11 maio 2011

Opinião: Pátria

Pátria de R.A. Salvatore
Editora: Saída de Emergência (2010)
Formato: Capa Mole | 304 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição (Goodreads): "Nas profundezas da terra e rodeada de trevas eternas, esconde-se a imensa cidade proibida de Menzoberranzan. Habitada pelos drows, os temidos elfos negros, Menzoberranzan é governada por um complexo sistema de Casas em constante batalha. No meio de uma dessas batalhas nasce uma criança com olhos cor púrpura. A criança, Drizzt Do'Urden, destinada a tornar-se príncipe de uma das Casas, cresce num mundo vil onde a sua própria família não hesita em conspirar, trair e assassinar. Surpreendentemente, Drizzt desenvolve um sentido de honra e justiça completamente estranho à sua cidade. Mas haverá lugar para ele num mundo onde a crueldade é a maior virtude? Venha descobrir Drizzt, o elfo negro, uma das personagens mais lendárias da fantasia. E acompanhe-o na épica e intrépida jornada para longe de um mundo onde não tem lugar... em busca de outro, na superfície, onde talvez nunca o aceitem."
AVISO: Contém Spoilers
Já há muito que conheço (de nome) a série "Forgotten Realms", baseada no jogo com o mesmo nome que por sua vez deriva (se não estou em erro) do famoso Dungeons and Dragons. No entanto, apesar de não ser adversa a ler fantasia baseada em jogos RPG (já li alguns do universo Dragonlance, por exemplo) nunca tive curiosidade em ler os livros desta série. Até que um exemplar de "Pátria" me veio parar às mãos.

Em "Pátria", seguimos Drizzt Do’Urden um elfo negro (ou drow) que vive no subsolo (ou Subescuro) numa impressionante cidade subterrânea, Menzoberranzan. O livro inicia-se com o nascimento do nosso protagonista numa altura em que a sua família (nobre) conspira para ganhar ainda mais poder. Marcado para ser sacrificado à misteriosa e maléfica deusa-aranha Lolth, Drizzt é salvo por circunstâncias imprevistas e torna-se no "Segundo Filho" da sua "Casa".

Nos capítulos seguintes, seguimos então o processo de crescimento de Drizzt, desde os seus inocentes primeiros anos até à sua intensa formação na Academia de guerreiros. Pelo caminho, o nosso herói vai também aprender os horrorosos costumes da sua raça, que glorificam a violência, a manha e a dissimulação.

"Pátria" é um livro que se lê rapidamente e chega mesmo a ser de leitura compulsiva nalgumas partes. Contém a maioria das características gerais da fantasia épica: diversas raças, magia, divindades misteriosas, entre outras. Gostei bastante de ler sobre a viagem de Drizzt, mas o que mais me impressionou foi a sociedade dos drow. Achei refrescante (apesar de não ser inédito) que as mulheres detivessem o poder; Gostei também de ler sobre a cidade e a sua construção. As descrições eram apropriadamente vividas e fiquei com uma boa ideia de como os elfos negros viviam. Só gostaria de ter tido mais informação - verdadeira, não a que é comunicada a Drizzt e aos seus colegas nas aulas da Academia - sobre as origens da raça, o porquê da sociedade se ter tornado tão vil e claro, sobre a misteriosa Lolth. Mas talvez haja mais informação sobre tudo isto em livros posteriores.

Apesar de ter gostado da história, no geral, não achei que as personagens estivessem particularmente bem desenvolvidas. Tanto a família de Drizzt como a maioria dos Drow com que este se cruza me pareceram muito mono-dimensionais, como se colectivamente representassem a maldade e a natureza vil da sociedade dos elfos negros. Não há grande individualidade no carácter das personagens; não parece existir mais nenhum drow que tenha dúvidas acercas das práticas da sua sociedade, e sinceramente, achei isso bastante inverosímel.
Só Zak se destaca, mas mesmo assim não gostei particularmente dele como personagem. Quanto a Drizzt, apesar de estar muito mais bem desenvolvido do que os outros nunca parece afastar-se muito da sua personalidade "heróica" por assim dizer. Acho que teria gostado mais de ter visto alguma vulnerabilidade em Drizzt, de vê-lo ceder aos preceitos da sua raça porque isso daria mais sentido à sua decisão final.

