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31 março 2015

Opinião: Firefight (Brandon Sanderson)

Editora: Delacorte Press (2015)
Formato: e-book | 304 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juvenil

Aviso: Alguns SPOILERS para o primeiro livro

Firefight, o segundo livro da série Reckoners retoma a ação alguns meses depois da derrota de Steelheart, o tirano que controlava Newcago. 

Sem Steelheart presente, os humanos começam lentamente a tomar o controlo da cidade e estabelece-se um governo. Ao mesmo tempo, os Reckoners, dos quais David faz agora parte, protegem a cidade contra os Épicos que aparecem, decididos a tomar o lugar de Steelheart. 

Contudo, depressa se torna evidente que uma outra Épica de grandes poderes, Regalia, a governante da antiga cidade de Manhattan, está a atrair os Reckoners para a sua cidade. O que quererá Regalia?

Babylon Restored, o novo nome de Manhattan é uma cidade estranha, onde a água tomou conta da maioria do terreno, onde cresce fruta luminescente e onde os graffitis espalhados pelos telhados dos edifícios mais altos (os únicos que não se encontram debaixo de água) dão luz a uma cidade sem eletricidade.

Os Reckoners de Newcago encontram-se com a célula de Babylon Restored e investigam a situação na cidade, uma vez que Regalia parece ter-se fartado do seu reino relativamente benevolente e quer destruir a cidade.

Este segundo livro foi tão agitado e repleto de ação quanto o primeiro. Os nossos heróis não descansam por um momento, enquanto investigam o que se passa na cidade. Segredos, desconfiança e traições minam os Reckoners e, especialmente, a relação entre o Prof e David.

Megan aparece também neste livro, sempre em conflito consigo mesma mas, cada vez mais, interessada em ajudar David.

Foi mais uma leitura rápida, viciante e intrigante. Sanderson desenvolve muito mais as personagens neste segundo livro, especialmente Megan e o Prof. A trama está bem escrita e leva o leitor a tentar perceber o que se passa com as pistas que lhe são deixadas, mas não me parece que sejam claras o suficiente e o desfecho do enredo acaba por ser um bocado aleatório (ou seja, não parecia ser o caminho que a história estava a levar).

Neste volume, sabemos também mais acerca das origens dos poderes dos Épicos, acerca da sua relação com Calamity e acerca das fraquezas de cada Épico e a razão pela qual são, por vezes, tão estranhas.

No geral, continuo a achar que as "lições" e as "mensagens" destes livros são pouco subtis e complexos, mas mesmo assim diverti-me imenso com mais esta leitura. 


Da mesma série:
  1. Steelheart

Outras obras do autor no blogue:

28 março 2015

Opinião: Steelheart (Brandon Sanderson)

Editora: Orion Books (2013)
Formato: Capa mole | 386 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juvenil

Steelheart é mais um dos muitos livros de Brandon Sanderson que cá vieram parar a casa depois de eu ter lido a trilogia Mistborn ("Nascida das Brumas", em Portugal).

Ao contrário da maioria dos livros do autor, Steelheart não é fantasia clássica e/ou épica; é fantasia urbana misturada com um pouco de ficção científica.

Num futuro próximo, um evento denominado "Calamidade", teve consequências... desastrosas. Várias pessoas sofreram mutações e começaram a ganhar poderes que pura e simplesmente desafiam todas as leis naturais. Mas estes indivíduos, os chamados "Épicos", não são o que se poderia chamar heróis; de facto, todos eles mostram uma propensão para a maldade e a megalomania.

Dez anos depois da Calamidade, os Estados Unidos estão em ruínas. A maioria dos seres humanos vive em condições miseráveis e é dominada pelos Épicos.

O nosso protagonista, David, vive na cidade dominada de Chicago (agora, "Newcago"), onde um Épico com poderes impressionantes, que se chama a si próprio "Steelheart" (Coração de aço), reina com um punho de ferro (eh!).

