15 outubro 2014

Um blogue pouco ativo

Quem visita este cantinho, poderá já ter notado na falta de publicações e na bandalheira geral que por aqui vai (há não sei quanto tempo que não publico a rubrica It's Monday. What are you reading? por exemplo).

Retirada daqui.
Esta falta de atividade tem diversas causas, como o facto de ter mudado de emprego (e de casa) há pouco tempo e todo o cansaço suplementar associado a ter de me mudar, de aprender como fazer o meu trabalho, de conhecer novas pessoas (o que é particularmente extenuante para alguém que é introvertido) e tudo o mais.

Somando tudo isto, confesso que não me tem apetecido escrever no blogue e mesmo as leituras têm andado lentas (adormeço a ler livros, começo imensos livros e não tenho vontade de os acabar, vocês sabem... um reading slump).

Só vos peço que não desistam do blogue! Não penso encerrar o Livros, livros e mais livros, está apenas a fazer um pequeno intervalo! Obrigada pela paciência. :)

14 outubro 2014

Opinião: Visions (Kelley Armstrong)

Visions de Kelley Armstrong
Editora: Random House (2014)
Formato: e-book | 402 páginas
Géneros: Mistério, Fantasia urbana
Sinopse.

Neste segundo livro da série "Cainsville", encontramos Olivia a acostumar-se à sua nova vida que inclui um novo emprego como investigadora para Gabriel.
No entanto, isto muda rapidamente quando Olivia começa a ver portentos e a ter visões de um corpo de uma rapariga desmembrada, vestida para se parecer com ela.

Será que as visões são mesmo visões? Ou que alguém quer assustá-la a sério?

"Visions" foi definitivamente um livro de fantasia urbana. Apesar de haver um mistério, este está relacionado de forma direta com os elementos sobrenaturais que compõem a série. 

Ao contrário do primeiro, que se centrava no passado de Olivia e dos seus pais, este livro centra-se nas capacidades de Olivia e nas suas origens. Dá-nos pistas sobre quem serão os fundadores de Cainsville e sobre as origens tanto de Olivia como de Gabriel.

Achei que este livro tem um bocado de palha a mais e se alonga demasiado. Algumas partes são um pouco aborrecidas e não servem, na minha opinião, grande propósito narrativo.

Olivia e Gabriel sofrem mais algum desenvolvimento.

No geral, um livro que sofre de síndrome do segundo livro, sem dúvida. Certamente que aprendemos muito sobre a componente sobrenatural da história geral e há algum desenvolvimento do mundo, mas contabilizando tudo no final, muito poucas respostas nos foram dadas tendo em conta o tamanho do livro (400 páginas). Um livro interessante, certamente, mas que se arrasta um bocado.

07 outubro 2014

Opinião: Omens (Kelley Armstrong)

Omens de Kelley Armstrong
Editora: Random House (2013)
Formato: e-book | 400 páginas
Géneros: Mistério, Fantasia urbana 
Sinopse.

É bastante difícil escrever uma opinião sobre um livro que é uma mescla de tantas coisas que é quase impossível defini-lo.

Afinal, "Omens" é um livro de mistério, terror ou fantasia urbana? Um pouco de tudo, suponho.

Não sou estranha à obra de Kelley Armstrong, que me deliciou há uns tempos com a sua trilogia juvenil "The Darkest Powers". Sim, ok, não achei que fossem livros terrivelmente bem escritos mas eram boas leituras, compulsivas.

Era isso que esperava de "Omens", o primeiro livro de uma nova série, desta vez para o público adulto. E foi, de certo modo, isso que obtive. Mas também obtive muito mais.

Olivia Taylor-Jones é uma jovem de 24 anos que faz parte da elite de Chicago. Rica, glamorosa e noiva de um promissor CEO, Olivia passa o seu tempo entre as caridades, o voluntariado e outras coisas com que as jovens da sua classe social se ocupam.

Mas tudo muda quando Olivia descobre que foi adotada e que os seus pais são assassinos em série, culpados da morte de oito pessoas. Com os jornalistas à perna e a mãe adotiva sem saber o que sente sobre esta revelação, Olivia foge e dá consigo numa pequena cidade chamada Cainsville. Cainsville é peculiar, parece ter parado no tempo e parece ser o lar de várias pessoas excêntricas. Mas é aqui que Olivia vai recomeçar a sua vida, ao mesmo tempo que tenta descobrir-se a si própria, tenta descortinar a verdade por detrás dos assassínios de que os seus pais são acusados e confronta-se com a aterrorizante questão de ser ou não filha dos seus pais.

