16 dezembro 2014

Opinião: Cold Kiss (Amy Garvey)

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Editora: Harper Teen (2011)
Formato: Capa mole | 292 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA

Ora bem, o que dizer de “Cold Kiss”? Não há muito a dizer, na verdade… foi uma leitura bastante mediana, no geral.

Wren sempre soube que a sua família não era como as outras. A sua mãe fazia luzes brilhar no ar e conseguia manter a lareira acesa durante todo o dia apenas com um magro tronco. Mas é apenas quando o seu namorado Danny morre num acidente, que Wren vai descobrir a verdadeira dimensão dos seus poderes. Desesperada, inventa um feitiço para trazer de volta o seu amado; mas o rapaz que volta tem apenas algumas parecenças com o rapaz que ela amou.

Wren tem de manter Danny em segredo, mas um novo aluno, Gabriel, descobre-o com facilidade, uma vez que pode ler pensamentos e emoções. Com a ajuda de Gabriel, por quem começa a sentir alguma atração, Wren terá de tentar deixar partir verdadeiramente o rapaz que tanto amou… e no processo irá descobrir mais sobre si própria e a estranha energia que faz com que consiga manipular matéria e tantas outras coisas.

Realmente há pouco a dizer. A história está basicamente apresentada acima e não acontece muito mais. O que não teria assim muito mal se as personagens tivessem alguma profundidade. Mas não é o caso. Wren é a habitual heroína torturada, Danny quase não aparece e tem muito pouca personalidade devido à sua… condição e Gabriel é bastante estereotipado.

A autora poderia ter conseguido escrever uma história sobre perda e aceitação bastante boa, se tivesse dado profundidade e desenvolvimento às suas personagens e se não tivesse havido um “amor instantâneo” irritante lá pelo meio.

No geral… foi uma leitura rápida, mas sem grande substância. Tudo é mediano neste livro, desde a história e das personagens à própria escrita. Apesar de não me ter custado propriamente a ler não é um livro que recomende.

15 dezembro 2014

It's Monday! What are you reading?

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Na semana passada não houve "It's Monday! What are you reading?", sinceramente nem sei muito bem porquê. Mas esta semana há e apanham-me a fazer uma releitura de uma série que comecei, andei a saltar livros e depois parei de ler há algum tempo. 

Como até gostei (gosto) da série, decidi reler tudo do início. 

My Soul to Take - Rachel Vincent

E quanto a opiniões, há algumas que vão ser deixadas de fora, porque acho que não vale a pena estar a listar opiniões de semanas passadas, por isso aqui deixo as da semana que passou (como deve ser):

Rubrica da autoria de The Book Journey.

14 dezembro 2014

Opinião: 1984 (George Orwell)

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1984 de George Orwell
Editora: Antígona (2007)
Formato: Capa mole | 314 páginas
Géneros: Distopia, Ficção científica
Sinopse.

Aviso: opinião meio desnorteada e provavelmente pouco popular
(A edição lida está em inglês mas apresentam-se os dados da portuguesa).

Quando terminei a leitura de “1984” de George Orwell, um livro que, devido ao meu gosto por distopias e ficção científica, já queria ler há algum tempo, tive bastante dificuldade em decidir como classificar a obra.

Acabei por não a classificar. Isto tem muito a ver com a forma como eu e muitas outras pessoas foram educadas; assim como os leitores (alguns deles) olham de lado para quem quase nunca pega num livro e os amantes de séries olham de lado para quem só vê novelas, quando alguém não gosta de um livro considerado pelos críticos como “um clássico”, esse alguém pode sofrer algumas represálias, especialmente se tiver o desplante de criticar o tal livro online. Mas, quando terminei esta obra de Orwell, sabia que tinha duas opções: fingir que tinha achado o livro muito bom, excelente, uma obra-prima e fazer parte desse grupo maioritário; ou ser sincera acerca do livro e das impressões que obtive do mesmo.

E decidi ser sincera. Apesar do que isso me possa custar (provavelmente estarei a fazer uma tempestade num copo de água, mas ei… that’s me).

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro centra-se na personagem de Winston Smith, um homem com 39 anos, de fisionomia indeterminada, que vive, presumivelmente nas Ilhas Britânicas, no que se presume ser o ano de 1984.

