26 setembro 2010

O Espelho Quebrado (2010)

Título Original: The Mirror Crack'd from Side to Side
Ano: 2010
Duração: 79 minutos
Com: Julia McKenzie, Lindsay Duncan, Joanna Lumley, Nigel Harman

Depois de ler o livro, decidi ver a adaptação de "O Espelho Quebrado" que saiu em Agosto deste ano.

No geral, é uma adaptação bastante fiel, embora tenham mudado os nomes de algumas personagens (coisa que costumam fazer quando as personagens têm nomes estrangeiros) e mudaram as relações entre alguns dos protagonistas. O que mais me incomodou foi terem eliminado Mr. Babcock da história, uma vez que ele é a personagem que, no livro, faz com que Miss Marple descubra finalmente a solução do problema.

Devo também confessar que Julia McKenzie, apesar de ser uma excelente actriz, não me convence no papel de Miss Marple. Talvez porque me habituei a ver Geraldine McEwan no papel (e gostei imenso) nas primeiras séries (mais recentes, está claro, não falo das mais antigas). Outro aspecto em que penso que a qualidade da série decaiu foi na "fotografia". As séries anteriores tinham mais cor e um uso mais artistico desta... por exemplo adorei "O Enigma das Cartas Anónimas" exactamente porque o editor de imagem fez um uso excelente do vermelho e do azul para transmitir emoções e o dramatismo de certas cenas.

No entanto, em termos de adaptação creio que está bem conseguida. Uma série (não apenas este, mas os outros três episódios também) a não perder, se se é fã de Agatha Christie.

21 setembro 2010

Opinião: O Espelho Quebrado

O Espelho Quebrado de Agatha Christie
Editora: Edições Asa (2007)
Formato: Capa Mole | 220 páginas
Géneros: Mistério /Thriller
Sinopse (ASA): St. Mary Mead encheu-se de glamour quando a estrela de cinema Marina Gregg escolheu viver na, até então, pacata aldeia. Mas quando uma fã local é envenenada, Marina dá por si a protagonizar um mistério da vida real - secundada por uma performance arrebatadora de Miss Marple, que suspeita que o cocktail letal estava destinado a outra pessoa. Mas quem? E, se estava de facto destinado a Marina, qual era o motivo?
O Espelho Quebrado (The Mirror Crack’d from Side to Side) foi originalmente publicado na Grã-Bretanha em 1962, ano em que seria igualmente publicado nos Estados Unidos sob o título The Mirror Crack’d. Foi adaptado ao cinema em 1980, com Angela Lansbury no papel de Miss Marple, contando ainda com as interpretações de Elizabeth Taylor e Kim Novak. 1992 seria o ano da sua adaptação à televisão, com Joan Hickson como Miss Marple
O Espelho Quebrado ("The Mirror Crack'd") abre com a personagem principal, Miss Marple, a recuperar de uma bronquite. Miss Marple é ainda mais velha (já era idosa para começar) do que em livros anteriores e enquanto se encontra proibida pelo médico de sair de casa, reflecte nas mudanças operadas na sua pequena aldeia. Estamos agora nos inícios dos anos 60 e a sociedade mudou de forma dramática.

Mas um acontecimento bem conhecido de Miss Marple - um assassínio - vai permitir que ela prove que apesar da idade ainda tem uma mente muito ágil.

Uma leitura rápida e viciante, "O Espelho Quebrado" permite-nos mais uma viagem à vila inglesa de St Mary Mead. Miss Marple tem de puxar novamente pela cabeça e descobrir as motivações por detrás de um crime para o qual, aparentemente não havia motivo.

Gostei bastante (como aliás, gosto sempre) de ler este livro. O mistério não é extremamente previsível e de fácil resolução e as personagens com as suas personalidades complexas e motivos escondidos tornam a leitura interessante. Não que leia muitos livros de mistério, mas posso dizer que raramente encontro enredos tão bem construídos como nos livros de Agatha Christie.

