08 novembro 2013

Opinião: Os Pilares da Terra (Ken Follett)

Os Pilares da Terra - Ken Follett
Editora: Editorial Presença (2007)
Formato: Capa mole | 1094 páginas (2 volumes)
Género: Ficção Histórica, Romance histórico
Descrição (GR): "Do mesmo autor do thriller "A Ameaça", chega-nos o primeiro volume de um arrebatador romance histórico que se revelou ser uma obra-prima aclamada pela comunidade de leitores de vários países que num verdadeiro fenómeno de passa-palavra a catapultaram para a ribalta. Originalmente publicado em 1989, veio para o nosso país em 1995, publicado por outra editora portuguesa, recuperando-o agora a Presença para dar continuidade às obras de Ken Follett. O seu estilo inconfundível de mestre do suspense denota-se no desenrolar desta história épica, tecida por intrigas, aventura e luta política. A trama centra-se no século XII, em Inglaterra, onde um pedreiro persegue o sonho de edificar uma catedral gótica, digna de tocar os céus. Em redor desta ambição soberba, o leitor vai acompanhando um quadro composto por várias personagens, colorido e rico em acção e descrição de um período da Idade Média a que não faltou emotividade, poder, vingança e traição. Conheça o trabalho de um autêntico mestre da palavra naquela que é considerada a sua obra de eleição."
Mais um (de tantos) livros que já andavam lá por casa há algum tempo. Adquiri "Os Pilares da Terra" na Feira do Livro de Lisboa (não me perguntem qual), por recomendação da, quem mais, Whitelady, mas o facto de serem dois volumes desencorajou-me da leitura durante algum tempo.

Como sou uma pessoa que gosta muito de História, este tipo de livros sempre me interessou. Há algum tempo atrás, um dos meus escritores preferidos dentro do género da ficção histórica escreveu uma série de quatro volumes sobre uma confraria de artesãos no Antigo Egipto; essa série é uma das minhas preferidas até hoje. Estranhamente, essa foi uma das razões que me levou a adiar a leitura de "Os Pilares da Terra"; confesso que tinha algum receio de como Ken Follett, que conheço apenas pelo seu thriller "O Terceiro Gémeo" iria abordar o tema da construção em tempos antigos.

Felizmente, o estilo de Ken Follett é bastante diferente do de Christian Jacq, embora também seja bastante envolvente.

A história passa-se no século XII, na Inglaterra e não tem propriamente um protagonista, a não ser que consideremos a catedral de Kingsbridge um protagonista. O livro segue diversas personagens ao longo dos anos, enquanto a catedral é construída e a instabilidade política no país onde grassa uma guerra civil.

O enredo é soberbo. Follett pinta um retrato algo ficcional, mas intrigante da vida na Idade Média, a prosa mantém o leitor interessado e as personagens, apesar de simplistas na sua construção (a maioria representam estereótipos), ajudam a tornar a narrativa quase de leitura compulsiva.

Ao início, o livro arrasta-se um pouco, chegando a tornar-se aborrecido, mas ganha ímpeto assim que os principais "jogadores" (tantos os "bons" como os "maus") estão em posição. A partir da altura em que Tom, o pedreiro, se torna mestre de obras, a narrativa ganha um ritmo viciante e queremos sempre saber mais. O que se passará a seguir com os protagonistas? Será que a catedral acabará algum dia de ser construída?

Em segundo plano, temos a intriga política da época, a guerra civil, os pretendentes ao trono e o estatuto do Rei na Idade Média, o que foi bastante agradável de ler, para quem, como eu, gosta deste tipo de coisas. No entanto, mesmo estas intrigas, estes enredos secundários, servem apenas para dar impulso ao enredo principal: a construção da catedral de Kingsbridge. E, apesar de muitas das páginas deste enorme livro se dedicarem a contar a história da catedral, a obra nunca se torna aborrecida.

