23 fevereiro 2015

Opinião: A Estátua Assassina (Louise Penny)

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Editora: Relógio D'Água (2014)
Formato: Capa mole  |  312 páginas
Géneros: Mistério/Thriller

Nunca tinha ouvido falar desta autora ou dos seus livros, mas quando li a sinopse deste, lembrei-me das histórias da Agatha Christie e achei que seria uma boa leitura para quando me apetecesse um "mistério à moda antiga", com dedução e trabalho de investigação ao invés de autópsias e testes de ADN.

E foi, mais ou menos, o que consegui.

O inspetor Gamache e a mulher vão passar uns merecidos dias numa estância de luxo, a Manoir Bellechasse. Juntamente com eles, a família Morrow ocupa o chalé e parece haver algumas tensões entre os membros. Quando uma estátua comemorativa cai em cima de uma das Morrow, o inspetor tem de interromper as suas férias para investigar.

Foi uma leitura agradável, mas não tão intrincada ou explorativa como eu pensava que ia ser. O inspetor Gamache não se revelou um homem surpreendente, qual Poirot e os seus ajudantes muito menos. Não consegui achar piada a qualquer das personagens e, não adivinhei, de todo, quem era o culpado. No entanto, penso que isso se deveu ao facto de a autora não nos dar pistas e da investigação não ter seguido um fio condutor particularmente lógico, que nos pudesse dar a nós, leitores, esse "foreshadowing" necessário para podermos fazer as nossas próprias deduções.

No geral, um mistério bastante brando e pouco entusiasmante. Foi uma leitura rápida e medianamente interessante, mas não me inspirou para ler mais livros da autora.

20 fevereiro 2015

Opinião: The Becoming (Jeanne C. Stein)

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Editora: Ace (2006)
Formato: Capa mole/bolso | 293 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Mais uma opinião que tive de arrancar a ferros à minha preguicite. Estou bastante atrasada com a escrita de "reviews" para os livros que li este ano; muitos podem mesmo chegar a não ter qualquer opinião escrita, quer porque já os li há algum tempo, quer porque... bem, não me apetece muito escrevê-las, é mais isso.

Mas voltando a este livro. Li "The Becoming" pela primeira vez há já bastante tempo, quando ainda era nova no mundo da fantasia urbana. Lembrava-me vagamente de ter gostado do livro e deve ter sido por isso que andei a comprar os restantes volumes da série que comecei, finalmente, a ler devido à minha resolução de começar a ler os livros que tenho nas estantes.

Anna Strong é uma caçadora de recompensas. Este trabalho não é a primeira escolha dos pais, mas Anna gosta do que faz e é boa profissional. 

Mas tudo muda quando a pessoa que persegue a ataca e viola. Anna em breve percebe que algo está a mudar dentro de si.

Este livro é irritante por uma razão muito simples: a violação é tratada de forma leve e como se não tivesse importância. Oh, os amigos de Anna ficam preocupados, mas como a Anna em si é uma durona, depressa se recompõe e depois quando percebe que é vampira e que o sexo entre vampiros é 5 estrelas, tipo sempre, nem se lembra mais nisso. A autora conseguiu reduzir uma experiência traumática a... nada, e ainda parece sugerir que não fez mal, porque o violador era um vampiro e a Anna sentiu prazer. I mean, what?

Mas, pondo isso de lado (eu sei, é dificil!), "The Becoming" foi uma leitura bastante... meh. A história, as personagens e o mundo não são propriamente originais e apenas a escrita torna este livro de leitura compulsiva.

Não gostei particularmente da Anna, que é uma heroína de fantasia urbana na tradição da típica durona-e-eu-é-que-sei-e-vocês-são-todos-parvos, que mesmo assim consegue ter amigos e pessoas que se preocupam. Também não achei piada a que a Anna saltar logo para a cama do vampiro bonzão e nem pensar no namorado. 

Enfim, este livro é daquele tipo de livros que têm montes de pequenas coisas que nos irritam solenemente, mas que por alguma razão não conseguimos deixar de ler. E depois, lemos o segundo. E o terceiro. 

No geral, uma fantasia urbana sem pingo de originalidade e com personagens algo irritantes. Mas li-o todinho. Go figure.  

