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11 março 2015

Opinião: Vision in Silver (Anne Bishop)

Editora: Penguin Publishing Group (2015)
Formato: e-book | 416 páginas
Géneros: Fantasia, Fantasia urbana

Aviso: Spoilers dos livros anteriores
O terceiro livro da série "The Others" introduz, não apenas novas linhas de ação e novos desenvolvimentos, como lida com as consequências das ações levadas a cabo por Simon e os Outros a seu cargo em Murder of Crows, o segundo livro da série.

Os Outros libertaram as cassandra sangue, jovens humanas que conseguem ver o futuro através do derramamento do seu próprio sangue. Tiveram de o fazer, uma vez que estas jovens eram mantidas prisioneiras e o seu dom era oferecido a quem pagasse mais. 

No entanto, isto pode não significar uma melhoria de vida para as cassandra sangue, que sempre viveram em prisões douradas e que sentem dificuldades em adaptar-se às suas novas condições. Para além disso, estas jovens sentem o impulso de se ferirem a si próprias, o que dificulta a tarefas das pessoas que as recolheram, os Intuit.

É por isso que os Intuit pedem ajuda a Simon Wolfgard e aos habitantes do "Courtyard" de Lakeside; afinal, entre eles vive a única cassandra sangue que escapou e consegue viver uma vida relativamente normal: Meg Corbyn. E os Intuit precisam mesmo de ajuda, porque algumas das raparigas estão a suicidar-se. Meg terá de tentar descobrir como ajudá-las a adaptar-se à sua nova vida.

Por outro lado, as tensões entre humanos e Outros adensam-se, com a visibilidade cada vez maior do grupo "Humanos em primeiro e último lugar", que defende que os humanos têm direito a todos os recursos de Thaisia e não devem fazer acordos com os Outros para conseguirem recursos. Simon e o resto da Associação Comercial do "Courtyard", Tess, Vlad e Henry, terão de descobrir quais são os planos do grupo extremista, uma vez que as ações e a agitação contra os Outros estão a crescer nas cidades... e se os Outros que vivem nas "Terras Selvagens" decidirem que os humanos estão a causar demasiados problemas, o seu veredicto será claro: extermínio.

Como sempre, este foi um livro de leitura rápida e compulsiva. Bishop sabe definitivamente como manter a atenção do leitor. Em "Vision in Silver", Meg começa por ter uma visão quando efetua um "corte controlado" para tentar controlar a sua adição a cortar-se. Ela vê perigos para os Outros na crescente animosidade dos humanos para com os Outros.

Para tentar combater isto, Simon tenta criar pontos de entendimento entre humanos e Outros, mas tal revela-se difícil quando se apercebem que um grupo extremista tem um plano bem delineado para fazer com que as pessoas passem fome... e culpem os Outros por isso.

Achei que a narrativa neste livro se dividiu entre demasiadas personagens. Para além de Meg (que aliás aparece pouco no livro), temos Simon, uma cassandra sangue libertada, os Intuit, alguns membros da polícia de Lakeside, entre outros. Talvez a narrativa tenha, por isso, perdido um pouco o foco.

Este livro foi, sem dúvida, um livro que desenvolveu o enredo geral, ou seja, as complicadas relações entre humanos e Outros no continente de Thaisia e qual o caminho que irão tomar em livros subsequentes. Ficámos a saber que existem outras raças de Outros (eh) que não têm qualquer contacto com os humanos e que vampiros, animais inteligentes e elementais que controlam o fogo ou a água não são o pior que anda pelas terras de Namid. Relativamente ao enredo mais específico, relacionado com as personagens (especialmente Meg e Simon), não houve grandes desenvolvimentos, o que foi um bocado desapontante. Mas, mesmo assim, foi uma ótima leitura.

No geral, mais um livro fascinante de Anne Bishop. Apesar do mundo ser uma cópia do nosso, gosto imenso da mitologia que a autora desenvolve e estou a achar esta série muito interessante. Uma obra imprescindível para quem gosta de fantasia urbana e desta autora. Mal posso esperar pelo próximo da série!


Outros livros da série:
  1. Written in Red
  2. Murder of Crows (curta)

27 maio 2014

Curtas: A Murder of Crows e Chimes at Midnight

Volto com mais uma edição das "Curtas", para falar de mais dois livros de fantasia urbana que li este mês. Fazem ambos parte de uma série e foram ambos leituras agradáveis, que me "salvaram" numa altura em que a maioria dos livros em que peguei ficaram por ler.

Murder of Crows by Anne Bishop
Editora: Roc (2014)
Formato: e-book | 369 páginas
Géneros: Fantasia, fantasia urbana

Opinião: Voltamos ao mundo de Thaisia neste segundo volume de "The Others". Meg Corbyn, a cassandra sangue que conhecemos no volume anterior está a viver com os Outros no seu enclave fechado em Lakeside. Com as suas profecias, Meg ajuda os Outros a defenderem-se contra a revolta crescente dos humanos.

Gostei bastante desta leitura que retoma, em parte, a história que já vinha do livro anterior. Meg, a nossa protagonista, uma vidente que vê o futuro de cada vez que corta a pele, vai ajudar os Outros (seres sobrenaturais) a resolverem um mistério sobre duas drogas que andam a fazer com que humanos e outros se descontrolem e lutem. A escalada no nível de violência pode acabar em guerra.