A sociedade que Winston conhece tem (assustadoramente), algumas semelhanças com a nossa – no que diz respeito à falta de privacidade, ao papel dos meios de comunicação na formação das opiniões e posições sociais das pessoas, e como a propaganda, e aos meios através dos quais obtemos informações podem modelar a nossa realidade – mas que diverge dramaticamente noutras (pelo menos na minha opinião).
As Ilhas Britânicas foram incorporadas num território mais vasto, a Oceânia, em que impera um regime totalitário agressivo de, aparentemente, pendor comunista. Winston, que trabalha no Ministério da Verdade é um membro do partido e como todos os outros é ferozmente monitorizado, achincalhado e forçado a moldar-se conforme o Partido e o seu líder Grande Irmão (Big Brother) querem.

Isto pode parecer uma contradição, tendo em conta o meu discurso acima, mas gostei da premissa deste livro. Tendo em conta a época em que foi escrito e a mensagem que pretende transmitir, não é possível dizer que “1984” não é uma sátira política extremamente bem conseguida e delineada. Aliás, tão bem delineada é e tão influente é este livro, que muitas das expressões e ideias passaram a integrar o imaginário da nossa sociedade moderna. A que primeiro nos vêm à mente é, claro, a expressão “Big Brother” que é hoje sinónimo de espiolhanço, falta de privacidade e de violação das liberdades civis. E é também um programa de televisão onde observamos os movimentos de pessoas 24 horas por dia… o que é, no fundo, o conceito de fundo da sociedade Orwelliana. Controlo total sobre todos, sempre. O que é assustador e não deixa de ser algo muito possível de concretizar com os meios hoje ao nosso dispor, numa sociedade tão globalizada. Certamente que os governos atuais não o fazem da mesma forma do que o Grande Irmão, mas conseguem-no mesmo assim.

O mais assustador no meio disto tudo é mesmo a forma como é possível manipular a opinião pública e as pessoas através da educação e dos meios de comunicação. A parte em que Orwell descreve o proletariado como interessado apenas em coisas triviais e na lotaria, ao mesmo tempo que ignora a sua própria precariedade social, económica e intelectual, pareceu-me bastante familiar. Certamente que esta não é uma tática nova pois já os romanos utilizavam o “pão e circo” como dispositivo de controlo ideológico das massas; mas a facilidade com que se continua a fazer o mesmo atualmente, mesmo depois dos exemplos do passado, mesmo depois de “1984” é arrepiante.

Assim, este livro tem, certamente, alguma relevância histórica especialmente ao nível político: na altura em que o autor o escreveu (1947-1948) entrava-se na guerra fria e a sua óbvia sátira política integra-se bastante bem na época do pós 2ª guerra/guerra fria. Como crítica aos excessos em que podem cair os regimes (neste caso o socialista, aqui descrito na sua forma mais agressiva e antidemocrática), é um livro importante.

Mas, a nível literário este livro não é propriamente estimulante... é seco, algo chato, cinzento e com pouca vida. E quer esta paisagem desbotada seja ou não propositada (talvez para mostrar como um regime totalitário envenena a vida e a criatividade), torna o livro bastante difícil de ler.

E passamos agora à parte menos agradável. Este livro está escrito de uma forma muito pouco conducente a uma leitura sem percalços. Se até estava a gostar da prosa e de Winston nas primeiras 70 páginas, a partir daí, a escrita tornou-se tão absurdamente evangelizante e teórica que me pareceu que estava a ler um ensaio ou algo do género. O que não é, de todo, o que procuro numa obra de ficção e não era o que procurava em “1984!”.

Confesso, até, que quando Winston começou a ler partes do Livro de Goldstein, comecei eu a ler na diagonal. Porque, senhores, há pessoas que conseguem escrever ensaios, teses e teorias interessantes, mas na minha humilde opinião, Orwell não é uma delas. Foi um suplício para mim terminar este livro mas queria mesmo terminá-lo, porque as ideias são interessantes e algumas delas (não considero a sociedade atual particularmente Orwelliana, apesar de algumas semelhanças… mas alguns podem discordar ou achar que estou a viver numa fantasia) pertinentes. Mas a escrita dificultou mesmo a tarefa. Para mim este livro não está bem escrito porque um livro bem escrito, na minha opinião, é um livro que dá gosto ler, independentemente das ideias nele contidas… e independentemente de se tratar ou não de ficção.

