20 julho 2014

Opinião: Nudez Mortal (J.D. Robb)

Nudez Mortal de J.D. Robb
Editora: Chá das Cinco/SdE (2008)
Formato: Capa mole | 246 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo
Sinopse.

Nora Roberts é uma autora mundialmente famosa e top de vendas em Portugal, mas por qualquer razão nunca me senti tentada a ler nada dela. Talvez porque o seu género de eleição é o romance contemporâneo, do qual fugia até recentemente por razões que nem para mim são claras; talvez porque, devido à sua fama, Nora Roberts me aterrorizava: e se eu não gostasse dos seus livros?

Mas, quando me deparei com críticas aos seus livros da Série Mortal no blogue Estante de Livros, decidi que era tempo de me aventurar. E não como o fiz há anos atrás, com uns livros quaisquer dela que metiam vampiros e que li já com uma mente fechada e preconceituosa (tinha lido o Crepúsculo - ou tentado pelo menos - há pouco tempo). E assim escolhi a série Mortal, que escreve sob o pseudónimo de J.D. Robb.

Ainda bem que "dei ouvidos" à Célia! Finalmente um thriller/mistério que não achei irritante! Ok, a Eve é uma mulher durona ao estilo de tantas heroínas de fantasia urbana, mas há algo de apelativo nela e nunca é "durona" demais. Parece ter um passado tortuoso sobre o qual o leitor descobrirá, espero, mais em livros seguintes da série e tem uma coisa que falta a tantas "mulheres fortes": empatia.

O mistério em si não é assim muito elaborado, mas entretém. O mundo parece bastante interessante e é desenvolvido com muita mestria por Hobb, com um equilíbrio que poucas vezes vi (li) entre o "info-dump" (onde as personagens explicam verbalmente o mundo em que se movem) e ações que permitam ao leitor "visualizar" o mundo. Basicamente, a construção é fluída e não interrompe a narrativa, não se torna "o elefante na sala". O leitor sente-se quase imediatamente a entrar no mundo da heroína (em meados do século XXI).

As personagens também brilham bastante. Já falei de Eve, que me agradou imenso como heroína. Roarke, o misterioso ricalhaço e o segundo protagonista, também me agradou, estranhamente, uma vez que é mais ou menos um estereótipo do macho alfa: rico, possessivo e demasiado confiante. Mas isto é temperado por uma preocupação genuína por Eve e pelas pessoas de quem gosta, o que o torna mais... humano e menos homem das cavernas. 

Achei que a parte romântica se processou demasiado depressa, mas de resto gostei bastante e deu-me vontade de ler outros livros de Nora Roberts.

No geral, uma leitura surpreendente, pela positiva. Estou já a ler o segundo volume e parece-me que me vou divertir bastante com a Série Mortal. Recomendada para quem gosta de Romance de suspense.

17 julho 2014

Opinião: A Princesa Guerreira (Barbara Erskine)

A Princesa Guerreira de Barbara Erskine
Editora: Planeta (2011)
Formato: Capa mole | 670 páginas
Géneros: Mistério, romance contemporâneo, fantasia, ficção histórica
Descrição: "No limiar entre o sonho e a vigília, a loucura e a clarividência, duas mulheres separadas por dois mil anos de História partilham o mesmo segredo, nas encruzilhadas e labirintos de uma perseguição milenar.
Jess, professora em Londres, é vítima de um ataque de que não consegue recordar-se. Tudo indica que o agressor é um homem que a conhece bem. Assombrada pelo medo e pela suspeita, Jess refugia-se na casa isolada da irmã, na fronteira do País de Gales. O silêncio que procura é, porém, interrompido pelo choro de uma misteriosa criança.
A casa, a floresta que a cerca e o vale mais abaixo transportam ecos de uma grande batalha, travada dois mil anos antes. Ali caiu Caratacus, liderando a resistência das tribos da Britânia aos invasores romanos. O rei foi capturado e levado para Roma como prisioneiro, juntamente com a mulher e com a filha, a princesa Eigon.
Sentindo-se impelida a investigar a história de Eigon, Jess segue os seus passos até à Roma de Cláudio e de Nero, onde a princesa assistiu ao grande incêndio, presenciou a perseguição movida aos cristãos e privou com o apóstolo Pedro. Aqui, talvez o mistério da extraordinária vida de Eigon se desvende, ou Jess se abandone progressivamente à sua obsessão, arriscando uma proximidade crescente com o seu agressor."
Ora bem, por onde começar. Talvez pelas expectativas que tinha para este livro. Pela sinopse pareceu-me um livro bem ao estilo da Susanna Kearsley uma autora da qual li dois livros no ano passado e dos quais gostei. Estava à espera de uma narrativa que interligasse passado e presente de forma fluída, com personagens interessantes e uma descrição da época romana que me parecesse viva.

