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04 maio 2014

Opinião: Os Dilemas do Assassino e O Sangue do Assassino (Robin Hobb)

Golden Fool by Robin Hobb
Editora: Spectra (2003)
Formato: e-book | 576 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição: "Prince Dutiful has been rescued from his Piebald kidnappers and the court has resumed its normal rhythms. There FitzChivalry Farseer, gutted by the loss of his wolf bondmate, must take up residence at Buckkeep as a journeyman assassin.
Posing as a bodyguard, Fitz becomes the eyes and ears behind the walls, guiding a kingdom straying closer to civil strife each day. Amid a multitude of problems, Fitz must ensure that no one betrays the Prince’s secret—one that could topple the throne: that he, like Fitz, possesses the dread “beast magic.” Only Fitz’s friendship with the Fool brings him solace. But even that is shattered when devastating revelations from the Fool’s past are exposed. Bereft of support and adrift in intrigue, Fitz finds that his biggest challenge may be simply to survive."
"The Golden Fool", que corresponde, em português ao 2º e ao 3º livros da saga "Regresso do Assassino" (Os Dilemas do Assassino e O Sangue do Assassino), continua a seguir um leque de personagens que conhecemos na trilogia anterior (Fitz, Breu, Kettriken, Moli) e outras que nos foram apresentadas no volume anterior desta segunda (Respeitoso).

Fitz está agora completamente enredado nos problemas dos Visionários que se prendem não apenas com a fação violenta dos Sangue Antigo, de quem salvaram o príncipe Respeitoso, e que ameaça destronar a dinastia reinante mas também com o noivando iminente do príncipe com uma nobre das Ilhas Externas. Por outro lado, Calcede e Vilamonte, duas cidades-estado vizinhas, estão em guerra e isso dificulta o comércio e cria um sentimento de insegurança para os Seis Ducados.

Para além de tudo isto, Fitz tem de lidar com o seu filho adotivo Zar, que parece ter-se perdido de amores por uma mulher que não é apropriada para si e tentar manter a sua identidade secreta enquanto descobre formas de ajudar os Visionário e treina o príncipe no Talento... e o Bobo tem problemas próprios que são um entrave à amizade dos dois.

Este livro mostra a verdadeira mestria de Hobb. O mundo é desenvolvido de forma soberba, com descrições dos diferentes costumes e culturas dos territórios que interagem com os Seis Ducados. Temos também algumas revelações (apenas o suficiente para aguçar a curiosidade) sobre magia antiga, criaturas fascinantes e o que se terá passado num passado longínquo que terá feito desaparecer os Antigos. Infelizmente, este olhar mais aprofundado sobre outros territórios traz novas perguntas e mais desejo da parte do leitor de saber mais.

Achei que todos os pontos da intriga foram bem explorados neste segundo volume. Temos diversos focos, como a guerra entre os territórios vizinhos dos Seis Ducados, uma possível aliança com as Ilhas Externas e uma promessa de mais poder e segredos antigos. Sabemos mais sobre as origens do Bobo e sobre uma adversária temível, que parece estar a conspirar contra ele e a tentar destruir o futuro que o Bobo vê como "sustentável". E o melhor? Estes dois oponentes têm as mesmas características e poderes e o leitor não sabe, até agora, qual deles está "correto".

O sistema de magia, já intrincado, fica cada vez mais complexo, ganha novas nuances, torna-se ainda mais fascinante.

Para quem gosta de intrigas palacianas e políticas com muita magia à mistura, não pode, de todo, deixar de ler estes livros de Robin Hobb. Estou agora impacientemente à espera do último volume, que encomendei em inglês, para ver como a autora vai "atar" todas as pontas desta história.

No geral, um livro que nos prende do princípio ao fim com a sua escrita envolvente, o seu ritmo ao mesmo tempo propício ao detalhe, mas nunca aborrecido, as suas personagens intrigantes e o seu mundo complexo e misterioso que nos faz querer saber cada vez mais.