Quanto às personagens, devo dizer que esperava mais. São, como mencionei acima, simplistas e estereotipadas e nunca existe uma evolução notável em nenhuma delas (excepto, talvez, em Aliena). Nenhuma delas me puxou ou incitou emoções fortes.

No geral, este livro foi uma leitura bastante interessante. Podia pôr-me para aqui a falar do retrato que Follett faz da Idade Média, o que ele representou ou não correctamente, mas isso daria pano para mangas (e teria de fazer imensa pesquisa), mas penso que no geral, o autor conseguiu captar pelo menos o espírito da época. As personagens são, definitivamente o ponto fraco da narrativa, mas como um todo, "Os Pilares da Terra" é um livro interessante e bem construído. Recomendado para os amantes de ficção histórica.

29 outubro 2013

Falta de inspiração...


Pois... podem estar a perguntar-se (ou não), porque é que o blogue tem andado tão parado. Se querem que vos diga não sei bem. Estas semanas têm sido bastante complicadas, com um ritmo de trabalho frenético e embora tenha lido alguns livros... não tenho vontade de escrever. Por isso se não virem nada nos blogue nos próximos tempos, já sabem... é falta de inspiração.

11 outubro 2013

Review: Surrender to the Devil (Lorraine Heath)

Surrender to the Devil by Lorraine Heath
Publisher: Avon (2009)
Format: Mass market paperback | 384 pages
Genre(s): Historical romance
Description (GR): "A Devilish Duke on a Quest for Pleasure...
Frannie Darling was once a child of London's roughest streets, surrounded by petty thieves, pickpockets, and worse. But though she survived this harsh upbringing to become a woman of incomparable beauty, Frannie wants nothing to do with the men who lust for her, the rogues who frequent the gaming hall where she works. She can take care of herself and feels perfectly safe on her own—safe, that is, until he strides into her world, and once again it becomes a very dangerous place indeed. 
To bed her but not wed her. That's what Sterling Mabry, the eighth Duke of Greystone, wants. But Frannie abhors arrogant aristocrats interested only in their own pleasure. So why then does the thought of an illicit tryst with the devilish duke leave her trembling with desire? Her willing body begs for release...and a wicked, wonderful surrender."
I'm a big fan of Historical romance, especially the light-hearted kind. I love the descriptions of the ton, of the British aristocracy and the pseudo-tortured heroes who can only be saved by the heroine. Some of my favorite books are historical romances, because, I suppose, while I am practical in RL, I am a bit of a romantic at heart.

This is the second book I've read by Lorraine Heath. I confess I don't actually remember the other book I've read by her; I only remember that I liked it well enough.

The same can be said for this book. I liked this, but didn't love it. It was a quick read, but it didn't dazzle me.

Frannie Darling is a former street urchin who, along the rest of her (all-male) gang, has made something of herself. She doesn't really like the aristocracy, even though her job as a bookeeper of a gaming club means she has to deal with her on some level.

Sterling Mabry is a Duke. When he sees Frannie he just knows he has to have her (rolls eyes). And so the pursuit begins.

This story/plot is not exactly unheard of. It's a common plot device in these kinds of books (lust at first sight or something), but it's exactly because it's so common that I expect the characters to be well developed and for the protagonists to have chemistry. That, to me, is what makes this sort of book work.

Unfortunately, it wasn't what happened in "Surrender to the Devil". The characters lacked chemistry and were lacking in personality as well. Like I said, I felt like I'd read this story time and again (which is normal, in these types of books)... but there wasn't actually anything to make me want to read it again. The writing was good, but, again, I didn't feel the "sparks" between hero and heroine.

Overall, it was an entertaining read, but nothing special. Lorraine Heath seems to have incredible ideas for stories, but I can't say she makes me care all that much for her characters or sigh at the romance. Which is exactly what I am looking for in these sort of books. I'll be reading more from this author (I have a few more books in my shelves), because her ideias are good and so is her writing style. I just hope her other protagonists are a lot more charismatic.

