07 abril 2015

Opinião: The Rake (Mary Jo Putney)

Editora: Zebra Books (2012)
Formato: e-book | 282 páginas
Géneros: Romance histórico

Aviso: Pequenos (quase insignificantes) SPOILERS.

Março começou e acabou, e em abril continuo com os romances históricos.

"The Rake" de Mary Jo Putney, foi publicado pela primeira vez em 1989 (com o título "The Rake and the Reformer") e é considerado um dos "clássicos" do romance histórico sensual.

A edição que li, data de 2012 e sofreu algumas alterações, mas creio (segundo a autora), que a essência do original continua presente.

Foi uma boa leitura. A personagem do aristocrata despreocupado que gasta fortunas ao jogo, tem amantes e priva com prostitutas de luxo, e passa as noites no clube a beber e a jogar é bastante comum neste tipo de livros, mas "The Rake" mostra-nos o outro lado deste estilo de vida libertino, celebrizado na Inglaterra do século XVII por vários aristocratas de alto gabarito (falamos de condes e duques).

Reginald Davenport acreditou quase toda a sua vida que iria herdar o título de Conde de Wargrave do seu tio... tio esse que o preparou meticulosamente para o papel, de forma rígida e sem lhe dar o mínimo afeto. Talvez tenha sido por isso que Reggie se tornou a essência do libertino, bebendo, seduzindo e jogando por Londres inteira.

A sua situação torna-se ainda mais complicada quando o neto do velho Conde aparece e se torna o herdeiro, fazendo com que Reggie fique sem fortuna, sem título e sem perspectivas. 

O novo Conde de Wargrave não gosta de ver o primo autodestruir-se, pelo que restaura a Reggie a propriedade de Strickland, que o antigo Conde havia apropriado ilegalmente da família da mãe de Reggie e avisa-o que não pagará mais as suas dívidas ou suportará mais os seus hábitos dissolutos.

Sem escolha, Reggie ruma às suas novas terras, decidido a começar uma nova vida como proprietário rural. Em Strickland conhece Lady Alys, que trabalha, estranhamente, como administradora da propriedade.

Alys fugiu de casa há 12 anos e teve de se valer das suas capacidades para sobreviver. Com algumas pequenas mentiras (nomeadamente, relativamente ao seu sexo), conseguiu o posto de administradora de Strickland, que gere desde então com imenso sucesso. Quando Reggie aparece, como novo proprietário, Alys pensa que será despedida... mas o seu novo patrão surpreende-a e deixa-a ficar. Os dois desenvolvem uma grande amizade, apesar dos segredos que ambos têm.

Como disse, esta história explora o outro lado da vida dissoluta destes aristocratas que são tão charmosos em muitos outros livros deste género. Também na maioria dos livros, os heróis deixam a sua vida de libertinagem com facilidade e sem problemas. Isso não acontece aqui. De facto, "The Rake" mostra-nos que essa libertinagem tem consequências.

Isto porque Reggie é alcoólico. Depois de anos a beber mais do que a sua conta, não consegue passar sem algumas bebidas e muitas vezes embebeda-se a tal ponto que perde a memória do que acontece nessas horas. E o livro foca-se muito nesta vertente, nos perigos da bebida (Reggie não é das pessoas mais agradáveis quando bebe), no esforço que um alcoólico em recuperação tem de fazer para se manter afastado da tentação e como o apoio de outras pessoas é vital para que tal aconteça.

A amizade entre Alys e Reggie é bastante realista e interessante. Ao contrário do que se passa na maioria dos romances históricos, em "The Rake", não temos um amor fulminante, com os protagonistas a professarem o seu interesse e luxúria quase imediatamente. Certamente que Reggie e Alys se sentem atraídos um pelo outro, mas não acham logo que é amor... isto pode também dever-se ao facto de serem um pouco mais velhos do que a maioria dos protagonistas de romances históricos. 

Seja como for, gostei do facto do romance ser uma parte importante do livro, mas que não fosse a única coisa de que trata o livro. O alcoolismo de Reggie, a insegurança e os segredos de Alys compõem uma parte bastante grande do enredo e são importantes para o desenvolvimento dos sentimentos entre as duas personagens.

No geral, um livro muito interessante. Se esperam cenas quentes e amor quase à primeira vista, este livro não vos agradará. Se preferem um romance mais multifacetado, mais longo e mais realista, que se insere no contexto de outros acontecimentos, irão gostar de "The Rake".

06 abril 2015

It's Monday! What are you reading?