18 fevereiro 2015

Opinião: Carmilla (Joseph Sheridan Le Fanu)

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Editora: Quadra (2010)
Formato: Capa mole | 152 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Conto

(A edição original está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa).
Numa altura em que estava a pender para as histórias de vampiros, decidi ler este pequeno conto clássico que, diz-se, inspirou a obra de Bram Stoker, "Drácula".

"Carmilla" (publicado pela primeira vez em 1871) surpreendeu-me pela positiva. É um conto de leitura rápida, mas não deixa de impressionar, não tanto pela história em si, que é bastante irregular e cujo desfecho é bastante desapontante (a heroína não tem um papel assim muito ativo, a não ser como narradora; é uma personagem de fora que traz todos os elementos necessários à resolução do mistério), mas pela mitologia e pela atmosfera gótica e atmosférica que Le Fanu consegue criar em poucas páginas. E Carmilla impressiona também, pela sua... diferença.

Laura, a protagonista, vive num castelo isolado apenas com o pai e com os criados. Por isso, não é surpreendente que se sinta contente quando uma misteriosa jovem, de nome Carmilla, tem de ficar no seu castelo após um acidente de carruagem. Carmilla é amável, bela e parece querer ser genuinamente amiga de Laura. Mas se Laura gosta, no geral, desta jovem, algumas das suas atitudes causam-lhe surpresa e mesmo alguma repulsa. E Laura não sabe bem porquê. Mas um velho amigo de família sabe-o e Laura e o pai percebem que Carmilla é muito mais do que pensavam.

Tive bastante pena que Carmilla fosse apenas um conto. É que mesmo como conto é tão incrivelmente atmosférico (à boa maneira vitoriana), tão subtilmente assustador que nos provoca mais arrepios do que as cenas explícitas de carnificina que por vezes nos são apresentadas em livros mais recentes. Gostei da forma como o vampiro é aqui descrito e apresentado, da forma como, mais do que um ser corpóreo, por vezes, parece quase um espírito, que pode atravessar paredes e aparecer e desaparecer quando quer. De como é uma manifestação daqueles medos que vemos, quase sempre, pelo canto do olho.

A natureza obsessiva de Carmilla foi outro toque de génio, que mostra eficazmente como ela já não é humana.

No geral, achei que Carmilla é um pequeno conto muito bem conseguido. Certamente que os protagonistas não têm um papel particularmente ativo, não contribuem grandemente para a resolução dos problemas, mas o foco da narrativa não é bem esse, penso eu. É, sim, a construção de uma história sobre um ser ao mesmo tempo arrepiante e psicopático, mas ainda com alguma beleza. Gostei (mas dei-lhe três estrelas porque queria mesmo que fosse maior).

Este livro pode ser descarregado gratuitamente na página do Projeto Gutenberg (e-book em inglês).

09 fevereiro 2015

It's Monday! What are you reading?

1 comentário :
Mais uma segunda-feira. Já há algum tempo que ando a ler "O Primeiro Homem de Roma" de Colleen McCullough para a primeira (ou "a", não sei) Leitura conjunta deste ano com a Whitelady. Está a ser uma leitura interessante, porque a autora fez imensa pesquisa sobre o modo de vida e a política republicana de Roma da Antiguidade, mas penso que a escrita se perde um pouco, por vezes. Mas estou a gostar!

The First Man in Rome de Colleen McCullough 

Quanto a opiniões, tenho andado com preguiça, mas eis o que escrevi na semana passada:


Rubrica da autoria de The Book Journey.

08 fevereiro 2015

Opinião: Ill Wind (Rachel Caine)

1 comentário :

Editora: Roc (2003)
Formato: Capa mole/bolso | 337 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Cá temos mais uma leitura de janeiro, sobre a qual ainda não escrevi uma opinião, devido, principalmente porque me deu um ataque agudo de preguicite e não me apeteceu mesmo andar a escrever reviews.

Já não é o primeiro livro que leio da autora norte-americana Rachel Caine. Um dos maiores problemas que tenho tido com os seus livros é que são, para falar bem e depressa "muita parra e pouca uva", ou seja, cada livro acaba por ser mais um "conto" do que outra coisa e, para além disso, há sempre um "to be continued" no final.