No geral (porque já me estou a alongar), um livro que tem certamente características para ser um clássico porque é uma obra relevante, especialmente para o estudo da política na década de 50 do século XX. Como “aviso” para as gerações futuras, também considero que terá alguma relevância apesar de me parecer que Orwell não parece ter escrito “1984” com essa intenção específica (o regime representado não difere muito dos que já existiam na Europa na época… regimes totalitários, centrados no controlo, por todos os meios, dos seus cidadãos), mas no fundo, sei lá, porque não escrevi o livro. É apenas o que me parece.

O que retirei, sobretudo, deste livro foi que os seres humanos têm uma enorme capacidade de ir até ao extremo para conseguir aquilo que querem; neste caso, poder absoluto sobre a realidade, sobre a vida e sobre as perceções de multidões. E isso é verdadeiramente assustador.  

Mas como dizia, um livro que tem muitas das características de um clássico mas ao qual falta, ao contrário do Grande Irmão, carisma. E que não me convenceu, em termos de história e escrita.


11 dezembro 2014

Opinião: Warbreaker (Brandon Sanderson)

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Warbreaker de Brandon Sanderson
Editora: Gollancz (2012)
Formato: Capa mole | 672 páginas
Géneros: Fantasia
Sinopse.

Aviso: pequenos SPOILERS
O que dizer de Warbreaker? Foi possivelmente o livro que mais me desiludiu de Brandon Sanderson (até agora), o que me fez parar a “Sanderson-fest” que estava a fazer, lendo todos os livros do autor de rajada (a seguir a este ia iniciar a série Stormlight Archive).

Numa terra tropical, existe um reino, Halladren, governado pelo Rei Deus e o seu panteão de Retornados, pessoas que tiveram uma morte heroica e que voltaram como deuses. Os deuses vivem num enclave fechado, em mansões de luxo e são eles que tomam decisões governamentais, ouvem petições e fazem profecias.

Halladren é também uma cidade de magia (o BioChroma), onde feiticeiros denominados “Awakeners” (os que despertam) fazem magia através do Fôlego, algo que todos têm. Cada pessoa tem um Fôlego, mas podem acumular mais para “despertarem” objetos e fazerem funcionar pessoas mortas (que podem ser utilizadas no exército). Quanto mais Fôlegos uma pessoa colecionar, mais feitiços pode fazer mas também melhores serão os seus sentidos.

Não muito longe, em terras montanhosas, situa-se o reino de Idris, formado há 3 séculos pela antiga família imperial de Halladren, depois de terem sido expulsos. Idris é uma terra agreste que considera o estilo de vida de Halladren blasfemo. Mas, para evitar a guerra, o rei de Idris tem de mandar a sua filha, Vivenna, para casar com o Rei Deus.

Siri, a irmã mais nova de Vivenna é, ao contrário da irmã, voluntariosa e rebelde. Nunca ninguém pensaria que seria chamada para uma função importante. Assim, quando o pai troca as voltas a todos, Siri vê-se a caminho de Halladren para casar com o noivo da irmã.

Ao mesmo tempo, fala-se de guerra entre os reinos.

Esta é a história de Vivenna, Siri e de Lightsong, o deus da coragem que não acredita na sua divindade. E, claro, de um rebelde escondido com intenções vagas… rebelde esse que é um mestre na magia do BioChroma e que tem uma espada senciente.

Não consigo precisar bem o que fez com que torcesse o nariz a Warbreaker. Talvez seja o facto de a narrativa me ter parecido algo fragmentada e que se arrastava no tempo sem razão. Algumas partes do livro pareceram-me um pouco supérfluas, para dizer a verdade, muito tempo passado com as ruminações de Vivenna, que me pareceu uma personagem extremamente irritante até quase ao final do livro.

O problema aqui é que as personagens costumam ser um ponto forte dos livros de Sanderson… neste livro; nem por isso. Vivenna é irritante, com a sua mente fechada e a sua parvoíce e apenas se redime um pouco no final; Vasher, que é, supostamente, o herói do livro, mal aparece; e o Rei Deus e Siri poderiam ter sido melhor explorados. A única personagem sobre a qual gostei genuinamente de ler (tirando Nightblood, a espada encantada) foi Lightsong, o deus com dúvidas relativamente ao sistema religioso de Halladren. Gostei imenso desta personagem e de Llarimar o seu sacerdote-chefe. 