08 outubro 2013

Opinião: Outlander - Nas Asas do Tempo (Diana Gabaldon)

Outlander by Diana Gabaldon
Editora: Casa das Letras (2010)
Formato: Capa mole | 774 páginas
Género: Romance Histórico, Fantasia
Sinopse: "Claire leva uma vida dupla. Tem um marido num século e um amante noutro…
Em 1945, Claire Randall, ex-enfermeira do Exército, regressa da guerra e está com o marido numa segunda lua-de-mel quando inocentemente toca num rochedo de um antigo círculo de pedras. De súbito, é transportada para o ano de 1743, para o centro de uma escaramuça entre ingleses e escoceses. Confundida com uma prostituta pelo capitão inglês Black Jack Randall, um antepassado e sósia do seu marido, é a seguir sequestrada pelo poderoso clã MacKenzie. Estes julgam-na espia ou feiticeira, mas com a sua experiência em enfermagem, Claire passa por curandeira e ganha o respeito dos guerreiros. No entanto, como corre perigo de vida a solução é tornar-se membro do clã, casando com o guerreiro Jamie Fraser, que lhe demonstra uma paixão tão avassaladora e um amor tão absoluto que Claire se sente dividida entre a fidelidade e o desejo… e entre dois homens completamente diferentes em duas vidas irreconciliáveis.
Vive-se um período excepcionalmente conturbado nas Terras Altas da Escócia, que culminará com a quase extinção dos clãs na batalha de Culloden, entre ingleses e escoceses. Catapultada para um mundo de intrigas e espiões que pode pôr em risco a sua vida, uma pergunta insistente martela os pensamentos de Claire: o que fazer quando se conhece o futuro?
Um misto de ficção romântica e histórica, Outlander – Nas Asas do Tempo já foi publicado em 24 países."
(Nota: A edição lida encontra-se em inglês mas apresentam-se os dados da portuguesa).

"Outlander - Nas Asas do Tempo" é mais um livro com o qual já tenho alguma "história". Tudo começou há anos, quando a Whitelady leu o livro e mo recomendou. Penso que devia estar numa fase "rebelde" porque apesar de ter conseguido uma cópia gratuita através do Bookmooch, não o li imediatamente. Não, haviam de se passar anos até que pegasse finalmente neste romance histórico massivo, que nos conta a história de uma mulher que viaja até ao século XVIII.

Foi apenas com a notícia da do filme série de TV (que, penso eu, começou recentemente a ser filmada) e com as recomendações de outras bookahólicas que me decidi a ler este livro.

Como acontece tantas vezes (especialmente com as recomendações da Whitelady. Vide O dardo de Kushiel), tenho pena de o não ter lido antes. "Outlander - Nas Asas do Tempo" é uma mistura de tudo o que eu gosto num livro: é um romance histórico (com todas a sensualidade inerente e, claro, com uma história de amor) e é também ficção histórica (a autora traça um retrato bastante detalhado da época).

Claire Randall é uma enfermeira de combate, que recomeçou a sua vida e o seu casamento após sobreviver aos horrores da Segunda Guerra Mundial. Em 1945, Claire e Frank decidem visitar a Escócia para poderem reatar relações depois da guerra os ter mantido separados. Um dia, enquanto Claire passeia pelas paisagens bucólicas da Escócia, depara-se com um círculo de menires. A partir daí é transportada para o ano de 1743, para uma Escócia devastada pela guerra. E é aqui que conhece James Fraser, um jovem guerreiro escocês por quem vai começar a sentir mais do que devia.