Em vez disso levei com uma história mal amanhada com personagens apenas superficialmente desenvolvidas, um século I d.C. apenas esboçado (e cheio de imprecisões históricas), um enredo confuso e uma dor de cabeça por revirar imenso os olhos (na verdade não, mas suspirei bastante.

Quando era criança, ensinaram-me uma anedota que não tem assim muita piada e que provavelmente não será a mais apropriada tendo em conta as circunstâncias do país (ou talvez seja ideal, quiçá), mas que me permite efetuar uma comparação semi-inteligente. Era mais ou menos assim: era uma vez uma família pobre; o pai era pobre, a mãe era pobre, os filhos eram pobres, o mordomo era pobre, a criada era pobre, o jardineiro era pobre... eram todos pobres.

E este livro é assim mesmo. Substituam "pobre" por confuso e terão este livro bem descrito. Era uma vez um livro... o enredo era confuso, as personagens eram confusas, a construção do mundo era confusa... era tudo uma confusão. Que se prolongava por umas dolorosas 670 páginas.

Então é assim. A nossa protagonista Jess (qualquer coisa) atrai as atenções de um estupor de um homem e infelizmente é violada depois de uma festa. Em vez de ir à polícia decide não contar nada a ninguém e despedir-se do emprego e fugir para a casa da irmã, nas remotas montanhas do País de Gales. Quando lá chega, percebe que o local está assombrado pelas filhas de um rei do século I d.C., chamadas Glads e Eigon. Sem sabermos bem como ela fica determinada a descobrir o percurso de Eigon, que foi levada como prisioneira para Roma, depois do seu pai, Caratacus ter sido derrotado. Esta empatia vem do facto de também Eigon ter sofrido às mãos de um legionário chamado Titus. O livro conta alternadamente a vida de Jess e de Eigon, que têm de fugir dos homens que lhes fizeram mal, em I d.C. e no presente.

Pareceu-me uma história bastante interessante. Não sei muito sobre a conquista romana da Bretanha (?) e na sinopse dizia que Eigon tinha assistido ao incêndio de Roma no tempo de Nero e privado com S. Pedro! Claro que achei altamente!

Mas... enfim, não foi tão impressionante como eu pensei que ia ser. Não consegui sentir empatia por nenhuma das personagens, apesar das suas terríveis experiências. A maioria do livro é preenchido por acontecimentos corriqueiros, especialmente nas partes de Eigon. Jess vai ficando cada vez mais enredada na vida de Eigon acabando (bem cedo no livro) por abandonar a sua racionalidade e pondo inclusive a sua vida em perigo (o homem que a magoou continua atrás dela) só para descobrir o que se passou com Eigon.

As partes de Jess são ligeiramente mais interessantes, mas também há muito recurso a cartas de tarot e a guias espirituais que sinceramente não me pareceram muito vertentes muito bem exploradas (e quando exploradas, foram-no de forma um bocado para o... piroso).

Isto para já não falar da construção do mundo. Jess viaja do País de Gales para Roma mas nunca temos descrições que nos permitam imaginar os cenários. O mesmo se passa na época de Eigon; Roma e Bretanha são descritas de forma incipiente e muitas vezes com pouca precisão. Hades, o deus grego do Submundo é adicionado ao panteão romano, por exemplo e Jesus Cristo está já divinizado para os cristãos, quando nesta época ele era geralmente considerado um profeta e não tanto "o filho de Deus". Até a região celta e o druidismo são explorados apenas de forma superficial.

Nem me façam começar a falar das personagens. Já referi que Eigon e Jess são desinteressantes; o mesmo se passa com o resto do cast das personagens; os amigos e família de Jess são quase indistinguíveis uns dos outros, o interesse amoroso é irritante (e nem sequer quase se percebe como é que as personagens se apaixonam... só estão juntas para aí umas três vezes!) e os vilões são vilões só porque sim. Não há qualquer profundidade nas personagens.