Mesmo com esta falha, "Pátria" é um livro interessante, apesar de claramente introdutório. Penso que os livros seguintes da saga trarão mais respostas em relação a muitos dos conceitos introduzidos nesta obra pois Drizzt irá conviver com outras raças e conseguir novas perspectivas.

No geral, um bom livro dentro do género... nada de verdadeiramente épico ou original, mas um começo sólido para uma saga. Recomendado para os que gostam de fantasia e mesmo para os que querem entrar neste género pela primeira vez.

08 maio 2011

Opinião: Celestial

Celestial de Cynthia Hand
Editora: Saída de Emergência (2011)
Formato: Capa Mole | 288 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Literatura Juvenil
Sinopse (Goodreads): "Clara Gardner descobriu há pouco tempo que é uma sangue-de-anjo. Ter sangue de anjo a correr-lhe nas veias, faz com que fique mais inteligente, mais forte e mais rápida do que os humanos. Significa também, que tem um propósito. Uma razão para ter sido colocada na terra. No entanto, descobri-lo, não é fácil.
As suas visões de um enorme incêndio florestal e de um rapaz atraente que ela não reconhece, levam-na para uma nova escola, numa nova cidade. Quando conhece Christian, o rapaz dos seus sonhos (literalmente), tudo parece encaixar no lugar - e, ao mesmo tempo, fora do lugar. Afinal, existe Tucker, outro rapaz que apela ao lado menos angélico de Clara.
Ela deseja apenas encontrar o seu caminho num mundo que já não compreende. Mas encontra perigos invisíveis e escolhas que nunca pensou ter de fazer - entre a honestidade e o engano, o amor e o dever, o bem e o mal. Quando o incêndio da sua visão finalmente acontecer, estará Clara preparada para enfrentar o seu destino?"

AVISO: Contém alguns Spoilers!
Devo dizer que "Celestial" de Cynthia Hand constituiu, para mim uma agradável surpresa.

A fantasia urbana juvenil (ou "YA" - Young Adult) é uma género muito vasto, pejado de títulos com histórias e personagens algo formulaicas.
Não digo que não apresentem linhas de acção intrigantes e imaginativas (como invariavelmente tem de ser para agradarem ao público-alvo), mas caem geralmente em diversos estereótipos no que ao enredo e às personagens diz respeito. Refiro-me especialmente ao romance entre protagonistas que é sempre intenso, melodramático e... à primeira vista (logo irrealista). O exemplo mais famoso deste tipo de fórmula é o livro "Crepúsculo" de Stephenie Meyer, mas existem muitos outros que costumo referir sempre que opino sobre um livro deste género.

Celestial, surpreendeu-me porque mesmo tendo alguns elementos comuns a todos os livros do tipo (o triângulo amoroso e as amizades algo improváveis entre outros) tem também ideias bastante originais.

Apesar de ser um livro sobre anjos, gostei da maneira cuidada e gradual como a autora desenvolveu a mitologia e as "regras" do seu mundo. O facto de Clara, a personagem principal, estar ainda a aprender sobre a sua ascendência e os seus poderes fez com que o leitor tivesse oportunidade de aprender também. Isto não acontece em muitos livros, uma vez que os protagonistas já estão seguros das suas "identidades sobrenaturais" e as personagens humanas aceitam essas diferenças com muita facilidade. Mas em "Celestial", Cynthia Hand leva o seu tempo a explicar as origens dos sangue-de-anjo, os seus poderes e as suas limitações. Gostei também de como se baseou na história dos Nephilim, que foi aqui usada de forma muito mais inteligente e interessante do que em Angelologia, na minha modesta opinião.

Ao mesmo tempo consegue não deixar a história para trás, consegue não descurar pormenores importantes do enredo; algo que também acontece com muitos livros de YA, que se focam no romance e deixam as outras linhas de acção para serem resolvidas no fim, à pressa.

