22 April 2014

Opinião: My Lady, My Lord

My Lady, My Lord by Katharine Ashe
Editora: Billet-Doux Books (2014)
Formato: e-book | 284 páginas
Géneros: Romance histórico
Descrição: "Book #1 in a new series of historical romances... with a twist.
The Bluestocking 
Lady Corinna Mowbray has three passions: excellent books, intelligent conversation, and disdaining the libertine Earl of Chance.
The Rake 
Lord Ian Chance has three pleasures: beautiful women, fast horses, and tormenting high-and-mighty Corinna Mowbray.
Neighbors for years, they've been at each other's throats since they can remember. But when a twist of fate forces them to trade lives, how long will it be before they discover they cannot live without each other?"
"My Lady, My Lord" é a minha estreia com a escritora de romances históricos Katharine Ashe. Apetecia-me ler mais um romance histórico antes de me atirar à segunda trilogia da Robin Hobb e escolhi este, que teve boas críticas da parte da algumas das pessoas que sigo no Goodreads. Além disso, gosto bastante de protagonistas antagonistas (eh).

E, no geral, gostei. Foi uma história fofinha e que faz qualquer pessoa dizer "aaawww".

Lady Corrina Mowbray é uma filha de um conde, que tem interesses bastante distintos dos da maioria das mulheres da sua época: ela gosta de ciências, literatura e de política e o seu sonho é poder participar ativamente nestes campos, tão limitados aos homens. Do que ela não gosta é da Ian Chance, o Conde de Chance que sempre foi seu vizinho. Para ela, Chance é tudo o que um homem não deve ser: um irresponsável que pensa apenas em bebidas, jogo e mulheres.

Ian Chance sempre achou que Corrina Mowbray era a mulher mais irritante que tinha o desprazer de conhecer. Ela e o seu narizinho empinado sempre estiveram lá, nos momentos mais marcantes (e mais embaraçosos) da sua vida, assim como a sua desaprovação silenciosa.

Basicamente, estes vizinhos... não podem um com o outro. Mas quando uma situação caricata os força a conhecerem-se melhor vão perceber que têm alguns preconceitos relativamente àquilo que cada um aparenta ser e é, efetivamente.

Foi, como disse, uma história bastante fofinha, que se lê bem. Há um acontecimento "sobrenatural" no livro que, sinceramente, me pareceu completamente desnecessário (dizer mais seria um grande spoiler), mas de resto gostei muito das personagens, das desavenças entre ambos e da gradual mudança (ou compreensão) dos seus sentimentos.

O melhor foi que, no fundo, as personagens não mudaram por causa um do outro; o que se passou é que se começaram a conhecer melhor e a deixar para trás preconceitos há muito enraizados. Gostei também imenso da química entre os protagonistas, porque há bastantes livros deste género que não têm este componente tão importante e como resultado a relação entre ambos... não parece tão apelativa ou credível.

No geral, mais uma leitura agradável dentro do romance histórico. Não foi dos melhores que li e, como disse, houve um acontecimento que sinceramente não achei que devesse lá estar uma vez que não foi convenientemente explicado e não ajudou assim tanto à evolução das personagens, mas de resto é um livro que se lê bem devido ao ritmo vibrante e à escrita fluída. Recomendado para amantes do género.

21 April 2014

Opinião: Ligeiramente Casados

Ligeiramente Casados by Mary Balogh
Editora: ASA (2013)
Formato: Capa mole | 336 páginas
Géneros: Romance histórico
Descrição: "Como todos os Bedwyn, Aidan tem a reputação de ser arrogante. Mas este nobre orgulhoso tem também um coração leal e apaixonado - e é a sua lealdade que o leva a Ringwood Manor, onde pretende honrar o último pedido de um colega de armas. Aidan prometeu confortar e proteger a irmã do soldado falecido, mas nunca pensou deparar com uma mulher como Eve Morris. Ela é teimosa e ferozmente independente e não quer a sua proteção. O que, inesperadamente, desperta nele sentimentos há muito reprimidos. A sua oportunidade de os pôr em prática surge quando um parente cruel ameaça expulsar Eve de sua própria casa. Aidan faz-lhe então uma proposta irrecusável: o casamento, que é a única hipótese de salvar o lar da família. A jovem concorda com o plano. E agora, enquanto toda a alta sociedade londrina observa a nova Lady Aidan Bedwyn, o inesperado acontece: com um toque mais ousado, um abraço mais escaldante, uma troca de olhares mais intensa, o "casamento de conveniência" de Aidan e Eve está prestes a transformar-se em algo ligeiramente diferente..."
"Ligeiramente Casados" é o primeiro volume da Bedwyn Saga, uma das séries mais populares de Mary Balogh.