Quando li, há algum tempo atrás, "O Segredo de Sophia" de Susanna Kearsley, era isto que procurava. Este livro. O Outlander. Um livro que mergulhasse intensamente na história conturbada dos Jacobitas e da sua luta contra os ingleses; um livro que relatasse a vida, os ideais sociais e as mentalidades da época, sem ter medo de nos mostrar partes que hoje em dia nos horrorizariam. E, claro, um livro com uma forte componente romântica, com uma história de amor quase intemporal, forte e faiscante. Foi isto que encontrei em "Outlander - Nas Asas do Tempo" e é por isso que esta obra entra directamente no meu top 10 das leituras de 2013.

E como é bem sabido que é mais difícil dizer bem do que dizer mal, não me alongarei muito mais. Basta dizer que Diana Gabaldon retratou (ou pelo menos assim parece) minuciosa e fielmente o estilo de vida e as mentalidades de meados do século XVIII. E apesar do conflito entre os Jacobitas e os ingleses ser apenas secundário neste primeiro livro, a escrita genial da autora faz com que o leitor se aperceba da tensão existente na Escócia nesta época.

Quanto às personagens... bem, deixem-me dizer-vos que apesar de ambos os protagonistas terem, essencialmente, papéis "tradicionais" (o homem guerreiro e a mulher curandeira), deu-me ideia de que esta escolha foi, pelo menos parcialmente, propositada. Afinal, Jamie é um habitante do século XVIII pelo que o facto de ser guerreiro não é grande surpresa. Mas Claire não é apenas uma curandeira... ela viveu uma das guerras mais sangrentas da história e é, por isso, que as suas capacidades são invulgares.

As personagens evolvem de forma bastante previsível e concordante à componente romântica, mas contrariamente ao que acontece com outros romances históricos, os protagonistas têm as suas "falhas", que advêm da sua situação (Claire) ou educação (Jamie). E a autora não nos poupa aos resultadas de uma educação em que as mulheres eram consideradas "inferiores".

Não nos poupa também à violência inerente do período. Algumas cenas são perturbadoras, mas nenhuma é gratuita. O vilão é, talvez, algo estereotipado, mas as suas acções não fogem aos parâmetros estabelecidos pela História e pela autora.

No geral, adorei. Não é um livro perfeito, mas é muito bom. Tem romance, acção, aventura, personagens carismáticas e complexas e o ritmo é pausado e gradual, mas sempre interessante. Recomendado para todos os amantes de ficção histórica (se não se importarem com a forte componente romântica).

03 outubro 2013

BookLikes + Desafio dos 30 dias

Uma viciada em livros nunca pode ter demasiadas plataformas onde ir buscar recomendações... por isso aderi ao BookLikes! Este site é relativamente novo, penso eu, mas cada utilizador tem direito a um "blogue" onde pode publicar as suas opiniões e mais! E já descobri uma coisa nova: o desafio dos 30 dias! Todos os dias temos de publicar a "resposta" à "pergunta" do dia... ora vejam a lista em baixo.


01 outubro 2013

Opinião: O Evangelho de Sangue (James Rollins)

O Evangelho de Sangue by James Rollins
Editora: Bertrand Editores (2013)
Formato: Capa mole | 496 páginas
Género: Mistério/Thriller, Fantasia Urbana
Descrição: "Um terramoto em Massada, Israel, mata centenas de pessoas e põe a descoberto um túmulo aculto no coração da montanha. Um trio de investigadores - o sargento Jordan Stone, especialista em medicina forense, o padre Rhun Korza, sacerdote do Vaticano e a Dra. Erin Granger, uma arqueóloga brilhante mas desencantada - é enviado para explorar aquela descoberta macabra, um templo subterrâneo que encerra o cadáver crucificado de uma rapariga mumificada. 
Mas um violento ataque ao local põe os três em fuga, lançando-os numa corrida para recuperarem aquilo que outrora foi preservado no sarcófago do túmulo: um livro que se diz ter sido escrito pelo próprio Jesus Cristo e que se crê conter os segredos da Sua divindade. O inimigo que os persegue é ímpar, uma força do mal muito antiga controlada por um líder de ambições e astúcia incalculáveis. 
Entre sepulturas delapidadas e igrejas magníficas, Erin e os dois companheiros terão de enfrentar um passado que remonta a milhares de anos, a um tempo em que criaturas demoníacas percorriam os cantos mais negros do mundo, ao momento em que Jesus fez uma oferta milagrosa, um pacto de salvação com aqueles que estavam condenados à eternidade. 
Porque usam os padres católicos cruzes ao peito? Porque fazem voto de celibato? Porque escondem os monges o rosto com capuzes? E porque insiste o catolicismo que durante a missa o vinho se transforma no sangue de Cristo? As respostas encontram-se todas numa seita secreta do Vaticano, cuja existência é apenas segredada, mas que Rembrandt pintou e deu a conhecer ao mundo, uma ordem obscura conhecida como os Sanguinistas."
Aviso: Alguns SPOILERS (mas nada de especial)