"Omens" é, primeiro que tudo, um mistério. Olivia descobre que é adotada e que os seus pais são assassinos em série, e sofre um choque. Mas ao mesmo tempo, quer saber a verdade, acerca de si mesma e dos seus pais. Para isso, forma uma equipa com um advogado interesseiro chamado Gabriel.

Muito do livro é dedicado ao mistério de um dos assassínios duplos cometidos pelos pais da Olivia. Provas indicam que estes podem não ter sido responsáveis por esse crime e Olivia decide que tem de saber se tal é verdade. Ao mesmo tempo, vemo-la criar raízes na pequena cidade de Cainsville, que é bem mais do que aparenta.

Olivia é uma personagem muito bem construída. Carismática e bastante insegura, é bondosa, mas não se define apenas pelas suas boas qualidades (como uma boa Mary Sue). Tem também alguns defeitos e é alvo de um crescimento marcado neste primeiro livro. Olivia perde todos os pilares que seguravam a sua antiga vida e tenta, durante todo o livro, fazer sentido da nova, tenta descobrir qual é o seu lugar.

Isso não significa que o livro seja particularmente introspetivo, porque não é. Não faltam cenas de ação e mistério para manter a narrativa fluída. 

Não falta também uma pitada de sobrenatural, uma vez que Olivia parece ter o dom de interpretar portentos (mas nunca nos é dito com clareza se ela tem ou não apenas uma imaginação ativa), o que contribui também para a sua confusão.

No fim, estes "ingredientes" juntam-se para formar uma história interessante, de leitura compulsiva e sem paragens. A jornada de Olivia e as pessoas que conhece são bastante intrigantes e a fluidez e ritmo da narrativa asseguram que o leitor está sempre com vontade de ler mais.

No geral, muito interessante e um bom começo para uma série de mistério com um pouco de sobrenatural à mistura (mas de forma subtil e de certa forma, mais "realista").

03 outubro 2014

Opinião: How to Lose a Duke in Ten Days (Laura Lee Guhrke)

How to Lose a Duke in Ten Days de Laura Lee Guhrke
Editora: Avon (2014)
Formato: e-book | 371 páginas
Géneros: Romance histórico
Sinopse.

Aviso: Pequenos spoilers (não estragam a leitura)
Depois do começo desapontante desta série com "When the Marquess Met His Match" estava um pouco receosa de ler este livro. A Laura Lee Guhrke tem livros que adorei ler, mas tem outros que são fraquitos e tive algum receio de que este pudesse ser mais um desses.

Passado na época vitoriana, "How to Lose a Duke in Ten Days" foca-se numa jovem herdeira americana, Edie (de Edith) que conseguiu um casamento de conveniência com um duque inglês, uma vez que este último precisava do dinheiro para pagar dívidas contraídas pelo seu avô e pai.
A única condição de Edie foi que Stuart, o duque, saísse do país e não voltasse mais. Em troca ela casaria com ele, pagaria todas as suas dívidas e geriria as suas terras.

Mas, depois de um encontro com a morte, Stuart decide voltar e começar um casamento a sério com Edie, que mal conhece. Por isso, decide seduzi-la.

Mas Edie, cujo passado é obscuro e esconde um terrível segredo, não tem vontade de conhecer Stuart. Por isso ele faz uma aposta com ela: 10 dias para ela o beijar ou ele assina uma ordem de separação.

Este livro toca, de forma muito cuidadosa, mas emocional, num tópico muito difícil: o abuso sexual. No século XIX (onde fosse em que circunstâncias fosse, era sempre culpa da mulher). Por isso, Stuart tem não só de seduzir Edie, tem também de lhe mostrar que pode confiar nele e que nem todos os homens são iguais.

E, com alguns percalços, é isso que acontece. Achei que o desenvolvimento da relação esteve muito bem conseguida e que houve química. O tópico difícil do abuso sexual foi tratado com tacto mas sem drama excessivo.

A narrativa tem um ritmo regular que nos mantém sempre interessados e as personagens estão bastante bem conseguidas e realistas.

Em suma, é um livro que recomendo, dentro do romance histórico. Tem todos os ingredientes que compõem um bom livro do género, nas doses certas e, melhor do que tudo, há química entre as personagens. Recomendado para os amantes do género. É um livro muito cativante.