18 setembro 2010

Aquisições de Setembro (1)

Por qualquer razão, este final de Verão fez-me abrir os cordões à bolsa e comprar livros... e mais livros. Talvez seja a antecipação dos muitos dias chuvosos, quando sabe tão bem ler um livro. Aproveitei também a campanha de descontos no Continente, onde havia uma banca com livros com 40% e 50% de desconto. Como não aproveitar?
Eis as primeiras aquisições de Setembro.

- The Osiris Ritual de George Mann
- As Serviçais de Kathryn Stockett
- Criaturas Maravilhosas de Margaret Stohl e Kami Garcia
- Escândalo de Penny Vicenzi
- O Priorado do Cifrão de João Aguiar

13 setembro 2010

Opinião: O Príncipe Corvo

O Príncipe Corvo de Elizabeth Hoyt
Editora: Livros de Seda (2009)
Formato: Capa Mole | 326 páginas
Géneros: Romance Histórico
Sinopse (Livros da Seda): Little Battleford, Inglaterra rural, segunda metade do século XVIII. Assistindo à constante debilidade das finanças familiares, Anna Wren, recentemente enviuvada, vê-se na necessidade de encontrar emprego. Culta e letrada, torna-se secretária de Edward de Raaf, conde de Swartingham.

Homem de um carácter que a vida tornou mordaz e inflexível, de rosto e corpo marcado por cicatrizes de infância, tudo parece indicar que Anna Wren será uma secretária a prazo.

Numa improvável partida do destino, ambos despertam o lado mais secreto do outro, rapidamente desenvolvendo um desejo mútuo e de forte carga erótica, inicialmente não assumido.

Na Inglaterra do Império e das conquistas ultramarinas, nas vésperas da Revolução Industrial, conseguirá o preconceito e o conservadorismo separar duas almas talhadas para se unirem?
(A edição lida está no inglês original, mas os dados bibliográficos apresentados são da versão portuguesa para tornar mais fácil a identificação da obra)

O Príncipe Corvo é o primeiro livro de uma trilogia da autoria de Elizabeth Hoyt. É um romance histórico muito ao estilo dos de Emma Wildes e Madeline Hunter, focando-se nos dilemas amorosos de duas personagens e tendo como fundo a Inglaterra de outros tempos.

Passa-se, pois, em meados do século XVIII e relata a história de amor entre um Conde e uma viúva de origens modestas. Devido a dificuldades financeiras, a viúva, Anna Wren é forçada a fazer aquilo que é quase impensável nesta altura, para uma senhora respeitável: trabalhar.

Anna consegue um posto como secretária do Conde de Swartingham, um homem com um lendário mau génio que já havia conseguido afugentar vários outros candidatos.

O que distingue, quanto a mim, O Príncipe Corvo de outras obras do género (nomeadamente das publicadas em Portugal) é o desenvolvimento cuidado e principalmente gradual da relação entre os protagonistas. Achei que a transição de meros conhecidos para amantes se fez de forma mais ou menos realista (tão realista como pode ser num livro deste tipo) e não apressadamente como em muitos outros romances históricos. Quero com isto dizer, que o herói e a heroina não caíram nos braços um do outro ao fim de dez páginas, o que é de louvar.

De louvar também é a caracterização minuciosa (pelo menos assim me pareceu) da sociedade inglesa do século XVIII. As personagens estão bem incorporadas no seu meio social e assistimos a diversas situações que nos mostram como se deviam comportar tantos os homens como as mulheres. O facto de Anna Wren ter procurado uma posição é algo que é criticado e comentado pela populaça pois mesmo sendo de origem modesta, Anna não faz parte da classe trabalhadora.

Não posso também deixar de mencionar uma linha de acção secundária que a autora apresenta e que tem como protagonistas duas irmãs que, para se sustentarem tiveram de se tornar "mulheres de má vida". A interacção da protagonista com estas mulheres traz alguma originalidade à história e mostra-nos, mais uma vez, as convenções sociais da época que não permitiam qualquer tipo de auxílio a estas mulheres.

No geral, achei "O Príncipe Corvo" uma leitura bastante agradável. O enredo é apelativo, os acontecimentos desenrolam-se a bom ritmo, as personagens são carismáticas e a escrita é fluída e interessante. Claro que não escapa aos habituais clichés do romance histórico, mas parece-me que tem algo mais. Devo também referir que algumas das cenas românticas deste livro são bastante gráficas, mais parece-me do que noutros livros da mesma categoria.

