29 setembro 2014

Opinião: Fluency (Jennifer Foehner Wells)

Fluency de Jennifer Foehner Wells
Editora: Blue Bedlam Books (2014)
Formato: e-book | 283 páginas
Géneros: Ficção científica
Sinopse: "NASA discovered the alien ship lurking in the asteroid belt in the 1960s. They kept the Target under intense surveillance for decades, letting the public believe they were exploring the solar system, while they worked feverishly to refine the technology needed to reach it. 
The ship itself remained silent, drifting. 
Dr. Jane Holloway is content documenting nearly-extinct languages and had never contemplated becoming an astronaut. But when NASA recruits her to join a team of military scientists for an expedition to the Target, it’s an adventure she can’t refuse. 
The ship isn’t vacant, as they presumed. 
A disembodied voice rumbles inside Jane’s head, "You are home." 
Jane fights the growing doubts of her colleagues as she attempts to decipher what the alien wants from her. As the derelict ship devolves into chaos and the crew gets cut off from their escape route, Jane must decide if she can trust the alien’s help to survive. "
"Fluency" de Jennifer Foehner Wells, é um livro que já estou para ler há algum tempo, uma vez que a premissa me pareceu extremamente interessante.

Há mais de 50 anos, a NASA descobriu uma nave espacial, aparentemente abandonada, a flutuar na cintura de asteroides para além de Marte. Apenas no século XXI, é que a tecnologia permite que uma equipa de astronautas, entre eles a linguista Jane Holloway, partam numa cápsula para uma viagem de 18 meses até à estranha nave. O seu objetivo é, claro, explorar este veículo alienígena e tentar trazer dados sobre a tecnologia do mesmo. E, claro, se a nave tiver habitantes, encetar um primeiro contacto.

Contudo as coisas começam a correr mal logo de início. Jane começa a ter ataques que a deixam inconsciente e convencida de que está a comunicar telepaticamente com uma forma de vida extraterrestre, a pequena tripulação de seis começa a desintegrar-se e têm de lutar contra estranhos animais que parecem ter tomado conta da nave. 

O que aconteceu à tripulação original? O que são estes estranhos seres, parecidos com lesmas gigantes, que povoam a nave. E estará um dos alienígenas ainda vivo e na cabeça de Jane?

Gostei desta leitura. Sim, tem as suas falhas, nomeadamente devido ao facto de ser uma ideia ambiciosa, um livro sobre um "primeiro contacto", mas falhar devido à exploração pouco cuidada deste conceito.

Para além disso, a sociedade extraterrestre não era suficientemente... extraterrestre. Eram quase iguais aos humanos, o que foi bastante desapontante.

As personagens não foram grande impedimento à história, nem foram irritantes (exceto, talvez, o Walsh) mas também não senti grande ligação com nenhuma. Jane depressa se converteu numa "Mary Sue", com todos os poderes e todas as certezas.

No geral, apesar de ter gostado do livro e da leitura, e da ideia por detrás de "Fluency", creio que o enredo e o mundo mereciam um maior e mais cuidado desenvolvimento. Havia muito mais a dizer, mais a explorar e as explicações que nos foram dadas pareceram-me insuficientes e até mesmo confusas. Há muitos conceitos novos que aparecem nas conversas entre Jane e o extraterrestre, e apesar de ela compreender tudo, nós os leitores ficamos a coçar a cabeça nalgumas partes. Também não fiquei assim muito entusiasmada com a ideia de que "os seres humanos eram a última esperança", mas pronto.

Gostaria de seguir esta série, quanto mais não seja para ver o que acontece a seguir e para tentar compreender melhor este mundo de seres tão parecidos com os humanos que parecem mesmo ter uma origem genética comum. A autora lança algumas ideias muito interessantes relativamente a experiências feitas por raças muito antigas e ao surgimento de formas de vida. Espero, pois, que haja mais livros.

26 setembro 2014

Opinião: Para Sempre (Judith McNaught)

Para Sempre de Judith McNaught
Editora: ASA (2014)
Formato: Capa mole | 448 páginas
Géneros: Romance histórico
Sinopse.

"Para Sempre" é a minha estreia com a autora Judith McNaught, mas não a minha estreia no género do romance histórico. Talvez seja por isso que não adorei este livro tanto quanto estava à espera de adorar com base na sinopse e nas opiniões positivas sobre este livro e sobre a obra da autora em geral.

