21 Novembro 2014

Opinião: O Palácio de Inverno (Eva Stachniak)

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O Palácio de Inverno de Eva Stachniak
Editora: Casa das Letras (2014)
Formato: Capa mole | 536 páginas
Géneros: Ficção histórica
Sinopse: "Quando Vavara, uma jovem órfã polaca, chega à ofuscante e perigosa corte da imperatriz Isabel em Sampetersburgo, é iniciada em tarefas que vão desde o espreitar pela fechadura até à arte de seduzir, aprendendo, acima de tudo, a ser silenciosa - e a escutar.
Chega, então, da Prússia Sofia, uma frágil princesa herdeira, a potencial noiva do herdeiro da imperatriz. Incumbida de a vigiar, Vavara em breve se torna sua amiga e confidente e ajuda-a a mover-se por entre as ligações ilícitas e as volúveis e traiçoeiras alianças que dominam a corte.
Mas o destino de Sofia é tornar-se a ilustre Catarina, a Grande. Serão as suas ambições mais elevadas e de longo alcance? Será que nada a deterá para conquistar o poder absoluto?" 
O Palácio de Inverno de Eva Stachniak retrata uma época e um país sobre os quais não li assim muito: o século XVIII e a Rússia.

A história foca-se na personagem de Varvara Nikolayevna (ou Barbara, o seu nome “verdadeiro” polaco), uma jovem filha de um encadernador polaco que se muda para a Rússia com a mulher e a filha e consegue obter alguns trabalhos no palácio da Imperatriz Isabel. 

Quando os pais morrem, Varvara é levada para o palácio como órfã protegida da Imperatriz e poderia ter tido uma vida normal a trabalhar no guarda-roupa imperial, se o chanceler da Imperatriz não tivesse reparado nela e começado a treiná-la como espia para a soberana. Varvara aprende a espiar, ouvir às portas, desencantar informações escondidas em escrivaninhas, baús e mesmo no soalho. Mas depois, conhece a jovem Catarina, noiva de Pedro, o herdeiro do trono e forma-se, entre as duas, uma amizade tanto terna como perigosa… pois Catarina tem muitos inimigos na corte, e Varvara é, no fundo, a espia de Sua Majestade.

Este livro está repleto de intriga, traição e tudo o que qualifica um bom livro deste género, que se foca numa corte europeia, cheia de sumptuosidade e liderada por uma mulher aparentemente fútil.

Não sei praticamente nada sobre a história russa deste período, envergonha-me dizer, exceto que Catarina, com o cognome de “a Grande” conduziu a Rússia a uma época dourada de progresso e riqueza. Este livro propõe contar a “(…) implacável ascensão de Catarina, a Grande, vista através dos olhos da jovem espia da imperatriz na Rússia do século XVIII.” mas, na verdade, Catarina, apesar de presente durante grande parte do livro, não é, na minha humilde opinião, nem de perto nem de longe, a personagem principal. 

O livro foca-se mais na imperatriz reinante, Isabel e na amizade entre Varvara e Catarina, mas esta última nunca é retratada como particularmente envolvida na política imperial (exceto quando a envolvem) ou como estando a maquinar algo. Esse conhecimento é-nos dado em retrospetiva, no final do livro: afinal Catarina era mais calculista do que pareceu durante as 500 páginas anteriores; o que faz (ou pelo menos fez, no meu caso) com que Varvara pareça especialmente parvinha, no fundo. Enganada por uma jovem mais nova e não treinada (como ela) nas artes da espionagem.

Este ponto incomodou-me, confesso. De resto, foi uma leitura interessante e envolvente como são a maioria das obras que se centram nas intrigas da corte numa determinada época. Foi muito interessante ver como funcionava a corte russa, como a Rússia se relacionava com o resto da Europa e a mentalidade dos nobres e da corte. Foi bastante intrigante perceber que na Europa Central e de Leste, as monarquias permitiam que as mulheres reinassem como soberanas, enquanto tal não era permitido na maioria das monarquias na Europa do Oeste.

O palácio a cair, a pompa sem sentido, as dívidas da Coroa. Tudo isto me fascinou enquanto amante de História.

