundo das criaturas sobrenaturais é bastante lento e ela luta a cada passo para recuperar a sua vida normal; isto pareceu-me mais realista do que o usual “ah, os vampiros existem? E eu tenho de os caçar? Ok, vamos a isso.”. Pelo contrário, as personagens masculinas caem nos clichés usuais para este tipo de obras (basicamente são altos, misteriosos e sexy - "Tall, Dark and Sexy"). O desfecho pareceu-me um pouco abrupto depois da construção cuidada da história, mas como se trata de uma série, esta pequena falha não é muito importante.

Convém ainda referir a tradução, que me pareceu excelente e contribuiu para que a leitura se tornasse tão agradável.

No geral, uma obra inovadora dentro do género e uma óptima leitura. Recomendado.

25 fevereiro 2010

Opinião: A Paixão de Emma

A Paixão de Emma de Charlotte Bingham
Editora: Edições Asa (2010)
Formato: Capa Mole | 288 páginas
Géneros: Romance, Ficção Histórica
Sinopse (Edições ASA): Emmaline sempre ouvira a mãe dizer que, como a mais velha de quatro irmãs, casar deveria ser a sua prioridade e dever. Contudo, o tempo passava sem que se vislumbrasse qualquer proposta de casamento. Até que num baile organizado em sua casa, um belo desconhecido a convida para dançar. Ele chama-se Julius e, na manhã seguinte, pede a sua mão. Cheia de esperança e vontade de começar uma nova vida, Emmaline deixa a América rumo a Inglaterra. Porém, quando chega, depara-se com uma casa estranha, repleta de pessoas invulgares e criados excêntricos. Um cenário bastante distante do glorioso lugar que Julius lhe descrevera. Na verdade, à medida que os dias passam, o próprio noivo parece ter-se tornado irreconhecível. Emmaline sente-se cada vez mais só e infeliz, chegando até a pôr em causa o futuro da relação. Mas isso é antes de o passado de Julius, e a história daquela enigmática casa, lhe serem desvendados.
Basta olhar para a minha página no Goodreads para perceber que gosto bastante de "Romances Históricos". Sempre achei que eram óptimas distracções para quando nos estamos a sentir mais desanimados e pretendemos o equivalente literário de um chocolate.

Foi por isso que peguei com algum entusiasmo nesta nova oferta literária do género, "A Paixão de Emma". No entanto, fiquei bastante desiludida com o livro, pois não é, nem de perto nem de longe tão bom como a maioria dos outros livros da mesma categoria. Aliás, não entendo bem como é que um livro tão desinteressante foi publicado e pior ainda, escolhido pela ASA para publicação em Portugal quando há tantos outros livros do género muito mais meritórios da "honra". Passo a explicar.

Primeiro, achei extremamente difícil gostar das personagens (com a notável excepção dos criados dos Aubrey, especialmente Wilkinson e Agnes e mesmo esses...) ou conectar-me com elas. Pareceram-me quase todas muito pouco... reais; a família de Emmaline parece-se com uma grande mancha, e não conseguiria distinguir uma personagem de outra, pois a única característica que os une é o desprezo por Emma. Esse desprezo é quase caricatural... como as irmãs malvadas da Cinderella no clássico da Disney. Por sua vez, Emmaline é uma personagem fraca e as emoções que demonstra durante o livro não parecem corresponder às situações em que se encontra. Julius deixou-me perplexa... quase não parecia humano, mas mais um robô ou algo do género, uma vez que quase sempre o seu comportamento me pareceu bizarro.

Depois temos a história. O enredo é bastante simplista e está muito mal explorado, para já não falar do facto de que é bastante previsível. Ao mesmo tempo, a linha de acção é confusa e é quase impossível dar pela passagem do tempo, devido ao modo como o livro está escrito. De facto todo o livro parece bastante irreal... Julius ora aparecia em casa ora desaparecia de casa, nas alturas mais estranhas e nunca havia maneira de o leitor saber se o protagonista se encontrava presente. Ele aparecia de repente (quando no dia anterior, estava supostamente em França ou algo do género) para o jantar e tentava parecer misterioso (tendo apenas conseguido parecer ser o homem mais aborrecido à face da Terra).
Foi por isso que a história de amor me pareceu tão pouco realista... Julius aparenta ter muito pouca personalidade para além de quase nunca estar em casa e é um mistério para mim como é que Emma se apaixona por uma pessoa que não se dá a conhecer. Ao mesmo tempo não nos é permitido conhecer os pensamentos de Julius pelo que nunca chegamos a saber como e quando é que se apaixonou por Emma.

O estilo de escrita também não é dos melhores. Não sei se a autora escreve mesmo assim, ou se foi da tradução, mas frases como "A Emma está muito bonita esta noite, muito bonita" ou "Emma não deve fazer isso, não deve" repetem-se com frequência e tornam-se irritantes, no mínimo.

No geral, uma obra muito fraca tanto em termos de estilo de escrita como em termos de história e personagens.

22 fevereiro 2010

Opinião: A Princesa de Gelo (Camilla Läckberg)

A Princesa de Gelo de Camilla Läckberg
Editora: Oceanos (2009)
Formato: Capa Mole | 399 páginas

Géneros: Mistério / Thriller 
Sinopse.

Depois da obra de Stieg Larsson me ter supreendido pela positiva, decidi experimentar outros autores norte europeus. Camilla Läckberg pareceu-me a escolha ideal; não só foi publicada em Portugal pela mesma editora (Oceanos), como é apelidada de "A nova Agatha Christie que vem do frio" na capa desta obra. Visto que Agatha Christie continua a ser uma das minhas autoras de livros de mistério preferidas, decidi experimentar.

Pena que Camilla Läckberg não tenha nada a ver nem com Christie nem com Larsson. Falta-lhe a habilidade que, na minha humilde opinião, Agatha Christie tem de conceber um mistério intrincado que se apoia especialmente nas características psicológicas das personagens; falta também a Läckberg o talento para desenvolver personagens interessantes (que tanto Larsson como Agatha Christie possuem).

Assim, a este livro faltam, claramente, alguns elementos essenciais que fazem de uma obra deste género uma leitura interessante.

Não achei que as personagens fossem particularmente envolventes ou estivessem bem desenvolvidas e as suas interacções pareceram-me forçadas e pouco realistas.

O modo como resolveram o mistério também não me satisfez pois pareceu-me que tanto Erica como Patrik (que é um polícia, atenção) tinham poderes dedutivos muito incipientes. Mais, não vemos muito processo de dedução ou mesmo ao longo do livro; na verdade os dois protagonistas só conseguiram resolver o mistério porque encontraram algumas pistas (como recortes de jornal, etc) muito óbvias que até uma criança pequena conseguiria, com algum tempo, decifrar.
Senti-me quase como se estivesse a assistir a um episódio de "Scooby-Doo"... de vez em quando Patrik ou Erica encontravam algo, uma peça do "puzzle" e só faltava dizerem "Aha! Uma pista!". Ainda mais irritante: quando tal pista era encontrada, o leitor não era informado acerca da sua natureza; ou seja, na altura em que um dos protagonistas encontrava um objecto suspeito que o fazia ter um "momento Eureka", o leitor continuava às escuras uma vez que não nos era dito que objecto era esse.

Mesmo assim, demoraram uma eternidade a juntar todas as "peças" e quando o fizeram finalmente, já eu tinha adivinhado toda a história. Por isso suponho que podemos acrescentar "Previsível" à lista de defeitos desta obra.

Detalhes da versão original:
Título: Isprinsessan
Série: Fjällbacka
Ano:  2004