O sistema de magia também foi interessante, confesso, mas também não está assim muito desenvolvido. Nunca nos é realmente explicado o que é o BioChroma e como cria os Retornados, por exemplo. 

Achei que ficou muito por explorar neste livro e isso tirou-me um pouco o gosto da leitura, especialmente quando foram gastas tantas páginas em ações mundanas (por exemplo, Vivenna a encontrar-se com malfeitores para tentar sabotar os esforços de guerra de Halladren) e algo aborrecidas.

No geral, uma leitura interessante q.b., mas até agora o livro mais fraco de Sanderson. O mundo deste livro não tem aquela magia que o distingue de tantas outras obras de fantasia épica… confesso também que o facto de haver personagens que são deuses em todos os seus livros começa já a fartar um pouco, apesar da forma inventiva que o autor arranja para os explicar.

Outras obras do autor no blogue:

09 dezembro 2014

Opinião: Elantris (Brandon Sanderson)

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Editora: Gollancz (2011)
Formato: Capa mole | 615 páginas
Géneros: Fantasia

Elantris, a primeira obra do escritor Brandon Sanderson, transporta-nos a mais um mundo repleto de magia e de intrigas políticas e religiosas.

Elantris foi outrora chamada “A cidade dos deuses”. Povoada por seres de pele prateada e cabelo branco capazes das mais incríveis magias, a cidade era o centro do reino de Arelon e os seus habitantes – seres humanos transformados pelo Shaod – eram venerados como deuses.

Mas algo aconteceu e os habitantes de Elantris perderam a sua magia e tornaram-se seres doentes e repulsivos. O povo de Arelon, sempre invejoso dos seus “deuses”, atacou a cidade e uma classe mercantil tomou conta do reino, instalando-se em Kae, uma das cidades que crescera à sombra de Elantris.

Dez anos mais tarde, a princesa Sarene do reino de Teod prepara-se para viajar para Arelon para se casar com o príncipe Raoden, de forma a que ambos os reinos possam fazer frente à expansão do império de Fjordell e da religião Shu-Dereth.

Quando Sarene chega, percebe que se tornou viúva. E que o reino de Arelon corre grande perigo pois um dos padres do Shu-Dereth, uma religião baseada na ambição e na força, tenta converter as massas. E fazer com que estas odeiem os habitantes de Elantris.

Raoden, por sua vez, passou pelo Shaod e foi fechado na cidade decrépita de Elantris. Privados da sua magia pelo estranho acontecimento de dez anos antes, todos os que sofrem o Shaod se tornam mortos-vivos de pele cinzenta e com chagas, sem cabelo e sem forma de curarem as suas feridas. Isto enlouquece a maioria dos novos habitantes de Elantris, mas Raoden está decidido a resistir e a fazer com que estas pessoas tenham uma vida condigna. Pelo caminho, começa a tentar perceber as razões da queda de Elantris.

Elantris foi uma boa leitura, tal como previa. Gostei bastante das personagens e do mundo desenvolvido por Sanderson. Sarene foi uma personagem divertida de conhecer, pois ela tem um temperamento forte e sabe tomar decisões. Raoden é um bocado perfeito demais (aliás ambas as personagens, Raoden e Sarene, o são), mas mesmo assim é impossível não se gostar dele.

Apesar de ter gostado da leitura, é bastante óbvio que Elantris é a primeira obra de Sanderson. O mundo é mais genérico, menos complexo do que o apresentado na trilogia Mistborn – Nascida das Brumas; as personagens são demasiado “coloquiais” por vezes, tendo em conta que se tratam de princesas, príncipes e nobres e o reino de Arelon, as antigas religiões que fazem parte da trama, o sistema de magia e o passado de Elantris podiam ter sido melhor desenvolvidos.

No entanto, este livro tem já aquela qualidade que nos faz querer ler mais e mais para saber qual é afinal o segredo da queda de Elantris. Que acabamos por saber.

No geral, um bom livro de fantasia, que deu gosto ler, mas que precisava de algumas arestas limadas e mais alguma complexidade ao nível do mundo e das personagens.


Outras obras do autor no blogue:

07 dezembro 2014

Opinião: Banished (Sophie Littlefield)

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Editora: Delacorte Books (2010)
Formato: Capa dura | 304 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Lit. YA/Juv.

Depois de alguns livros juvenis de ficção científica, senti necessidade de continuar a ler YA (Young Adult) mas de retirar a ficção científica da equação (talvez porque Inside Out foi um pouco uma desilusão). Por isso (e também para dar mais um golpe na minha pilha massiva de livros “físicos” por ler), escolhi este “Banished” de Sophie Littlefield. Pareceu-me apropriado e pela sinopse pareceu-me também uma história com personagens duras, que vivem em circunstâncias pouco usuais (devo dizer que o facto de a avó da personagem principal ser traficante também ajudou).

Infelizmente, esta não foi uma leitura com muito sucesso.

Hailey Tarbell vive num dos bairros mais pobres e problemáticos de Gypsum, Missouri, juntamente com a avó e o irmão adotivo de três anos, Chub. Tem uma vida difícil, pois a avó é uma pessoa amarga que descarrega as suas frustrações em Hailey (através de violência verbal) e que se dedica a negócios obscuros e ilegais. Chub, o irmãozinho de Hailey, que a avó adotou para obter o subsídio do Governo, tem dificuldades de aprendizagem e Hailey passa muito do seu tempo a cuidar dele.

Também na escola as coisas não são melhores, uma vez que todos a desprezam e ela nem sequer consegue travar amizade com os miúdos de “Trashtown”, outro bairro pobre da cidade.

Um dia, há um acidente na aula de Educação Física, quando uma das raparigas de “Trashtown” cai e bate com a cabeça. E é aí que Hailey descobre que tem um poder estranho que lhe permite curar. Mas a rapariga não está agradecida… pelo contrário, ela e todos os do seu bairro parecem ter medo de Hailey.

Tudo se complica mais com a chegada de Prairie, a tia que Hailey não sabia que tinha. Hailey poderá obter respostas sobre quem é e sobre a sua família, mas não será uma viagem isenta de perigos… alguém anda atrás dela e de Prairie por causa das capacidades da sua família.

“Banished” é… uma confusão em forma de livro. O enredo é complicado, mas não de forma positiva; a ação salta erraticamente de um ponto para outro, começando com o desenvolvimento incipiente da vida de Hailey em Gypsum e a apresentação de personagens que, ao que tudo indica, terão pelo menos alguma influência na história, para uma perseguição delirante de automóvel que leva Hailey e Chub para longe do mundo e personagens anteriormente desenvolvidos.

Enquanto lia “Banished”, senti-me como se tivesse a ver uma espécie de cruzamento entre um filme para a TV com atores de segunda com um enredo tão ridículo e inexplicável (ou inexplicado) como o de “The Tomorrow People” (peço desde já desculpa aos fãs da série, mas para mim aquilo é terrível). Não há fio condutor para o enredo exceto que de repente alguém aparece – a tia Prairie – e despoleta, indiretamente e por meios que nos são muito mal explicados (aparentemente a Prairie tem um namorado rico e maléfico) toda a ação subsequente. O dom de Hailey e de Prairie, e a sua origem são-nos explicados de forma confusa e que deixa mais perguntas do que respostas, por Prairie, numa sessão de info-dump tão óbvia que dá vontade de revirar os olhos.

Aparentemente os “Banished” são umas famílias da Irlanda que se espalharam pelo mundo. Têm dons, as mulheres da cura, os homens de previsão do futuro. Mas… porque deixaram a Irlanda? Quem lhes deu esses dons? Qual a sua finalidade? Não sabemos.

Uma mistura inverosímil de fantasia e ficção científica, porque claro que há um cientista qualquer que estudou o ADN da Prairie e quer os seus dons porque blah, blah, exército, “Banished” foi uma leitura confusa, com personagens bidimensionais, sem personalidade e bastante aborrecidas e sinceramente… má. Nem queria mencionar o romance parvo lá pelo meio, mas merece, porque é igualmente ridículo.

A única coisa (ou melhor, personagem) que redime um pouco este livro é Chub, um rapaz muito fofo e o único sobre o qual gostei de ler. Até o aspeto sobrenatural é confuso e aborrecido, como se a própria autora não soubesse bem como queria desenvolvê-lo.

No geral, não recomendo. A única coisa boa foi mesmo o facto de estar escrito de forma a que se lesse rapidamente.