No geral uma obra muito interessante do ponto de vista da ficção histórica. Pena que a personagem principal não pareça primar muito pela inteligência e que o enredo não se tenha focado assim muito na “ascensão de Catarina”. 

18 Novembro 2014

Opinião: As Fadas de Edimburgo (Elizabeth May)

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Editora: Planeta (2014)
Formato: Capa mole | 384 páginas
Géneros: Romance hist., Fant. urbana, Lit. Juv./YA, Ficção cient.
Sinopse: "Lady Aileana Kameron, a única filha do marquês de Douglas, estava destinada a uma vida cuidadosamente planeada em torno dos encontros sociais de Edimburgo - até ao dia em que uma fada assassina a sua mãe. Está determinada a encontrar a fada que lhe matou a mãe e, pelo caminho, vai destruindo todas aquelas que se alimentam dos humanos nas muitas ruelas escuras da cidade. O equilíbrio entre as exigências da alta sociedade e a sua guerra privada é, porém, delicado e, quando um exército de fadas ameaça destruir Edimburgo, ela tem de tomar algumas decisões. O que estará Aileana disposta a sacrificar?"
Já estou sinceramente a ficar farta de escrever opiniões más e “assim-assim”. Ok, eu adoro uma boa sessão de criticismo, especialmente quando o livro não me cativou e/ou chateou mas tudo o que é demais enjoa.

Acho que é esta uma das razões pelas quais não me tem apetecido escrever opiniões. Entre outras, claro, mas esta é importante.

As Fadas de Edimburgo, o primeiro livro de uma nova série “Young Adult” (ou juvenil), é uma mistura de romance histórico e de fantasia urbana. A protagonista, Lady Aileana Kameron é filha de um marquês e depois de uma ocorrência trágica em que a sua mãe morre às mãos de uma fada, Aileana alia-se, não sabemos bem como (nunca nos é explicado) a uma fada chamada Kiaran (um gajo bom e uma fada poderosa) para caçar, todas as noites, fadas malignas como a que matou a sua mãe. Estranhamente, no meio disto tudo, Aileana consegue fazer amizade com um duende (como são chamadas aquelas fadas tipo Sininho neste livro).

Ao mesmo tempo, Aileana tem de manter a sociedade, os seus amigos e o seu pai no escuro acerca das suas atividades.

Ai por onde começar? Talvez pelo conceito. Sim, este livro tem um bom conceito porque a) tem fadas (fae ficaria bem melhor, no entanto), b) steampunk e c) heroína kick-ass!

Mas não resultou porque… a autora falha redondamente tanto na caracterização, como no desenvolvimento do mundo.

Vejamos:
Esta Inglaterra de meados do século XIX parece ter algumas invenções e desenvolvimentos tecnológicos que não existiram realmente. Mas temos alguma razão para isto? Não, não nos é dada qualquer explicação sobre o surgimento de tudo isto. Ok, este é um livro juvenil, mas mesmo assim…

As fadas são seres que se alimentam da energia dos humanos. Mais do que isto, não se sabe. A caracterização destas personagens, tanto enquanto indivíduos como enquanto raça sobrenatural é escassa e a que há, pouco interessante. Porque é que as fadas querem sugar a energia dos humanos? Como eram vistas antigamente? Como estão organizadas? Nada disso se sabe.

Kiaran: é um verdadeiro estereótipo. Diz que não é humano mas comporta-se como tal. Não mostra assim muita emoção, mas isso não o torna diferente dos humanos, apenas um idiota. Não dá para ver como é que passou de ser completamente indiferente a "amar" a protagonista.

Aileana: apesar de ser uma heroína que dá porrada nos mauzões, não gostei particularmente dela. Para já é demasiado perfeita: bonita, rica, sabe construir coisas, etc. E claro que tinha de ser uma "escolhida" super, hiper, mega especial, uma "Falcoeira". Depois é demasiado convencida e antipática.

O romance pareceu-me ter pouco brilho e ser pouco realista. Apesar de Aileana e Kiaran terem “discussões” (nem lhes chamo debates com espírito, porque para isso seria necessário que houvesse conversa espirituosa), nunca senti nenhuma faísca entre os dois.

