31 dezembro 2014

Balanço de 2014

E... chegou a altura do costumado balanço anual. Este ano, penso que não há assim muito a dizer, porque não participei em nenhuns desafios (exceto a temporada pós-apocalíptica, que correu mais ou menos bem, como podem ver no respetivo balanço) e, apesar de ter lido mais ou menos o mesmo número de livros do ano passado, não houve, infelizmente, nenhum que se destacasse por aí além (apesar de terem havido um ou dois livros de que gostei bastante).

Os meus favoritos de 2014 são... *drum roll*:
  • To Sir Phillip, with Love, Julia Quinn (opinião em breve): porque, tipo, Julia Quinn. E este é o meu livro favorito da série Bridgertons, porque tenho um fraquinho por este tipo de heróis.
  • Por favor não matem a cotovia, Harper Lee: adorei a narrativa, a mensagem, a esperança subjacente na raça humana e também a caracterização. Muito bom.
  • Golden Fool, Robin Hobb: corresponde ao "Os Dilemas do Assassino" e "O Sangue do Assassino". Neste livro as personagens de Fitz e do Bobo ganham mais vida que nunca, é um livro de leitura super compulsiva.
  • The Lesser Dead, Christopher Buehlman (opinião em breve): uma história de vampiros muito cool e interessante. E assustadora.
  • A Queda dos Gigantes, Ken Follett: qualquer livro que me faça ler sobre a história do século XX com vontade, merece estar no top...
Menções honrosas:
Mas, como sempre, houve também algumas desilusões:
Menções honrosas: infelizmente, demasiadas para estar a pôr aqui. Há muitos livros este ano que levaram apenas duas estrelinhas no Goodreads porque não os apreciei assim muito.

Acho que não há muito mais a dizer, por isso Slayra out e um ótimo ano novo para todos!

30 dezembro 2014

Opinião: The Bridgertons: Happily Ever After (Julia Quinn)

Editora: Little, Brown Book Group (2013)
Formato: Capa mole | 384 páginas
Géneros: Romance histórico

Aviso: ligeiros spoilers
Para falar a verdade, não sou grande fã de “short stories” ou contos porque sinto que fica sempre tanto por contar, por desenvolver.

Mas uma vez que sou uma grande fã (ahah) da Julia Quinn que é, provavelmente, a minha autora favorita de romances históricos, decidi ler este livro que reúne os chamados “segundos epílogos” da série Bridgerton.

Passo a explicar. Todos os livros da série Bridgerton têm o seu epílogo, mas a série tornou-se tão popular que os leitores tinham imensas questões relativamente ao que acontecia depois do “feliz para sempre” de cada livro. E, por isso, Julia Quinn decidiu escrever pequenas histórias passadas vários anos após os casamentos que retratam determinadas situações que, claro, reforçam esses finais felizes.

A maioria das histórias é alegre, fofinha e romântica tal como os livros originais. Uma ou duas têm alguma angústia, mas claro, tudo acaba por se resolver.

Fartei-me de rir com a história do Anthony e da Kate, que recria o jogo de Pall Mall onde eles se apaixonaram. Todos os anos eles convidam as pessoas que lá estavam para um novo jogo e tentam ficar com o taco preto, que eles acham que lhes dá sorte.

A história que mais me tocou foi a da Francesca e do Michael, mas não gostei assim muito da resolução. Não me pareceu assim muito realista.

Algumas das histórias focam-se em personagens menores. A de Sophie e Benedict foca-se na irmã adotiva de Sophie, Posy e em como esta encontrou a felicidade.

Para além dos epílogos, o livro contém também um outro conto, intitulado “Violet in Bloom”. Cuja personagem é, claro, Violet, a matriarca dos Bridgerton. Este conto é composto por uma série de “flashes” da vida de Violet e finalmente, o falecido visconde, o seu marido Edmund tem algum protagonismo. É uma história muito fofinha e engraçada da qual gostei muito.

No geral, uma leitura leve e romântica, definitivamente recomendada (de leitura quase obrigatória, mesmo) para quem gosta da série Bridgertons.


Outras opiniões de livros da autora no blogue:

28 dezembro 2014

Opinião: Soul Screamers - livros 4-7 (Rachel Vincent)

Editora: Mira Ink/Harlequin Teen (2010 a 2013)
Formato: Capa mole/e-book | 1327 páginas (4 livros)
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA

Agora que já passou algum tempo desde a minha leitura super rápida da série Soul Screamers, começo a ver as coisas de outra perspetiva. Isso e os detalhes da história começam a desvanecer-se da minha mente, porque a série, apesar de viciante, não é propriamente memorável.

