18 setembro 2010

Aquisições de Setembro (1)

Por qualquer razão, este final de Verão fez-me abrir os cordões à bolsa e comprar livros... e mais livros. Talvez seja a antecipação dos muitos dias chuvosos, quando sabe tão bem ler um livro. Aproveitei também a campanha de descontos no Continente, onde havia uma banca com livros com 40% e 50% de desconto. Como não aproveitar?
Eis as primeiras aquisições de Setembro.

- The Osiris Ritual de George Mann
- As Serviçais de Kathryn Stockett
- Criaturas Maravilhosas de Margaret Stohl e Kami Garcia
- Escândalo de Penny Vicenzi
- O Priorado do Cifrão de João Aguiar

13 setembro 2010

Opinião: O Príncipe Corvo

O Príncipe Corvo de Elizabeth Hoyt
Editora: Livros de Seda (2009)
Formato: Capa Mole | 326 páginas
Géneros: Romance Histórico
Sinopse (Livros da Seda): Little Battleford, Inglaterra rural, segunda metade do século XVIII. Assistindo à constante debilidade das finanças familiares, Anna Wren, recentemente enviuvada, vê-se na necessidade de encontrar emprego. Culta e letrada, torna-se secretária de Edward de Raaf, conde de Swartingham.

Homem de um carácter que a vida tornou mordaz e inflexível, de rosto e corpo marcado por cicatrizes de infância, tudo parece indicar que Anna Wren será uma secretária a prazo.

Numa improvável partida do destino, ambos despertam o lado mais secreto do outro, rapidamente desenvolvendo um desejo mútuo e de forte carga erótica, inicialmente não assumido.

Na Inglaterra do Império e das conquistas ultramarinas, nas vésperas da Revolução Industrial, conseguirá o preconceito e o conservadorismo separar duas almas talhadas para se unirem?
(A edição lida está no inglês original, mas os dados bibliográficos apresentados são da versão portuguesa para tornar mais fácil a identificação da obra)

O Príncipe Corvo é o primeiro livro de uma trilogia da autoria de Elizabeth Hoyt. É um romance histórico muito ao estilo dos de Emma Wildes e Madeline Hunter, focando-se nos dilemas amorosos de duas personagens e tendo como fundo a Inglaterra de outros tempos.

Passa-se, pois, em meados do século XVIII e relata a história de amor entre um Conde e uma viúva de origens modestas. Devido a dificuldades financeiras, a viúva, Anna Wren é forçada a fazer aquilo que é quase impensável nesta altura, para uma senhora respeitável: trabalhar.

Anna consegue um posto como secretária do Conde de Swartingham, um homem com um lendário mau génio que já havia conseguido afugentar vários outros candidatos.

O que distingue, quanto a mim, O Príncipe Corvo de outras obras do género (nomeadamente das publicadas em Portugal) é o desenvolvimento cuidado e principalmente gradual da relação entre os protagonistas. Achei que a transição de meros conhecidos para amantes se fez de forma mais ou menos realista (tão realista como pode ser num livro deste tipo) e não apressadamente como em muitos outros romances históricos. Quero com isto dizer, que o herói e a heroina não caíram nos braços um do outro ao fim de dez páginas, o que é de louvar.

De louvar também é a caracterização minuciosa (pelo menos assim me pareceu) da sociedade inglesa do século XVIII. As personagens estão bem incorporadas no seu meio social e assistimos a diversas situações que nos mostram como se deviam comportar tantos os homens como as mulheres. O facto de Anna Wren ter procurado uma posição é algo que é criticado e comentado pela populaça pois mesmo sendo de origem modesta, Anna não faz parte da classe trabalhadora.

Não posso também deixar de mencionar uma linha de acção secundária que a autora apresenta e que tem como protagonistas duas irmãs que, para se sustentarem tiveram de se tornar "mulheres de má vida". A interacção da protagonista com estas mulheres traz alguma originalidade à história e mostra-nos, mais uma vez, as convenções sociais da época que não permitiam qualquer tipo de auxílio a estas mulheres.

No geral, achei "O Príncipe Corvo" uma leitura bastante agradável. O enredo é apelativo, os acontecimentos desenrolam-se a bom ritmo, as personagens são carismáticas e a escrita é fluída e interessante. Claro que não escapa aos habituais clichés do romance histórico, mas parece-me que tem algo mais. Devo também referir que algumas das cenas românticas deste livro são bastante gráficas, mais parece-me do que noutros livros da mesma categoria.