Depois de um fim de semana prolongado e muito produtivo em termos de leituras, chega mais uma segunda feira. Estou a ler dois livros, algo que não costumo fazer. No entanto, como um dos livros é composto por pequenos contos, que posso ir lendo de vez em quando, abri uma exceção.



Quanto a publicações, não foram muitas (nem poucas), mas tivemos o post sobre as leituras do mês:

Rubrica da autoria de The Book Journey.

02 abril 2015

Opinião: Uma Fortuna Perigosa (Ken Follett)

Editora: Editorial Presença (2015)
Formato: Capa mole | 568 páginas
Géneros: Ficção histórica

Só muito recentemente comecei a ler livros do Ken Follett (com uma notável exceção). Apesar da sua enorme popularidade, tanto internacional como em terras lusas, confesso que tenho algum receio de ler este tipo de autores super famosos, com inúmeros bestsellers em seu nome. Isto porque, geralmente, estes autores escrevem thrillers e livros de ação que, para mim, se revelam leituras muito semelhantes umas às outras e de uma forma que não aprecio particularmente. Exemplos são os livros de Dan Brown, que li uma vez e já não consigo reler e os de James Patterson, que não achei nada por aí além.

Suponho que não serão os meus livros de eleição. Mas Ken Follett escreve também ficção histórica e, depois de ter lido o famoso "Pilares da Terra" (e de ter gostado) e o primeiro livro da trilogia "O Século" (do qual gostei ainda mais), comecei a pôr este autor num patamar diferente dos Dan Browns e James Pattersons do mundo.

Quando saiu este novo livro (novo como quem diz... a versão original é de 1993), corri a comprá-lo, até porque, mais uma vez, se tratava de um romance histórico. E não fiquei desiludida.

Corre o ano de 1866 quando uma tragédia se abate na Windfield School, uma escola preparatória para a classe média e para a classe abastada composta por homens de negócios. Um rapaz de 13 anos é encontrado morto numa lagoa e, no centro do mistério estão alguns dos seus colegas: Edward Pilaster, filho de um rico banqueiro, Micky Miranda, filho de um rancheiro de Córdova, um país na América do Sul e Hugh Pilaster, primo de Edward, cujo pai tem uma fábrica de tinturas. O segredo do que aconteceu naquele dia em 1866 vai unir estas personagens ao longo das décadas seguintes, acabando por dar origem a um acontecimento de proporções devastadores, que quase destruirá a família Pilaster, na altura uma das mais ricas de Inglaterra.

O livro explora então a vida destas personagens, a sua relação e o clima de segredos que são perpetuados por Augusta Pilaster, a matriarca da família que tem, deixei-me dizer-vos, uma afeição quase obsessiva pelo filho Edward.

As personagens não fogem muito aos seus papéis predefinidos. Ou seja, vemo-las crescer, certamente, mas as características fundamentais de cada uma continuam sempre inalteradas: Hugh é o homem reto e honesto, cuja vida está repleta de adversidades, quer nos negócios quer no amor; e claro, é um génio banqueiro. Edward é o indolente, o permissivo, aquele a quem tudo lhe é dado em virtude do seu nascimento e que, no fim, toma decisões desastrosas. Micky é o encantador de serpentes, sedutor e manipulador. E temos Augusta, também manipuladora, que apenas se interessa em avançar a causa do filho, cega aos seus defeitos e que quer mover-se em círculos cada vez mais elevados. Achei que a sua personagem é algo irrealista porque Augusta não me pareceu burra e, no entanto, apesar de estar casada com um banqueiro e de conviver com banqueiros, não mede as consequências das suas ações no banco.

O enredo está cheio de intrigas, segredos, traições e todas essas coisas que fazem uma boa telenovela e lê-se de forma compulsiva.

Gostei também de todo o desenvolvimento do mundo. Follett dá-nos informações aprofundadas sobre o sistema financeiro da época, sobre como eram geridas as instituições bancárias, sobre quais eram as leis relativas à finança e sobre o panorama económico da segunda metade do século XIX. E claro, sobre a posição destas famílias, muitas vezes mais ricas do que os próprios nobres, numa sociedade de classes rígidas. Esta foi, para mim, a parte mais interessante do livro.

O romance pareceu-me bastante irrealista, o que não me incomodaria tanto se não fosse uma força motriz para a criação de tanto drama para a nossa personagem principal: Hugh Pilaster.

No geral, um livro que se lê muito bem mesmo e que é extremamente interessante. Recomendado para quem gosta de ficção histórica. 

01 abril 2015

O mês em leituras (março): números recordes e romances históricos

E eis que passou mais um mês e chegou a altura de fazer mais um apanhado das leituras.