01 setembro 2010

Aquisições de Agosto

Bem, estas não foram as minhas únicas aquisições de Agosto, mas têm um sabor especial porque adquiri estes livros em... Londres! Yay! ^_^ Pois é, fui dar um pequeníssimo (porque os euros não dão para mais) passeio lá por fora. Foi o cabo dos trabalhos para encontrar livrarias (acreditem, fartei-me de andar e só encontrei duas livrarias em pontos distantes um do outro... dir-se-ia que os ingleses não lêem) e estas não tinham muita selecção, mas mesmo assim comprei seis livros:

- Burned de PC Cast e Kristin Cast
- Her Fearful Symmetry de Audrey Niffenegger
- The Dragon Keeper de Robin Hobb
- Mistress of Rome de Kate Quinn
- Unholy Magic de Stacia Kane
- The Passage de Justin Cronin

25 agosto 2010

Opinião: Duna

Duna de Frank Herbert
Editora: Saída de Emergência (2010)
Formato: Capa Mole | 576 páginas
Géneros: Ficção Científica, Fantasia
Sinopse (SdE): O Duque Atreides é enviado para governar o planeta Arrakis, mais conhecido como Duna. Coberto por areia e montanhas, parece o local mais miserável do Império. Mas as aparências enganam: apenas em Arrakis se encontra a especiaria, uma droga imensamente valiosa e sem a qual o Império se desmoronará. O Duque sabe que a sua posição em Duna é invejada pelos seus inimigos, mas nem a cautela o salvará. E quando o pior acontece caberá ao seu filho, Paul Atreides, vingar-se da conspiração contra a sua família e refugiar-se no deserto para se tornar no misterioso homem de nome Muad’Dib. Mas Paul é muito mais do que o herdeiro da Casa Atreides. Ao viver no deserto entre o povo Fremen, ele tornar-se-á não apenas no líder, mas num messias, libertando o imenso poder que Duna abriga numa guerra que irá ter repercussões em todo o Império...
"Duna" (Dune no original e na primeira tradução portuguesa da autoria dos livros do Brasil) é um dos romances de ficção científica mais conhecidos (e lidos) dentro do género. Aliás, ao lermos a primeira frase da contracapa da nova edição da Saída de Emergência, ficamos com a ideia de que "Duna" é uma obra universalmente aclamada, sem críticas negativas, uma obra-prima da literatura em geral. Pois, caros leitores do Livros, Livros e mais Livros, quem adquirir este livro "Tem nas suas mãos aquele que é considerado o melhor romance de ficção científica de sempre." De sempre, reparem.

Parti pois, para a sua leitura com expectativas elevadas. Já tinha visto o filme de 1984 (uma seca descomunal, ou assim me pareceu quando o vi) e a mini-série de 2000 (aceitável), mas o facto de não ter achado nenhuma das adaptações nada de especial não diminuiu o meu entusiasmo; afinal toda a gente sabe que o livro é sempre melhor do que o filme. Certo?

Errado.

Não é que o filme ou a série sejam melhores do que o livro... é que o livro não é tão bom quanto o pintam. Sinceramente, espanta-me como é que alguém pode considerar que este livro se insere no género da ficção científica... a não ser pelo facto de se passar noutro planeta e as pessoas andarem (de vez em quando) de um lado para o outro em naves espaciais. De resto, cerca de 98% deste livro segue o esquema de qualquer livro de fantasia épica que se preze: um herói, mulheres para seduzir, um governante malvado, um povo oprimido e muitas lutas com espadas e facas.