26 abril 2014

Opinião: O Regresso do Assassino (Robin Hobb)

O Regresso do Assassino by Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência (2011)
Formato: Capa mole | 565 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição: "Ele é um bastardo com sangue real.
Ele é um assassino com poderes malditos.
Ele é a única esperança para um reino caído em desgraça.
Atreva-se a entrar num mundo de perfídia e traição que George R. R. Martin apelidou de "genial". Atreva-se a acompanhar um herói que a crítica considerou "único". O Regresso do Assassino é o regresso da grande fantasia épica. Se está à espera de mais do mesmo, este livro não é para si. Caso contrário... bem-vindo a uma aventura que nunca irá esquecer!"
Foi com alguma trepidação que iniciei a leitura desta continuação da Saga do Assassino. A primeira trilogia (divida em 5 volumes em Portugal) foi tão... épica, deixou-me com tanta sede de saber mais sobre o mundo que temi ficar desapontada com esta nova oferenda sobre Fitz. E fiquei, de certo modo... porque mesmo após mais de 500 páginas, continuo com imensas perguntas. E com uma vontade igualmente feroz de saber mais.

FitzCavalaria, o bastardo Manhoso vive em relativa paz há 15 anos. Adotou um jovem órfão chamado (A)Zar e ambos vivem da caça e do pouco que a terra lhes pode oferecer. Fitz usa agora o nome Tomé Texugo e é, para todos os efeitos um cidadão comum dos Seis Ducados. No entanto, sendo Fitz quem é, atrai novos pedidos de ajuda de Breu e do Bobo. Os Visionário, a linhagem reinante dos Seis Ducados, está ameaçada por forças externas, por uma mulher que se considera a verdadeira Profeta Branca. Por isso Fitz vai ver-se de novo envolvido nas intrigas da corte, com o seu amigo Bobo e com Olhos-de-Noite.

Esta leitura foi... intensa. Ao início custou-me a entrar na mesma porque as primeiras 120 páginas foram algo lentas e melancólicas à medida que Fitz revive os últimos 15 anos e tudo o que se passou. Mas, assim que Fitz abandona a sua cabana com o seu fiel lobo e submerge novamente na corte de Torre de Cervo, o livro torna-se de leitura tão compulsiva que tive de me forçar a parar, por vezes. A narrativa em primeira pessoa reforça ainda mais nesta nova trilogia, a ligação do leitor com Fitz.

Neste volume, a magia da Manha é uma parte central do enredo e a ameaça que cai sobre os Seis Ducados. É ao mesmo tempo o problema e a solução e por isso este livro está cheio da magia do Sangue Antigo e da sua beleza selvagem, dos costumes dos que a possuem e das possíveis formas de a perverter. Como tal, temos mais informações sobre os Sangue Antigo e a sua magia, o que me agradou porque era um dos aspetos acerca dos quais tinha alguma curiosidade. E a narrativa sugere que há mais por detrás do que se está a passar, algo que pode ajudar a esclarecer algumas das pontas soltas da última trilogia.

Foi também interessante ler sobre as mudanças em Torre de Cervo e operadas nas personagens que conhecemos em livros anteriores.

No geral, um ótimo começo para uma nova trilogia passada nos Seis Ducados e imprescindível para os fãs da série.

10 abril 2014

Opinião: A Demanda do Visionário (Robin Hobb)

A Demanda do Visionário by Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência (2010)
Formato: Capa mole | 476 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição: "O verdadeiro rei dos Seis Ducados desapareceu numa missão misteriosa em busca dos Antigos para salvar o reino da ameaça dos Navios Vermelhos. O seu irmão usurpador está determinado a impor uma tirania cruel e não abrirá mão do poder, a não ser com a própria morte.
Fitz sabe que a única forma de por fim ao reinado do príncipe usurpador é iniciar uma demanda em direção ao reino das Montanhas onde irá descobrir a verdade sobre as profecias do Bobo. Mas a sua missão enfrenta um novo perigo com a magia do Talento a precipitar a sua alma para a beira do abismo.
Conseguirá resistir à magia e ainda enfrentar os obstáculos que surgem à sua demanda?"
Aviso: SPOILERS
E acabou. A espetacular e épica saga de Fitz, o bastardo de Cavalaria e o assassino do Rei terminou. E terminou em grande (de certa forma), mas também de forma desapontante (nalguns aspetos).

Vamos dividir isto por partes.

O que gostei
1. A Demanda: sendo uma continuação direta do livro anterior, A Vingança do Assassino, este último volume continua a focar-se na longa viagem de Fitz, Panela e seus companheiros para terras há muito não exploradas. Aí, encontram maravilhas da magia e do mito.

Esta parte agradou-me. Ok, as intrigas ficaram nos livros anteriores e este, tal como já tinham ficado no volume anterior, tem mais a estrutura de um livro fantástico tradicional, com uma viagem de um grupo de guerreiros e pessoas corajosas que andam em busca de algo, mas gostei de obter finalmente respostas para tantas das perguntas que se levantaram durante a leitura: Quem são os Antigos? Porque é que os Navios Vermelhos atacaram os Seis Ducados? E qual é a relação disto com a Manha.

