12 novembro 2014

Opinião: Um Pequeno Escândalo (Patricia Cabot)

Um Pequeno Escândalo de Patricia Cabot
Editora: Quinta Essência/Leya (2013)
Formato: Capa mole | 416 páginas
Géneros: Romance histórico
Sinopse.

Mais uma leitura da autoria de Patricia Cabot.

Sinceramente, gostei mais deste livro do que do anterior (e primeiro) que li dela. As personagens e a história puxaram-me mais, a história pareceu-me mais intrigante e, no geral, achei que foi um livro melhor.

Kate Mayhew trabalha como precetora e dama de companhia mas já houve tempos em que se movimentava na alta sociedade londrina. Um escândalo que lhe destruiu a reputação e matou a família fez com que a jovem deixasse de ter lugar entre os ricos e privilegiados.

Por isso, é com alguma trepidação que Kate entra de novo nesse mundo quando Burke Traherne, um marquês, lhe oferece uma fortuna para tomar conta da sua endiabrada filha de dezassete anos, Isabel. Kate aceita e vai viver algumas peripécias, especialmente porque o aparecimento do homem que Kate julga ter sido o responsável pela sua desgraça e pela morte dos pais reaparece. Mas também porque a sua atração para com Burke vai crescer perigosamente.

Como já referi, uma leitura rápida e envolvente q.b. Estranhamente (não o fiz de propósito), este livro trata, como o anterior, de uma jovem caída em desgraça na sociedade, mas gostei mais da forma como Cabot explorou este tema do que da forma como Hunter o fez.

Achei que Burke e Kate tinham mais química do que as personagens do outro livro que li da autora, mas ainda assim não chegou àquele nível em que me parece que a narrativa, o romance fazem todo o sentido. Cabot não conseguiu ainda que acreditasse no romance, o que não é bom.

Umas das personagens de que mais gostei foi Isabel, a filha de Burke, que achei engraçadíssima. Tenho pena que tenha aparecido tão pouco.

Quanto à história do antigo inimigo de Kate, foi relativamente interessante com o passado misterioso e trágico de Kate e o também passado misterioso e trágico de Burke. Não acrescentou muito ao enredo principal (o romance), mas não foi penosa de se ler.

No geral, uma leitura agradável e rápida, mas não foi o melhor romance histórico que já li. Faltou alguma química entre as personagens e química é o ingrediente vital deste tipo de livros. Mesmo assim melhor do que a obra anterior que li da autora.

10 novembro 2014

It's Monday! What are you reading?

Mais uma segunda feira, mais uma leitura. Esta semana, virei-me novamente para os livros Young Adult, mas não sei se sou eu que estou com pouca paciência para eles ou se este é para revirar realmente um bocadito os olhos. Veremos.



Quanto a publicações, sempre tivemos mais do que na semana passada.


Rubrica da autoria de The Book Journey.

09 novembro 2014

Opinião: Deslumbrante (Madeline Hunter)

Deslumbrante de Madeline Hunter
Editora: Asa (2013)
Formato: Capa mole | 320 páginas
Géneros: Romance histórico
Sinopse.

Já há algum tempo que não leio um livro de Madeline Hunter, porque o primeiro que li dela não me encantou assim muito. Mas o tempo apaga muita coisa, e sendo Hunter uma autora tão popular entre o público português, decidi que talvez tivesse apenas pegado no livro errado. 

Infelizmente, não foi o caso. 

"Deslumbrante" é o primeiro livro da série "As Flores Mais Raras" e narra a história de Audrianna (que raio de nomes que as pessoas inventam para as suas personagens), uma jovem caída em desgraça (juntamente com a família), após o suicídio do seu pai, que era, aparentemente, um homem corrupto que deixou que pólvora má fosse enviada para a frente de batalha na Guerra Napoleónica. 

Audrianna não acredita que o seu pai seja culpado, claro. É por isso que vai encontrar-se sozinha, com um personagem envolto em mistério, o Dominó, numa estalagem, depois de este último ter posto um anúncio no jornal dizendo que queria falar com o pai de Audrianna (sou só eu que penso que só um grande idiota não se aperceberia de que esta pessoa só pode ter más intenções). Ahem. 

Sebastian, irmão de um marquês e membro da Casa dos Comuns (what?), foi o investigador principal. E também decide ir apanhar o Dominó no ato. Mas depois encontra Audrianna e bam! Dá-lhe um choco, because... reasons. 

E assim começa uma história de traições, pólvora, marqueses feridos na guerra e um homem misterioso (que não é Sebastian). 

Dá ideia que Madeline Hunter não sabe bem o que quer escrever. Se um mistério histórico, se um romance. E como tal, todas as vertentes deste livro sofrem: o mistério é insípido, as personagens são irritantes e o romance é inverosímil. E mais, "(...) reading this translated to Portuguese, was the nail in the coffin... Who hires this people?" (tive mesmo de citar a Susana, porque não consigo encontrar frase mais apta para descrever o que senti ao ler isto em português. A prosa... parece ter sido alvo de alguma mutilação neste livro, as cenas de sexo eram a coisa mais confusa que já li. Não me lembro de Madeline Hunter as escrever assim. 

