30 July 2014

Opinião: Fama Mortal

Fama Mortal de J.D. Robb
Editora: Chá das Cinco/SdE (2009)
Formato: Capa mole | 286 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica
Descrição: "Viera para Nova Iorque para ser polícia pois acreditava na ordem. Precisava dela para sobreviver. Tinha tomado as rédeas da sua vida, transformara-se em Eve Dallas.
Mas dali a algumas semanas já não seria apenas a tenente Eve Dallas do departamento de homicídios. Seria a esposa de Roarke. Infelizmente os seus planos de casamento terão de esperar quando a sua vida profissional entra em rota de colisão com a vida pessoal.
A vítima, na sua mais recente investigação de homicídio, é uma das mulheres mais requisitadas do mundo. Uma top model a quem ninguém impede de ter o que quer... nem que seja o homem de outra mulher. O suspeito principal de Eve é a outra mulher desse triângulo amoroso... a sua melhor amiga, Mavis.
Por trás da fachada de glamour, Eve descobre que o mundo da moda vive de uma paixão por juventude e fama, onde as drogas podem satisfazer qualquer desejo, por um preço..."
(A versão lida está no inglês original, mas apresentam-se os dados da portuguesa)

Com o terceiro livro da série "Mortal" (Fama Mortal) voltamos a focar-nos na vida da agente da polícia de Nova Iorque, Eve Dallas.

Neste livro temos, como sempre, mais um mistério para resolver e é um mistério que tem contornos muito pessoais para Eve: a sua amiga Mavis é acusada do homicídio de uma modelo muito conhecida, chamada Pandora. Eve terá de fazer tudo para ilibar a amiga enquanto tenta manter-se imparcial. Ao mesmo tempo, tem de lidar com o seu iminente casamento com Roarke, o milionário que ama e com recordações da sua infância, que começam a regressar na forma de pesadelos.

Gostei bastante desta leitura. É, maioritariamente, um livro de Suspense romântico porque uma das componentes essenciais da série é a vida romântica de Eve, mas mesmo assim, Robb conseguiu dar protagonismo suficiente ao mistério que envolve supermodelos, drogas feitas com plantas experimentais e corrupção. 

Como nos livros anteriores, o mundo futurista está tão bem inserido na narrativa que o leitor não sente qualquer estranheza ao ler sobre ele. Viagens para outros planetas? Parece plausível. Colónias terrestres? Certamente. Comunicadores que cabem na palma da mão? Nada de especial.

A escrita de Robb é harmoniosa, envolvente e interessante. Apesar de ter havido uma parte lá para o meio que achei um bocado frustrante, porque Eve não andava nem desandava com a resolução do caso, no geral, este livro foi uma leitura muito satisfatória.

Também gostei bastante das mudanças que se estão, lentamente, a operar em Eve. Tem de enfrentar os seus medos relativamente ao casamento e começa a recuperar da amnésia que tem desde os oito anos sobre a sua infância... as revelações deste livro são perturbantes e deixam ao leitor a vontade de saber como irá Eve lidar com tudo o que se passou; será que aprenderá finalmente a pedir ajuda?

A nova personagem, a agente Peabody também me surpreendeu pela positiva. Com o seu humor seco e a sua pose rígida, pareceu-me uma adição interessante ao rol de personagens da série.

Irei certamente ler mais livros da série. Estou a gostar imenso e acho que a autora combina os diversos elementos de forma muito natural e fluída, o que é algo que não acontece assim tanto como desejaríamos. Uma série para continuar. 

28 July 2014

It's Monday! What are you reading?

Mais um It's Monday! What are you reading? Esta semana voltei ao mundo da série Mortal, com o terceiro livro, intitulado, em português, "Fama Mortal".

Immortal in Death - J.D. Robb

Quanto a posts, eis o que tivemos no blogue, na semana passada:

Rubrica da autoria de The Book Journey.