Março foi um mês de números recordes relativamente a leituras: li mais de 20 livros (se contarmos os volumes 1 a 14 do manga Kimi ni Todoke, que reli em preparação para a leitura dos volumes mais recentes). Assim, li no total 33 livros, 16 dos quais foram volumes de manga (com cerca de 250 páginas cada), que, para ser sincera, podem ser lidos rapidamente, e 1 dos quais foi um conto com menos de 100 páginas. Ficamos com 16 livros "normais", ou seja, no fundo estou dentro da média de livros que leio por mês, mais coisa, menos coisa.

Este mês dediquei-me, principalmente, aos romances históricos. Não foi devido a nenhum desafio ou algo assim, foi simplesmente porque estava para aí virada, suponho. Cheguei à conclusão de que agora procuro algo diferente neste género de livros: não apenas o romance, mas também as descrições ricas do período, pois quero ficar a conhecer mais sobre a sociedade da época. Claro que romances focados inteiramente na parte romântica também têm o seu lugar e gosto de os ler... mas o problema com esses romances é que só existe um número finito de enredos que podem levar duas pessoas a ficarem juntas e a viver "um grande amor", é penso que já as li todas.

No fundo, gosto de ambos os tipos de romance histórico, mas o nível de apreciação dos livros focados inteiramente no romance irá depender mais da minha disposição, suponho.

Tive boas surpresas, relativamente a romances históricos que exploram as épocas em que têm lugar, com algum detalhe: To Charm a Naughty Countess de Theresa Romain, por exemplo, que explora as mudanças sociais e laborais devidas à introdução de máquinas a vapor na agricultura. Outro exemplo de um livro do género de que gostei foi Um Amor quase Perfeito de Sherry Thomas.

Mas não li apenas romances históricos. Li também o terceiro volume de uma série da qual gosto imenso: Vision in Silver de Anne Bishop.

E quanto a ficção científica, também tivemos alguma. Li The Diabolical Miss Hyde de Viola Carr, um livro de ação passado numa Inglaterra vitoriana muito steampunk. Li também os dois livros da série Reckoners (Steelheart e Firefight), de um dos meus autores favoritos, o Brandon Sanderson. Esta série centra-se nuns Estados Unidos devastados por seres com superpoderes, os Épicos. A Humanidade vive o melhor que pode nesta paisagem pós-apocalíptica tendo como única defesa a fação rebelde dos Reckoners que mata Épicos e extrai o seu ADN para fazer armas.

Rubrica da autoria de vários sites. Título (c) Bookeater/Booklover

31 março 2015

Opinião: Firefight (Brandon Sanderson)

Editora: Delacorte Press (2015)
Formato: e-book | 304 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juvenil

Aviso: Alguns SPOILERS para o primeiro livro

Firefight, o segundo livro da série Reckoners retoma a ação alguns meses depois da derrota de Steelheart, o tirano que controlava Newcago. 

Sem Steelheart presente, os humanos começam lentamente a tomar o controlo da cidade e estabelece-se um governo. Ao mesmo tempo, os Reckoners, dos quais David faz agora parte, protegem a cidade contra os Épicos que aparecem, decididos a tomar o lugar de Steelheart. 

Contudo, depressa se torna evidente que uma outra Épica de grandes poderes, Regalia, a governante da antiga cidade de Manhattan, está a atrair os Reckoners para a sua cidade. O que quererá Regalia?

Babylon Restored, o novo nome de Manhattan é uma cidade estranha, onde a água tomou conta da maioria do terreno, onde cresce fruta luminescente e onde os graffitis espalhados pelos telhados dos edifícios mais altos (os únicos que não se encontram debaixo de água) dão luz a uma cidade sem eletricidade.

Os Reckoners de Newcago encontram-se com a célula de Babylon Restored e investigam a situação na cidade, uma vez que Regalia parece ter-se fartado do seu reino relativamente benevolente e quer destruir a cidade.

Este segundo livro foi tão agitado e repleto de ação quanto o primeiro. Os nossos heróis não descansam por um momento, enquanto investigam o que se passa na cidade. Segredos, desconfiança e traições minam os Reckoners e, especialmente, a relação entre o Prof e David.

Megan aparece também neste livro, sempre em conflito consigo mesma mas, cada vez mais, interessada em ajudar David.

Foi mais uma leitura rápida, viciante e intrigante. Sanderson desenvolve muito mais as personagens neste segundo livro, especialmente Megan e o Prof. A trama está bem escrita e leva o leitor a tentar perceber o que se passa com as pistas que lhe são deixadas, mas não me parece que sejam claras o suficiente e o desfecho do enredo acaba por ser um bocado aleatório (ou seja, não parecia ser o caminho que a história estava a levar).