29 setembro 2014

Opinião: Fluency (Jennifer Foehner Wells)

Fluency de Jennifer Foehner Wells
Editora: Blue Bedlam Books (2014)
Formato: e-book | 283 páginas
Géneros: Ficção científica
Sinopse: "NASA discovered the alien ship lurking in the asteroid belt in the 1960s. They kept the Target under intense surveillance for decades, letting the public believe they were exploring the solar system, while they worked feverishly to refine the technology needed to reach it. 
The ship itself remained silent, drifting. 
Dr. Jane Holloway is content documenting nearly-extinct languages and had never contemplated becoming an astronaut. But when NASA recruits her to join a team of military scientists for an expedition to the Target, it’s an adventure she can’t refuse. 
The ship isn’t vacant, as they presumed. 
A disembodied voice rumbles inside Jane’s head, "You are home." 
Jane fights the growing doubts of her colleagues as she attempts to decipher what the alien wants from her. As the derelict ship devolves into chaos and the crew gets cut off from their escape route, Jane must decide if she can trust the alien’s help to survive. "
"Fluency" de Jennifer Foehner Wells, é um livro que já estou para ler há algum tempo, uma vez que a premissa me pareceu extremamente interessante.

Há mais de 50 anos, a NASA descobriu uma nave espacial, aparentemente abandonada, a flutuar na cintura de asteroides para além de Marte. Apenas no século XXI, é que a tecnologia permite que uma equipa de astronautas, entre eles a linguista Jane Holloway, partam numa cápsula para uma viagem de 18 meses até à estranha nave. O seu objetivo é, claro, explorar este veículo alienígena e tentar trazer dados sobre a tecnologia do mesmo. E, claro, se a nave tiver habitantes, encetar um primeiro contacto.

Contudo as coisas começam a correr mal logo de início. Jane começa a ter ataques que a deixam inconsciente e convencida de que está a comunicar telepaticamente com uma forma de vida extraterrestre, a pequena tripulação de seis começa a desintegrar-se e têm de lutar contra estranhos animais que parecem ter tomado conta da nave. 

O que aconteceu à tripulação original? O que são estes estranhos seres, parecidos com lesmas gigantes, que povoam a nave. E estará um dos alienígenas ainda vivo e na cabeça de Jane?

Gostei desta leitura. Sim, tem as suas falhas, nomeadamente devido ao facto de ser uma ideia ambiciosa, um livro sobre um "primeiro contacto", mas falhar devido à exploração pouco cuidada deste conceito.

Para além disso, a sociedade extraterrestre não era suficientemente... extraterrestre. Eram quase iguais aos humanos, o que foi bastante desapontante.

As personagens não foram grande impedimento à história, nem foram irritantes (exceto, talvez, o Walsh) mas também não senti grande ligação com nenhuma. Jane depressa se converteu numa "Mary Sue", com todos os poderes e todas as certezas.

No geral, apesar de ter gostado do livro e da leitura, e da ideia por detrás de "Fluency", creio que o enredo e o mundo mereciam um maior e mais cuidado desenvolvimento. Havia muito mais a dizer, mais a explorar e as explicações que nos foram dadas pareceram-me insuficientes e até mesmo confusas. Há muitos conceitos novos que aparecem nas conversas entre Jane e o extraterrestre, e apesar de ela compreender tudo, nós os leitores ficamos a coçar a cabeça nalgumas partes. Também não fiquei assim muito entusiasmada com a ideia de que "os seres humanos eram a última esperança", mas pronto.

Gostaria de seguir esta série, quanto mais não seja para ver o que acontece a seguir e para tentar compreender melhor este mundo de seres tão parecidos com os humanos que parecem mesmo ter uma origem genética comum. A autora lança algumas ideias muito interessantes relativamente a experiências feitas por raças muito antigas e ao surgimento de formas de vida. Espero, pois, que haja mais livros.

26 setembro 2014

Opinião: Para Sempre (Judith McNaught)

Para Sempre de Judith McNaught
Editora: ASA (2014)
Formato: Capa mole | 448 páginas
Géneros: Romance histórico
Sinopse.

"Para Sempre" é a minha estreia com a autora Judith McNaught, mas não a minha estreia no género do romance histórico. Talvez seja por isso que não adorei este livro tanto quanto estava à espera de adorar com base na sinopse e nas opiniões positivas sobre este livro e sobre a obra da autora em geral.

Victoria Seaton vive na América no início do século XIX e é filha de um médico. É uma jovem relativamente feliz, que tem uma família relativamente normal e um rapaz a quem está prometida.

Mas tudo isso muda quando os pais de Victoria morrem num acidente de carruagem e ela e a irmã são mandadas para a Inglaterra para morarem com os seus parentes ingleses; que são, nada mais, nada menos do que uma duquesa e um duque.

Separada da irmã, Victoria vai ter de se adaptar a uma sociedade completamente diferente da que conheceu enquanto espera que Andrew, o seu jovem prometido, a venha buscar.

Começando pelo que gostei, o que mais me impressionou foram as diferenças entre as sociedades americana e inglesa. Descendentes de colonos, os americanos estavam na altura, ainda a desenvolver a sua sociedade e mais preocupados, provavelmente, com a sobrevivência do que com a etiqueta. Já a sociedade inglesa era, na época, altamente cerimonial e rígida e a autora descreve tudo isso de forma simples mas vívida. 