26 July 2014

Opinião: Grande Mulher

Grande Mulher de Danielle Steel
Editora: Bertrand (2014)
Formato: Capa mole | 312 páginas
Géneros: Romance contemporâneo
Descrição: "O crescimento de Victoria Dawson não é uma tarefa fácil. Com pais exageradamente exigentes com a imagem da filha perfeita, Victoria nunca alcança a fasquia por eles imposta. Mas quando chega a segunda filha, Gracie, Victoria fica felicíssima e entretém-se a acarinhar a irmã, que afortunadamente se torna a filha que os pais pretendiam. Entre lutas para perder peso e o esforço de não parecer demasiado inteligente sob pena de não conseguir pretendente, Victoria debate-se com a carreira profissional que deseja seguir contra a vontade dos pais, porém motivada por Gracie que a adora. 
Em Nova Iorque, Victoria tem finalmente oportunidade de seguir os seus sonhos e escapar à tirania dos pais. Será que se consegue encontrar a si mesma?"
Danielle Steel é outra daquelas autoras super populares que também nunca me tinha aventurado a ler, possivelmente pelas mesmas razões que tinha para não ler Nora Roberts: é uma autora famosa que escreve dentro do género do romance contemporâneo e "ai minha nossa e se tenho de dizer mal de um dos livros dela"?

Mas este livro pareceu-me bem pela sinopse. Pareceu-me interessante que a personagem tivesse problemas de autoestima e fiquei curiosa sobre a forma como a autora lidaria com um tema assim (com muito drama, supunha eu).

Victoria Dawson sempre sentiu que os pais não gostavam muito dela. Para eles, tudo o que fazia estava errado e até a sua própria aparência (loura, com um corpo cheio de curvas e com tendência para engordar) os parecia desgostar. Felizmente, a irmã mais nova de Victoria é tudo o que os pais sonham: bela, magra, sempre pronta a agradar. O tratamento diferente que os pais dão a Victoria e a Grace poderia tornar Victoria amarga, mas apenas faz com que ela adore a sua irmã... sentimento que é mútuo. No entanto, Victoria sabe que tem de se afastar de casa e do ambiente tóxico mesmo que signifique perder o contacto com a irmã.

Foi uma leitura... satisfatória. "Grande Mulher" lê-se rapidamente, a narrativa é fluída se bem que algo impessoal; não há muito diálogo no livro e a autora parece ser mais adepta de nos explicar o que se passa do que descrever e tentar envolver o leitor na história (é mais "tell" do que "show"). No entanto, isso não me incomodou grandemente. Li o livro depressa, com interesse. É uma leitura leve e não tão dramática como estava à espera.

As personagens são bastante estereotipadas e representam as características amplificadas do que... devem representar. Os pais de Victoria são supostamente pessoas normais, mas algumas das suas atitudes, amplificadas para nos fazer sentir empatia para com a heroína suponho, quase que os fazem parecer vilões dos desenhos animados (lembro-me assim de repente da madrasta malvada do filme "Cinderella"). Gostei de Victoria mas tive pena que ela nunca confrontasse realmente os pais.

No geral, uma leitura rápida e leve, apesar dos temas que aborda. Não desgostei, mas ao contrário do que aconteceu com Nora Roberts, não sinto curiosidade em ler mais livros de Danielle Steel.

25 July 2014

Opinião: Sanctum

Sanctum de Sarah Fine
Editora: Amazon Children's Publishing (2012)
Formato: Capa mole | 448 páginas
Géneros: Romance paranormal, Fantasia Urbana, Lit. Juv/YA
Descrição: "“My plan: Get into the city. Get Nadia. Find a way out. Simple.”
A week ago, seventeen-year-old Lela Santos’s best friend, Nadia, killed herself. Today, thanks to a farewell ritual gone awry, Lela is standing in paradise, looking upon a vast gated city in the distance—hell. No one willingly walks through the Suicide Gates, into a place smothered in darkness and infested with depraved creatures. But Lela isn’t just anyone—she’s determined to save her best friend’s soul, even if it means sacrificing her eternal afterlife. 
As Lela struggles to find Nadia, she’s captured by the Guards, enormous, not-quite-human creatures that patrol the dark city’s endless streets. Their all-too-human leader, Malachi, is unlike them in every way except one: his deadly efficiency. When he meets Lela, Malachi forms his own plan: get her out of the city, even if it means she must leave Nadia behind. Malachi knows something Lela doesn’t—the dark city isn’t the worst place Lela could end up, and he will stop at nothing to keep her from that fate."
O primeiro comentário que me saiu mal acabei de ler o livro (não em voz alta, mas foi o que escrevi aqui primeiro) foi "é desta que desisto do YA". Não porque este livro tenha sido horroroso, mas porque até tinha um conceito giro, mas a autora estragou tudo... com o insta-love (a.k.a. amor instantâneo).

Lela Santos, a nossa protagonista é uma jovem que teve uma vida complicada. Órfã desde cedo, andou a entrar e a sair de casas de acolhimento durante muito tempo e sofreu às mãos de um dos seus pais de acolhimento, Rick. Como consequência, decidiu que não valia a pena viver mais no tormento em que se encontrava e decidiu tirar a sua própria vida. Apesar de ter sido salva no último segundo, Lela ainda teve uma visão do local para onde são mandadas as pessoas que cometem suicídio; e as Portas do Suicídio passaram a ser um motivo frequente dos seus pesadelos.

Depois de ter dado uma sova no seu padrasto abusador, Lela é mandada para um centro de delinquentes e depois para uma nova casa de acolhimento. Aqui vai começar uma nova vida e conhecer Nádia, a rapariga mais popular da escola, que inesperadamente, se torna sua amiga. Mas a vida de Nádia está longe de ser perfeita e quando ela se suicida, Lela fará tudo para garantir que a amiga não é enviada para o lugar sombrio que invade os seus piores sonhos.

E é isto. Pareceu-me sinceramente que seria um bom livro, um bocado mais "dark" do que o normal para a literatura YA, mas isso para mim é um bónus. E até começou bem: a Lela tinha espírito e parecia que o "mundo sobrenatural" apresentado no livro seria baseado nas conceções de Céu e de Inferno de muitas religiões, particularmente da Cristã. Esperava que a autora desenvolvesse este aspeto; era, aliás, o ponto que me deixava mais entusiasmada relativamente a este livro.

Mas depressa descarrilou. A Lela conhece um gajo todo bom chamado Malachi e BAM! Insta-love. E em vez de desenvolver o mundo a autora passa a focar-se na relação destas duas personagens que, claro, se sentem incrivelmente atraídas uma pela outra e blah, blah, é amor.

Para ser sincera, Malachi é um protagonista estereotipado, sim, mas mais simpático do que muitos dos protagonistas que povoam a fantasia urbana juvenil. 

Mas, enfim, irrita-me ver um bom enredo e uma personagem que parecia forte minados pelo insta-love irritante por um gajo todo bom e torturado. A partir desse momento a história passou a ser bastante mais aborrecida para mim; a Lela farta-se de pensar em como o Malachi é bom, o Malachi sofre em silêncio por amor, aparecem umas criaturas estranhas que vêm de outra dimensão e que acabam por estragar um bocado o imaginário que estava à espera de encontrar neste livro. De qualquer forma, a obra redime-se um pouco no final, mas não o suficiente para me tentar a ler mais.

No geral um livro que poderia ter sido muito melhor. A autora teve a oportunidade de escrever sobre assuntos sérios e desafiantes, mas decidiu que o insta-love era mais importante e para se centrar nisso, desistiu de um desenvolvimento mais aprofundado do mundo e das personagens. Desapontante.

24 July 2014

Já tive mais pena: sobre os livros não terminados

Fonte: daqui.
Hoje, enquanto lia mais algumas páginas da minha mais recente leitura (Sanctum de Sarah Fine), pus-me a pensar em livros não terminados (sim, a história levou uma reviravolta previsível que não me está a agradar) e em como sempre disse que me custava deixar livros por ler. E custava; ou melhor, custa. Especialmente porque os livros não são propriamente baratos e porque fica sempre aquela culpa lá no fundo, mesmo que digamos que temos demasiados livros bons para ler e tipo, se calhar fica melhor lá mais para o final, quem sabe.

Mas, se antes fazia um esforço (por vezes quase sobre-humano) para terminar livros de que não estava a gostar, sinto que ultimamente tenho feito menos pressão sobre mim própria para terminar livros que não estão a ser apelativos para mim. Este ano já abandonei quatro livros, o que é provavelmente um recorde. E sei que nunca mais vou pegar neles. Nunca mais vou voltar atrás com estes livros. Acabou. E sinceramente, já tive mais pena e já senti mais culpa: afinal é realmente verdade que há imensos livros para ler... e no meu caso, as minhas estantes estão a abarrotar, por isso porque é que havia de perder tempo com livros que não estão a captar o meu interesse?

Por outro lado, continuo a sentir que talvez esteja a ser injusta para com determinados livros; que estes podem não estar a cativar-me porque pura e simplesmente não é a altura certa para os ler ou porque de momento não estou com vontade de me embrenhar no género. 

Por isso, faço a seguinte reflexão: se pousar agora este livro, irei querer lê-lo no futuro? Invariavelmente a resposta é não (independentemente das circunstâncias), mas pode ser um bom exercício para saber se se apaga o livro da lista "currently reading" ou se se põe mesmo a obra na prateleira virtual "did not finish". 

No fundo, a questão é: será que devemos dar uma segunda oportunidade a livros que não nos estão a captar a atenção? Ou o tempo é escasso, os livros são muitos, os gostos mudam e não vale a pena? O que acham?

Outras leituras sobre o tema: Quando desistir é a melhor opção

22 July 2014

Opinião: Glória Mortal

Glória Mortal by J.D.Robb
Editora: Chá das Cinco/SdE (2008)
Formato: Capa mole | 254 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica
Descrição (SdE): "A primeira vítima foi encontrada num passeio à chuva. A segunda foi morta no próprio apartamento. Eve Dallas, tenente da polícia de Nova Iorque, não tem dificuldade em ligar os dois crimes. Afinal, ambas as mulheres eram bonitas, famosas, e as suas vidas e amores glamorosos enchiam as capas das revistas. As suas relações íntimas com homens poderosos dão a Eve uma longa lista de suspeitos, incluindo Roarke, o seu próprio companheiro. Como mulher, Eve tem toda a confiança no homem que partilha a sua cama. Mas como polícia, é sua obrigação seguir todas as pistas... investigar todos os rumores escandalosos... explorar todas as paixões secretas, por mais obscuras que sejam. Ou perigosas!"
(A versão lida está no inglês original, mas apresentam-se os dados da portuguesa)

O que dizer sobre este segundo livro da série mortal que não tenha dito já na opinião anterior? 

Porque "Glória Mortal" tem as mesmas qualidades e defeitos do livro anterior: protagonistas interessantes que nos puxam, um mundo intrigante e um mistério que é razoavelmente cativante e mantém o leitor interessado mas que não é propriamente difícil de deslindar.
Em "Glória Mortal", Eve tem de descobrir o autor de uma série de crimes que têm como alvo mulheres de sucesso com uma presença pública. Neste livro vemos Eve a lidar com a dor das famílias envolvidas e como os sentimentos pessoais podem afetar julgamentos e mesmo o decorrer da investigação.

Temos também alguns desenvolvimentos surpreendentes relativamente à vida pessoal de Eve, nomeadamente no que diz respeito à sua vida amorosa e à sua relação com Roarke (que, surpreendentemente, não é o idiota possessivo que parecia no primeiro livro... gostei bastante dele neste segundo volume). 

Tal como no primeiro livro, a componente romântica desenvolve-se demasiado depressa e sem as nuances necessárias para parecer "realista", mas Roarke e Eve são um casal extremamente fofinho e penso que foi uma das razões pelas quais gostei tanto deste livro apesar do seu mistério simplista.

No geral, uma boa leitura. Ok, o mistério não foi nada de especial, é pouco elaborado e é fácil de desvendar, mas as personagens e o seu desenvolvimento dão brilho à obra. Vou continuar a ler, sem dúvida.