O enredo está mal desenvolvido, primeiro que tudo porque começamos logo a meio e certas coisas (muitas) não nos são explicadas. As relações entre as personagens já estão estabelecidas e são-nos explicadas através de flashbacks confusos. A história é bastante simplista e pouco interessante no geral.

No geral, uma leitura rápida mas menos intrigante do que previa. Gostaria que a história e as personagens tivessem sido melhor desenvolvidas e que os protagonistas não fossem tão... pouco interessantes.

17 Novembro 2014

It's Monday! What are you reading?

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E cá temos mais uma segunda. Comecei hoje a ler mais um livro de ficção histórica, desta vez centrado em Maria Antonieta.



Quanto a publicações, ando com alguma preguiça para escrever opiniões, parece que não me sai nada.


Rubrica da autoria de The Book Journey.

12 Novembro 2014

Opinião: Um Pequeno Escândalo (Patricia Cabot)

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Um Pequeno Escândalo de Patricia Cabot
Editora: Quinta Essência/Leya (2013)
Formato: Capa mole | 416 páginas
Géneros: Romance histórico
Sinopse: "Quando a bela Kate Mayhew é contratada como dama de companhia de Isabel, a filha obstinada de Burke Traherne, o marquês vê-se numa situação impossível. Dividido entre saber que ela é exatamente aquilo de que Isabel precisa mas, para ele, a pior tentação possível, encontra-se constantemente perto de alguém que ameaça a sua independência. Conhecido pelo seu autodomínio férreo desde o dia em que apanhou a mulher com um amante, Burke jurou nunca mais arriscar-se a casar. Ao aceitar a oferta de emprego de Sua Senhoria, a temperamental Kate enfrenta dois perigos: sua atração irresistível por um homem que abdicou do amor, e um encontro com o seu próprio passado escandaloso... que ela não pode manter secreto para sempre."
Mais uma leitura da autoria de Patricia Cabot.

Sinceramente, gostei mais deste livro do que do anterior (e primeiro) que li dela. As personagens e a história puxaram-me mais, a história pareceu-me mais intrigante e, no geral, achei que foi um livro melhor.

Kate Mayhew trabalha como precetora e dama de companhia mas já houve tempos em que se movimentava na alta sociedade londrina. Um escândalo que lhe destruiu a reputação e matou a família fez com que a jovem deixasse de ter lugar entre os ricos e privilegiados.

Por isso, é com alguma trepidação que Kate entra de novo nesse mundo quando Burke Traherne, um marquês, lhe oferece uma fortuna para tomar conta da sua endiabrada filha de dezassete anos, Isabel. Kate aceita e vai viver algumas peripécias, especialmente porque o aparecimento do homem que Kate julga ter sido o responsável pela sua desgraça e pela morte dos pais reaparece. Mas também porque a sua atração para com Burke vai crescer perigosamente.

Como já referi, uma leitura rápida e envolvente q.b. Estranhamente (não o fiz de propósito), este livro trata, como o anterior, de uma jovem caída em desgraça na sociedade, mas gostei mais da forma como Cabot explorou este tema do que da forma como Hunter o fez.

Achei que Burke e Kate tinham mais química do que as personagens do outro livro que li da autora, mas ainda assim não chegou àquele nível em que me parece que a narrativa, o romance fazem todo o sentido. Cabot não conseguiu ainda que acreditasse no romance, o que não é bom.

Umas das personagens de que mais gostei foi Isabel, a filha de Burke, que achei engraçadíssima. Tenho pena que tenha aparecido tão pouco.

Quanto à história do antigo inimigo de Kate, foi relativamente interessante com o passado misterioso e trágico de Kate e o também passado misterioso e trágico de Burke. Não acrescentou muito ao enredo principal (o romance), mas não foi penosa de se ler.

No geral, uma leitura agradável e rápida, mas não foi o melhor romance histórico que já li. Faltou alguma química entre as personagens e química é o ingrediente vital deste tipo de livros. Mesmo assim melhor do que a obra anterior que li da autora.

10 Novembro 2014

It's Monday! What are you reading?

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Mais uma segunda feira, mais uma leitura. Esta semana, virei-me novamente para os livros Young Adult, mas não sei se sou eu que estou com pouca paciência para eles ou se este é para revirar realmente um bocadito os olhos. Veremos.