A sério, espadas e facas... 10.000 anos no futuro, segundo a linha temporal. Terá a sociedade regredido? Não sabemos. Seria interessante saber esse pequeno facto e se sim, o porquê. Mas nada disso faz parte do livro. O autor decide antes fazer o leitor mergulhar de cabeça no seu imaginário sem nos explicar qualquer tipo de conceitos (bem, se quisermos saber algumas destas coisas, temos de ir ler os apêndices, que não são explicações breves mas verdadeiros artigos) e mais importante, sem explicar as raízes da sociedade e do seu mundo. Ou qual é a ligação daquela aos seres humanos da Terra. Ou o porquê da civilização ter regredido em termos culturais ao ponto de considerar as mulheres inferiores, de terem sistema feudal e de gostarem de lutas sangrentas com gladiadores.

Sinceramente, se me apresentassem este mundo num livro de fantasia épica não me incomodaria o facto destas questões não serem respondidas. Um mundo fantástico não tem ligações com o nosso planeta e a nossa realidade. No entanto, uma sociedade humana futurista tem, pelo que considero importante que se mostre essa conexão e se faça uma ligação entre o passado e o futuro.

No que à história diz respeito, confesso que também não lhe encontrei grande originalidade. E não apenas por seguir uma linha de acção formulaica (como referi acima), porque suponho que na altura em que foi escrito, esta linha de acção (herói com poderes místicos, etc, etc) não tinha ainda sido tão utilizada como actualmente. Mesmo assim, não pude deixar de reparar que toda a cultura civilizacional e religiosa dos vários povos mencionados se parece muito com as da Terra. Os fremen são uma imitação tirada a papel químico das tribos do deserto; Senão vejamos: vivem no deserto logo para eles, a água é preciosa. Usam mantos e turbantes. Até têm uns olhos "especiais", descritos como sendo "azuis sobre azul"! Para quem não sabe, algumas tribos do deserto usam túnicas com uma tinta que deixa a pele azul (sabem onde aprendi isto? Nos livros de "Uma Aventura"). Têm conhecimento e controlo de uma substância poderosa -a especiaria - que é cobiçada pelos Grandes Casas (países Ocidentais) e que é essencial para fazer funcionar os transportes. Até a linguagem dos fremen tem parecenças com o Árabe!
Por outro lado, os costumes civilizacionais das Grandes Casas vêm tanto da cultura feudal europeia da Idade Média como da cultura asiática - os persas e os chineses (as concubinas, o Imperador, etc). Ou seja, a maioria dos costumes das personagens mostram uma completa falta de originalidade. Não me teria incomodado tanto, e até teria considerado estes povos criações originais se o autor tivesse utilizado as civilizações referidas como base; mas não, ele praticamente transpôs uma cultura inteira para outro cenário, deu-lhe um nome novo e acrescentou uns rituais novos aqui e ali. Mas enfim.

Para além da tal "falta de originalidade" na caracterização do seu mundo, Duna sofre também pelo facto do autor ter decidido arrastar imensamente alguns dos acontecimentos (por exemplo, a estadia de Jessica e Paul no deserto antes de serem encontrados pelos fremem é descrita de forma minuciosa e completamente desnecessária) - o que torna certas partes do livro morosas de ler - enquanto outros (por exemplo, a adaptação de Paul e Jessica à vida no deserto e o crescimento de Paul - algo que eu, como leitora estava interessada em saber) passam num instante e são deixados na obscuridade.
Não se enganem, este livro não é grande porque tem uma história complexa e intrincada ou desenvolvimento excepcional de personagens; é grande porque alguns momentos são esticados ao máximo... uma simples conversa entre duas personagens (e nem sequer uma conversa particularmente vital) pode 'demorar' quase vinte páginas. Aliás, a história em si poderia ter sido contada numas 300 páginas, se cortássemos todas estas interacções. Nem a tão elogiada trama política é assim tão complexa e interessante. A intriga política da série "Crónicas do Gelo e do Fogo" põe a de "Duna" a um canto... nem sequer é uma competição. Numa nota positiva, devo confessar que o autor teve um flash de génio ao criar as Bene Gesserit. Gostei bastante de ler sobre esta ordem religiosa e os seus objectivos. Afiguraram-se como um dos únicos elementos verdadeiramente originais da história; consequentemente, Jessica é a personagem mais bem desenvolvida e com mais personalidade, pelo que ela é que devia ser a heroína de Duna, na minha humilde opinião (lol). A única outra personagem que me pareceu minimamente interessante e multi-dimensional foi Kynes (Liet-Kynes) e todos sabemos onde isso foi dar.