Criado nas ruas subterrâneas e de aço da cidade, David tem apenas uma coisa em mente: vingança contra o aparentemente invencível Steelheart, o Épico que matou o seu pai. E o grupo que o pode ajudar a conseguir essa vingança, os Reckoners, está em Newcago. 

Como não podia deixar de ser, uma vez que se trata de um livro de Sanderson, gostei desta leitura. Foi uma leitura compulsiva, porque o autor mantém sempre um ritmo acelerado, com muitas cenas de ação que nos deixam colados ao livro.

Não achei que o autor tenha explorado a sua mitologia tão a fundo neste livro como o faz nos seus livros de fantasia épica (o que, como devem calcular, foi um pouco frustrante), mas creio que talvez isto se deva ao facto de se tratar de uma série planeada para ser mais longa... ou talvez não, não sei. Mas aprendemos muito pouco sobre a Calamidade e sobre os Épicos neste livro, que é muito focado na ação imediata de eliminar Steelheart.

O que mais me chamou a atenção neste livro foi o número de coisas que parecem ilógicas... se há coisa que este autor preza é uma mitologia bem construída, mas neste livro ele faz questão de frisar que tanto os poderes como as "kryptonites" dos Épicos fazem pouco sentido. Pelo que estou em pulgas para saber como é que eles têm estes poderes tão estranhos.

Sanderson explora neste livro (na série) o conceito do "poder corrompe", de uma forma bastante literal, mas interessante. Confesso que acho a sua abordagem pouco subtil, mas não foi por isso que gostei menos da leitura.

O mundo é aquilo a que muitos autores já nos habituaram em distopias pós-apocalípticas, com os governos totalitários, a tecnologia mais avançada mas por pouco e mesmo assim sujeita a falhas e, sobretudo, um mundo destruído devido à ânsia de poder de alguns indivíduos.

As personagens são interessantes (ou seja, dá gosto ler sobre elas, tê-las como protagonistas), mas não foram particularmente desenvolvidas neste primeiro livro.

No geral, uma leitura bastante agradável. Como sempre, a imaginação do autor merece parabéns. No entanto, considero que este Steelheart fica um pouco aquém de outras obras do autor. Talvez seja pela localização mais familiar ou pela exploração simplista de um conceito que daria pano para mangas, mas pareceu-me que o autor foi um pouco preguiçoso. Mas isto poderá dever-se ao facto de este livro se destinar a um público mais jovem (juvenil/young adult); ou talvez o autor esteja a planear um maior desenvolvimento nos livros seguintes.


Mais livros do autor no blogue:

11 dezembro 2014

Opinião: Warbreaker (Brandon Sanderson)

Warbreaker de Brandon Sanderson
Editora: Gollancz (2012)
Formato: Capa mole | 672 páginas
Géneros: Fantasia
Sinopse.

Aviso: pequenos SPOILERS
O que dizer de Warbreaker? Foi possivelmente o livro que mais me desiludiu de Brandon Sanderson (até agora), o que me fez parar a “Sanderson-fest” que estava a fazer, lendo todos os livros do autor de rajada (a seguir a este ia iniciar a série Stormlight Archive).

Numa terra tropical, existe um reino, Halladren, governado pelo Rei Deus e o seu panteão de Retornados, pessoas que tiveram uma morte heroica e que voltaram como deuses. Os deuses vivem num enclave fechado, em mansões de luxo e são eles que tomam decisões governamentais, ouvem petições e fazem profecias.

Halladren é também uma cidade de magia (o BioChroma), onde feiticeiros denominados “Awakeners” (os que despertam) fazem magia através do Fôlego, algo que todos têm. Cada pessoa tem um Fôlego, mas podem acumular mais para “despertarem” objetos e fazerem funcionar pessoas mortas (que podem ser utilizadas no exército). Quanto mais Fôlegos uma pessoa colecionar, mais feitiços pode fazer mas também melhores serão os seus sentidos.

Não muito longe, em terras montanhosas, situa-se o reino de Idris, formado há 3 séculos pela antiga família imperial de Halladren, depois de terem sido expulsos. Idris é uma terra agreste que considera o estilo de vida de Halladren blasfemo. Mas, para evitar a guerra, o rei de Idris tem de mandar a sua filha, Vivenna, para casar com o Rei Deus.

Siri, a irmã mais nova de Vivenna é, ao contrário da irmã, voluntariosa e rebelde. Nunca ninguém pensaria que seria chamada para uma função importante. Assim, quando o pai troca as voltas a todos, Siri vê-se a caminho de Halladren para casar com o noivo da irmã.

Ao mesmo tempo, fala-se de guerra entre os reinos.

Esta é a história de Vivenna, Siri e de Lightsong, o deus da coragem que não acredita na sua divindade. E, claro, de um rebelde escondido com intenções vagas… rebelde esse que é um mestre na magia do BioChroma e que tem uma espada senciente.

Não consigo precisar bem o que fez com que torcesse o nariz a Warbreaker. Talvez seja o facto de a narrativa me ter parecido algo fragmentada e que se arrastava no tempo sem razão. Algumas partes do livro pareceram-me um pouco supérfluas, para dizer a verdade, muito tempo passado com as ruminações de Vivenna, que me pareceu uma personagem extremamente irritante até quase ao final do livro.

O problema aqui é que as personagens costumam ser um ponto forte dos livros de Sanderson… neste livro; nem por isso. Vivenna é irritante, com a sua mente fechada e a sua parvoíce e apenas se redime um pouco no final; Vasher, que é, supostamente, o herói do livro, mal aparece; e o Rei Deus e Siri poderiam ter sido melhor explorados. A única personagem sobre a qual gostei genuinamente de ler (tirando Nightblood, a espada encantada) foi Lightsong, o deus com dúvidas relativamente ao sistema religioso de Halladren. Gostei imenso desta personagem e de Llarimar o seu sacerdote-chefe. 

O sistema de magia também foi interessante, confesso, mas também não está assim muito desenvolvido. Nunca nos é realmente explicado o que é o BioChroma e como cria os Retornados, por exemplo. 

Achei que ficou muito por explorar neste livro e isso tirou-me um pouco o gosto da leitura, especialmente quando foram gastas tantas páginas em ações mundanas (por exemplo, Vivenna a encontrar-se com malfeitores para tentar sabotar os esforços de guerra de Halladren) e algo aborrecidas.

No geral, uma leitura interessante q.b., mas até agora o livro mais fraco de Sanderson. O mundo deste livro não tem aquela magia que o distingue de tantas outras obras de fantasia épica… confesso também que o facto de haver personagens que são deuses em todos os seus livros começa já a fartar um pouco, apesar da forma inventiva que o autor arranja para os explicar.

Outras obras do autor no blogue:

09 dezembro 2014

Opinião: Elantris (Brandon Sanderson)

Editora: Gollancz (2011)
Formato: Capa mole | 615 páginas
Géneros: Fantasia

Elantris, a primeira obra do escritor Brandon Sanderson, transporta-nos a mais um mundo repleto de magia e de intrigas políticas e religiosas.

Elantris foi outrora chamada “A cidade dos deuses”. Povoada por seres de pele prateada e cabelo branco capazes das mais incríveis magias, a cidade era o centro do reino de Arelon e os seus habitantes – seres humanos transformados pelo Shaod – eram venerados como deuses.

Mas algo aconteceu e os habitantes de Elantris perderam a sua magia e tornaram-se seres doentes e repulsivos. O povo de Arelon, sempre invejoso dos seus “deuses”, atacou a cidade e uma classe mercantil tomou conta do reino, instalando-se em Kae, uma das cidades que crescera à sombra de Elantris.

Dez anos mais tarde, a princesa Sarene do reino de Teod prepara-se para viajar para Arelon para se casar com o príncipe Raoden, de forma a que ambos os reinos possam fazer frente à expansão do império de Fjordell e da religião Shu-Dereth.

Quando Sarene chega, percebe que se tornou viúva. E que o reino de Arelon corre grande perigo pois um dos padres do Shu-Dereth, uma religião baseada na ambição e na força, tenta converter as massas. E fazer com que estas odeiem os habitantes de Elantris.

Raoden, por sua vez, passou pelo Shaod e foi fechado na cidade decrépita de Elantris. Privados da sua magia pelo estranho acontecimento de dez anos antes, todos os que sofrem o Shaod se tornam mortos-vivos de pele cinzenta e com chagas, sem cabelo e sem forma de curarem as suas feridas. Isto enlouquece a maioria dos novos habitantes de Elantris, mas Raoden está decidido a resistir e a fazer com que estas pessoas tenham uma vida condigna. Pelo caminho, começa a tentar perceber as razões da queda de Elantris.

Elantris foi uma boa leitura, tal como previa. Gostei bastante das personagens e do mundo desenvolvido por Sanderson. Sarene foi uma personagem divertida de conhecer, pois ela tem um temperamento forte e sabe tomar decisões. Raoden é um bocado perfeito demais (aliás ambas as personagens, Raoden e Sarene, o são), mas mesmo assim é impossível não se gostar dele.

Apesar de ter gostado da leitura, é bastante óbvio que Elantris é a primeira obra de Sanderson. O mundo é mais genérico, menos complexo do que o apresentado na trilogia Mistborn – Nascida das Brumas; as personagens são demasiado “coloquiais” por vezes, tendo em conta que se tratam de princesas, príncipes e nobres e o reino de Arelon, as antigas religiões que fazem parte da trama, o sistema de magia e o passado de Elantris podiam ter sido melhor desenvolvidos.

No entanto, este livro tem já aquela qualidade que nos faz querer ler mais e mais para saber qual é afinal o segredo da queda de Elantris. Que acabamos por saber.

No geral, um bom livro de fantasia, que deu gosto ler, mas que precisava de algumas arestas limadas e mais alguma complexidade ao nível do mundo e das personagens.


Outras obras do autor no blogue:

16 janeiro 2014

Curtas: The Alloy of Law e Frostfire

Eis que chega a primeira edição das curtas de 2014. Os dois livros seguintes foram leituras... agradáveis, mas têm em comum o facto de estar à espera de muito, mas muito mais. E, claro, ter ficado algo desiludida.

Editora: Gollancz (2012)
Formato: Capa Mole | 327 páginas
Género: Fantasia

The Alloy of Law tem lugar cerca de 300 anos depois dos acontecimentos da trilogia Mistborn. Estes três livros foram dos meus favoritos em 2013 pelo que estava à espera de "amar" este livro. No entanto, apesar de ter sido uma leitura interessante (foi giro ver como é que a sociedade fantástica da trilogia original evoluiu e como é que aquilo que a Vin, o Elend e o Sazed fizeram impactaram as gerações futuras), achei que Sanderson foi um bocado para o preguiçoso. O mundo de Mistborn, 300 anos mais tarde parece-se com... a Inglaterra dos tempos vitorianos, com algum Steampunk à mistura e uma tentativa fraquita de adicionar elementos do Faroeste. 

Quanto à ideologia e mitologia, o autor não explora muito esta vertente, o que é pena porque foi o que mais gostei na trilogia anterior. Há algumas referências a combinações entre a Alomância e a Feruchemância mas pouco mais.

Dá a sensação de que The Alloy of Law é um conto, onde o que interessa é a ação imediata e pouco mais. O mundo e as personagens não foram grandemente desenvolvidos. 

No geral, não me convenceu e fiquei desapontada com este livro. Foi uma leitura agradável, cheia de ação e armas, mas pouco mais do que isso. O final pareceu-me... incompleto.



Editora: Walker (2012)
Formato: Capa Mole | 439 páginas
Género: Fantasia

Já há algum tempo que ando para ler as obras de Zoe Marriott. Tenho alguns dos livros dela nas estantes, que fui comprando devido às muitas opiniões positivas sobres os mesmos.

Talvez tenham sido as altas expetativas que estragaram um pouco a minha leitura deste livro, mas a verdade é que não o achei assim tão bom como isso. A premissa é interessante: uma rapariga está possuída pelo espírito de um demónio-lobo e por isso vive uma vida solitária, com medo de magoar outras pessoas. Um dia é capturada pela guarda das montanhas do reino de Ruan, e conhece dois jovens que a farão mudar de ideias relativamente à sua solidão auto-imposta.

Este livro é bastante genérico. O mundo fantástico é genérico, as personagens são muito estereotipadas (um dos protagonistas é "perfeito" e o outro é "torturado") e claro, há um triângulo amoroso.

A autora nem explorou convenientemente (na minha humilde opinião), a parte sobrenatural do enredo! 

Para balançar, a nossa heroína usa um machado de guerra, yay. Mas no geral, este livro foi... genérico. Nada de especial, apesar de ter gostado da escrita. 

16 dezembro 2013

Opinião: Mistborn (Brandon Sanderson)

Mistborn: The Final Empire by Brandon Sanderson
Editora: Tor Books (2007)
Formato: Capa mole | 647 páginas
Género: Fantasia, Distopia
Descrição (GR): "Once, a hero arose to save the world. A young man with a mysterious heritage courageously challenged the darkness that strangled the land.
He failed.
For a thousand years since, the world has been a wasteland of ash and mist ruled by the immortal emperor known as the Lord Ruler. Every revolt has failed miserably.
Yet somehow, hope survives. Hope that dares to dream of ending the empire and even the Lord Ruler himself. A new kind of uprising is being planned, one built around the ultimate caper, one that depends on the cunning of a brilliant criminal mastermind and the determination of an unlikely heroine, a street urchin who must learn to master Allomancy, the power of a Mistborn."
AVISO: Alguns SPOILERS!
Não sei se isto vos acontece, mas para mim sempre foi mais fácil dizer mal de um livro do que dizer bem. Ou talvez, pondo as coisas em termos mais "agradáveis", sempre me foi mais fácil criticar do que elogiar. Não sei se isto é um problema geral da humanidade ou se eu simplesmente sou mazinha e chata, mas é verdade. Na verdade, penso que se prenderá com o facto de que, quando lemos um livro de que não gostamos, temos (ou eu tenho) tendência a ficar um pouco "presos" nos aspetos que não nos agradaram enquanto que quando lemos um livro de que gostamos... nos limitamos a gostar.

Toda esta conversa para dizer que a minha opinião geral de Mistborn é... OMG, que fixe! Basicamente. E que me é bastante difícil escrever algo concreto e minimamente (não nos esqueçamos que se trata de uma opinião) objetivo. Por isso, fiquem com isto para começar: gostam de fantasia? Leiam este livro.

Creio que, se tenho de apontar alguma falha (subjetivamente, pois suponho que deva ter falhas a nível 'técnico'... todos os livros têm, penso eu), diria que o começo algo lento será o maior problema deste primeiro livro da trilogia "Mistborn". De facto as primeiras, oh, 150 páginas arrastam-se e são algo aborrecidas. No entanto, o ritmo não tarda a acelerar (quando os protagonistas se encontram) e o livro torna-se muito mais interessante.

Devo dizer também que o final do livro foi um bocado anticlimático. O autor passou o livro todo a acumular tensão e depois o desfecho... soube a pouco. Ligeiramente.

De resto, "Mistborn" é certamente um dos meus livros preferidos de 2013. Tem ação, intriga, um mundo bem desenvolvido e imaginativo, personagens carismáticas e interessantes e até algum romance. A narrativa é empolgante e desenvolve-se a bom ritmo. As personagens crescem diante dos olhos do leitor.

O livro tem lugar num mundo fantástico onde um tirano imortal escraviza todo um povo. O mundo de Mistborn é um mundo quase estéril, onde plantar algo requer muito esforço e onde apenas alguns colhem os benefícios. Os "Skaa" (o equivalente aos camponeses/trabalhadores na Europa Feudal) trabalham quase vinte e quatro horas por dia, não são pagos (apenas em géneros... e mesmo assim mal) e ainda levam tareias se abrandarem o ritmo de trabalho. Do outro lado do espetro temos a nobreza, os exploradores de toda a terra e comércio. São os ricos, a classe privilegiada e quem fica com os frutos do trabalho dos Skaa.

Apesar desta disposição não ser propriamente original num livro de fantasia, gostei da forma como Sanderson a desenvolveu. O autor pega em diversas ideias e fundamentos com raiz histórica para explicar o seu sistema social. Os Skaa são vistos como inferiores (aos nobres) e quase como animais (tanto que matar um Skaa não é crime), o que me lembrou do racismo científico, uma doutrina que surgiu no século XVIII e que visava explicar porque é que os Europeus (brancos) eram superiores a outras raças. O mundo de Sanderson parece ter uma ideologia semelhante, que explica muitas das atrocidades cometidas contra grande parte da população.

Existe também a ideia de que se deve manter a "pureza do sangue", prevalecente durante tanto tempo entre as casas reais Europeias. No caso da "Dominância Central" e do "Último Império" (a designação do império comandado pelo Lord Ruler), isto prende-se com os poderes da Alomância (Allomancy em inglês... se o autor inventa, eu também invento) - um poder mágico que advém da "queima interior" (e figurada) de metais - que é, aparentemente hereditário.

E é aqui que entra uma das personagens principais, Vin a ladra. Vin é uma "Mistborn", uma 'maga' que pode utilizar todos os metais da Alomância para conseguir poderes. O seu pai é um nobre, mas não tem conhecimento dela porque os nobres têm de matar todas as mulheres Skaa com quem têm relações, para impedir que nasçam Skaa com poderes mágicos. É o envolvimento de Vin com a rebelião Skaa e com o enigmático Kelsier que é o centro deste primeiro livro. Mas já lá iremos.

Não posso deixar passar também toda a mitologia referente ao Lord Ruler, o imperador imortal. Na superfície ele é apenas um vilão que oprime o povo e os controla a todos mediante os Inquisidores, umas criaturas com estacas de metal enfiadas nos olhos (I kid you not). Mas, à medida que vamos lendo, vamos descobrindo que o Lord Ruler tem efetivamente um papel importante no mundo criado por Sanderson.

Está então construída a fundação de "Mistborn". A mitologia e desenvolvimento do mundo foram o que mais gostei neste livro. Claro que o enredo é interessante (ler sobre pessoas que enfrentam inimigos muito mais poderosos é sempre), mas gostei do facto de este livro ser... mais do que isso. Mais do que essa luta. É como o Shrek ou as cebolas... tem camadas.

Gostei da maioria das personagens. A Vin é uma personagem intrigante, com as suas inseguranças, que a tornam tão humana. Kelsier foi uma personagem que me irritou e me fez gostar dele à vez; não gostei particularmente da forma como manipulava as pessoas à sua volta, mas não posso negar que é uma personagem carismática. A única personagem que não achei nada de especial foi o Elend Venture.

No geral, um livro que recomendo vivamente a todos os amantes de fantasia. Correndo o risco de me repetir (mas vou mesmo, eh eh), "Mistborn" tem um pouco de tudo: ação, intriga, um mundo bem desenvolvido e imaginativo, personagens carismáticas e interessantes e até algum romance. É uma obra que se lê num ápice; assim que "entramos" na narrativa é quase impossível parar.

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