Quanto a publicações, sempre tivemos mais do que na semana passada.


Rubrica da autoria de The Book Journey.

09 Novembro 2014

Opinião: Deslumbrante (Madeline Hunter)

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Deslumbrante de Madeline Hunter
Editora: Asa (2013)
Formato: Capa mole | 320 páginas
Géneros: Romance histórico
Sinopse: "Numa época em que a reputação de uma mulher é o seu bem mais precioso, Audrianna desafia todas as convenções. Ela é uma jovem determinada, independente... e disposta a tudo para aniquilar o seu adversário, o altivo Lord Sebastian Sommerhayes. A uni-los está um homem: o pai de Audrianna, que morreu envolto nas malhas de uma conspiração. Para Audrianna, essa tragédia significou o fim da sua inocência. Para Sebastian, que liderou a investigação, foi apenas uma morte merecida. Audrianna jurou limpar o nome do pai, mas nunca esperou sentir um desejo tão avassalador pelo homem que o arrasou. A busca pela verdade vai levá-la demasiado longe numa sociedade que é implacável perante a ousadia feminina. Ao ver-se mergulhada num escândalo que pode ser-lhe fatal, Audrianna tem apenas uma inconcebível opção... Deslumbrante é o primeiro volume da série As Flores Mais Raras." 
Já há algum tempo que não leio um livro de Madeline Hunter, porque o primeiro que li dela não me encantou assim muito. Mas o tempo apaga muita coisa, e sendo Hunter uma autora tão popular entre o público português, decidi que talvez tivesse apenas pegado no livro errado. 

Infelizmente, não foi o caso. 

"Deslumbrante" é o primeiro livro da série "As Flores Mais Raras" e narra a história de Audrianna (que raio de nomes que as pessoas inventam para as suas personagens), uma jovem caída em desgraça (juntamente com a família), após o suicídio do seu pai, que era, aparentemente, um homem corrupto que deixou que pólvora má fosse enviada para a frente de batalha na Guerra Napoleónica. 

Audrianna não acredita que o seu pai seja culpado, claro. É por isso que vai encontrar-se sozinha, com um personagem envolto em mistério, o Dominó, numa estalagem, depois de este último ter posto um anúncio no jornal dizendo que queria falar com o pai de Audrianna (sou só eu que penso que só um grande idiota não se aperceberia de que esta pessoa só pode ter más intenções). Ahem. 

Sebastian, irmão de um marquês e membro da Casa dos Comuns (what?), foi o investigador principal. E também decide ir apanhar o Dominó no ato. Mas depois encontra Audrianna e bam! Dá-lhe um choco, because... reasons. 

E assim começa uma história de traições, pólvora, marqueses feridos na guerra e um homem misterioso (que não é Sebastian). 

Dá ideia que Madeline Hunter não sabe bem o que quer escrever. Se um mistério histórico, se um romance. E como tal, todas as vertentes deste livro sofrem: o mistério é insípido, as personagens são irritantes e o romance é inverosímil. E mais, "(...) reading this translated to Portuguese, was the nail in the coffin... Who hires this people?" (tive mesmo de citar a Susana, porque não consigo encontrar frase mais apta para descrever o que senti ao ler isto em português. A prosa... parece ter sido alvo de alguma mutilação neste livro, as cenas de sexo eram a coisa mais confusa que já li. Não me lembro de Madeline Hunter as escrever assim. 

Algumas das personagens secundárias pareceram-me interessantes (as amigas de Audrianna, por exemplo e mesmo o marquês), mas as principais foram extremamente aborrecidas e o "insta-love" não ajudou. Acho que é bastante triste quando as personagens secundárias nos interessam mais do que as principais. Entre os protagonistas não havia qualquer química que pudesse interessar o leitor (ou esta leitora, pelo menos); e muito menos houve qualquer desenvolvimento das personagens. 

Enfim, por tudo isto tenho a dizer que, no geral, esta leitura ficou aquém das expectativas. E podia dizer mais, mas sinceramente não me apetece dizer mais sobre um livro do qual não gostei assim tanto como isso.


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