No geral, um livro fraquito. A narrativa não flui bem entre os momentos de presente e passado, as personagens são pouco interessantes, a descrição do mundo deixa a desejar e a leitura torna-se por vezes aborrecida. Por tudo isto, A Princessa Guerreira (que nunca pega numa arma durante todo o livro, creio) não resultou para mim. Recomendo Susanna Kearsley e Diana Gabaldon para quem quer ler livros do género.

15 julho 2014

Aquisições da Semana (46)

Pois... ainda no Domingo passado tinha dito a mim mesma que não podia comprar mais livros e BAM! Na segunda dou com uma feira do livro gigantesca no Continente. Os primeiros três vêm de lá, o último foi presente de aniversário de uma colega (na verdade ela deu-me outro, mas como já tinha, troquei).

Até que Sejas Minha - Samantha Hayes
O Príncipe da Neblina - Carlos Ruiz Zafón
As Raparigas Cintilantes - Lauren Beukes
Uma Casa no Campo - Elizabeth Adler

Baseado na rubrica In my Mailbox.

14 julho 2014

It's Monday! What are you reading?

É segunda-feira, o que quer dizer que é altura para mais um It's Monday! What are you reading?! Esta semana estou a ler um livro que tem algumas parecenças com os da Susana Kearsley. Não sei muito bem o que pensar do livro, apesar de já ir a cerca de metade.

A Princesa Guerreira - Barbara Erskine

Quanto a publicações, só temos duas opiniões...
Rubrica da autoria de The Book Journey.

13 julho 2014

Opinião: Enquanto Dormes (Alberto Marini)

Enquanto Dormes de Alberto Marini
Editora: Planeta (2014)
Formato: Capa mole | 304 páginas
Géneros: Mistério, thriller, suspense
Sinopse.

Enquanto Dormes é um livro extremamente perturbador, porque a sua personagem principal... é o vilão. 

Cillian, o porteiro de um edifício em Nova Iorque é o improvável protagonista desta narrativa, que se foca na sua natureza interior e em como ele gosta de ver as pessoas sofrer. Mas não de um modo já explorado tantas vezes na ficção de suspense; o objetivo de Cillian não é a violência física mas a psicológica. E a sua vítima é Clara, uma jovem que vive no edifício e que parece ter uma vida feliz e despreocupada. Isto ofende Cillian, que a considera uma "adversária".

Dizia eu então que este livro é perturbante exatamente porque se foca na psique de Cillian, no que o leva a tentar tornar todas as pessoas à sua volta infelizes. 

É óbvio, desde o início que Cillian tem algumas perturbações mentais, pois todos os dias dá início a um jogo de "roleta russa" em que pesa os pós e os contras de viver mais um dia. E se achar que consegue fazer alguém (mais precisamente, Clara) infeliz, considera que a sua vida vale a pena.

Achei muito interessante (e perturbadora) a forma como o autor explorou a personalidade de Cillian, as suas racionalizações (por vezes tão racionais que metiam medo) e a forma despreocupada como Cillian comete pequenas maldades e cobre outras, maiores. O final, chocante, porque não soube a justiça mas sim a derrota, foi igualmente perturbante.

Contaram quantas vezes disse a palavra "perturbante"? Porque é a melhor palavra para descrever este livro. Não há aqui heróis, finais felizes ou uma luz ao fundo do túnel. É um livro profundamente negro e que mergulha no que de pior há na natureza humana.

No entanto, nunca senti que as minhas emoções estivessem verdadeiramente investidas no livro. Certamente que me repugnou, de forma distante, o que Cillian fazia ao longo do livro, mas o autor não conseguiu invocar o nível correto de choque e nojo pelo protagonista. Talvez fosse essa a sua intenção; talvez não. Mas a mim, pessoalmente, desapontou-me um pouco a qualidade mecânica da narrativa.

No geral, um livro... perturbador. Mete medo de uma forma insidiosa e leva-nos a questionar algumas das racionalizações de Cillian relativamente à natureza humana, especialmente a de que, no fundo, todos gostamos de ver os outros sofrer.