Bem, depois deste desabafo (é mais isso do que outra coisa), devo dizer que, no geral até gostei do livro, apesar das suas muitas falhas. É uma obra de fácil leitura (quase sempre), com uma história relativamente interessante se não se entrar na leitura com expectativas muito altas. E que me desculpem todos os fans da saga mas acho que é um exagero de todo o tamanho que se considere "Duna" o melhor romance de ficção científica de todos os tempos. Não nego, no entanto, o seu importante contributo para o género.

19 agosto 2010

Opinião: Seis Suspeitos

Seis Suspeitos de Vikas Swarup
Editora: Edições Asa (2009)
Formato: Capa Mole | 496 páginas
Géneros: Mistério/ Thriller
Sinopse (Edições Asa): "Vicky Rai, um playboy filho de um influente político indiano, mata a jovem Ruby num restaurante em Nova Deli apenas porque ela recusa servir-lhe uma bebida. Sete anos depois, Vicky é julgado e absolvido pelo seu crime. E decide celebrar com uma festa de arromba. Mas esta festa vai ter um final inesperado quando Vicky é encontrado... morto. Entre os 300 glamorosos convidados, a polícia encontra seis pessoas estranhas e deslocadas naquele meio, todas elas com algo em comum: uma arma. Arun Advani, o mais famoso jornalista indiano, está decidido a descobrir o culpado. E, ao fazê-lo, revela-nos as incríveis e emocionantes vidas destes seis excêntricos suspeitos: uma sex-symbol de Bollywood com um segredo vergonhoso; o membro de uma tribo primitiva em busca de uma pedra sagrada; um burocrata corrupto que acredita ser o novo Gandhi; um turista americano apaixonado por uma actriz; um ladrão de telemóveis com sonhos grandiosos e um político ambicioso disposto a tudo. Cada um deles teve motivos mais do que suficientes para premir o gatilho. E poderá o leitor confiar nas revelações do jornalista? Ou terá, também ele, algo a esconder? Inspirado em acontecimentos reais, o muito aguardado segundo romance de Vikas Swarup é um livro de leitura compulsiva que oferece um olhar perspicaz sobre a alma e coração da Índia contemporânea."
Começo, parafraseando, com algumas liberdades interpretativas, uma personagem da adaptação televisiva de "Toward Zero" (uma obra da rainha do crime, Agatha Christie). Diz ele (mais ou menos) que "As histórias de detectives seguem uma linha temporal errada pois abrem quase sempre com a descrição do crime, quando o crime devia vir apenas no fim."

Vikas Swarup utilizou largamente este conceito ao escrever "Seis Suspeitos". Apesar do livro começar com uma notícia da morte de Vicky Rai (a "vítima" nesta história), uma boa parte do livro é passada a explorar as vidas de seis personagens (os tais seis suspeitos) nos meses anteriores ao acontecimento fatídico. Através das suas histórias ficamos a saber como é que as personagens foram parar à casa da vítima e porque tinham todos uma arma.
O autor consegue entrelaçar as diferentes linhas de acção com tanta inteligência, que apesar da frequente mudança de ponto de vista (cada capítulo trata de uma personagem) a narrativa é fluída e agradável, quase ao ponto de tornar este livro um "page turner".

No entanto, não se deve entrar na leitura de "Seis Suspeitos" esperando que o livro evolua como uma obra de mistério/crime (ao estilo de Agatha Christie e outros do género), uma vez o "mistério" é bastante simples de solucionar; aliás o assassínio nem sequer é o foco, aparecendo apenas nas últimas páginas. Este é, como já disse anteriormente, a jornada de cada personagem nos meses anteriores à morte de Vicky Rai. E é uma viagem fascinante, pois dá-nos uma perspectiva multifacetada da sociedade e cultura da Índia dos tempos modernos.

No geral, uma leitura interessante com personagens complexas e multidimensionais e um enredo com todos os ingredientes necessários a uma leitura compulsiva: romance, humor, acção e... mistério.