Apesar de já ter ouvido falar desta autora, de ter tido, inclusivamente o primeiro volume desta série em inglês, nas mãos, nunca me senti tentada a ler qualquer obra de Mary Balogh. Não consigo precisar porquê. Poderá ter sido porque uma vez li um livro dela e não o consegui terminar. Mas isso, como qualquer leitor assíduo sabe, pode dever-se a inúmeros fatores como um "reading slump", estar com pouca disposição para um determinado género, entre muitos outros.

Mas enfim, fui adiando e adiando, mas vendo a popularidade crescente da autora em terras lusas, comecei a interrogar-me se o problema não seria meu... talvez uma espécie de preconceito? E acabei por adquirir alguns volumes já publicados em português.

E desta vez consegui acabar, foi uma leitura que me custou pouco e um livro que li depressa. Mas, apesar de tratar de um casamento de conveniência, algo que me agrada neste tipo de livros, não posso dizer que adorei a história. E, provavelmente, um dos problemas foi mesmo o facto de o ter lido em português. Não que a tradução estivesse horrível (algumas gralhas, mas nada de especial), mas a verdade é que, tendo lido tantos livros do género em inglês, já sei como se processa a história, como se formulam as cenas e parece-me sempre que se perde algo em português. Mas pronto.

Eve Morris é filha de um mineiro galês que enriqueceu casando com a filha do dono da mina. Por isso, apesar das pretensões do pai e da sua educação de dama gentil, Eve tem consciência de que não pode aspirar a misturar-se com as mais altas esferas da elite... e não aspira. Aspira apenas a viver em Ringwood Manor, a sua casa, com os que lhe são queridos. Infelizmente, o destino tem outros planos e quando o irmão morre na guerra contra Napoleão, Eve poderá perder tudo para o seu primo e acabar na rua.

Aidan Bedwyn é um coronel corajoso para quem a honra está primeiro que tudo. Segundo filho de um duque, tem alguma sobranceria e sabe bem qual é o seu lugar na sociedade. Mas quando um dos seus subordinados, às portas da morte, o faz prometer proteger a irmã, Aidan não tem escolha se não fazer tudo para que Eve mantenha a sua propriedade e o seu estilo de vida... mesmo que isso implique casar com ela.

O que mais me agradou em "Ligeiramente Casados", mais do que a história de amor, que apesar de agradável não teve assim muito "fogo", foi a descrição detalhada dos rituais aristocráticos e da corte. Como Eve foi criada num ambiente rural, quando se torna Lady Aidan Bedwyn é forçada a preparar-se para eventos sociais aos quais nunca poderia ter imaginado que iria assistir. Um exemplo é a apresentação à rainha, por que todas as senhoras da alta nobreza têm de passar. Gostei imenso do detalhe sobre o tipo de vestido, as regras sociais e a rigidez dos costumes. Vê-se que a autora pensou e pesquisou bastante nestes aspetos.

As personagens foram... agradáveis. Não exatamente originais, sendo que Eve é demasiado "boazinha" e Aidan, um estereotipo algo vincado do homem "alto, forte e silencioso", mas também são suficientemente carismáticas para não serem completamente aborrecidas.

O enredo, como já mencionei anteriormente, não foge muito ao que é normal e esperado em livros que tratam de casamentos de conveniência: Eve e Aidan casam-se e pensam separar-se, mas diversos acontecimentos forçam-nos a estar juntos e a desenvolver o conhecimento mútuo e a intimidade.

No geral, um romance histórico escrito de forma interessante que mantém o leitor interessado. As personagens e o enredo não se distinguem particularmente, mas o detalhe e a atenção dedicados à sociedade inglesa do século XIX merecem uma menção, assim como a escrita fluída e cativante. Recomendado para os amantes do género.

It's Monday! What are you reading?


Os dias passam e já é novamente segunda-feira. Esta semana estou a ler um romance histórico com um "twist", que sinceramente não sei bem se estou a gostar ou não. Gosto de romances em que os protagonistas são... antagonistas, mas o tal "twist" é um bocado inverosímil, so far. Pode ser que melhore.


My Lady, My Lord - Katharine Ashe

No que aos posts diz respeito, esta semana foi um bocado mais calma do que a anterior. Apenas duas opiniões.

Rubrica da autoria de The Book Journey.

20 April 2014

Opinião: Written in Red

Written in Red by Anne Bishop
Editora: NAL Hardcover (2013)
Formato: Capa dura | 433 páginas
Géneros: Fantasia, Fantasia urbana
Descrição: "As a cassandra sangue, or blood prophet, Meg Corbyn can see the future when her skin is cut—a gift that feels more like a curse. Meg’s Controller keeps her enslaved so he can have full access to her visions. But when she escapes, the only safe place Meg can hide is at the Lakeside Courtyard—a business district operated by the Others.
Shape-shifter Simon Wolfgard is reluctant to hire the stranger who inquires about the Human Liaison job. First, he senses she’s keeping a secret, and second, she doesn’t smell like human prey. Yet a stronger instinct propels him to give Meg the job. And when he learns the truth about Meg and that she’s wanted by the government, he’ll have to decide if she’s worth the fight between humans and the Others that will surely follow."
Anne Bishop, a famosa autora da trilogia das Joias Negras, estreia-se na fantasia urbana com esta série intitulada "The Others" (Os Outros).

Meg Corbyn é uma cassandra sangue, ou "profeta de sangue". Viveu toda a sua vida presa num estabelecimento fechado onde ela e outras raparigas como ela são mantidas num ambiente estéril longe de tudo e de todos, apenas usadas pela sua capacidade de fazer profecias quando cortam a sua pele. Mas Meg quer ser mais do que uma ferramenta, uma comodidade por que os ricos pagam para terem acesso a um breve olhar do futuro. Por isso ela foge e refugia-se no único lugar onde estará a salvo dos seus carcereiros: a parte da cidade onde vivem os "Outros", onde a lei humana não se aplica. Mas viver entre os outros não é propriamente conducente a uma vida longa e saudável, pois estes habitantes sobrenaturais desprezam os humanos abertamente.

Sendo uma leitora assídua de fantasia urbana, estava com bastante curiosidade sobre este primeiro livro de Anne Bishop dentro do género. Afinal, gostei imenso da trilogia das Joias Negras e de todo o imaginário criado por Bishop para essa série. Queria saber como lidava a autora com fantasia urbana. E esta aventura não me desiludiu. Passa-se num mundo diferente, certamente (possivelmente para que a autora pudesse explicar com mais facilidade a sua mitologia relativamente aos Outros e aos deuses que compõem o panteão) mas é semelhante em tudo à sociedade que temos hoje em dia em termos políticos, sociais e tecnológicos. A única coisa que difere é que a história deste mundo foi pautada por diversos conflitos entre humanos e os Outros (vampiros, lobisomens, etc.) em que os Outros mostraram repetidamente a sua ferocidade e poder. Por isso, apesar de todas as suas inovações tecnológicas, os humanos vivem com receio destas criaturas sobrenaturais que controlam muitas das forças naturais do planeta. Por sua vez, os Outros, apesar de verem os humanos como 'carne', toleram-nos porque gostam das suas inovações tecnológicas. Assim, estas duas raças vivem uma coexistência tensa.

O mundo não é assim muito original, portanto, mas as personagens compensaram. Os Outros são realmente diferentes, não têm quaisquer escrúpulos em comer ou matar humanos... Ou seja têm uma aura inumana, diferente, não são heróis românticos e torturados mas no fundo humanos e bons. A Meg é um bocado uma Mary Sue ou seja, consegue conquistar todos os Outros com quem se encontra, mas é tão carismática enquanto personagem que isso mal tem importância. Gostei de todas as personagens, Meg, Simon, Vlad, Henry e a Tess (qual será o mistério por detrás desta personagem?) a narrativa é envolvente e mantém o leitor interessado e envolvido emocionalmente.

O enredo foi claramente introdutório, o objetivo era apresentar o mundo e as personagens principais mas a autora prepara o palco para outra história que nos permitirá ir mais fundo neste mundo e saber mais sobre as habilidades de Meg.

No geral, um primeiro livro muito interessante com um mundo que, apesar de semelhante ao nosso, parece ter personagens bem ricas. Irei certamente ler o volume seguinte. Recomendado para fãs da autora e para quem gosta de fantasia urbana.

15 April 2014

Opinião: Nunca Seduzas um Escocês

Nunca Seduzas um Escocês by Maya Banks
Editora: Saída de Emergência (2014)
Formato: Capa mole | 336 páginas
Géneros: Romance histórico
Descrição (GR): "Eveline Armstrong é amada e protegida ferozmente pelo seu poderoso clã, mas é considerada "demente" por quem não pertence ao seu meio. Bonita, sobrenatural, com um olhar intenso, ela nunca falou. Ninguém, nem mesmo a sua família, sabe que ela não ouve. Eveline aprendeu sozinha a ler lábios e, feliz por viver com a sua família, nunca se importou que o mundo a visse como louca. Contudo, quando um casamento arranjado com um clã rival torna Graeme Montgomery seu marido, ela aceita cumprir o seu dever - sem estar preparada para os prazeres que se avizinhavam. Graeme é um guerreiro robusto com uma voz tão grave e poderosa que ela consegue ouvi-la, e umas mãos e beijos tão ternos e habilidosos que despertam as paixões mais profundas em Eveline. Graeme está intrigado com a sua noiva, cujos lábios silenciosos são como um fruto maduro de tentação e cujos olhos vivos e sagazes conseguem ver a sua alma. Assim que a intimidade entre ambos se aprofunda, ele descobre o segredo dela. E quando a rivalidade entre clãs ameaça a mulher que ele começara a apreciar, o guerreiro escocês moverá céu e terra para a salvar. Eveline despertou o seu coração para a melodia encantadora de um amor raro e mágico."
Maya Banks é um nome que aparece uma e outra vez nas capas de livros e parece estar bastante em voga em Portugal. Por isso, quando soube que a SdE ia publicar este livro em particular (que já queria ler há algum tempo), decidi, claro, adquiri-lo. Além disso, ainda não li assim muitos romances na época medieval (?) por isso porque não?

Esta foi uma leitura fofinha, lamechas e muito cativante.

Os Montgomery e os Armstrong, dois clãs rivais das Terras Altas, são inimigos ferozes (os motivos não são claramente explicados, pelo menos no primeiro livro). Por isso, o rei da Escócia decide que estes dois clãs devem unir-se através do matrimónio e decide juntar Graeme Montgomery (o Laird) com a filha dos Armstrong, Eveline. O problema é que Eveline é, segundo os rumores, louca e Graeme não quer passar a vida amarrado a uma mulher incapaz de lhe dar herdeiros. Por isso é com muita raiva que os dois clãs se veem obrigados a efetuar a união.

Mas nem tudo é o que parece. Eveline, longe de ser louca, é apenas surda, resultado de um acidente de cavalo que teve três anos antes. E Graeme vai descobrir que uma Armstrong pode não ser assim tão má como isso.

Este livro tem um enredo bastante formulaico: inimigos ferozes são obrigados por uma força externa a juntarem-se. Neste caso Graeme e Eveline têm de se casar. E como eu adoro casamentos arranjados (enquanto tema para romance histórico), pensei que este livro fosse mesmo a minha onda (que foi).

Por isso apesar do enredo previsível e das personagens estereotipadas, Nunca Seduzas um Escocês foi um livro que li depressa e com gosto. Não há grande coisa a dizer, porque este livro não se destaca por aí além dentro do género, mas posso dizer que é, sem dúvida, uma leitura compulsiva, com personagens carismáticas e um ritmo cativante. Recomendado para os amantes do género... afinal, quem consegue resistir a um escocês?