Algumas das personagens de "Celestial" são bastante estereotipadas, sendo o exemplo mais gritante um dos protagonistas, Christian que é do tipo misterioso e algo torturado. No entanto, a maioria das personagens tem uma voz muito própria e as suas interacções são bastante realistas.

"Celestial" destaca-se assim do rol de obras YA publicadas em Portugal nos últimos anos. A história é intrigante e está bem escrita, as personagens são interessantes e simpáticas. Uma obra fresca e original com um enredo que nos envolve e que nos deixa desejosos de ler a sequela. Recomendado para quem gosta de fantasia urbana, mas está farto de ler sempre o mesmo tipo de história.

06 maio 2011

In my Mailbox (11)

E aqui está a Mailbox "oficial" desta semana (ou seja, livros que não foram comprados na Feira, lol). A pilha desta vez é bastante modesta, mas recebi o "Divergent" que meia internet diz que é espantoso (pelo menos brilhante é). :D

Everlost (Skinjacker Trilogy, #1) - Neal Shusterman (YA, UF)
Divergent - Veronica Roth (YA, Sci-Fi)
The Dead and the Gone - Susan Beth Pfeffer (YA, Sci-Fi)

E vocês o que receberam na vossa Caixa de Correio (What did you get in your mailbox this week?)?
"In my Mailbox" is hosted by The Story Siren.

05 maio 2011

Booking Through Thursday: Fora dos Cinemas


Nomeia um livro que esperas que nunca, mas mesmo nunca seja transformado em filme (independentemente do filme poder ser muito bom).
Ora se estivermos a falar de livros que não quero ver adaptados ao cinema porque dariam filmes horrorosos, então a lista é... longa. Começaria com a 'saga' "Crepúsculo", mas infelizmente já vou tarde nos meus protestos. Outros livros que dariam filmes horríveis são "Hush, Hush" e sequelas, "Anjo Caído" e sequelas, "Eternidade" e sequelas, e todos os outros exemplos de "amor-Crepúsculo" (Marca Registada, lol). E as Orbias... ui, esse filme seria mesmo... mau. Mais...as 'Crónicas de Allaryia'; até tremo só de pensar no cast (uns actores quaisquer dos Morangos, ugh). Ah e "Uma Inquietante Simetria", nem tentem esse (se bem que algo me diz que este filme já está a nascer na cabecinha de um produtor qualquer... espero estar enganada).

Se, por outro lado, me pedem que nomeie livros que acho que perderiam muita da sua qualidade se fossem transformados em filmes... hmm... não sei. Talvez os do Martin; uma série é mesmo o formato ideal para uma adaptação ao ecrã.

04 maio 2011

Review: Past Midnight (Mara Purnhagen)

Publisher: Harlequin Teen (2010)
Format:  Paperback | 216 pages
Genre(s): Young Adult, Urban Fantasy
Description: "Let me set the record straight. My name is Charlotte Silver and I'm not one of those paranormal-obsessed freaks you see on TV…no, those would be my parents, who have their own ghost-hunting reality show. And while I'm usually roped into the behind-the-scenes work, it turns out that I haven't gone unnoticed. Something happened on my parents' research trip in Charleston—and now I'm being stalked by some truly frightening other beings. Trying to fit into a new school and keeping my parents' creepy occupation a secret from my friends—and potential boyfriends—is hard enough without having angry spirits whispering in my ear. All I ever wanted was to be normal, but with ghosts of my past and present colliding, now I just want to make it out of high school alive…"
Even I am astonished for giving three stars to this book. Why? Because it was short and it lacked some serious character and story development.

But... I really liked the idea behind the story. Charlotte, the main character is completely human. That's right! No weird powers and no supernatural blood flowing through her veins. She's just a normal girl, who just happens to be the daughter of two ghost-story debunkers. They even have their own show. But then, after a filming in a supposedly haunted location weird things start happening to Charlotte. Ghost-related things.

So I thought the author could have developed some parts of the story better. Everything felt rushed (especially the ending) and most of the characters had little to no personality whatsoever. That was the main problem with this book, it was just too short.