Gostei também da personalidade de Victoria. Ok, ela é um bocado uma "Mary Sue" que sabe fazer de tudo um pouco desde disparar uma arma, a montar um cavalo sem sela, passando pelos remédios e cataplasmas que aprendeu a preparar com o seu pai. Todos os criados, aldeões e animais gostam dela. É sinceramente, um bocado demais, só lhe faltou começar a cantar. E, uma vez que é evidentemente corajosa, não entendo porque aturou tanta parvoíce do herói, mas enfim.

Não gostei particularmente de Jason. É demasiado arrogante, frio e um idiota chapado. Ok, o passado dele é negro e torturado, mas não desculpa todas as suas ações (inclusive a parte em que forçou as suas atenções na heroína... tipo, nojo? Quer ela tenha gostado no final ou não, ela disse "não".)

A história não é uma surpresa por aí além, é o enredo formulaico deste tipo de livros e quem já leu tantos como eu não consegue sentir a história com a mesma força que sentem aquelas pessoas que só leem um destes romances de vez em quando.

No geral, foi uma boa leitura dentro do género. Não gostei muito do herói, a heroína podia ter mostrado mais coragem e fogo e o romance entre ambos teve alguma química, mas nada de especial. Achei também que a resolução foi demasiado apressada, que Jason, tendo em conta a sua personalidade, capitulou, digamos, demasiado depressa. Para já não falar na cena com Andrew, que não ficou de todo resolvida.

Recomendado, mas com algumas reservas; se preferem os vossos heróis torturados mas com princípios sólidos, Jason não é o ideal.

No entanto, esta história dramática e fulgurante irá, sem dúvida atrair muitos amantes do romance histórico. Além disso, a construção ao nível histórico está, penso eu, bastante bem conseguida. 

23 setembro 2014

Opinião: Na Sombra da Noite (J.R. Ward)

Na Sombra da Noite de J.R. Ward
Editora: Casa das Letras (2009)
Formato: Capa mole | 428 páginas
Géneros: Romance paranormal
Sinopse.

(Livro lido em inglês, mas apresentam-se os dados da edição portuguesa)
Bem. Nem sei bem o que dizer. Este livro e o outro livro (O Beijo da Meia-Noite de Lara Adrian), são tão parecidos que opinar sobre um é opinar sobre outro. 

Neste primeiro livro da Irmandade da Adaga Negra conhecemos Beth, uma jornalista para um jornal de segunda que um dia vai a sair do trabalho e é vítima de assédio sexual (o que serve para, suponho, todos os gajos apaixonados pela Beth darem numa de machos).

Mas Beth não é uma pessoal qualquer. Ela é meia-vampira e o seu pai, Darius, pediu ao chefe dos guerreiros da Irmandade da Adaga Negra, o gigante Wrath, que acompanhasse Beth na sua transição para vampira. 

Wrath é então um vampiro pertencente à Irmandade da Adaga Negra, uma elite que luta contra os "lesser" uma sociedade que quer acabar com os vampiros e dominar o mundo. Como Darius morreu, Wrath sente-se compelido a ajudar Beth. Mas Wrath, que só pensa no dever, não quer ter nada a ver com Beth...

Viram o que eu fiz? Peguei na minha outra sinopse, colei aqui, fiz algumas alterações e voilá! E vou continuar! Ora vejam:

Na Sombra da Noite foi, sem dúvida, uma leitura compulsiva. A escrita da autora lê-se muito bem. A história é um bocado descabida, o mundo criado perde muita da sua magia quando nos apercebemos que os vampiros mais não são do que pessoas normais que vivem muito tempo e sugam sangue. Além disso, os dois protagonistas caem na cama demasiado depressa tendo em conta que Wrath entra à balda na casa de Beth e BAM... sexo com eles. *rolls eyes*

O mundo parece ter algum lugar para desenvolvimento (a autora até tem um glossário no início), mas neste livro não entramos assim muito nele e nos mistérios da Irmandade. 

No geral, uma ótima leitura para passar o tempo, mas nada de especial... a exploração do mundo pela autora é incipiente e o livro, apesar de grande, foca-se no "romance" (entre aspas porque são só cenas tórridas e luxúria na maior parte do livro), o que para mim foi uma pena. Mais interessante do que o seu "gémeo" (O Beijo da Meia-Noite), mas pouco mais. No entanto, fiquei com alguma curiosidade relativamente a esta série, que me parece poder ser mais do que apenas vampiros e mulheres a formarem casais.


Outras obras da autora: