30 março 2015

It's Monday! What are you reading?

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Volta, após várias semanas de ausência, o "It's Monday! What are you reading?". Esta semana, volto aos livros de Ken Follett.

Uma Fortuna Perigosa - Ken Follett


Rubrica da autoria de The Book Journey.

28 março 2015

Opinião: Steelheart (Brandon Sanderson)

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Editora: Orion Books (2013)
Formato: Capa mole | 386 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juvenil

Steelheart é mais um dos muitos livros de Brandon Sanderson que cá vieram parar a casa depois de eu ter lido a trilogia Mistborn ("Nascida das Brumas", em Portugal).

Ao contrário da maioria dos livros do autor, Steelheart não é fantasia clássica e/ou épica; é fantasia urbana misturada com um pouco de ficção científica.

Num futuro próximo, um evento denominado "Calamidade", teve consequências... desastrosas. Várias pessoas sofreram mutações e começaram a ganhar poderes que pura e simplesmente desafiam todas as leis naturais. Mas estes indivíduos, os chamados "Épicos", não são o que se poderia chamar heróis; de facto, todos eles mostram uma propensão para a maldade e a megalomania.

Dez anos depois da Calamidade, os Estados Unidos estão em ruínas. A maioria dos seres humanos vive em condições miseráveis e é dominada pelos Épicos.

O nosso protagonista, David, vive na cidade dominada de Chicago (agora, "Newcago"), onde um Épico com poderes impressionantes, que se chama a si próprio "Steelheart" (Coração de aço), reina com um punho de ferro (eh!).

Criado nas ruas subterrâneas e de aço da cidade, David tem apenas uma coisa em mente: vingança contra o aparentemente invencível Steelheart, o Épico que matou o seu pai. E o grupo que o pode ajudar a conseguir essa vingança, os Reckoners, está em Newcago. 

Como não podia deixar de ser, uma vez que se trata de um livro de Sanderson, gostei desta leitura. Foi uma leitura compulsiva, porque o autor mantém sempre um ritmo acelerado, com muitas cenas de ação que nos deixam colados ao livro.

Não achei que o autor tenha explorado a sua mitologia tão a fundo neste livro como o faz nos seus livros de fantasia épica (o que, como devem calcular, foi um pouco frustrante), mas creio que talvez isto se deva ao facto de se tratar de uma série planeada para ser mais longa... ou talvez não, não sei. Mas aprendemos muito pouco sobre a Calamidade e sobre os Épicos neste livro, que é muito focado na ação imediata de eliminar Steelheart.

O que mais me chamou a atenção neste livro foi o número de coisas que parecem ilógicas... se há coisa que este autor preza é uma mitologia bem construída, mas neste livro ele faz questão de frisar que tanto os poderes como as "kryptonites" dos Épicos fazem pouco sentido. Pelo que estou em pulgas para saber como é que eles têm estes poderes tão estranhos.

Sanderson explora neste livro (na série) o conceito do "poder corrompe", de uma forma bastante literal, mas interessante. Confesso que acho a sua abordagem pouco subtil, mas não foi por isso que gostei menos da leitura.

O mundo é aquilo a que muitos autores já nos habituaram em distopias pós-apocalípticas, com os governos totalitários, a tecnologia mais avançada mas por pouco e mesmo assim sujeita a falhas e, sobretudo, um mundo destruído devido à ânsia de poder de alguns indivíduos.

As personagens são interessantes (ou seja, dá gosto ler sobre elas, tê-las como protagonistas), mas não foram particularmente desenvolvidas neste primeiro livro.

No geral, uma leitura bastante agradável. Como sempre, a imaginação do autor merece parabéns. No entanto, considero que este Steelheart fica um pouco aquém de outras obras do autor. Talvez seja pela localização mais familiar ou pela exploração simplista de um conceito que daria pano para mangas, mas pareceu-me que o autor foi um pouco preguiçoso. Mas isto poderá dever-se ao facto de este livro se destinar a um público mais jovem (juvenil/young adult); ou talvez o autor esteja a planear um maior desenvolvimento nos livros seguintes.


Mais livros do autor no blogue:

26 março 2015

Opinião: How to Tame your Duke (Juliana Gray)

Sem comentários:
Editora: Headline Eternal (2013)
Formato: Capa mole | 320 páginas
Géneros: Romance histórico

Mais uma autora que nunca tinha lido, mas cujo livro estava nas minhas prateleiras há já algum tempo (menos do que o normal, no entanto).