A autora presenteou-nos com terras de encantar, com postes mágicos, estradas mágicas, tudo mágico e tão estranho que quase atirei o livro à parede de frustração pelo facto de os nossos heróis não ficarem ali, a explorar, a tentar saber mais sobre o declínio daqueles povos que aparentemente viviam de magia.

2. As personagens: sempre as personagens. A amizade entre o Bobo e Fitz foi bastante bem explorada neste volume o que me agradou pois embora ambos sejam os protagonistas, não tinha ainda vislumbrado uma verdadeira ligação entre eles. Panela, cujos segredos são bastante óbvios quase desde o início, foi mesmo assim uma personagem interessante. E claro, Kettricken, uma heroína subtil mas que está lá, um apoio corajoso e um verdadeiro Sacrifício.

Já não gostei tanto foi de Veracidade. Pareceu-me apagado neste livro. E Fitz conseguiu ser um bocado burrito. Olhos-de-Noite continua a merecer menção como a personagem mais sábia e fofa dos livros.

3. O Desfecho: foi satisfatório. Não ficaram pontas por atar relativamente a esta história em particular.

4. A Magia: a Manha foi algo muito bem pensado. Assim como o Talento, porque não se trata apenas de controlo mental é algo mais subtil, mais lato, algo de que se podem construir estradas.

O que poderia ter sido melhor
1. Os Vilões: porque ofereceram pouca luta e mesmo com justificações para as suas ações pareceram-me simplistas.

Os Navios Vermelhos, a cultura de vingança dos Ilhéus e a forma como os Forjados são "feitos" foi uma das maiores desilusões que tive na série. A autora dá uma explicação apressada sobre estes elementos, mas os Ilhéus mereciam mais. A magia do forjamento merecia mais.

2. A Magia: se foi uma das coisas de que gostei, também foi uma das coisas que me frustrou. Tanto por explicar! O que é, na realidade, o Talento? Tem de ser mais do que controlo da mente, porque a autora assim o diz, mas não nos explica como.

Quem criou os dragões? Foram os Antigos? Os Deuses? São os dragões os Antigos ou não?

3. O Desfecho: Algo apressado. Passou-se pouco tempo a explorar a origem ou natureza dos dragões. Os vilões foram destruídos de forma demasiado sumária. E Robin Hobb, desenvolva o seu mundo! Eu tenho de saber mais sobre os aspetos descritos acima: sobre as motivações dos Ilhéus, sobre a magia do Talento e da Manha e como tudo isso está relacionado com os Antigos!

No fundo foi este o aspeto que mais me desiludiu na saga. A autora foca-se tanto no enredo específico, na personagens de Fitz e do Bobo que apenas refere os elementos do seu mundo quando se relacionam com eles. E assim fica tanta coisa por explicar.

No geral, fiquei um pouco desiludida em algumas partes mas mesmo assim achei este livro fantástico! Esta é sem dúvida uma saga de leitura compulsiva, com um mundo interessante e personagens com todos os traços dos típicos heróis épicos mas também com os defeitos e as fragilidades humanas. Sem dúvida que lerei mais desta autora.

30 março 2014

Opinião: A Vingança do Assassino (Robin Hobb)

A Vingança do Assassino by Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência (2010)
Formato: Capa mole | 441 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição (GR): "FitzCavalaria renasce dos mortos graças à magia desprezada da Manha, mas a sua fuga das garras da morte deixou-o mais selvagem do que humano. Os seus velhos amigos têm que ensiná-lo a ser um homem de novo, e depois deixá-lo escolher o seu próprio destino. Incapaz de esquecer a tortura a que foi submetido às mãos do príncipe usurpador, Fitz planeia vingança enquanto recupera a sua alma e sanidade. Até ao momento em que o seu verdadeiro rei o chama para o servir numa missão misteriosa com consequências inimagináveis. Numa terra arruinada pela ganância e crueldade onde Fitz se tornou uma lenda temida, ele fará tudo para restaurar a verdadeira regência nos Seis Ducados. Mas primeiro terá que escapar dos seus inimigos que lhe movem uma perseguição sem quartel…"
AVISO: Spoilers (mínimos).
"A Vingança do Assassino" é o quarto livro da série "A Saga do Assassino" e corresponde (se não estou em erro) à primeira metade do terceiro livro da trilogia original (cujo título é "The Assassin's Quest"). Penso que o principal problema aqui é que o título é um bocado enganador... uma pessoa lê "A Vingança" e pensa logo que o nosso herói, Fitz, vai andar por aí a utilizar as suas habilidades como assassino para se vingar do rei traidor Majestoso e dos seus pérfidos (mwahahah) seguidores.

O que de facto acontece, pouco ou nada tem a ver com isto. Por isso, creio que o título original faz mais sentido ("A Demanda do Assassino" - eu sei, eu sei, esse é o título do último, mas pronto). Este quarto livro é mais introspetivo e apoia-se mais no clássico enredo dos livros de fantasia: a viagem, a demanda em busca de algo. É um livro mais parado, com poucos momentos de ação onde Fitz vai modelando a sua personalidade, descobrindo quem é, lutando contra os seus impulsos (de criança) de simplesmente se atirar contra os seus inimigos estilo Kamikaze e, em vez disso, pensa mais a longo prazo.

No fundo, este livro foca-se mais no desenvolvimento das personagens principais (menos o Bobo, que está notoriamente ausente... snif), no crescimento do Fitz e de Olhos-de-Noite, no seu amadurecimento e na diversificação das suas experiências.

O vilão, Majestoso, continua a ser bastante simplista e na sua construção, dando a ideia de não passar de um rapazinho mimado (pensem no Joffrey Baratheon, mas adulto e mais sedutor em companhia) e não consigo perceber Vontade e os seus colegas de círculo muito bem, pelo que os considero igualmente simplistas apesar de autora sugerir que há mais por detrás da sua lealdade aparentemente cega a Majestoso. Este é um dos pontos fracos desta série: as motivações dos "vilões" nunca são claramente explicadas; nem sequer nos é dito que são assim porque são pura e simplesmente ambiciosos. Os vilões são vilões porque... são vilões e o seu objetivo é criar conflito para que os heróis da trama possam brilhar. Not cool.

Neste livro, descobrimos também um pouco sobre a Manha e conhecemos outras pessoas que a utilizam. Ficamos a perceber um pouco melhor a relação entre Fitz e Olhos-de-Noite, o laço que os une e como esta capacidade, esta magia, é vista com desconfiança e medo enquanto o Talento (que me parece no fundo, mais invasivo e perigoso) é visto como um poder nobre. A força das perceções é descrita muito claramente neste livro.

No geral, mais uma excelente adição à série. Este livro segue o esquema mais comum do livro de fantasia épica, com a "demanda", a "busca" de Fitz, tanto por um lugar onde pertença como pelo seu rei Veracidade. É um livro de ligação, que estabelece fortemente a personalidade dos protagonistas, Fitz e Olhos-da-Noite e prepara tudo para uma conclusão que se adivinha épica. Não tem tanta ação como os outros livros mas gostei.

25 março 2014

Opinião: A Corte dos Traidores (Robin Hobb)

A Corte dos Traidores by Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência (2009)
Formato: Capa mole | 348 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição (GR): "Os Seis Ducados estão mais vulneráveis do que nunca. Enquanto o príncipe herdeiro combate os Navios Vermelhos com a sua frota e a força do seu Talento, o rei Sagaz enfraquece a cada dia com uma misteriosa doença e bandos de Forjados dirigem-se para Torre do Cervo matando todos pelo caminho.
Mais uma vez, Fitz é chamado para servir como assassino real. Mas o jovem esconde outro segredo: ninguém pode saber que formou um vínculo com um jovem lobo através da magia proibida da Manha e, se for descoberto, arrisca-se a uma sentença de morte.
Quando o príncipe herdeiro embarca numa perigosa missão para pôr fim à ameaça dos Navios Vermelhos, a corte é entregue nas mãos do príncipe Majestoso que tem os seus próprios planos maquiavélicos para o reino. Cabe ao jovem bastardo proteger o verdadeiro rei numa corte prestes a revelar a face dos traidores num clímax memorável."
Neste terceiro volume de A Saga do Assassino, Fitz e o rei expectante Veracidade têm de lutar não apenas contra os misteriosos Navios Vermelhos mas contra as intrigas de Majestoso que de uma forma nada subtil vai tentando aproximar-se cada vez mais do trono.

A segunda metade do segundo volume de The Farsee Trilogy traz-nos de volta a Torre do Cervo. Fitz está agora completamente enredado nas intrigas da corte, que incluem as maquinações de Majestoso. Gostei ainda mais (se possível) deste volume, que se centrou nas já referidas intrigas. Apesar das mesmas serem algo óbvias e de quase todos aqueles que eu esperava se terem revelado "vilões", gostei de ler sobre o jogo de danças e contradanças entre os partidários de Veracidade e de Sagaz e os de Majestoso.

Fitz ganha lentamente protagonismo na sua própria série, afirmando cada vez mais a sua personalidade e lealdade a certos conceitos que lhe foram incutidos por Castro em livros anteriores. Como a narrativa é na primeira pessoa conseguimos ver todos os passos da evolução de Fitz, os seus pensamentos, os seus medos e as suas esperanças.

É também neste terceiro volume que a magia de Fitz (a Manha) se vai desenvolver mais e que ele dá mais alguns passos relativamente ao Talento. Devo dizer que gostei bastante de obter mais informações sobre estes tipos de magia.

Tal como desejava no volume anterior, Kettricken teve um papel mais ativo na narrativa, o que foi bastante bom, uma vez que ela continua a ser uma personagem muito interessante. Quanto ao Bobo, teve um papel mais secundário neste livro e devo dizer que pensei que foi um bocado irritante apesar de continuar com curiosidade acerca das suas capacidades.

O final foi... previsível nalguns aspetos, imprevisível noutros.

No geral, uma obra de leitura compulsiva que apresenta um soberbo desenvolvimento das personagens e um enredo mais intrincado e interessante do que os livros anteriores. Estou com bastante curiosidade relativamente aos Antigos e aos Navios Vermelhos, que ainda não foram explorados pela autora. Fantasia no seu melhor.

Nota sobre a tradução: Devo dizer que as traduções destes livros me agradaram em geral. Por vezes dou com termos completamente estranhos nas traduções, mas estas fluem bastante bem, o que é uma agradável surpresa.

20 março 2014

Opinião: O Punhal do Soberano (Robin Hobb)

O Punhal do Soberano by Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência (2009)
Formato: Capa mole | 364 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição (GR): "Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo, enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais, que deve manter em segredo a todo o custo. Enquanto recupera, o reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o rei Sagaz não viverá por muito mais tempo. Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?"
"O Punhal do Soberano" constitui a primeira parte do segundo volume da série The Farsee Trilogy.

Depois de mal sobreviver aos acontecimentos no Reino da Montanha, Fitz, filho bastardo do príncipe Cavalaria regressa aos Seis Ducados para servir o seu rei. Mas depara-se com um reino mudado: Moli, o seu amor de infância desapareceu, o rei Sagaz está doente e a rainha expectante, Kettricken, definha confinada a uma cultura diferente daquela a que está habituada. Majestoso recuperou o seu lugar na corte, apesar das suas intrigas, o Bobo continua tão misterioso como sempre e a ameaça dos Navios Vermelhos paira sobre Torre do Cervo.

Se o primeiro livro foi na sua generalidade um livro de introdução, em que assistimos ao crescimento de Fitz desde a infância, à formação de relacionamentos e amizades e ao seu treino como assassino, em "O Punhal do Soberano" temos um Fitz à beira da vida adulta (apesar de ser um bocado obtuso, coitado) que começa a ver-se envolvido muito mais ativamente nas tramas da corte.

Foi exatamente por isso que este livro me agradou mais do que o primeiro. No primeiro livro tudo me pareceu um bocado juvenil e inconsequente; neste, Fitz começa aos poucos a participar na vida do rei e do herdeiro e a ter um papel protetor muito mais vincado.

Mais uma vez, foram as personagens o ponto forte deste livro. Gostei imenso de Kettricken, a esposa de Veracidade, apesar de ter achado que a autora podia ter feito muito mais com ela (e se calhar ainda fará, quem sabe); comparativamente a Veracidade, ela é bem mais carismática e interessante de seguir. Tenho pena que Hobb não tenha explorado algumas das personagens interessantes que compõem o rol desta série, como Paciência e a sua aia. Fitz, apesar de não ser uma personagem irritante, per se é demasiado "Gary Stu" (ou seja especial, com super poderes que mais ninguém tem) para o meu gosto e ainda não se afirmou decisivamente como protagonista.

Gostei bastante de Veracidade neste livro, achei que está a dar mostras de ser uma personagem interessante. E, claro, o Bobo é genial.

Também gostei do facto de a autora nos ter dado mais informações sobre o Talento, a Manha e o processo de Forjamento. Gosto do facto deste mundo ter magia mas esta ser subtil e não composta de feitiços e bolas de fogo, apesar de não ser subtil o suficiente para quase não ter um papel na história (eu cá gosto da minha fantasia com magia, o que querem?).

Esta é uma série que começou bem e tem potencial para se tornar ainda melhor. Estou com imensa curiosidade sobre os Ilhéus, sobre os Antigos e sobre o destino de todas as personagens que Hobb nos deu a conhecer. Uma série a não perder para quem gosta de fantasia.

07 março 2014

Opinião: Aprendiz de Assassino (Robin Hobb)

Aprendiz de Assassino by Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência (2009)
Formato: Capa mole | 382 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição (GR): "O jovem Fitz é filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e cresce na corte do Rei Sagaz. Marginalizado por todos, o rapaz refugia-se nos estábulos reais, mas cedo o seu sangue revela o Talento mágico e, por ordens do rei, é secretamente iniciado nas temidas artes do assassino. Quando salteadores bárbaros atacam as costas, Fitz enfrenta a sua primeira e perigosa missão que o lançará num ninho de intrigas. E embora alguns o encarem como uma ameaça ao trono, talvez ele seja a chave para a sobrevivência do reino. Com uma narrativa povoada de encantamentos, heroísmo e desonra, paixão e aventura, o Aprendiz de Assassino inicia um das séries mais bem-amadas da fantasia épica."
"Aprendiz de Assassino" é o primeiro livro da Saga do Assassino (The Farsee Trilogy), que se centra na personagem (ou pelo menos o primeiro livro fá-lo) de FitzCavalaria, o filho bastardo do príncipe herdeiro dos Seis Ducados, Cavalaria. Filho de um príncipe cuja integridade é considerada ao extremo pelo povo, Fitz sofre o estigma de ser um filho bastardo e de ter, de certa forma, contribuído para a queda moral do pai.

A ação desenvolve-se num mundo "fantástico" bastante genérico, por agora. Temos os Seis Ducados, que estão constituídos mais ou menos como um mundo medieval feudal, umas ilhas cheias de piratas e o povo da montanha, que tem costumes vagamente asiáticos. Temos o habitual panteão de deuses e divindades mais ou menos presentes (neste caso, menos, até agora) e uma mitologia algo confusa que envolve Anciãos e uma linhagem de pessoas que possui um "Talento". Até aqui, nada de especial, certo?

O ponto forte são as personagens. Fitz é um rapaz sossegado e intrigante, mas para já não se evidencia muito. Personagens como Breu, a Dama Timo (eh), Paciência, o Bobo, Castro e mesmo os cães Ferreirinho e Narigudo, dão cor a este mundo que por enquanto não parece ter nada que o distinga de tantos outros reinos de fantasia.

O Bobo é uma das personagens mais enigmáticas, tanto pela sua aparência "diferente" (não dá bem para termos uma ideia, mas percebe-se que é diferente) como pela sua forma de falar e pelo mistério que o rodeia. Misteriosos são também os vilões deste livro, os Ilhéus que pilotam os Navios Vermelhos e transformam os seus reféns em pessoas sem alma.

Este volume começa com a infância de Fitz, como descobre a sua identidade e como é acolhido pelo Mestre dos estábulos, o Castro. E como depois é treinado nas artes do assassínio (aqui achei que a autora podia ter dado mais pormenor; a descrição do treino de Fitz é um pouco vaga). Tem, pois, um começo algo lento. As primeiras páginas não contêm acontecimentos de monta, fala-se apenas da infância semi-despreocupada de Fitz, da sua amizade com Castro e Narigudo e da descoberta do seu talento para a "Manha". Mas quando conhecemos Breu, o assassino da corte, tudo muda. A narrativa ganha vida, Fitz vai crescendo e vivendo e nós com ele.

Fiquei um bocado desapontada por nunca sabermos exatamente o que é o "Talento". Hobb parece deixar muito à imaginação dos leitores, dando muito pouca descrição sobre o aspeto das personagens e as características do "Talento" e da "Manha". Tenho esperanças que em livros posteriores ela desenvolva mais estas vertentes.

Em geral, um livro claramente introdutório mas que revela já linhas de ação intrigantes: quem é o Bobo? Quem são os Ilhéus e como conseguem "forjar" as pessoas? O que é na realidade o Talento e qual é a sua relação com a Manha? E qual será o destino de Fitz nos livros posteriores? Posso dizer que é um mundo que gostarei de revisitar. Uma série de fantasia a seguir.