01 setembro 2010

Aquisições de Agosto

Bem, estas não foram as minhas únicas aquisições de Agosto, mas têm um sabor especial porque adquiri estes livros em... Londres! Yay! ^_^ Pois é, fui dar um pequeníssimo (porque os euros não dão para mais) passeio lá por fora. Foi o cabo dos trabalhos para encontrar livrarias (acreditem, fartei-me de andar e só encontrei duas livrarias em pontos distantes um do outro... dir-se-ia que os ingleses não lêem) e estas não tinham muita selecção, mas mesmo assim comprei seis livros:

- Burned de PC Cast e Kristin Cast
- Her Fearful Symmetry de Audrey Niffenegger
- The Dragon Keeper de Robin Hobb
- Mistress of Rome de Kate Quinn
- Unholy Magic de Stacia Kane
- The Passage de Justin Cronin

25 agosto 2010

Opinião: Duna

Duna de Frank Herbert
Editora: Saída de Emergência (2010)
Formato: Capa Mole | 576 páginas
Géneros: Ficção Científica, Fantasia
Sinopse (SdE): O Duque Atreides é enviado para governar o planeta Arrakis, mais conhecido como Duna. Coberto por areia e montanhas, parece o local mais miserável do Império. Mas as aparências enganam: apenas em Arrakis se encontra a especiaria, uma droga imensamente valiosa e sem a qual o Império se desmoronará. O Duque sabe que a sua posição em Duna é invejada pelos seus inimigos, mas nem a cautela o salvará. E quando o pior acontece caberá ao seu filho, Paul Atreides, vingar-se da conspiração contra a sua família e refugiar-se no deserto para se tornar no misterioso homem de nome Muad’Dib. Mas Paul é muito mais do que o herdeiro da Casa Atreides. Ao viver no deserto entre o povo Fremen, ele tornar-se-á não apenas no líder, mas num messias, libertando o imenso poder que Duna abriga numa guerra que irá ter repercussões em todo o Império...
"Duna" (Dune no original e na primeira tradução portuguesa da autoria dos livros do Brasil) é um dos romances de ficção científica mais conhecidos (e lidos) dentro do género. Aliás, ao lermos a primeira frase da contracapa da nova edição da Saída de Emergência, ficamos com a ideia de que "Duna" é uma obra universalmente aclamada, sem críticas negativas, uma obra-prima da literatura em geral. Pois, caros leitores do Livros, Livros e mais Livros, quem adquirir este livro "Tem nas suas mãos aquele que é considerado o melhor romance de ficção científica de sempre." De sempre, reparem.

Parti pois, para a sua leitura com expectativas elevadas. Já tinha visto o filme de 1984 (uma seca descomunal, ou assim me pareceu quando o vi) e a mini-série de 2000 (aceitável), mas o facto de não ter achado nenhuma das adaptações nada de especial não diminuiu o meu entusiasmo; afinal toda a gente sabe que o livro é sempre melhor do que o filme. Certo?

Errado.

Não é que o filme ou a série sejam melhores do que o livro... é que o livro não é tão bom quanto o pintam. Sinceramente, espanta-me como é que alguém pode considerar que este livro se insere no género da ficção científica... a não ser pelo facto de se passar noutro planeta e as pessoas andarem (de vez em quando) de um lado para o outro em naves espaciais. De resto, cerca de 98% deste livro segue o esquema de qualquer livro de fantasia épica que se preze: um herói, mulheres para seduzir, um governante malvado, um povo oprimido e muitas lutas com espadas e facas.

A sério, espadas e facas... 10.000 anos no futuro, segundo a linha temporal. Terá a sociedade regredido? Não sabemos. Seria interessante saber esse pequeno facto e se sim, o porquê. Mas nada disso faz parte do livro. O autor decide antes fazer o leitor mergulhar de cabeça no seu imaginário sem nos explicar qualquer tipo de conceitos (bem, se quisermos saber algumas destas coisas, temos de ir ler os apêndices, que não são explicações breves mas verdadeiros artigos) e mais importante, sem explicar as raízes da sociedade e do seu mundo. Ou qual é a ligação daquela aos seres humanos da Terra. Ou o porquê da civilização ter regredido em termos culturais ao ponto de considerar as mulheres inferiores, de terem sistema feudal e de gostarem de lutas sangrentas com gladiadores.

Sinceramente, se me apresentassem este mundo num livro de fantasia épica não me incomodaria o facto destas questões não serem respondidas. Um mundo fantástico não tem ligações com o nosso planeta e a nossa realidade. No entanto, uma sociedade humana futurista tem, pelo que considero importante que se mostre essa conexão e se faça uma ligação entre o passado e o futuro.