"O Evangelho de Sangue" é o primeiro livro de uma série intitulada The Order of the Sanguines. Quando me deparei com este livro na Fnac, senti-me bastante curiosa com a premissa, uma vez que metia arqueólogos, aventuras e um enredo que me fez lembrar um livro que li há muito tempo atrás e do qual gostei: "O Corpo" de Richard Ben Sapir.

Assim, apesar dos Thrillers não serem, definitivamente, a minha praia (ou onda), decidi experimentar ler esta obra de um autor consagrado dentro do género.

Bem, não foi tão mau como podia ter sido (read: Angelologia), mas também não vai entrar para o meu top de leituras de 2013. Foi uma leitura... mediana?

A Dra. Erin Granger está numa escavação em Israel, quando é quase literalmente raptada por militares. Estes levam-na para Massada, onde um terramoto causou dezenas de vítimas e pôs a descoberto uma cripta antiga. Também no local estão o sargento americano Jordan Stone e um padre enviado pelo Vaticano. Os três descem ao túmulo para investigar, mas antes de poderem concluir a investigação são atacados por pessoas estranhas (e não autorizadas a estar no local, claro). E assim começa a jornada deste trio (sim, há uma espécie de triângulo amoroso) para encontrar o elusivo Evangelho de Sangue, que se diz ter sido escrito pelo próprio Jesus Cristo.

Forçados a investigar em conjunto devido a uma profecia, os nossos três heróis viajam por toda a Europa, encontrando uma ou outra figura histórica pelo caminho e inimigos bastante cliché.

Como referi acima, esta leitura foi... mediana. O enredo não se distingue propriamente pela sua originalidade, sendo este "Evangelho de Sangue", uma obra estruturada de forma bastante usual para este tipo de livros: temos os heróis, temos a demanda (com um prémio muito valioso e que poderá mudar a história da Humanidade) e temos os vilões. Há lutas, há investigação e algum "info-dump" sobre a história da Antiguidade e algumas figuras históricas. Não existem grandes surpresas e a história culmina com uma "grande batalha" entre os heróis e os vilões, com o já esperado "cliffhanger" que ligará este livro ao segundo da série (devo dizer que o cliffhanger me pareceu um bocado despropositado e não muito lógico, mas pronto).

As personagens são também bastante típicas deste género de livros; a Erin é o cérebro e os dois homens são o músculo. Nenhuma das personagens sofre grande desenvolvimento, apesar de os autores nos contarem um pouco sobre o passado de cada um.