E foi por isso que resolvi escrever uma opinião mais compacta dos últimos quatro livros. Porque, no fundo, os livros não são assim tão diferentes, apesar de haver um grande acontecimento no quinto livro (bem, dois, na verdade). No fundo tudo continua na mesma, com Kaylee e os leais amigos a lutarem contra o malvado hellion Avari.

No quarto livro (My Soul to Steal), Kaylee e Nash estão separados devido aos acontecimentos do livro anterior; Kaylee perdeu a confiança em Nash e sente que não pode continuar, por enquanto, a relação. Mas não fica satisfeita quando uma antiga namorada de Nash, Sabine, aparece pronta a reconquistá-lo.

E mais, Sabine é, literalmente, um pesadelo. É uma mara, uma criatura parasítica que sobrevive retirando energia dos seres humanos quando estes estão a dormir… e a sonhar. O medo é o seu alimento e Sabine sabe tudo sobre os medos mais profundos das suas vítimas. Quando parece que Sabine anda a matar professores para se alimentar, Kaylee sente que tem de investigar, mesmo contra a vontade de Nash. Encontra em Todd, o irmão mais velho de Nash, um aliado.

O quarto livro prima pelo dramatismo. Há muito drama associado à relação amorosa conturbada de Kaylee com Nash, que traiu a sua confiança no livro anterior e fez coisas muito pouco recomendáveis. O mistério é, como no terceiro livro, afastado para segundo plano, até porque Kaylee suspeita de Sabine mais por ciúmes do que por outra coisa.

É um livro intenso, com emoções e drama à flor da pele, tal como é típico dos adolescentes. Há muita injustiça e sentimentos feridos de parte a parte e devo dizer que Vincent constrói um triângulo amoroso muito dramático e angustiado.

If I Die, o quinto livro, é um ponto de viragem acentuado na trama central dos livros. Kaylee recebe uma notícia que irá, literalmente, mudar radical e permanentemente a forma como vê as coisas. Confrontada com uma realidade definitiva acerca da qual não pode fazer nada, Kaylee esforça-se por tentar remediar os seus problemas, especialmente a sua relação com o pai e com o talvez-ex-namorado Nash. E também tem de confrontar sentimentos de uma pessoa inesperada e talvez admitir que os seus próprios sentimentos relativamente a essa pessoa e a Nash mudaram.

Ao mesmo tempo, Kaylee tenta proteger as raparigas da sua escola, que estão a ser atacadas por um incubus, que tudo fará para procriar… apesar de as mães de uma criança incubus não terem uma taxa de sobrevivência muito alta.
Temos neste livro um quadrado amoroso à moda antiga e níveis nunca antes vistos de angústia adolescente emocional. Sabine, Kaylee, Nash e o novo interesse amoroso de Kaylee todos lutam com os seus sentimentos e com aquilo que irá, inevitavelmente, acontecer a Kaylee no final.

A luta contra o professor de Matemática, aka incubus é, novamente, secundária. No entanto, a intensidade da narrativa continua a prender o leitor. 

No sexto livro, Before I Wake, Kaylee sobreviveu a uma mudança radical na sua vida. Ou melhor, “sobreviveu” talvez não seja a melhor palavra. Kaylee é agora, para além de uma bean sidhe com uma vida amorosa complicada, uma funcionária do Departamento de Recuperação (de almas), uma outra divisão dos reapers. O seu trabalho é recuperar almas que foram roubadas aos reapers. Para além do seu novo emprego, que lhe permite continuar a sua vida “normal”, Kaylee está ainda a habituar-se à sua nova relação e ao facto de Nash não lhe falar.

E, claro, Avari continua obcecado por ela e quer a sua alma… e tudo fará para a obter, inclusive arranjar maneira de ter uma presença na Terra.

Mais angústia a potes. Mais drama amoroso, mais drama relacionado com o facto de Kaylee ser tão perfeita e altruísta que Avari está obcecado por ela. Há algumas lutas e tudo o mais, mas a frase anterior resume o livro bastante bem. Mas… adoro o novo namorado da Kaylee. E adorei ler sobre ele na short story que vem neste livro.

E chegamos ao sétimo livro (With all My Soul). Depois dos acontecimentos traumáticos do livro anterior, Kaylee e os amigos decidem que têm de parar Avari e os outros hellions a qualquer custo. Vão tentar virá-los uns contra os outros, mas quando um novo hellion chamado Ira aparece, tudo vai de mal a pior. E Kaylee poderá ter de fazer o derradeiro sacrifício…

Se os outros livros foram emocionais, este bate todos os recordes. Finalmente Nash começa a perdoar Kaylee, Kaylee começa a perdoar Nash e Sabine está lá convenientemente para oferecer um final feliz ao ex-namorado rejeitado. Muito deste livro centra-se na personagem fulgurante que é Kaylee, tão especial que uma data de habitantes do Netherworld a querem.