Os seus livros pecam muito pela falta de desenvolvimento do mundo, do sistema de magia (todos os livros que li são fantasia urbana) e mesmo das personagens. São mais livros de ação non-stop, com pouco mais do que isso.

"Ill Wind" não é assim muito diferente. A protagonista, Joanne Baldwin, é uma Guardiã do clima (Weather Warden, desculpem mas agora não me ocorre mais nada em termos de tradução). Ou seja, ela consegue controlar os elementos da água e do ar e, consequentemente, é uma espécie de Storm (referência aos X-men, aqui). Acontece que, aparentemente, o planeta Terra não é assim tão bom para os seres humanos viverem como estes pensam e é por isso que existe o Conselho dos Guardiões, uma instituição secreta onde pessoas que controlam os elementos tentam... controlar os elementos, de forma a minorar a ação da Mãe Natureza na vida e sociedade humanas.

Mas não é sobre isso que se foca o livro. Foca-se em Joanne e o livro abre com ela em fuga do Conselho por ter morto um dos seus oficiais mais proeminentes. O porquê vai sendo desvendado em múltiplos "flashbacks" (onde também nos é dada a conhecer a existência dos Guardiões e a sua missão).

Basicamente, o livro relata a fuga de Joanne, que quer encontrar o seu amigo (e, aparentemente, antigo amante), Lewis, o Guardião mais poderoso do mundo, que controla os quatro elementos. 

A história não tem muito que se diga. Fez-me lembrar um pouco o "Sobrenatural", com os carros vintage, a fuga desesperada e tudo o mais. Como disse anteriormente, não há assim grande desenvolvimento, porque Joanne nos conta tudo sobre o seu mundo em flashbacks, pelo que não me consegui ligar a ela ou a Lewis e não consegui visualizar a sua antiga ligação romântica. O sistema de magia é "preguiçoso"; muito pouco nos é explicado e os Guardiões parecem conseguir fazer coisas muito complexas com pouco esforço.

A única personagem que me interessou foi David, embora tenha achado que o romance foi também inverosímil.

No geral, uma boa leitura devido à escrita compulsiva e à ação non-stop. Mas não é um livro particularmente bem desenvolvido e se for bem espremido não tem conteúdo suficiente para as páginas que ocupa. Ainda assim, vou continuar com a série e ver no que dá.

04 fevereiro 2015

Curtas: Grave Memory e Nightlife

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Editora: Berkley UK (2012)
Formato: Capa mole | 373 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Neste terceiro livro da série “Alex Price”, a nossa heroína tem de investigar uma série de suicídios que parecem estranhos. Como a polícia não considera suicídios como sendo crimes, terá de ser Alex a perceber o que se passa.

Gostei mais deste livro do que dos seus antecessores. O mistério é mais complexo e interessante, e Alex passa mais tempo a investigar o mesmo, se bem que a resolução e os poderes “super-duper” que alteram alguns dos acontecimentos no livro sejam demasiado “deus ex-machina” para o meu gosto.

No geral, o melhorzito da série, até agora, se bem que o triângulo amoroso e os crescentes poderes “raros” de Alex sejam irritantes.


Editora: Roc (2006)
Formato: Capa mole/bolso | 339 páginas
Géneros: Fantasia Urbana

Cal Leandros está em fuga. Desde que a raça do seu pai o raptou, aos 14 anos, que Cal e Niko (o irmão mais velho) fogem do pai de Cal e dos outros Auphe (que são “elfos”, supostamente… mas que no fundo pouco têm a ver com elfos como os imaginamos porque são sedentos de sangue, violência e têm umas unhas assassinas). Nenhum dos irmãos sabe bem porque é que os Auphe perseguem um meio-sangue mas têm uma vida nómada devido a isto.

Esta é, basicamente, a premissa do primeiro livro da série “Cal Leandros”. Gostei da caracterização das raças sobrenaturais, mas a personalidade de Cal não me agradou particularmente… há já muitas personagens como ele.

Também não ajudou que, durante metade do livro, Cal tenha sido possuído por uma banshee macho (don’t ask) e que o próprio plano dos Auphe que envolvia o Cal não tenha sido assim muito bem explicado.

No geral, uma leitura mediana. Fiquei interessada no mundo, mas nas personagens… nem por isso.