Victoria Seaton vive na América no início do século XIX e é filha de um médico. É uma jovem relativamente feliz, que tem uma família relativamente normal e um rapaz a quem está prometida.

Mas tudo isso muda quando os pais de Victoria morrem num acidente de carruagem e ela e a irmã são mandadas para a Inglaterra para morarem com os seus parentes ingleses; que são, nada mais, nada menos do que uma duquesa e um duque.

Separada da irmã, Victoria vai ter de se adaptar a uma sociedade completamente diferente da que conheceu enquanto espera que Andrew, o seu jovem prometido, a venha buscar.

Começando pelo que gostei, o que mais me impressionou foram as diferenças entre as sociedades americana e inglesa. Descendentes de colonos, os americanos estavam na altura, ainda a desenvolver a sua sociedade e mais preocupados, provavelmente, com a sobrevivência do que com a etiqueta. Já a sociedade inglesa era, na época, altamente cerimonial e rígida e a autora descreve tudo isso de forma simples mas vívida. 

Gostei também da personalidade de Victoria. Ok, ela é um bocado uma "Mary Sue" que sabe fazer de tudo um pouco desde disparar uma arma, a montar um cavalo sem sela, passando pelos remédios e cataplasmas que aprendeu a preparar com o seu pai. Todos os criados, aldeões e animais gostam dela. É sinceramente, um bocado demais, só lhe faltou começar a cantar. E, uma vez que é evidentemente corajosa, não entendo porque aturou tanta parvoíce do herói, mas enfim.

Não gostei particularmente de Jason. É demasiado arrogante, frio e um idiota chapado. Ok, o passado dele é negro e torturado, mas não desculpa todas as suas ações (inclusive a parte em que forçou as suas atenções na heroína... tipo, nojo? Quer ela tenha gostado no final ou não, ela disse "não".)

A história não é uma surpresa por aí além, é o enredo formulaico deste tipo de livros e quem já leu tantos como eu não consegue sentir a história com a mesma força que sentem aquelas pessoas que só leem um destes romances de vez em quando.

No geral, foi uma boa leitura dentro do género. Não gostei muito do herói, a heroína podia ter mostrado mais coragem e fogo e o romance entre ambos teve alguma química, mas nada de especial. Achei também que a resolução foi demasiado apressada, que Jason, tendo em conta a sua personalidade, capitulou, digamos, demasiado depressa. Para já não falar na cena com Andrew, que não ficou de todo resolvida.

Recomendado, mas com algumas reservas; se preferem os vossos heróis torturados mas com princípios sólidos, Jason não é o ideal.

No entanto, esta história dramática e fulgurante irá, sem dúvida atrair muitos amantes do romance histórico. Além disso, a construção ao nível histórico está, penso eu, bastante bem conseguida. 

23 setembro 2014

Opinião: Na Sombra da Noite (J.R. Ward)

Na Sombra da Noite de J.R. Ward
Editora: Casa das Letras (2009)
Formato: Capa mole | 428 páginas
Géneros: Romance paranormal
Sinopse.

(Livro lido em inglês, mas apresentam-se os dados da edição portuguesa)
Bem. Nem sei bem o que dizer. Este livro e o outro livro (O Beijo da Meia-Noite de Lara Adrian), são tão parecidos que opinar sobre um é opinar sobre outro. 

Neste primeiro livro da Irmandade da Adaga Negra conhecemos Beth, uma jornalista para um jornal de segunda que um dia vai a sair do trabalho e é vítima de assédio sexual (o que serve para, suponho, todos os gajos apaixonados pela Beth darem numa de machos).

Mas Beth não é uma pessoal qualquer. Ela é meia-vampira e o seu pai, Darius, pediu ao chefe dos guerreiros da Irmandade da Adaga Negra, o gigante Wrath, que acompanhasse Beth na sua transição para vampira. 

Wrath é então um vampiro pertencente à Irmandade da Adaga Negra, uma elite que luta contra os "lesser" uma sociedade que quer acabar com os vampiros e dominar o mundo. Como Darius morreu, Wrath sente-se compelido a ajudar Beth. Mas Wrath, que só pensa no dever, não quer ter nada a ver com Beth...