Algumas das personagens secundárias pareceram-me interessantes (as amigas de Audrianna, por exemplo e mesmo o marquês), mas as principais foram extremamente aborrecidas e o "insta-love" não ajudou. Acho que é bastante triste quando as personagens secundárias nos interessam mais do que as principais. Entre os protagonistas não havia qualquer química que pudesse interessar o leitor (ou esta leitora, pelo menos); e muito menos houve qualquer desenvolvimento das personagens. 

Enfim, por tudo isto tenho a dizer que, no geral, esta leitura ficou aquém das expectativas. E podia dizer mais, mas sinceramente não me apetece dizer mais sobre um livro do qual não gostei assim tanto como isso.


Mais obras da autora no blogue:

06 novembro 2014

Opinião: O Primeiro Marido (Laura Dave)

Editora: Topseller (2014)
Formato: Capa mole | 255 páginas
Géneros: Romance
Sinopse: "Annie Adams está a alguns dias de celebrar o seu 32.º aniversário e pensa que encontrou, finalmente, a felicidade.
Jornalista, escreve uma coluna semanal sobre viagens e passa a vida a explorar os lugares mais exóticos e interessantes do mundo. Vive em Los Angeles com Nick, o namorado com quem já pensa casar, numa relação aparentemente feliz que já conta com cinco anos. Quando Nick chega a casa e a informa de que, «segundo a terapeuta», talvez precisem de «um tempo», Annie fica destroçada.
Perdida num turbilhão de sentimentos, Annie acaba por conhecer Griffin, um charmoso chef, que de imediato a conquista. E em apenas três meses, Annie dá por si casada, a reconstruir a sua vida numa zona rural do Massachusetts.
Mas quando Nick lhe pede uma segunda oportunidade, Annie fica dividida entre o seu marido e o homem com quem ela sente que deveria ter casado."
Ora bem, vamos lá então tecer uma opinião ao livro “O Primeiro Marido”. Que também pode ser intitulada “Como a Patrícia é enganada, vez após vez, pelas sinopses e capas dos livros e mesmo assim não aprende a lição”.

“O Primeiro Marido” conta a história de uma mulher (não me lembro do nome dela, I kid you not, mas isso agora não interessa nada) que tinha uma relação com um homem que, de repente decidiu que queria “dar um tempo”. E a mulher, com o coração partido, vai a um bar, embebeda-se, conhece um homem giro e, três meses mais tarde está casada (não, não estou a gozar).

E o resto do livro é uma espécie de “overload” de prosa horrorosa, pseudo poética que pretende dizer muito e vir mesmo, mesmo, do coração, mas não diz nada e quase não passa de um conjunto de frases aleatórias.

E o que se aprende com esta treta deste livro é que a protagonista tinha uma vida em que se sentia confortável (lembrem-se quem não gostava era o namorado) e que chega um homem qualquer todo bom e ela casa-se, e de alguma forma ele convence-a de que ela não sabe bem o que quer (ela escrevia sobre viagens, viajava e sentia-se bem com a sua vida), mas ele sabe e é ir viver para a aldeia onde ele nasceu (população 300) e tentar arranjar lá emprego enquanto ele abre o restaurante dos seus sonhos. E sinceramente, este livro é uma treta tão grande que já me saía incredulidade pelos olhos.

Assim, com uma prosa pretensiosa e horrível e uma história que pretende mostrar como uma mulher “se encontrou a si própria” (vivendo intensamente os sonhos do seu homem), esta é uma das piores leituras deste ano. Bestseller do New York Times ou não. 

04 novembro 2014

Opinião: A Queda dos Gigantes (Ken Follett)

Editora: Editorial Presença (2010)
Formato: Capa mole | 916 páginas
Géneros: Ficção histórica
Sinopse: "Ken Follett, esse grande mestre do romance, publica uma nova obra de grande fôlego histórico, a trilogia O Século, que atravessará todo o conturbado século XX. Neste primeiro volume, travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações serão as grandes protagonistas da trilogia. Mas não esgotam a vasta galeria de personagens, incluindo figuras reais como Winston Churchill, Lenine ou Trotsky, que irão cruzar-se uma complexa rede de relações, no quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino. Um extraordinário fresco, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época."
No ano passado li “Os Pilares da Terra” de Ken Follett e achei que o autor tinha bastante “jeito”, digamos assim, para a construção de personagens e para tecer uma boa história.

A leitura de “A Queda dos Gigantes” cimentou essa ideia. A estrutura é semelhante, uma vez que seguimos diversas personagens (desta vez, em diversos países) durante pouco mais de uma década, num século onde as mudanças sociais, políticas e mesmo económicas foram profundas.

O problema é que… não gosto especialmente desta época. A cadeira de “História contemporânea” foi das que menos gostei na faculdade. Não sei bem porquê, nunca me cativaram as guerras, as mudanças sociais e a emergência de novas potências ao nível mundial. Por isso, esta trilogia de Follett nunca esteve no meu radar.