Neste volume, sabemos também mais acerca das origens dos poderes dos Épicos, acerca da sua relação com Calamity e acerca das fraquezas de cada Épico e a razão pela qual são, por vezes, tão estranhas.

No geral, continuo a achar que as "lições" e as "mensagens" destes livros são pouco subtis e complexos, mas mesmo assim diverti-me imenso com mais esta leitura. 


Da mesma série:
  1. Steelheart

Outras obras do autor no blogue:

30 março 2015

It's Monday! What are you reading?

Volta, após várias semanas de ausência, o "It's Monday! What are you reading?". Esta semana, volto aos livros de Ken Follett.

Uma Fortuna Perigosa - Ken Follett


Rubrica da autoria de The Book Journey.

28 março 2015

Opinião: Steelheart (Brandon Sanderson)

Editora: Orion Books (2013)
Formato: Capa mole | 386 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juvenil

Steelheart é mais um dos muitos livros de Brandon Sanderson que cá vieram parar a casa depois de eu ter lido a trilogia Mistborn ("Nascida das Brumas", em Portugal).

Ao contrário da maioria dos livros do autor, Steelheart não é fantasia clássica e/ou épica; é fantasia urbana misturada com um pouco de ficção científica.

Num futuro próximo, um evento denominado "Calamidade", teve consequências... desastrosas. Várias pessoas sofreram mutações e começaram a ganhar poderes que pura e simplesmente desafiam todas as leis naturais. Mas estes indivíduos, os chamados "Épicos", não são o que se poderia chamar heróis; de facto, todos eles mostram uma propensão para a maldade e a megalomania.

Dez anos depois da Calamidade, os Estados Unidos estão em ruínas. A maioria dos seres humanos vive em condições miseráveis e é dominada pelos Épicos.

O nosso protagonista, David, vive na cidade dominada de Chicago (agora, "Newcago"), onde um Épico com poderes impressionantes, que se chama a si próprio "Steelheart" (Coração de aço), reina com um punho de ferro (eh!).

Criado nas ruas subterrâneas e de aço da cidade, David tem apenas uma coisa em mente: vingança contra o aparentemente invencível Steelheart, o Épico que matou o seu pai. E o grupo que o pode ajudar a conseguir essa vingança, os Reckoners, está em Newcago. 

Como não podia deixar de ser, uma vez que se trata de um livro de Sanderson, gostei desta leitura. Foi uma leitura compulsiva, porque o autor mantém sempre um ritmo acelerado, com muitas cenas de ação que nos deixam colados ao livro.

Não achei que o autor tenha explorado a sua mitologia tão a fundo neste livro como o faz nos seus livros de fantasia épica (o que, como devem calcular, foi um pouco frustrante), mas creio que talvez isto se deva ao facto de se tratar de uma série planeada para ser mais longa... ou talvez não, não sei. Mas aprendemos muito pouco sobre a Calamidade e sobre os Épicos neste livro, que é muito focado na ação imediata de eliminar Steelheart.

O que mais me chamou a atenção neste livro foi o número de coisas que parecem ilógicas... se há coisa que este autor preza é uma mitologia bem construída, mas neste livro ele faz questão de frisar que tanto os poderes como as "kryptonites" dos Épicos fazem pouco sentido. Pelo que estou em pulgas para saber como é que eles têm estes poderes tão estranhos.

Sanderson explora neste livro (na série) o conceito do "poder corrompe", de uma forma bastante literal, mas interessante. Confesso que acho a sua abordagem pouco subtil, mas não foi por isso que gostei menos da leitura.

O mundo é aquilo a que muitos autores já nos habituaram em distopias pós-apocalípticas, com os governos totalitários, a tecnologia mais avançada mas por pouco e mesmo assim sujeita a falhas e, sobretudo, um mundo destruído devido à ânsia de poder de alguns indivíduos.

As personagens são interessantes (ou seja, dá gosto ler sobre elas, tê-las como protagonistas), mas não foram particularmente desenvolvidas neste primeiro livro.

No geral, uma leitura bastante agradável. Como sempre, a imaginação do autor merece parabéns. No entanto, considero que este Steelheart fica um pouco aquém de outras obras do autor. Talvez seja pela localização mais familiar ou pela exploração simplista de um conceito que daria pano para mangas, mas pareceu-me que o autor foi um pouco preguiçoso. Mas isto poderá dever-se ao facto de este livro se destinar a um público mais jovem (juvenil/young adult); ou talvez o autor esteja a planear um maior desenvolvimento nos livros seguintes.


Mais livros do autor no blogue: