15 junho 2014

Opinião: Segredo de Prata (Patricia Briggs)

Segredo de Prata by Patricia Briggs
Editora: Saída de Emergência (2012)
Formato: Capa mole | 259 páginas
Géneros: Fantasia Urbana
Descrição: "Bem-vindo ao mundo de Patricia Briggs, um lugar onde bruxas, vampiros, lobisomens e seres feéricos vivem lado a lado com os humanos. Só uma mulher invulgar como Mercy Thompson poderia sentir-se em casa num lugar assim. Depois de ter escapado a custo das garras de Marsilia, a temível rainha dos vampiros, Mercy só deseja paz e sossego para se integrar no bando de lobisomens do seu companheiro. Mas as coisas começam logo mal… Quando tenta devolver um livro mágico, descobre que este contém segredos que as fadas farão tudo para proteger. E de seguida informam-na de que um amigo desapareceu e que as fadas estão envolvidas. Ou seja, só lhe resta usar os seus poderes - sobrenaturais e humanos - para se salvar a si e aos seus amigos. Como se não fosse suficiente enfrentar o mundo implacável e perigoso das fadas, Mercy ainda tem de lidar com o lado depressivo do seu amigo Samuel (mas será só um amigo?), cada vez mais atormentado pelo conflito entre a sua natureza humana e animal. Conseguirá Mercy Thompson encontrar uma forma de manter o seu mundo e amigos ilesos?"
(A versão lida estava em inglês mas apresentam-se os dados da portuguesa)

Tendo recomeçado a minha leitura desta série com o número quatro, decidi continuar, uma vez que a leitura se tinha revelado agradável.

Gostei mais do 5º livro do que do quarto. Em "Segredo de Prata" voltamos a reencontrar as personagens mais marcantes desta série: Mercy, claro, mas também Adam e a sua alcateia e Zee um ser feérico invulgar que trabalha com um metal que é letal para a maioria dos da sua espécie: o ferro.

Desta vez, seguimos o drama pessoal do melhor amigo (e ex-namorado) de Mercy, o lobisomem Samuel. Samuel é muito velho e sente o peso indescritível dessa idade. Mercy terá de o ajudar a enfrentar esta depressão. Ao mesmo tempo, alguém anda à procura dela devido a um livro que um amigo lhe emprestou sobre os seres feéricos.

Como na maioria dos livros da série, considero que a autora "forçou" um bocado os acontecimentos. Sei que parece estranho porque ela é afinal, a autora, mas quando tudo parece acontecer e encaixar demasiado perfeitamente, dá uma sensação estranha. E foi o que aconteceu: os dois enredos que mencionei acima uniram-se numa combinação perfeita para resolver tudo de uma forma satisfatória.

Também o desenvolvimento do mundo continua a ser algo "insípido" e sem nada digno de nota.

No entanto, as personagens desta série deram, como sempre, um brilho especial ao livro e, juntamente com a escrita simples mas aliciante de Briggs, contribuíram para que "Segredo de Prata" fosse uma leitura quase compulsiva.

Não me vou alongar: no geral, este livro é uma boa leitura e o seu ponto forte são as personagens carismáticas. O mundo é o de uma fantasia urbana vulgar e o mistério não é propriamente difícil. Um ótimo livro para quem gosta de fantasia urbana mas não está à espera de um mundo particularmente intrincado (como sempre, não há muita mitologia ou correspondências com os mitos e histórias do folclore mundial) ou de um enredo que fuja muito ao que é normal neste tipo de livros.
Outras opiniões sobre a série:

12 junho 2014

Opinião: Cruz de Ossos (Patricia Briggs)