No geral, uma leitura... mediana. Não foi propriamente doloroso de se ler, mas não é assim muito original ou envolvente. O ritmo é regular, o que faz com que o leitor não se sinta aborrecido, mas sinceramente não há nada neste livro que o torne verdadeiramente especial. Recomendado para fãs de Thrillers com uma pitada de sobrenatural.
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11 setembro 2013

Opinião: Um Toque de Perversão (Jennifer Haymore)

Um Toque de Perversão - Jennifer Haymore
Editora: Planeta (2011)
Formato: Capa mole | 360 páginas
Género: Romance histórico
Descrição (GR): "Sophie, a duquesa de Calton, recomeçou por fim a viver. Após sete anos de luto pela perda do marido, Garrett, em Waterloo, casou com o melhor amigo e herdeiro, Tristan. Sophie entrega-se-lhe de corpo e alma até ao dia em que o marido regressa do continente e exige o seu título, as suas terras... e a mulher.
Agora, Sophie tem de escolher entre o primeiro e o novo amor, sabendo que, seja qual for a sua opção, esta destruirá um dos homens que adora.
Será Garrett, o seu namorado de infância, cuja perda a ia aniquilando? Ou será Tristan, o amigo querido que se tornou amante, que a apoiou nos últimos anos de luto e que lhe deu a conhecer uma paixão que ela ignorava? Enquanto os dois maridos lutam pelo seu coração, Sophie vê-se envolvida num jogo perigoso - onde as apostas não são só o amor... mas a vida e a morte."
(A edição lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa).

"Um Toque de Perversão" é mais um daqueles romances que tinha lá para casa (não faço ideia de por que é que o comprei), que ficou abandonado, à espera de vez, talvez devido ao foco da história: um triângulo amoroso.

No entanto, uma vez que estou numa de "romances históricos" e de experimentar novos autores, decidi que tinha chegado a altura de ler este.

O primeiro romance de Jennifer Haymore centra-se em três personagens, dois homens e uma mulher, que se conhecem desde pequenos. Garrett e Sophie sempre gostaram um do outro e casaram-se cedo. O primo de Garrett, Tristan (que raio de nome é este, senhores?), também amava Sophie, mas vendo que ela gostava de Garrett e que Garrett gostava dela, nunca disse nada. Tudo parecia bem, até... Waterloo. Por qualquer razão estranha, um Duque sem herdeiros foi enviado para a frente de batalha e dado como morto. E, claro, quase oito anos depois, Tristan o primo e Sophie uniram-se na sua desgraça, por assim dizer. Mas nem tudo é o que parece... o Garrett não estava morto afinal e quando ele volta é o caos total! Ao mesmo tempo, um inimigo escondido tenta magoar a família James.

Esta premissa algo estranha e inverosímil é a base de "Um Toque de Perversão". O marido volta a Inglaterra e encontra a mulher casada com o melhor amigo (drama!). Um inimigo ataca das sombras (mais drama!). O melhor amigo chama-se Tristan (oh woes!).

Devo dizer que não sou grande fã de triângulos amorosos, mas estava curiosa para saber com qual dos dois homens é que a Sophie ia ficar e por isso era-me difícil parar de ler.

Infelizmente, fora isso e a escrita competente, "Um Toque de Perversão" não tem assim muito mais que se recomende. O herói aparece muito pouco, o vilão é bastante óbvio e o romance é muito pouco romântico. A autora farta-se de nos dizer que a nossa heroína mudou, pois sim e que os seus sentimentos são complexos, mas sinceramente nenhuma das acções de Sophie me deu essa sensação. O final não é propriamente uma surpresa mas como se chega a esse final... é que eu, enquanto leitora, tive alguma dificuldade em perceber. Porque como disse, a Sophie não mostra uma preferência clara por nenhum dos dois homens.

As personagens não me cativaram por aí além. Para além dos já mencionados "defeitos", a Sophie não tinha assim grandes características distintivas; o mesmo se pode dizer de Tristan e de Garrett (se bem que gostei mais deste último). Deste modo, o potencial dramático da história não foi aproveitado; não senti absolutamente nada no final, quando a Sophie faz a sua escolha: nem alegria pelos protagonistas, nem tristeza pelo homem que não foi escolhido.

No geral, um livro com potencial, mas algo "morno". Não consegui ligar-me às personagens ou gostar verdadeiramente da história. Está bem escrito, mas não puxa pelas emoções de um leitor, na minha humilde opinião.