The author had this great, fresh idea for a new YA paranormal series (without insta-romance, too!) but I felt like the story was missing scenes and everything was, as I said above, rushed. The end of the book seemed a bit unrealistic and confusing too. Still, overall I liked to read about Charlotte and her scientist parents and I loved how the author treated the supernatural elements of the plot. Maybe we'll get more character development in future books.

02 maio 2011

In my Mailbox (10.5) - Edição Especial: Feira do Livro

Uma Mailbox a meio (vá, no início) da semana? Pois é. Este Domingo tive a oportunidade de ir à Feira do Livro com uma data de gente fixe que, como eu, aprecia livros. Apesar de estar a chover, foi uma visita espectacular. Andámos todos de um lado para o outro a tirar fotos com Estrunfes e outras criaturas e a ver os livros (duh, claro). Alguns dos meus companheiros compraram alguns livros, mas aqui a je, decidiu armar-se em maluca e comprar a Feira inteira. Felizmente (para a carteira) não tive tempo para o fazer, mas mesmo assim ainda consegui adquirir alguns livros que estavam na minha lista (sim, eu fiz uma lista) e que estou com muita vontade de ler. E aqui estão eles (reparem no gato guardião)! :D

O Espelho Negro - Juliet Marillier
A Espada de Fortriu - Juliet Marillier 
O Poço das Sombras - Juliet Marillier
Brasil - Ian MacDonald
A Iniciação - Jennifer Armintrout
A Possessão - Jennifer Armintrout
Pátria - R.A. Salvatore
Celestial - Cynthia Hand
O Oráculo - Catherine Fisher 
O Arconte - Catherine Fisher 
O Dia do Escaravelho - Catherine Fisher

01 maio 2011

Opinião: O Regresso dos Deuses - Rebelião

O Regresso dos Deuses - Rebelião de Pedro Ventura
Editora: Editorial Presença (2011)
Formato: Capa Mole | 390 páginas
Géneros: Fantasia
Sinopse (Goodreads): "Após um longo sono de várias décadas, Calédra, a bela guerreira aurabrana, desperta subitamente para uma realidade que lhe é estranha, um tempo que não é o seu. Antiga rainha dos aurabranos, Calédra está destinada a protagonizar uma missão quase impossível – salvar o mundo e os humanos da crescente ameaça do domínio Holkan. Ao longo desta saga extraordinária, são muitos os aliados que Calédra vai encontrando, e muitas as vezes em que enfrenta inimigos terríveis e se vê às portas da morte. Mas o seu espírito inquebrantável promete dar luta aos seus inimigos e cativar-nos desde logo, levando-nos a ler com insaciável voracidade as páginas deste épico vibrante."
AVISO: Contém alguns Spoilers!
Devo confessar, que até ao lançamento deste livro pela Presença, nunca tinha ouvido falar de Pedro Ventura ou da sua obra. No entanto, quando me foi proposta esta leitura fiquei bastante entusiasmada uma vez que gosto do género fantástico (desde a vertente épica à contemporânea) e tenho prazer em ver que cada vez mais autores portugueses apostam nele. Por outro lado, entrei na leitura um pouco de "pé atrás", digamos, uma vez que a minha experiência com o fantástico nacional não tem sido muito boa.

Concluída a leitura tenho a dizer que fiquei, no geral, satisfeita. A história de "Regresso dos Deuses - Rebelião" é interessante e mistura elementos bastante originais tocando mesmo um pouco na ficção científica. O enredo desenrola-se a bom ritmo e contém todos os elementos indispensáveis a uma boa fantasia: heróis, vilões, povos oprimidos e sociedades ao nível medieval. No entanto, Ventura surpreende, não pela história que não é particularmente única (uma luta pela liberdade de uma raça), mas pela introdução de opositores nunca antes vistos (pelo menos por mim) numa obra de fantasia. Os Holkan e as suas motivações são um elemento novo no género e contribuem para que o livro seja de leitura quase compulsiva. A genialidade do autor ao criar esta raça e ligá-la a Calédra foi magistral. 
Quanto a Calédra é uma personagem principal digna do papel especialmente nos últimos capítulos.