Com uma escrita fluída, "A Murder of Crows" presenteia-nos com uma ação constante e um desenvolvimento regular do mundo e das personagens. Esta combinação faz com que o livro seja de leitura compulsiva, com um imaginário fascinante e um enredo que nos prende. Recomendado.


Editora: Daw (2013)
Formato: Capa mole/bolso | 346 páginas
Géneros: Fantasia urbana

Opinião: Este sétimo volume da série October Daye mergulha novamente nas aventuras de uma meia-fada que tem poderes estranhos mesmo entre os da sua espécie. Desta vez, Toby e o seu "bando" vão ter de destronar a falsa Rainha das Brumas.

Foi mais uma leitura agradável que me permitiu revisitar um mundo do qual gosto muito. No entanto, o enredo deste volume, embora nos forneça mais pistas relativamente aos progenitores da Toby, pareceu-me um pouco aleatório e soube a pouco. Recomendado para os fãs do género e da série, mas o sétimo livro deixou definitivamente, algo a desejar.

20 abril 2014

Opinião: Written in Red (Anne Bishop)

Written in Red by Anne Bishop
Editora: NAL Hardcover (2013)
Formato: Capa dura | 433 páginas
Géneros: Fantasia, Fantasia urbana
Descrição: "As a cassandra sangue, or blood prophet, Meg Corbyn can see the future when her skin is cut—a gift that feels more like a curse. Meg’s Controller keeps her enslaved so he can have full access to her visions. But when she escapes, the only safe place Meg can hide is at the Lakeside Courtyard—a business district operated by the Others.
Shape-shifter Simon Wolfgard is reluctant to hire the stranger who inquires about the Human Liaison job. First, he senses she’s keeping a secret, and second, she doesn’t smell like human prey. Yet a stronger instinct propels him to give Meg the job. And when he learns the truth about Meg and that she’s wanted by the government, he’ll have to decide if she’s worth the fight between humans and the Others that will surely follow."
Anne Bishop, a famosa autora da trilogia das Joias Negras, estreia-se na fantasia urbana com esta série intitulada "The Others" (Os Outros).

Meg Corbyn é uma cassandra sangue, ou "profeta de sangue". Viveu toda a sua vida presa num estabelecimento fechado onde ela e outras raparigas como ela são mantidas num ambiente estéril longe de tudo e de todos, apenas usadas pela sua capacidade de fazer profecias quando cortam a sua pele. Mas Meg quer ser mais do que uma ferramenta, uma comodidade por que os ricos pagam para terem acesso a um breve olhar do futuro. Por isso ela foge e refugia-se no único lugar onde estará a salvo dos seus carcereiros: a parte da cidade onde vivem os "Outros", onde a lei humana não se aplica. Mas viver entre os outros não é propriamente conducente a uma vida longa e saudável, pois estes habitantes sobrenaturais desprezam os humanos abertamente.

Sendo uma leitora assídua de fantasia urbana, estava com bastante curiosidade sobre este primeiro livro de Anne Bishop dentro do género. Afinal, gostei imenso da trilogia das Joias Negras e de todo o imaginário criado por Bishop para essa série. Queria saber como lidava a autora com fantasia urbana. E esta aventura não me desiludiu. Passa-se num mundo diferente, certamente (possivelmente para que a autora pudesse explicar com mais facilidade a sua mitologia relativamente aos Outros e aos deuses que compõem o panteão) mas é semelhante em tudo à sociedade que temos hoje em dia em termos políticos, sociais e tecnológicos. A única coisa que difere é que a história deste mundo foi pautada por diversos conflitos entre humanos e os Outros (vampiros, lobisomens, etc.) em que os Outros mostraram repetidamente a sua ferocidade e poder. Por isso, apesar de todas as suas inovações tecnológicas, os humanos vivem com receio destas criaturas sobrenaturais que controlam muitas das forças naturais do planeta. Por sua vez, os Outros, apesar de verem os humanos como 'carne', toleram-nos porque gostam das suas inovações tecnológicas. Assim, estas duas raças vivem uma coexistência tensa.

O mundo não é assim muito original, portanto, mas as personagens compensaram. Os Outros são realmente diferentes, não têm quaisquer escrúpulos em comer ou matar humanos... Ou seja têm uma aura inumana, diferente, não são heróis românticos e torturados mas no fundo humanos e bons. A Meg é um bocado uma Mary Sue ou seja, consegue conquistar todos os Outros com quem se encontra, mas é tão carismática enquanto personagem que isso mal tem importância. Gostei de todas as personagens, Meg, Simon, Vlad, Henry e a Tess (qual será o mistério por detrás desta personagem?) a narrativa é envolvente e mantém o leitor interessado e envolvido emocionalmente.

O enredo foi claramente introdutório, o objetivo era apresentar o mundo e as personagens principais mas a autora prepara o palco para outra história que nos permitirá ir mais fundo neste mundo e saber mais sobre as habilidades de Meg.

No geral, um primeiro livro muito interessante com um mundo que, apesar de semelhante ao nosso, parece ter personagens bem ricas. Irei certamente ler o volume seguinte. Recomendado para fãs da autora e para quem gosta de fantasia urbana.