Esta série (A Princess in Hiding) faz uso de outra das minhas temáticas favoritas neste género de livros: a rapariga mascarada de rapaz (eu sei, eu sei que é bastante irrealista, mas é divertido).

Emilie, Stephanie e Luisa são três princesas de um pequeno principado alemão. Após o assassínio do seu pai e do marido de Luisa (a irmã mais velha), presumivelmente por um grupo de anarquistas, as três princesas fogem para Inglaterra, de onde era originária a sua mãe. 

O tio delas, o Duque de Olympia, engendra um plano para as esconder de potenciais assassinos ou raptores enquanto ele investiga o caso. O plano consiste em mascarar as três raparigas de rapazes e mandá-las para locais diferentes em Inglaterra.

Este livro foca-se em Emilie, a irmã do meio, que é mandada para a propriedade rural do Duque de Ashland, para ser tutor(a) do filho deste, Freddie, de 15 anos.

O duque sofreu mazelas graves do seu tempo em combate e isola-se devido a isso e ao abandono pela sua mulher, mas Emilie sente-se atraída por ele. Quando surge uma oportunidade de se tornar sua amante, Emilie não resiste. Mas o duque não sabe que a sua amante e Mr. Grimbsy, o tutor de Freddie são a mesma pessoa.

Este livro foi... absurdo. A premissa não encaixa e não é minimamente realista, mesmo tendo em conta o facto de que é muito difícil fazer uma mulher passar por homem (especialmente na Inglaterra vitoriana). Ok, logo aí temos um problema, mas estranhamente há autores que conseguem. Mais ou menos. Neste livro, não é realista porque o duque passa imenso tempo com Emilie na qualidade de amante e nunca suspeita sequer que Mr. Grimbsy é a mesma pessoa. O quê?

Este é um daqueles romances históricos que vive do romance e da sensualidade da situação (ao invés da investigação cuidada da época e do desenvolvimento profundo das personagens), o que não me incomoda de sobremaneira (gosto de ler ambos os "subtipos"), exceto pelo facto de este livro não mostrar um romance especialmente convincente. O duque apaixona-se à primeira vista por uma mulher que mal conhece (ou seja, queria era ir para a cama com ela), parece adorá-la exageradamente mas, novamente, não se apercebe que a Emilie e o Grimbsy são a mesma pessoa.

A parte com mais ação lá mais para o fim também me pareceu um pouco forçada.

O que salva este livro (para além do facto de ser uma leitura rápida e com uma escrita competente) é o filho do duque, Freddie, que é um personagem bastante engraçado.

No geral, uma leitura mediana. Gostei, mas não acho que o livro tenha algo de distintivo dentro do género e tendo em conta que já vou em 180 romances deste género, lidos, penso que começo a procurar algo que não seja tão... cliché, escrito até à exaustão. Mas, para quem está a começar dentro do romance histórico, poderá ser uma leitura engraçada.

24 março 2015

Opinião: Um Amor Quase Perfeito (Sherry Thomas)

2 comentários:
Editora: Quinta Essência/Leya (2011)
Formato: Capa mole | 328 páginas
Géneros: Romance histórico

Aviso: (Pequenos) spoilers.

Este parece ser o mês dos romances históricos, por isso porque não "abater" mais um livro que está nas minhas prateleiras e que, por acaso (só por acaso), é um romance histórico.

Como já devo ter dito centenas de vezes, o tema "casamento arranjado/casamento com problemas" é dos meus favoritos em romances históricos. Por isso preparei-me para uma boa leitura com este Um Amor Quase Perfeito (Private Arrangements).

E tive-a. Mas nunca esperei que fosse também uma leitura tão intensa, até porque Sherry Thomas é, já reparei, uma escritora mais vocacionada para as relações realistas do que muitas outras autoras dentro do género, e consequentemente os seus romances têm menos sensualidade e menos "romance". Ou seja, o romance é mais discreto, mais "fogo lento" do que "explosão instantânea" (no pun intended). Mas os seus livros não deixam de ser por isso boas leituras, cheias de pormenores históricos interessantes e fruto, obviamente, de uma pesquisa alargada (lembram-se de quando falei da pesquisa que muitos autores dos chamados "boddice-rippers" fazem e de como estes livros podem ser ricos em historicidade, como podem captar bem a época? Este livro fá-lo).

Estamos em 1883. Phillipa "Gigi" Rowland é filha de um industrial e de uma mulher da baixa nobreza rural. Uma família muito rica, certamente, que aspira a entrar na alta sociedade, algo que pode acontecer apenas se Gigi casar bem. E ela consegue o maior dos triunfos, ficar noiva do filho de um duque empobrecido. Mas quando o noivo morre num acidente, Gigi pensa que tudo acabou... até conhecer Lorde Tremaine, o novo herdeiro do ducado.

Camden, Lorde Tremaine, levou a vida toda a contar tostões, apesar de ser primo de um herdeiro a duque inglês e aparentado com metade das casas reais europeias. Mas, homem de palavra, não aceita a proposta de casamento de Gigi, quando esta a faz. Isto porque Camden já está comprometido com outra mulher.

Após algumas circunstâncias, Camden acaba por aceitar Gigi... mas não apenas porque ela pode saldar as dívidas da família. Camden ama-a e sabe que Gigi também o ama. 

Mas uma terrível traição vai separá-los durante dez anos, até que Gigi decide fazer algo escandaloso: pedir o divórcio. Camden, que vivera separado da mulher, nos Estados Unidos, volta a Inglaterra e pede apenas uma coisa: um ano de relações conjugais, para que ela lhe dê um herdeiro.

A história do livro vai alternando entre 1883 e 1893 e ficamos a saber como os protagonistas se conheceram, como se apaixonaram e porque acabaram por se separar. Na narrativa presente, vemos o evoluir dos sentimentos dos dois, os entraves colocados pelo passado e a forma como ambos viveram a vida. É claro que a questão aqui não é falta de afeto, o que me agradou imenso; a maioria dos romances históricos passam a ideia de que o amor vence e conquista tudo, mas este romance diz-nos que não. Que há coisas que podem estragar até o amor. Claro que, sendo este livro um romance histórico, creio que não será nenhum "spoiler" dizer que tudo acaba relativamente bem (até para a mãe de Gigi).

No geral, gostei das personagens. Gostei do facto de não serem demasiado torturadas, de serem realistas enquanto protagonistas. Gostei da escrita da autora, do detalhe histórico, do facto de o realismo e racionalidade do romance fazer com que esta seja, de facto, uma grande história de amor. Recomendado.


Outras obras da autora no blogue:

23 março 2015

Opinião: Conspiração Mortal (J.D. Robb)

3 comentários:
Editora: Chá das Cinco/SdE (2011)
Formato: Capa mole | 333 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica

(A versão lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da edição portuguesa.)

Para mudar um pouco "de ares", decidi retomar a leitura da série "Mortal" de J.D. Robb (ou Nora Roberts). A minha última leitura, em finais de agosto do ano passado, tinha sido pouco satisfatória, talvez porque tinha andado a ler os livros todos de seguida e, assim, foi-me difícil não reparar que as histórias eram sempre parecidas.

O oitavo livro não foge muito à fórmula a que J.D. Robb já nos habituou em livros anteriores, mas desenvolve as personagens principais e introduz um crime que, mesmo sendo cometido por uma pessoa mentalmente instável, se distingue um pouco dos crimes anteriores.

Eve é chamada a uma cena de um crime, cuja vítima é um sem abrigo. Devido à sua filosofia, Eve sente que tem de "defender os mortos", independentemente da sua classe social pelo que, apesar de muitos polícias não se importarem muito com tais mortes, Eve irá fazer tudo para descobrir o culpado. Além disso, o coração do sem abrigo, de nome (ou alcunha) Snooks, foi levado. Eve, cedo suspeita que um cirurgião profissional possa estar envolvido no caso.

A sua investigação leva-a a descobrir que crimes semelhantes tiveram lugar em diversas cidades não apenas nos EUA mas também na Europa. À medida que Eve se aproxima do culpado, forças poderosas tentam impedir a sua investigação das mais diversas formas... parece que este assassino tem boas ligações.

Como disse, este livro não foge muito do estilo dos anteriores. No entanto, há mais tensão e um maior sentido de urgência, porque o assassino tem alguma influência em diversos meios políticos e Eve sofre alguma pressão para encerrar a investigação. Pressão essa, que não a impede de continuar, até que os seus inimigos tomam medidas drásticas.

Gostei deste livro devido à tensão que mencionei acima e porque, pela primeira vez, vemos Eve completamente vulnerável. Ela que é sempre tão dura e pronta para todas as situações, que vence constantemente os seus fantasmas, mostra-nos, neste livro, um lado mais humano. E Roarke também, de certo modo. Apesar dos constantes "Amo-te", de ambas as partes, senti que neste livro a relação deles foi testada pela primeira vez, realmente testada e isso deu mais alguma profundidade às personagens.

No geral, uma leitura que me agradou. O intervalo que fiz entre leituras de livros desta série ajudou certamente, mas penso que este livro é mais rico do que alguns dos anteriores, em alguns aspetos. Explorou-se um tipo diferente de crime, a questão da ética nas experiências médicas e ficámos a saber um pouco mais sobre como funciona a medicina em meados do século XXI.


Da mesma série:
  1. Nudez Mortal
  2. Glória Mortal
  3. Fama Mortal
  4. Êxtase Mortal
  5. Cerimónia Mortal
  6. Vingança Mortal
  7. Oferenda Mortal

21 março 2015

Opinião: Ligeiramente Perverso (Mary Balogh)

2 comentários:
Editora: ASA (2014)
Formato: Capa mole | 368 páginas
Géneros: Romance histórico

Há livros, dos quais gostamos apesar dos muitos defeitos que obviamente têm. Ligeiramente Perverso, o segundo livro da Saga Bedwyn, da autoria de Mary Balogh, é um desses livros (para mim, bem entendido).

Judith Law é filha de um pastor anglicano e a sua família tem alguma classe, embora não possa nunca ter a pretensão de se dar com a alta sociedade. Mas Banwell, o único rapaz de uma prole de cinco irmãos, tem outras ideias e gasta quase todas as poupanças da família para tentar alcançar o estilo de vida dos seus amigos mais ricos. 

Como consequência, Judith é enviada para casa da irmã do pai, Lady Effingham, que fez um bom casamento e é esposa de um baronete. Será uma "parente pobre", pouco mais do que uma criada a quem a família não paga. Qualquer oportunidade de casar ou de ter uma vida independente desaparece para Judith, com esta reviravolta.

Mas, durante o caminho, a diligência onde Judith viajava sofre um acidente e quando um desconhecido que ia a passar a convida para ir com ele no seu cavalo pedir ajuda para os outros viajantes, ela aceita. Porque o seu futuro iria ser para sempre cinzento, Judith decide que esta aventura será aquilo que a susterá durante o resto da sua vida. 

O desconhecido é Rannulf Bedwyn, originário de uma das melhores famílias de um reino, irmão de um duque e bastante rico. 

Os dois acabam numa estalagem e quando Ralf, atraído por Judith, a convida para partilhar a sua cama, ela aceita (aventura de uma vida e tudo o mais). Ambos utilizam identidades falsas e enquanto Judith pensa que ele é um cavalheiro de classe mais baixa ele pensa que ela é Claire, uma atriz.

No entanto, os seus destinos voltam a cruzar-se quando Rannulf chega à propriedade da sua avó que é mesmo ao lado da dos Effington. Com Rannulf a cortejar a filha dos Effington, prima de Judith, esta última pergunta-se o que poderá acontecer e se poderá ser descoberta.

Como disse, há livros de que gostamos contra todo o senso e diverti-me imenso a ler Ligeiramente Perverso. Oh, o livro tem imensos problemas, desde o facto de ser previsível nalguns aspetos (que não o romance, porque aí estes livros são sempre previsíveis) ao facto da atitude inicial da heroína (perder a virgindade com um homem sem medo das consequências) não encaixar nem com a personalidade que demonstra mais tarde nem com a época.

Mas, mesmo assim gostei. Talvez tenha sido o facto de este livro ser uma mistura da história da Cinderella, com uma tia e uma prima más que fazem tudo para que a Judith não seja notada, com Orgulho e Preconceito, uma vez que o herói apanha uma valente descompostura da heroína quando pela primeira vez lhe propõe casamento. E talvez tenham sido também as duas avós da história, a de Rannulf e a de Judith (especialmente a de Judith), que são personagens fofinhas e verdadeiramente engraçadas. E, claro, a escrita da autora ajuda.

O romance não foi particularmente realista e o livro não é particularmente sensual (apesar da capa e do título), mas houve mais aspetos positivos do que negativos.

No geral, uma leitura rápida e agradável. Houve alguns aspetos que podiam ter sido aprofundados, como as inseguranças de Judith e a personagem de Rannulf em geral, que nunca ganhou verdadeiramente vida. As discrepâncias relativamente ao período também poderiam ter sido evitadas, mas não constituíram uma falha grave, se não se estiver à espera de um grande rigor histórico. O romance, poderia ter sido mais verosímil. Apesar de tudo isto... até nem desgostei. 


Outros livros da série:
  1. Ligeiramente Casados