Viram o que eu fiz? Peguei na minha outra sinopse, colei aqui, fiz algumas alterações e voilá! E vou continuar! Ora vejam:

Na Sombra da Noite foi, sem dúvida, uma leitura compulsiva. A escrita da autora lê-se muito bem. A história é um bocado descabida, o mundo criado perde muita da sua magia quando nos apercebemos que os vampiros mais não são do que pessoas normais que vivem muito tempo e sugam sangue. Além disso, os dois protagonistas caem na cama demasiado depressa tendo em conta que Wrath entra à balda na casa de Beth e BAM... sexo com eles. *rolls eyes*

O mundo parece ter algum lugar para desenvolvimento (a autora até tem um glossário no início), mas neste livro não entramos assim muito nele e nos mistérios da Irmandade. 

No geral, uma ótima leitura para passar o tempo, mas nada de especial... a exploração do mundo pela autora é incipiente e o livro, apesar de grande, foca-se no "romance" (entre aspas porque são só cenas tórridas e luxúria na maior parte do livro), o que para mim foi uma pena. Mais interessante do que o seu "gémeo" (O Beijo da Meia-Noite), mas pouco mais. No entanto, fiquei com alguma curiosidade relativamente a esta série, que me parece poder ser mais do que apenas vampiros e mulheres a formarem casais.


Outras obras da autora:

Tentações: Diário de uma Obsessão (Claire Kendal)


Eis a segunda edição da rubrica "Tentações". O livro desta edição vai ser publicado em outubro pela Saída de Emergência e parece muito, mas mesmo muito interessante. É o Diário de uma Obsessão de Claire Kendal. A data de lançamento é dia 10 de outubro!

Imagem daqui.

Os fãs de Gone Girl irão arrepiar-se com este thriller sobre poder e perseguição. 
Clarissa está cada vez mais assustada com o seu colega Rafe. Ele não a deixa em paz e recusa-se a aceitar “não” como resposta. Está sempre presente. 
Ser convocada para ser jurada é um alívio. A sala do tribunal é um abrigo seguro, um lugar onde Rafe não pode estar. Mas à medida que uma narrativa de rapto e violação se desenrola, Clarissa começa a ver paralelismos entre a sua situação e a da jovem na barra das testemunhas. Se quer sobreviver, Clarissa terá que expor o seu perseguidor. Ao desenredar o macabro e perverso conto de fadas que Rafe teceu em torno deles, descobre que o final que ele visiona é mais aterrador do que ela poderia alguma vez imaginar. Mas como é que alguém pode proteger-se de um inimigo que mais ninguém consegue ver?


Rubrica da autoria de Girl in Chaise Longue.

21 setembro 2014

Opinião: O Beijo da Meia-Noite (Lara Adrian)

O Beijo da Meia-Noite de Lara Adrian
Editora: Quinta Essência/Leya (2011)
Formato: Capa mole | 372 páginas
Géneros: Romance Paranormal
Sinopse.

Durante muito tempo resisti à maioria das séries de romance paranormal porque a minha preferência vai mais para a fantasia urbana, centrada na ação e não no romance.

Mas com a diversificação das leituras que tenho conseguido (mais ou menos) este ano e com a grande surpresa (positiva) que foi a série "Anjos Caídos" de J.R. Ward, decidi experimentar mais livros do género e esta série de Lara Adrian vem recomendada por amigos que já leram e pelas altas classificações no GoodReads.

Neste primeiro livro da Raça da Noite conhecemos Gabrielle, uma fotógrafa artista que um dia vai a sair de um bar e se depara com uma cena horripilante: um bando que parece estar a canibalizar um rapaz.

Mas ninguém acredita nela, pois não há provas de que o crime tenha acontecido.

Mas o crime aconteceu; foram na verdade vampiros renegados (viciados em sangue, tanto que não se conseguem controlar) que mataram o rapaz. E Lucan, um vampiro pertencente à Raça, uma elite que caça os que se renderam ao vício do sangue, decide ver o que Gabrielle sabe; e descobre que ela é uma "Companheira da Raça", uma mulher rara com os genes certos para poder "acasalar" com vampiros e dar à luz uma nova geração. Mas Lucan, que só pensa no dever, não quer ter nada a ver com Gabrielle...