No que à história diz respeito, confesso que também não lhe encontrei grande originalidade. E não apenas por seguir uma linha de acção formulaica (como referi acima), porque suponho que na altura em que foi escrito, esta linha de acção (herói com poderes místicos, etc, etc) não tinha ainda sido tão utilizada como actualmente. Mesmo assim, não pude deixar de reparar que toda a cultura civilizacional e religiosa dos vários povos mencionados se parece muito com as da Terra. Os fremen são uma imitação tirada a papel químico das tribos do deserto; Senão vejamos: vivem no deserto logo para eles, a água é preciosa. Usam mantos e turbantes. Até têm uns olhos "especiais", descritos como sendo "azuis sobre azul"! Para quem não sabe, algumas tribos do deserto usam túnicas com uma tinta que deixa a pele azul (sabem onde aprendi isto? Nos livros de "Uma Aventura"). Têm conhecimento e controlo de uma substância poderosa -a especiaria - que é cobiçada pelos Grandes Casas (países Ocidentais) e que é essencial para fazer funcionar os transportes. Até a linguagem dos fremen tem parecenças com o Árabe!
Por outro lado, os costumes civilizacionais das Grandes Casas vêm tanto da cultura feudal europeia da Idade Média como da cultura asiática - os persas e os chineses (as concubinas, o Imperador, etc). Ou seja, a maioria dos costumes das personagens mostram uma completa falta de originalidade. Não me teria incomodado tanto, e até teria considerado estes povos criações originais se o autor tivesse utilizado as civilizações referidas como base; mas não, ele praticamente transpôs uma cultura inteira para outro cenário, deu-lhe um nome novo e acrescentou uns rituais novos aqui e ali. Mas enfim.

Para além da tal "falta de originalidade" na caracterização do seu mundo, Duna sofre também pelo facto do autor ter decidido arrastar imensamente alguns dos acontecimentos (por exemplo, a estadia de Jessica e Paul no deserto antes de serem encontrados pelos fremem é descrita de forma minuciosa e completamente desnecessária) - o que torna certas partes do livro morosas de ler - enquanto outros (por exemplo, a adaptação de Paul e Jessica à vida no deserto e o crescimento de Paul - algo que eu, como leitora estava interessada em saber) passam num instante e são deixados na obscuridade.
Não se enganem, este livro não é grande porque tem uma história complexa e intrincada ou desenvolvimento excepcional de personagens; é grande porque alguns momentos são esticados ao máximo... uma simples conversa entre duas personagens (e nem sequer uma conversa particularmente vital) pode 'demorar' quase vinte páginas. Aliás, a história em si poderia ter sido contada numas 300 páginas, se cortássemos todas estas interacções. Nem a tão elogiada trama política é assim tão complexa e interessante. A intriga política da série "Crónicas do Gelo e do Fogo" põe a de "Duna" a um canto... nem sequer é uma competição. Numa nota positiva, devo confessar que o autor teve um flash de génio ao criar as Bene Gesserit. Gostei bastante de ler sobre esta ordem religiosa e os seus objectivos. Afiguraram-se como um dos únicos elementos verdadeiramente originais da história; consequentemente, Jessica é a personagem mais bem desenvolvida e com mais personalidade, pelo que ela é que devia ser a heroína de Duna, na minha humilde opinião (lol). A única outra personagem que me pareceu minimamente interessante e multi-dimensional foi Kynes (Liet-Kynes) e todos sabemos onde isso foi dar.

Bem, depois deste desabafo (é mais isso do que outra coisa), devo dizer que, no geral até gostei do livro, apesar das suas muitas falhas. É uma obra de fácil leitura (quase sempre), com uma história relativamente interessante se não se entrar na leitura com expectativas muito altas. E que me desculpem todos os fans da saga mas acho que é um exagero de todo o tamanho que se considere "Duna" o melhor romance de ficção científica de todos os tempos. Não nego, no entanto, o seu importante contributo para o género.

19 agosto 2010

Opinião: Seis Suspeitos

Seis Suspeitos de Vikas Swarup
Editora: Edições Asa (2009)
Formato: Capa Mole | 496 páginas
Géneros: Mistério/ Thriller
Sinopse (Edições Asa): "Vicky Rai, um playboy filho de um influente político indiano, mata a jovem Ruby num restaurante em Nova Deli apenas porque ela recusa servir-lhe uma bebida. Sete anos depois, Vicky é julgado e absolvido pelo seu crime. E decide celebrar com uma festa de arromba. Mas esta festa vai ter um final inesperado quando Vicky é encontrado... morto. Entre os 300 glamorosos convidados, a polícia encontra seis pessoas estranhas e deslocadas naquele meio, todas elas com algo em comum: uma arma. Arun Advani, o mais famoso jornalista indiano, está decidido a descobrir o culpado. E, ao fazê-lo, revela-nos as incríveis e emocionantes vidas destes seis excêntricos suspeitos: uma sex-symbol de Bollywood com um segredo vergonhoso; o membro de uma tribo primitiva em busca de uma pedra sagrada; um burocrata corrupto que acredita ser o novo Gandhi; um turista americano apaixonado por uma actriz; um ladrão de telemóveis com sonhos grandiosos e um político ambicioso disposto a tudo. Cada um deles teve motivos mais do que suficientes para premir o gatilho. E poderá o leitor confiar nas revelações do jornalista? Ou terá, também ele, algo a esconder? Inspirado em acontecimentos reais, o muito aguardado segundo romance de Vikas Swarup é um livro de leitura compulsiva que oferece um olhar perspicaz sobre a alma e coração da Índia contemporânea."
Começo, parafraseando, com algumas liberdades interpretativas, uma personagem da adaptação televisiva de "Toward Zero" (uma obra da rainha do crime, Agatha Christie). Diz ele (mais ou menos) que "As histórias de detectives seguem uma linha temporal errada pois abrem quase sempre com a descrição do crime, quando o crime devia vir apenas no fim."

Vikas Swarup utilizou largamente este conceito ao escrever "Seis Suspeitos". Apesar do livro começar com uma notícia da morte de Vicky Rai (a "vítima" nesta história), uma boa parte do livro é passada a explorar as vidas de seis personagens (os tais seis suspeitos) nos meses anteriores ao acontecimento fatídico. Através das suas histórias ficamos a saber como é que as personagens foram parar à casa da vítima e porque tinham todos uma arma.
O autor consegue entrelaçar as diferentes linhas de acção com tanta inteligência, que apesar da frequente mudança de ponto de vista (cada capítulo trata de uma personagem) a narrativa é fluída e agradável, quase ao ponto de tornar este livro um "page turner".

No entanto, não se deve entrar na leitura de "Seis Suspeitos" esperando que o livro evolua como uma obra de mistério/crime (ao estilo de Agatha Christie e outros do género), uma vez o "mistério" é bastante simples de solucionar; aliás o assassínio nem sequer é o foco, aparecendo apenas nas últimas páginas. Este é, como já disse anteriormente, a jornada de cada personagem nos meses anteriores à morte de Vicky Rai. E é uma viagem fascinante, pois dá-nos uma perspectiva multifacetada da sociedade e cultura da Índia dos tempos modernos.

No geral, uma leitura interessante com personagens complexas e multidimensionais e um enredo com todos os ingredientes necessários a uma leitura compulsiva: romance, humor, acção e... mistério.

02 agosto 2010

Opinião: What Hapens in London (Julia Quinn)

Editora: Avon (2009)
Formato: Capa Mole | 372 páginas
Géneros: Ficção Histórica, Romance
Sinopse.

"What Happens in London" é um romance histórico da autoria da escritora americana Julia Quinn (sem livros publicados em Portugal), que goza de um sucesso imenso tanto dentro do seu país natal como no estrangeiro. Apelidada pela imprensa americana como uma Jane Austen contemporânea, Julia Quinn escreve romances históricos que primam pelo seu humor e sensualidade.

O segundo de uma série (série Bevelstoke), "What Happens in London" conta a história de Olivia Bevelstoke, filha de um Conde inglês. Como todas as mulheres do século XIX, a principal missão de Olivia é casar "bem". Mas isso não implica que não se dedique a outras actividades... como espiar o seu novo vizinho, Sir Harry Valentine.

Olivia tem, claro, uma boa desculpa para o fazer; afinal uma das suas amigas trouxe-lhe uma inquietante notícia: Sir Harry Valentine, dizem as más línguas de Londres, é suspeito de ter assassinado a sua noiva!

Assim começa uma história com grandes confusões, algumas situações perigosas (afinal, Harry trabalha para o Ministério da Guerra) e muito humor.

Gosto imenso desta autora e já li a maioria dos seus livros. Os meus favoritos são os da série Bridgerton (refiro aqui as críticas da Whitelady a alguns livros desta série, pois concordo com a maioria dos seus pontos de vista). "What Happens in London" faz também parte de uma série, como já mencionei acima, e apesar de ter gostado deste livro, devo confessar que não foi tão bom como o primeiro; e definitivamente está muitos níveis abaixo dos da Série Bridgerton.