Tendo em conta as minhas palavras sarcásticas, poderão pensar que não gostei da série. Não é o caso. Gostei, sim, li-a de um fôlego, devorei todos os livros e digo-vos: a escrita é o máximo. Não é floreada ou intrincada ou mesmo bela, mas é viciante, intensa e prende-nos de tal forma que parece que nos tem sob um feitiço. A escrita é o ponto forte da série porque é tão… envolvente.

E foi por isso, mais do que por qualquer outra coisa, que gostei da série. Certamente que o imaginário é interessante, mas depressa se tornou evidente que o mundo está lá para suportar a angústia emocional de Kaylee e do elenco de personagens que compõem os livros. Até o facto de Avari andar obsessivamente atrás de Kaylee contribui para isso. Nunca há grande desenvolvimento do mundo ou do imaginário (ou melhor, houve algum nos primeiros livros, mas depois acabou e passou a ser “Um drama na Escola Secundária”).

No geral, esta série está bastante bem escrita, de uma forma que nos dá vontade de ler sem parar, mas tenho de ser sincera: não é nenhuma obra-prima da fantasia (mesmo da urbana). Aliás, é mais romance paranormal do que fantasia urbana e tem demasiado drama para agradar, provavelmente, à maioria dos adultos. Eu, pessoalmente, gostei do facto de ser uma leitura compulsiva, mas teria gostado mais se houvesse menos drama e mais desenvolvimento da mitologia. A história é basicamente a mesma em todos os livros, como disse no início, e pouco mais.

23 dezembro 2014

Opinião: My Soul to Keep (Rachel Vincent)

Editora: Mira Ink (2011)
Formato: Capa mole | 378 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA

O terceiro livro da série “Soul Screamers” traz-nos mais conflito e algum melodrama.

A vida de Kaylee Cavanaugh deveria consistir em festas, namoros e, claro, na escola. Mas o facto de ser uma bean sidhe não ajuda e Kaylee está sempre metida em sarilhos. E esta festa não vai ser uma exceção.

Kaylee e o namorado Nash vão a uma festa na casa de um amigo quando se deparam com algo surreal… e perigoso. Alguém anda a traficar “Sopro de demónio”, uma substância gasosa originária do Netherworld. Na verdade, tratam-se das exalações dos hellions. O “Sopro do demónio” é altamente viciante e pode ser fatal para os humanos, levando primeiro à loucura e depois à morte. Com os amigos de Nash envolvidos, Kaylee e o namorado não têm escolha senão tentar perceber como a substância é transportada para o seu mundo, uma vez que os hellions não podem atravessar.

Mas um deles tem um segredo que pode acabar com a sua relação apaixonada.

“My Soul to Keep” foi uma estreia e não uma releitura. Não tinha chegado a lê-lo anteriormente, devido a… coisas (nomeadamente, aos atrasos dos correios e do Book Depository), por isso soube-me bem perceber como a situação tinha mudado tanto no 4º livro.

Neste livro temos algum desenvolvimento do mundo, sim, mas penso que o seu foco são as relações entre Kaylee e as outras personagens da trama, especialmente Nash, o seu namorado. Nash é o primeiro namorado de Kaylee e esta sente-se nas nuvens, mas vai perceber neste livro que as pessoas têm defeitos e que Nash não é tão perfeito como imaginava. O que é fixe e tal. Mas… na verdade a Kaylee é um contraste tão grande (ou seja, é uma grande Mary Sue, super perfeita e sem defeitos… passo a redundância), que as imperfeições de Nash parecem ao mesmo tempo monstruosas e… falsas. Isto faz sentido? O que quero dizer é que o facto de Kaylee não ser uma personagem muito realista (é demasiado perfeita, todos gostam dela, etc.) faz com que o leitor acabe por também não levar a sério o resto das personagens.

Sinceramente, apesar de gostar desta série, esta é uma espécie de “prazer proibido” ou “guilty pleasure”. A caracterização é irregular e a história não tem absolutamente nada de extraordinário, mas a forma como Vincent escreve envolve-nos em todo aquele drama e carga emocional de tal forma que não conseguimos parar de ler!

Assim, no geral, mais um livro de leitura rápida e agradável. Bastante mais melodramático e intenso do que os predecessores, mas bastante fraco ao nível da caracterização da sua personagem principal, que parece demasiado perfeita para ser real. A história também não se focou assim muito no tráfego da droga sobrenatural, como esperava… outros acontecimentos tomaram mais tempo de antena e tive pena. Recomendado para os fãs da série.


Outros livros da série:
  1. My Soul to Take
  2. My Soul to Save

22 dezembro 2014

Opinião: My Soul to Save (Rachel Vincent)

Editora: Harlequin Teen (2009)
Formato: Capa mole | 279 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA

Aviso: alguns spoilers (poucos)
“My Soul to Save”, o segundo livro da série “Soul Screamers” é, claramente, um livro de transição e de desenvolvimento do mundo apresentado no primeiro livro.

A vida de Kaylee Cavanaugh sofreu uma reviravolta quando descobriu que é uma bean sidhe ou banshee e que tem o poder de saber quando alguém vai morrer. Descobriu também que o seu “grito” é na verdade uma canção pela alma da pessoa que morre e que, com esse grito, pode suspender essa alma e com a ajuda de um bean sidhe macho, voltar a colocá-la no corpo da pessoa.

Para além de ter descoberto as suas capacidades, Kaylee descobre também Nash, o bean sidhe macho que a ajudou a descobrir a sua verdadeira identidade. E está também disposta a descobrir o amor… mas a vida de Kaylee nunca é calma e quando uma jovem cantora morre em palco e Kaylee não grita, ela sabe que algo está errado… ela não pode cantar por alguém que não tem alma.

Neste segundo livro, Kaylee, Nash, Emma e Tod o grim reaper (e também, estranhamente, o irmão de Nash) que trabalha no hospital da cidade, ceifando as almas cujo tempo terminou têm de tentar descobrir como é que adolescentes andam a vendar a alma aos habitantes do Netherworld (a dimensão paralela onde tudo o que é monstro vive) em troca de fama e dinheiro. Tudo se torna pessoal quando uma das pessoas que vende a alma é Addy, uma antiga namorada de Tod.

O mistério é bastante simples e o livro em si não é muito grande, mas como já mencionei acima este livro serve, maioritariamente, para desenvolver o mundo e as personagens. A autora dá-nos mais informações sobre o Netherworld e sobre os seus mais temíveis habitantes, os hellions, sobre as habilidades de Kaylee e de Nash e claro, sobre o mundo dos grim reapers.

Também vemos algum desenvolvimento na relação entre Kaylee e Nash e algum desenvolvimento das outras personagens como Tod e Emma.

No geral, mais uma leitura agradável mas, sinceramente, até agora foi o livro de que menos gostei, de toda a série. É um livro de transição, com muito pouca progressão ao nível da história “maior” que percorre todos os livros.


Outros livros da série:
  1. My Soul to Take

19 dezembro 2014

Opinião: My Soul to Take (Rachel Vincent)

Editora: Mira Ink (2011)
Formato: Capa mole | 345 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA

Para terminar o ano em beleza, decidi iniciar uma maratona de uma série que iniciei há alguns anos atrás e que agora já se encontra completa.

Na altura, tinha encomendado os livros do Book Depository depois de ter lido o primeiro e ter gostado e, tipicamente, eles chegaram fora de ordem, pelo que também os li fora de ordem. Li o primeiro e o segundo e depois passei diretamente para o quarto sem nunca ter lido o terceiro. Também na altura, esta série tinha apenas quatro livros, pelo que depois de terminar o quarto, deixei de seguir a série e deixei esmorecer o meu entusiasmo inicial.

Foi por isso que me decidi por uma maratona, a começar no primeiro.

“My Soul to Take” é, então, o primeiro livro da série “Soul Screamers” de Rachel Vincent. É uma série direcionada para o público juvenil (e nota-se), mas tem uma certa qualidade que a torna apetecível também para os mais adultos.

Algo está errado com Kaylee Cavanaugh. Por vezes sente-se acometida por ataques de pânico tão violentos que tem de fazer um esforço quase sobre-humano para não gritar. Foi por causa desses ataques que os tios, com quem ela vive, a internaram numa Unidade de cuidados mentais.

Mas, um dia, quando está num bar com a sua amiga Emma, Kaylee conhece (ou melhor encontra) Nash, um dos rapazes mais populares da sua escola e um conquistador consumado. Quando Kaylee sente o impulso irresistível de gritar ao ver uma jovem no bar, Nash ajuda-a a acalmar-se. E, mais tarde, Nash explica-lhe o que se passa realmente: Kaylee é uma bean sidhe (ou banshee) e sabe quando alguém vai morrer.

Enquanto Kaylee explora a sua verdadeira identidade e conhece melhor Nash, uma série de estranhas mortes faz com que a sua vida fique ainda mais complicada.

Li este livro de um fôlego. Vincent escreve extremamente bem, o mistério manteve-me interessada (apesar de ser simples) e nem o “insta-love” me irritou de sobremaneira. As personagens são simpáticas e carismáticas e o facto de o livro se focar em banshees aguçou ainda mais o meu interesse.

No geral, um livro de leitura compulsiva, bem escrito e interessante. Não é nenhuma obra prima, mas é uma boa leitura.