O Beijo da Meia-Noite foi, sem dúvida, uma leitura compulsiva. A escrita da autora lê-se muito bem, mesmo em português. A história é particularmente descabida, o mundo criado faz pouco sentido e os dois protagonistas caem na cama demasiado depressa mas... dentro do género, e tendo em conta a sinopse, obtive do livro aquilo que estava à espera: uma leitura rápida, com cenas sensuais e uma história focada num romance instantâneo e com pouca profundidade. 

No geral, uma ótima leitura para passar o tempo, mas nada de especial... o mundo não convida o leitor a querer explorar particularmente os seus meandros e faz, pelo contrário, com que nos foquemos na história "romântica" (entre aspas porque são só cenas tórridas e luxúria na maior parte do livro).

19 setembro 2014

Opinião: As Estrelas Brilham na Cidade (Laura Moriarty)

As Estrelas Brilham na Cidade de Laura Moriarty
Editora: Editorial Presença (2014)
Formato: Capa mole | 367 páginas
Géneros: Ficção histórica
Sinopse.

Geralmente, a maioria dos livros de ficção histórica que leio, passam-se ou no século XIX (romances históricos daqueles mais sensuais... o que não quer dizer que não sejam o mais precisos possível, ao nível histórico) ou na Antiguidade, ou na Idade Média. A ficção histórica passada na "Idade Moderna", nos períodos das Grandes Guerras ou entre as Grandes Guerras nunca me interessou particularmente.

Mas este livro pareceu-me interessante. Uma das protagonistas era a estrela do cinema mudo Louise Brooks e pela sinopse, pensei que a sua acompanhante (ou chaperon, como lhe chamam no livro) iria acompanhar a viagem de Louise de uma forma ou de outra. Não tinha qualquer problema em ler sobre a jornada própria de Cora, a acompanhante... mas pensei que essa jornada estaria ligada de alguma forma à de Louise. O que não é verdade.

A verdade é que Cora é a protagonista. É uma mulher que por acaso teve de acompanhar a jovem Louise Brooks a Nova Iorque quando esta entrou numa escola de dança na "Grande Maçã", pois naquela altura as jovens mulheres solteiras não podiam andar sozinhas na rua, pelo menos em Wichita, no Kansas. 

Toda a narrativa se centra em Cora, nos seus problemas, no seu passado, nas suas angústias. Louise não passa de uma personagem muito secundária. E não haveria problema... se Cora tivesse uma vida minimamente interessante, sobre a qual desse gosto ler. Mas não. Na verdade Cora é uma mulher relativamente jovem que tem uma mente inflexível e pouca tolerância. 

Certamente que gostei de ler sobre as convenções sociais da época e sobre como tudo mudava tão depressa, as modas, os costumes sociais, e tudo o resto, de ano para ano. Como havia ainda um "gap" social vincado entre gerações e entre as cidades mais pequenas (como Wichita) e as grandes cidades como Nova Iorque.

E foi engraçado ler sobre algumas das mudanças operadas em Cora, fruto também da sua convivência com a muito mais jovem Louise.

Mas não foi nada engraçado ler tanto pormenor sobre um verão, que no final mudou Cora sim, mas não de uma forma assim tão vincada e depois ler cerca de 150 páginas que contam, a alta velocidade, o resto da sua vida.

E o enredo pareceu-me um bocado forçado, com o Joseph a ir viver para o Kansas e tudo o mais.

No geral, fiquei algo desapontada. Para quê escrever um livro sobre a vida desinteressante de uma mulher que foi acompanhante da famosa Louise Brooks, quando se podia escrever um livro sobre a Louise Brooks? 

Além disso, este livro tem problemas de ritmo narrativo bastante vincados. Mais de metade centra-se num verão passado com Louise em Nova Iorque, as últimas 150 páginas são o resto da vida de Cora, a protagonista do livro. Ok, ela aprendeu algumas coisas na sua convivência com outras pessoas e com Louise, mas sinceramente falta... glamour ao livro e especialmente às personagens. Um livro que se lê bem, mas que, na minha opinião, tem o foco errado.

Secção de bónus: porque é que a Louise Brooks está na capa, sequer? E, de cada vez que punha os olhos no livro a música "Quando cai a noite na cidade" começava a tocar na minha cabeça. Que raio de título!