Enquanto lia, apercebi-me de que este livro fazia parte de uma série ou que pelo menos, não era a primeira vez que o autor escrevia sobre este mundo. Como tal deparei-me muitas vezes, especialmente no início, com conceitos desconhecidos e lembranças de acontecimentos passados em livros anteriores,o que tornou a leitura algo confusa. Creio que um mapa e talvez um glossário das raças e territórios existentes nos Sete Reinos teriam sido uma mais-valia para os leitores que, como eu, entram pela primeira vez no mundo criado por Pedro Ventura para as Crónicas de Feaglar.
No entanto, esta não é uma falha grave uma vez que à medida que nos vamos imergindo na história vamos ficando a saber mais sobre o mesmo apesar dos detalhes serem vagos.

O aspecto que mais me desapontou no livro foi o desenvolvimento das personagens. Calédra desde cedo me fez lembrar Xena, a Princesa Guerreira (devido aos gritos guerreiros, aos saltos mortais e às acrobacias desnecessárias com a espada), excepto em termos de personalidade; apesar de perceber que a intenção do autor ao descrever Calédra como arrogante e autoritária era criar uma heroína original, quase que uma "anti-heroína", creio que exagerou um bocado e que a sua arrogância e vaidade eram quase excessivas. Custou-me um pouco ler sobre Calédra e o facto da maioria das outras personagens serem pouco interessantes - com a notável excepção de Delkon, que para mim é a personagem mais bem desenvolvida do livro - tornou a leitura desagradável nalguns pontos. Para além da sua desmesurada agressividade que no mundo real nunca lhe conseguiria a lealdade que os seus seguidores lhe parecem ter, Calédra tende a perder-se por vezes em lamentações muito irritantes que não captam o seu suposto sofrimento.
Ou seja, apesar de entender as razões que levaram o autor a escrever a personagem desta forma creio que ele não conseguiu o efeito pretendido. Não senti que Calédra fosse uma mulher aparentemente arrogante mas com um coração de ouro e também não senti empatia para com o seu sofrimento. É verdade que a sua atitude melhorou bastante nos capítulos finais mas durante a maioria do livro foi-me extremamente difícil ligar-me com esta personagem.

As restantes personagens não colmataram esta falta, uma vez que representavam estereótipos (a vilã arrependida, o homem taciturno com o passado negro e a mulher que é mais do que aparenta). Também não cheguei a perceber as razões que os levaram a juntar-se à demanda de Calédra... pareceram-me bastante mal explicadas e inverosímeis.
Gostaria ainda de ter sabido mais sobre os Holkan (apesar de serem os maus da fita) que me pareceram fascinantes  e com a sua tecnologia e a sua crença de que eram superiores.

Outra falha que detectei prende-se não só com a escrita do autor, mas também com a edição. Apesar de Pedro Ventura escrever de forma apelativa, tem uma tendência irritante para usar reticências na maioria dos seus diálogos o que me pareceu um excesso e quebrou a fluidez dos mesmos, na minha opinião. Se é propositado, confesso que não percebi a intenção.
Também achei confuso que houvessem, dentro dos capítulos, mudanças de ponto de vista, sem que se notasse a mínima diferença no texto; ou seja, o texto é todo corrido, acaba uma frase sobre Calédra e o parágrafo seguinte já é do ponto de vista dos vilões, por exemplo sem que haja um único espaçamento a marcar a mudança.

Falhas à parte (que todos os livros têm), "O Regresso dos Deuses - Rebelião" foi sem dúvida uma das melhores obras de fantasia épica por um autor português que já li. Depois das desilusões do passado esperava mais uma, mas Pedro Ventura surpreendeu-me pela positiva com uma história interessante e bem fundamentada que tem a particularidade de não cair nos principais clichés da fantasia (não há elfos nem anões!). Recomendado para amantes do género.

Nota: Foi-me enviado um exemplar desta obra pela Editora para análise mas isso não influenciou em nada a opinião aqui apresentada.