Cruz de Ossos by Patricia Briggs
Editora: Saída de Emergência (2011)
Formato: Capa mole | 288 páginas
Géneros: Fantasia Urbana
Descrição (GR): "Bem-vindo ao mundo de Patricia Briggs, um lugar onde bruxas, vampiros, lobisomens e seres feéricos vivem lado a lado com os humanos. Só uma mulher invulgar como Mercy Thompson poderia sentir-se em casa num lugar assim.
Ainda a curar-se, tanto no espírito como no corpo, dos brutais acontecimentos ocorridos recentemente na sua vida, Mercy Thompson está longe de poder baixar a guarda. Agora é a rainha dos vampiros, a temível Marsilia, que está furiosa por descobrir que Mercy não só matou um vampiro como também oculta uma identidade secreta ameaçadora para os da sua espécie… Mercy tem a proteção do bando local de lobisomens, e o seu interesse romântico pelo Alfa torna a ligação ainda mais intensa, mas é bom que a coiote em si esteja alerta, pois a rainha Marsilia não perdoa e irá atrás de Mercy de uma forma ou de outra…"
(A versão lida estava em inglês mas apresentam-se os dados da portuguesa)

Já se passou algum tempo desde que li o terceiro livro da série, "Beijo do Ferro". Esta é uma série que me desperta sentimentos contraditórios: se gostei dos primeiros dois livros, o terceiro deixou-me um bocado reticente em continuar. Provavelmente, devido aos temas expostos.

Enfim... foi essa a razão do "hiato". E é por isso, que sinceramente não me lembro assim muito bem dos livros anteriores; esta série é bastante interessante mas não é propriamente memorável. Mas creio que "Cruz de Ossos" retoma a ação do livro anterior. Mercy passou por momentos difíceis em "Beijo do Ferro" e o pior é que parece que nem tudo acabou; a rainha dos vampiros soube da sua transgressão e procura vingança, tal como demonstra a cruz de ossos pintada na porta do estabelecimento de Mercy. Ao mesmo tempo, a nossa heroína tem de aprender a viver com o que passou e com o facto de Adam, o seu vizinho lobisomem, querer que ela seja algo mais do que apenas uma amiga.

Este livro pareceu-me mais um livro de transição do que outra coisa. Depois dos acontecimentos do livro anterior terem deixado muitas pontas soltas, "Cruz de Ossos" foi a maneira da autora atar essas pontas. O "mistério" não é assim muito elaborado, aliás, achei que a introdução de uma nova personagem, do nada, foi um bocado estranho e resultou um bocado mal.

Mercy toma algumas decisões importantes neste livro, especialmente no que toca à sua relação com Adam e tenta também lidar com o que lhe aconteceu. O resto da história, que foi atirada um bocado ao acaso para o meio do livro, serviu para ficarmos a saber mais sobre as habilidades da Mercy, mas como já disse, soube a pouco e foi bastante inverosímil.

No geral, uma adição com pouco brilho a esta série de Mercy Thompson. É um livro com uma escrita fluída e fácil de ler, mas não traz muito de novo e pareceu-me que foi escrito de uma forma um bocado aleatória, não chegando, como consequência, a desenvolver realmente qualquer dos aspetos que apresenta (a recuperação de Mercy, a sua relação com Adam, as suas capacidades como metamorfa). Os fãs da série lerão certamente este "Cruz de Ossos" com gosto, mas achei que as obras anteriores foram melhores e mais interessantes.
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Outras opiniões sobre a série:

10 junho 2014

Opinião: Noite Sobre as Águas (Ken Follett)

Noite Sobre as Águas by Ken Follett
Editora: Bertrand (2011)
Formato: Capa mole | 528 páginas
Géneros: Mistério/Thriller, Ficção Histórica
Sinopse.
Bem... não me pareceu assim muito misterioso, este livro. O mistério propriamente dito (se é que se pode considerar isto um mistério) só tem lugar nas últimas duzentas páginas do livro e é bastante simples e fácil de adivinhar. De thriller, este livro não tem assim muito.

"Noite sobre as Águas" tem lugar em 1939 e conta a história fictícia do voo de um avião de luxo que a Pan American utilizava para transportar os seus passageiros mais ricos através do Atlântico. Temos um conjunto de personagens que lembra realmente um pouco aquelas que nos são apresentadas por Christie em "O Crime no Expresso do Oriente"; basicamente os ricos e os ociosos, misturados com alguns novos ricos e indivíduos da classe média.

A primeira parte do livro desenvolve algumas das personagens que terão mais protagonismo no enredo. Temos Margaret, filha de um marquês fascista, Harry Marks, um ladrão de joias, Diana Lovesey, uma mulher pouco satisfeita com a sua vida e outros. Estas personagens vão formar a teia de intriga e enganos que culminará a bordo do avião (Clipper). E algumas das personagens são efetivamente interessantes, especialmente Margaret com as suas ideias feministas e socialistas e Hartmman o físico judeu fugido da Alemanha. Follett explora com mestria os choques ideológicos que tiveram lugar na Europa nesta altura através das suas personagens.

E é por isto, na minha opinião, que este livro vale. Como disse anteriormente, o mistério é bastante "morno" e simples. Não há nesta parte da história qualquer traço de genialidade. São as personagens e as suas interações que dão vida a esta obra.

No geral, um livro agradável mas nem de perto nem de longe tão bom como outros que já li do autor. Não o consideraria um thriller, per se, e definitivamente não o compararia à obra de Agatha Christie.

09 junho 2014

Opinião: A Sentinela (Richard Zimler)

A Sentinela by Richard Zimler
Editora: Porto Editora (2013)
Formato: Capa mole | 424 páginas
Géneros: Mistério/Thriller
Descrição: "6 de julho de 2012. Henrique Monroe, inspetor-chefe da Polícia Judiciária, é chamado a um luxuoso palacete de Lisboa para investigar o homicídio de Pedro Coutinho, um abastado construtor civil. Depois de interrogar a filha da vítima, Monroe começa a acreditar que Coutinho foi assassinado ao tentar defender a perturbada adolescente do violento assédio sexual de algum amigo da família. Ao mesmo tempo, uma pen que o inspetor descobre escondida na biblioteca da casa contém alguns ficheiros com indícios de que a vítima poderá também ter sido silenciada por um dos políticos implicados na rede de corrupção que o industrial montara para conseguir os seus contratos.
Tendo como pano de fundo o Portugal contemporâneo, um país traído por uma elite política corrupta, que sofre sob o peso dos seus próprios erros históricos, Richard Zimler criou um intrigante policial psicológico, com uma figura central que se debate com os seus demónios pessoais ao mesmo tempo que tenta deslindar um caso que irá abalar para sempre os muros da sua própria identidade."
Aviso: Contém SPOILERS!
Richard Zimler já me tinha chamado a atenção com a sua obra "O último Cabalista de Lisboa". Afinal, quantos estrangeiros é que decidem estudar o nosso pequeno país e arriscam escrever sobre a nossa história? Muito poucos, suponho. Para além disso, toda a gente diz maravilhas da já referida obra, pelo que, quando vi este livro na loja e percebi que se passava também em Portugal, fiquei ainda com mais curiosidade.

Henrique "Hank" Monroe é detetive da Polícia Judiciária. Vive em Portugal, de onde é originária a sua mãe e é, aparentemente, uma pessoa o mais normal possível. Mas a verdade é que Hank tem segredos, que se prendem com o seu trágico passado no Colorado. E este livro, "A Sentinela", é tanto sobre a investigação de Monroe sobre o assassínio de um dono de uma empresa de construção como sobre esse passado.

A minha leitura deste livro foi... complicada. Não posso negar que é um livro interessante e bastante bem escrito, no geral, se bem que sofre um pouco por não "saber exatamente o que quer ser"; se livro de ação/thriller, se livro introspetivo sobre a natureza humana. Penso que o meu problema com este livro, para além do facto de ser tão realista que é deprimente é que o balanço entre estas duas vertentes não foi assim muito bem conseguido.

Hank tem uma panóplia de problemas psicológicos (psiquiátricos mesmo), que têm origem no seu passado. Basicamente, o pai de Hank era um sociopata e gostava de torturar os filhos e a mulher. Como resultado, Hank criou uma personalidade alternativa, uma espécie de guardião meio selvagem, cujo objetivo é proteger o seu irmão, Ernie. Gabriel, esta segunda personalidade, é um investigador nato que permite a Hank ser um ótimo inspetor. Mas Gabriel pode também causar problemas.

Por outro lado, temos o homicídio de Coutinho, o dono de uma empresa de construção civil que é, claro, corrupto e tudo o mais. A ligação entre o passado de Hank e uma das vítimas deste crime, a filha de Coutinho, faz com que o primeiro sinta que tem de resolver este caso.

Esta dualidade no enredo é interessante, sim, mas creio que não foi explorada de forma eficaz. Gabriel, a personalidade alternativa, aparece diversas vezes durante a história mas nunca temos oportunidade de o ver em ação. Como Hank "perde a consciência", também o leitor fica no escuro relativamente às ações de Gabriel. Esta personagem, que é, no fundo, parte integrante de Hank, nunca é explorada convenientemente e fiquei com a impressão de que só conhecemos metade do protagonista.

Quanto ao mistério, tem contornos sinistros mas é relativamente fácil perceber o que se passou. O desfecho foi tipicamente português, por assim dizer, o que é... bem, deprimente.

O ritmo da narrativa é irregular, passando de envolvente a descritiva e introspetiva, o que fez com que, por vezes tivesse alguma dificuldade em continuar a leitura.

No fundo, este livro está bem construído q.b., tanto em termos de mistério como de "narrativa introspetiva", em que o protagonista sofre alterações e muda devido aos acontecimentos, mas as duas partes não "encaixam" a 100%: nem Hank nem o mistério recebem o tempo de antena que "merecem".

No geral, uma leitura algo desigual, com partes interessantes e partes algo aborrecidas. "A Sentinela" é um livro realista, algo chocante e muito introspetivo nalgumas partes e devo dizer que isso fez com que gostasse e não gostasse da leitura. É um livro algo incómodo.

02 junho 2014

It's Monday! What are you reading?

Na semana passada não tive (novamente) oportunidade de postar sobre o que estava a ler ou sobre os posts no blogue. Por isso, esta semana, vou fazer (novamente) o apanhado das últimas duas semanas. Estou a ler (comecei hoje):

Rubrica da autoria de The Book Journey.

Opinião: Alguém Como Tu (Sarah Dessen)

Alguém Como Tu by Sarah Dessen
Editora: Livros de Seda (2009)
Formato: Capa mole | 248 páginas
Géneros: Romance contemporâneo, Lit. Juvenil/YA
Descrição: "«Estendi os braços e puxei-a para mim, abraçando-a. Apertei a minha melhor amiga com força, retribuindo tantos favores de uma vez…»
No Verão dos seus 16 anos, Halley desconhecia que aquele telefonema a meio da noite iria alterar a sua vida e a de Scarlett, a sua melhor amiga. A partir de então, nada seria como dantes. A morte de Michael Sherwood afectou toda a escola, mas sobretudo Scarlett, que foi a sua última namorada. Não podendo contar com uma mãe que ainda se procura a si própria, apenas Halley encontra a amizade e compreensão de que necessita.
Entretanto, também a vida de Halley se complica. Cada vez mais afastada da mãe e decidida a assumir a sua crescente maturidade, acaba por se envolver com o atraente e irreverente Michael Faulkner, cuja impetuosidade acabará por afastar aquelas que, até então, eram as melhores amigas. Conseguirá o tempo colocar tudo no seu devido lugar?
Uma obra que nos fala das grandes descobertas e dilemas da adolescência, mas que, acima de tudo, nos ensina que o mundo é um lugar mais belo para se viver quando se tem uma melhor amiga."
Já há muito que tinha ouvido falar de Sarah Dessen, considerada a "rainha" do romance contemporâneo juvenil nos EUA. Depois de ler o "Quando éramos mentirosos", decidi experimentar finalmente um livro de Dessen, que é do mesmo género. Tinha lá este, já há algum tempo, como sempre e algumas horas de viagem num autocarro cheio de gente.

Foi uma leitura rápida. A escrita presta-se a tal, é pouco complicada e de fácil leitura. Mas o enredo... não teve a magia do de Lockhart.

"Alguém como tu" conta a história de duas amigas, Halley e Scarlett e das mudanças por que passam durante o Verão da sua adolescência. Crescem, apaixonam-se, afastam-se das mães e dos pais. Basicamente, fazem tudo o que os adolescentes normais fazem.

Tenho pena que a autora tenha escolhido focar-se em Halley nesta história; Halley é provavelmente a personagem menos interessante de todas as que nos são apresentadas, embora, como todas as outras, sofra mudanças acentuadas. Scarlett e Macon pareceram ser bem mais dignos de nota.

Sinceramente, há livros juvenis que consigo ler bem e há outros que me lembram que já não sou uma adolescente de 16 anos (graças às ninfas literárias). "Alguém como tu" pertence à última categoria. Definitivamente não sou o público-alvo deste livro, porque não achei graça nenhuma às personagens.

No geral, uma história bastante típica sobre a adolescência e sobre os perigos que espreitam durante esta altura. Uma boa leitura para os mais jovens mas que, talvez por ser já dos anos 90, me pareceu datada e pouco interessante para o público mais velho. Não tem de ser, claro; afinal, o público-alvo são os adolescentes, mas enquanto há livros que transcendem a sua categoria, este não é, definitivamente, um deles.

01 junho 2014

Opinião: Quando éramos mentirosos (E. Lockhart)

Quando éramos mentirosos by E. Lockhart
Editora: ASA (2014)
Formato: Capa mole | 312 páginas
Géneros: Mistério/Thriller, Romance contemporâneo, Lit. Juvenil/YA
Descrição: "E se alguém lhe perguntar como acabar este livro… MINTA.
A família Sinclair parece perfeita. Ninguém falha, levanta a voz ou cai no ridículo. Os Sinclair são atléticos, atraentes e felizes. A sua fortuna é antiga. Os seus verões são passados numa ilha privada, onde se reúnem todos os anos sem exceção.
É sob o encantamento da ilha que Cadence, a mais jovem herdeira da fortuna familiar, comete um erro: apaixona-se desesperadamente. Cadence é brilhante, mas secretamente frágil e atormentada. Gat é determinado, mas abertamente impetuoso e inconveniente. A relação de ambos põe em causa as rígidas normas do clã. E isso simplesmente não pode acontecer.
Os Sinclair parecem ter tudo. E têm, de facto. Têm segredos. Escondem tragédias. Vivem mentiras. E a maior de todas as mentiras é tão intolerável que não pode ser revelada. Nem mesmo a si."
Tenho um "histórico" pobre com romances contemporâneos "young adult" (bem... romances contemporâneos em geral, na verdade), mas os livros desta autora estão sempre tão bem classificados, que, juntamente com o facto de este livro ser um "lançamento mundial", decidi que talvez fosse um livro que valesse a pena ler.

E, felizmente, desta vez até foi. Mais ou menos. Ou, pelo menos não me apeteceu atirar o livro à parede porque estava frustrada por ter gasto dinheiro nele. De facto, li-o num dia e, não sei se foi porque estou com PMS ou porque o livro é genuinamente comovente (desconfio que seja a primeira hipótese), até fiquei com uma lágrima ao canto do olho no final. Para que conste isso é extremamente raro.

Enfim. Então sobre o que é este livro? Bem, este livro é sobre uma rapariga chamada Cadence que vem de uma família super rica e que tem possivelmente tudo o que podia querer, embora obviamente seja extremamente infeliz. A família dela tem uma ilha privativa (sim, leram bem) e ela vai aí passar todos os Verões com os primos. Ela e os primos formam um grupo chamado "Mentirosos". E... acontecem coisas. Simplesmente não posso dizer mais senão é spoiler. Mas é trágico e é intenso e woe!

Este livro não escapa a ser, no geral, um enorme cliché sobre a adolescência, misturado com uma tragédia semigótica, com uma pitada de "Lost" para dar sabor. Mas é uma leitura viciante. Mesmo viciante, das que nem damos pelo tempo (e páginas) passar, ainda agora começámos e bam, já estamos na página 100, como é que isso aconteceu? É possivelmente uma mistura de capítulos super curtos, escrita fluída e do rol de personagens embrenhadas nos seus dramas familiares.

Personagens, história e desenvolvimento de ambas são um estereótipo gritante para este estilo de livro, mas a escrita da autora tem algo que nos prende, que nos faz identificar com as personagens e embrenhar-nos na história. Certamente que este livro não nos apresenta grandes revelações de vida, mas puxa-nos pela alma, ou pelo menos pelos canais lacrimais. Apesar de, estranhamente, o enredo ser algo rebuscado.

No geral, gostei. Só gostaria que a escrita tivesse sido um pouquinho menos pretenciosa, por vezes. Mas foi uma ótima leitura. Recomendado para os fãs de John Green... penso eu.