10 julho 2014

Opinião: Skin Game (Jim Butcher)

Skin Game by Jim Butcher
Editora: Orbit (2014)
Formato: Capa dura | 464 páginas
Géneros: Fantasia Urbana
Descrição: "Harry Dresden, Chicago’s only professional wizard, is about to have a very bad day….
Because as Winter Knight to the Queen of Air and Darkness, Harry never knows what the scheming Mab might want him to do. Usually, it’s something awful.
He doesn’t know the half of it….
Mab has just traded Harry’s skills to pay off one of her debts. And now he must help a group of supernatural villains—led by one of Harry’s most dreaded and despised enemies, Nicodemus Archleone—to break into the highest-security vault in town so that they can then access the highest-security vault in the Nevernever.
It’s a smash-and-grab job to recover the literal Holy Grail from the vaults of the greatest treasure hoard in the supernatural world—which belongs to the one and only Hades, Lord of the freaking Underworld and generally unpleasant character. Worse, Dresden suspects that there is another game afoot that no one is talking about. And he’s dead certain that Nicodemus has no intention of allowing any of his crew to survive the experience. Especially Harry.
Dresden’s always been tricky, but he’s going to have to up his backstabbing game to survive this mess—assuming his own allies don’t end up killing him before his enemies get the chance…"
AVISO: Alguns SPOILERS (mínimos)
A série Dresden Files, é uma que sigo, com gosto, há já alguns anos. Alguns livros têm sido melhores do que outros, mas no geral são todos leituras muito satisfatórias, com muita ação, magia e aventura. O Dresden é uma personagem interessante e com um ótimo sentido de humor, que mantém uma intriga envolvente.

Depois das grandes (e algo perigosas relativamente à credibilidade da história... até a fantasia tem limites) revelações do livro anterior, este livro afasta-se completamente dessa vertente e a ação é mais ao estilo de... um filme de ação. Ou seja este é um "livro de história pequena" em vez de um "livro de história grande". Passo a explicar os termos inventados, agora mesmo, por mim.

Esta série tem vindo a construir uma mitologia extremamente interessante onde o autor tem colocado as mais diversas criaturas sobrenaturais e adicionado mitos, lendas e religiões. Existe um fio condutor ao longo dos livros, que desenvolve uma história geral, que se desenvolve de livro para livro enredando o Dresden com poderes cada vez mais mortíferos. Isto é a "história grande". E depois há a história de cada livro, que corresponde a, por exemplo, um episódio numa série. É a "história pequena". 

Este livro não avançou o enredo geral (ou "história grande") em nada. Foi uma espécie de "Ocean's 11" com poderes sobrenaturais, em que uma equipa (a qual Harry é forçado a integrar devido à sua associação com Mab), constituída por demónios, ladrões, feiticeiros e metamorfos irá tentar entrar no cofre de... Hades. Leram bem, o Hades, deus grego.

E aqui está o meu primeiro problema com o livro: se a mitologia passa a incluir outras divindades que não Deus (que já foi mencionado noutros livros e há anjos e tudo o mais), como é que isto se processa? São equivalentes ou há uma hierarquia? Se algumas divindades já não são reconhecidas porque é que ainda existem? Porque é que o Hades tem como missão guardar armas poderosas até que sejam necessárias? Quem lhe deu essa missão?

Nada disto nos é explicado. A introdução de Hades complica bastante a construção do mundo, parecendo contrariar um pouco aquilo que nos tem sido explicado ao longo dos outros livros.

Outra coisa que não me agradou foi a tal missão de entrar no cofre do Hades. Houve muita reunião de preparação mas no fundo tudo isso me pareceu fruto de uma fragmentação do enredo.

No geral, uma leitura interessante e compulsiva, mas não é certamente um dos melhores livros da série. Irá agradar aos que gostam de livros/séries "episódicos" (estou a soar como o AXN), mas não gostei da confusão que este livro introduziu no mundo de Dresden (se tivesse sido bem explicado, não me importaria) e... epá, não achei o livro tão fixe, pronto. É isto. Mesmo assim recomendado.

07 julho 2014

It's Monday! What are you reading?

Mais um It's Monday! What are you reading?! Estou a começar a ser bastante inconstante relativamente a esta rubrica (na semana passada não houve, novamente), mas enfim. Eis o que estou a ler esta semana.

Skin Game - Jim Butcher

Quanto a publicações, temos algumas. Afinal, passaram duas semanas... :P
Rubrica da autoria de The Book Journey.