O meu problema com a história prende-se com a facto de não a ter achado muito realista. A autora misturou, quanto a mim, demasiadas linhas de acção e só tratou de algumas delas perto do fim, pelo que o desfecho não foi muito satisfatório. Uma boa parte do livro é dedicado ao desenvolvimento da relação entre as duas personagens principais (Olivia e Harry) - basicamente a fórmula normal deste tipo de livro - e até aqui a autora fez um trabalho excelente.

Mas depois aparece uma nova personagem que vem criar alguma confusão: o Principe Alexei. Se Alexei fosse apenas adicionado como rival de Harry teria sido perfeito, mas não; Alexei é suspeito de cooperar com Napoleão, e isso abre uma nova gama de possibilidades que foram exploradas, muito francamente "à pressa". Primeiro o príncipe era o vilão, depois já não era, e outros acontecimentos posteriores que, para mim, fizeram muito pouco sentido tornaram o enredo muito confuso. Pareceu-me sinceramente que a autora quis acrescentar algo mais à história típica deste género de livros, mas não esteve para se chatear a desenvolver esta segunda parte do enredo como deve de ser.
O final foi, também muito pouco satisfatório e algo "apressado".

No geral, um livro decente dentro do género, mas certamente não um dos melhores da autora.

26 julho 2010

Opinião: As Regras da Sedução (Madeline Hunter)

As Regras da Sedução de Madeline Hunter
Editora: Edições ASA (2008)
Formato: Capa Mole | 320 páginas
Géneros: Ficção Histórica, Romance
Sinopse (Edições ASA): Hayden chega sem aviso e sem ser convidado – um estranho com motivações secretas e um forte carisma. Em poucas horas, Alexia Welbourne vê a sua vida mudar irremediavelmente. A relação entre ambos é tensa, agitada e incómoda. Para Alexia, Hayden é o culpado da sua desventura: sem dote, ela perdeu qualquer esperança de algum dia se casar. Mas tudo muda quando Hayden lhe rouba a inocência num acto impulsivo de paixão. As regras da sociedade obrigam-na a casar com o homem que arruinou a sua família. O que ela desconhece é que o seu autoritário e sensual marido é movido por uma intenção oculta e carrega consigo uma pesada dívida de honra. Para a poder pagar, ele arriscará tudo... excepto a mulher, que começa a jogar segundo as suas próprias regras… 
(A edição lida está no inglês original, mas os dados bibliográficos apresentados são da versão portuguesa para tornar mais fácil a identificação da obra)

A principal característica do romance histórico (como o vejo, claro) é uma história leve de desentendimentos, paixão, amor de conto de fadas e sensualidade. Este género, também apelidado "bodice-ripper" (que pode ser entendido por "arrancar o bodice") por alguns (dependendo muito do enredo), caracteriza-se, geralmente, pela história formulaica - homem e mulher encontram-se, homem e mulher sentem-se atraídos, homem tem um passado negro e por fim, homem e mulher apaixonam-se - e um desenvolvimento bem conseguido das personagens.

Em "As Regras da Sedução", Madeline Hunter tenta fazer mais com a história (o que não é inédito no género, atenção) acrescentando várias linhas de acção em que o heroi da trama deve pagar uma dívida de honra a um amigo há muito desaparecido. A heroina faz parte da família desse amigo. Seguem-se intrigas, fraudes e mistérios a resolver, para além das usuais interacções entre as duas personagens. A história está quase sempre bem encadeada, o que é geralmente um problema com livros deste género onde acontece tudo muito depressa. Lá mais para o final, no entanto, o ritmo da acção começa a acelerar e alguns acontecimentos parecem muito precipitados.

O grande problema deste livro é que a autora, para desenvolver o enredo acima mencionado, decidiu ignorar as personagens. O desenvolvimento das personagens é de extrema importância no romance histórico uma vez que a história se centra tão fortemente nos dois protagonistas, e a obra é desapontante nesse ponto. Não vemos, ao longo do livro, mudanças de comportamento que levem realisticamente, ao final da praxe - felizes para sempre. Ou seja, as personagens são quase sempre frias e mudam pouco por isso quando os seus sentimentos um pelo outro sofrem alterações não parece muito... verosímel.

Apesar desta falha, "As Regras da Sedução" constituiu uma leitura agradável e bastante interessante - especialmente porque aprendi algumas coisas sobre as instituições bancárias de meados do século XIX. E apesar das liberdades históricas, os romances históricos são fontes de informação sobre a sociedade da época.