Mas quando o livro me apareceu em casa (mais um daqueles raros, que não fui eu que comprei), decidi experimentar. A escrita de Follett tinha-me cativado no passado; talvez voltasse a fazê-lo. E fez.

Ken Follett conseguiu manter o meu interesse num livro sobre os inícios do século XX, uma das épocas históricas de que gosto menos, durante 900 páginas.

A história centra-se em cinco famílias diferentes, duas inglesas (ou galesas), uma americana, uma russa e uma alemã e tece com mestria uma tapeçaria dos inícios do século XX, da luta das classes operárias, das mulheres pela igualdade e das mudanças sociais e políticas que ocorreram em toda a Europa.

Ok, houve um pouco de caracterização exagerada da América como um país perfeito, mas de resto, Ken Follett conseguiu apresentar um retrato bem construído das profundas mudanças operadas na Europa e mesmo no mundo, através das vivências das suas personagens.

Personagens essas, que achei bem caraterizadas e interessantes. Walter, o alemão que se bate contra a guerra, Ethel, a sufragista, William o rapaz simples mas sábio e os seus pais, que representam as gerações mais conservadoras apesar do seu progressismo.

No geral, podia dizer muito sobre este livro, falar da época que abarca e das mudanças, tão importantes, que descreve (e para falar disso seria necessária alguma pesquisa). Mas não é esse o tipo de opinião que quero publicar; quero apenas dizer que este foi um livro do qual gostei bastante, apesar do tema não me entusiasmar muito, geralmente, e que é também um livro que recomendo sem reservas; uma ótima leitura dentro da ficção histórica.

03 novembro 2014

It's Monday! What are you reading?

Depois daquela arma de arremesso que foi "A Queda dos Gigantes" de Ken Follett, decidi dedicar-me, esta semana, a uma leitura mais leve.


O Primeiro Marido de Laura Dave

Também devido à arma de arremesso, não houve assim muitas publicações no blogue. Apenas uma:


Rubrica da autoria de The Book Journey.

28 outubro 2014

Opinião: Partials (Dan Wells)

Partials de Dan Wells
Editora: HarperCollins (2012)
Formato: Capa mole | 470 páginas
Géneros: Ficção científica, Lit. Juv./YA
Sinopse: "The only hope for humanity isn’t human.
In a world where people have been all but wiped out by a virus created by part-human cyborgs called ‘Partials’, and where no baby survives longer than three days, a teenage girl makes it her mission to find a cure, and save her best friend’s unborn child.
But finding a cure means capturing a Partial…"
Partials é mais um livro pós-apocalíptico, com uma heroína quase perfeita, um romance que é quase um triângulo amoroso e um enredo onde Nada É O Que Parece.

A Humanidade está nas últimas. Há onze anos, uma raça de super guerreiros criados geneticamente denominada “Partials” (Parciais), libertou um vírus mortal (o RM) que decimou uma grande percentagem da população humana. Os sobreviventes americanos (presumo) reuniram-se em Long Island, perto de Nova Iorque e iniciaram a difícil tarefa de sobreviver num mundo quase completamente destruído. Neste novo mundo, não há eletricidade, divertimentos e a tecnologia destina-se apenas aos serviços mais importantes (como o hospital).

Os sobreviventes são imunes ao vírus RM. Têm-no na corrente sanguínea mas não têm sintomas. Contudo, todas as crianças que nascem contraem o vírus e morrem ao fim de três dias. A raça humana não tem um nascimento há 11 longos anos e procura desesperadamente uma cura, ao mesmo tempo que impõe medidas de reforço à natalidade (como obrigar as mulheres a engravidarem o mais possível e cada vez mais novas), de forma a verem se nascem bebés imunes.

A nossa heroína, Kira, tem 15 anos e está a “estagiar” na maternidade. Farta de ver bebés morrer e ao saber que uma amiga de infância está grávida, decide que a única hipótese de conseguir uma cura é capturar… um Partial (aka guerreiro com mais força, rapidez, reflexos e sentidos mais apurados do que o ser humano normal).

Toda esta história nos é contada por fases e com um grau de pormenor que, sinceramente, achei desnecessário. Há uma primeira parte em que se fala imenso na Kira, na cidade dela, nos amigos, na política, etc. Ok, é bom que se estabeleça o mundo, mas foi “estabelecimento” a mais.

Depois, a captura e estudo do Partial. Foi interessante mas um pouco sensaborona. 

Por fim, a parte em que Kira descobre que é a mais especial de todas. Revirei imenso os olhos nessa parte. Mesmo antes da Grande Revelação ela já era quase uma geneticista e virologista melhor do que muitos profissionais com anos de experiência. Era preciso acrescentar mais?

No geral, uma leitura satisfatória. Gostei, mas não adorei. Acho que a ideia do autor é boa, mas que podia ter sido explorada de outra forma, com mais ação e não se arrastando tanto nalgumas partes. Estou curiosa acerca de algumas partes do livro (a empresa de genética ParaGen e os seus objetivos), mas não tenho pressa em ler mais.