30 janeiro 2011

Eu e os Livros

Seguindo a moda (ou "trend") iniciada pela Whitelady e já disseminada por diversos blogs literários como A Bibliofila ou NLivros decidi também eu falar um pouco sobre como surgiu e se desenvolveu a minha paixão pelos livros.

Desde pequena que estou rodeada de livros. Os meus pais foram (em tempos, quando tinham "mais tempo e paciência" segundo dizem) leitores bastante assíduos e possuem uma biblioteca verdadeiramente espectacular que conta, penso eu, com pelos menos uns 1000 livros (se bem que grande parte deles sejam livros de bolso das colecções "Nébula" e dos "Livros do Brasil"). Quando era pequena sempre procuraram interessar-me pela leitura comprando-me livros infantis, especialmente os da "Anita" que adorava ler.

Mas foi apenas com 9 ou 10 anos que comecei a ganhar um gosto mais acentuado pela leitura. Um dia, estava (penso eu) a passar umas férias na casa da minha avó paterna, quando ela, numa tentativa de me manter entretida, me emprestou um livro d'Os Cinco. A partir daí foi uma loucura; tinha simplesmente de deitar a mão a todos os livros da colecção, que infelizmente naquela altura não existiam à venda; a minha família correu alfarrabistas e conseguiram cópias muito velhinhas (mas ainda hoje estimadas) dos livros e pouco a pouco adquiri (e li) todos os livros.
Depois dos Cinco, vieram outras colecções juvenis como "As Gémeas" (da mesma autora dos Cinco), cujos livros também não se encontravam à venda e que tive, portanto, de requisitar na biblioteca da escola. Livros da colecção "Uma Aventura", as bandas desenhadas da Mónica, do Tintim, do Asterix e da Disney e a colecção das "Viagens no Tempo" (também requisitei esta colecção na biblioteca e foi com ela que percebi o quanto gostava de História) foram os meus 'companheiros literários' durante os anos de escola preparatória.

Muitas outras séries juvenis foram por mim 'devoradas' durante os meus anos formativos (não posso deixar de mencionar a série "Triângulo Jota", pois um dos livros desta série impressionou-me o suficiente para me deixar bem acordada durante a noite) assim como alguns livros recomendados pelos meus pais, incluindo "Tron", "Terra, Campo de Batalha" (que achei fenomenal), "Xogum" (também óptimo) e o "Triunfo dos Porcos" que simplesmente adorei.

No que diz respeito às leituras obrigatórias do Secundário, de algumas (como "Aparição") gostei, de outras (como "Os Maias") nem tanto; a maioria ("Felizmente Há Luar" e o "Auto da Barca do Inferno") li por ler, nunca me despertaram grande interesse. Do que gostei foi do presente dos meus pais num dos meus aniversários, o meu primeiro "livro de adultos" se lhe quisermos chamar assim: "Ramsés, sob a Acácia do Ocidente" de Christian Jacq. Simplesmente adorei este livro, reli-o vezes sem conta e quando descobri que fazia parte de uma série, fiz o possível por adquirir (naquela altura através de pedinchice) o resto dos livros. Ainda hoje, Christian Jacq é um dos meus autores preferidos e o grande responsável pelo meu fascínio pelo Antigo Egipto.

Foi já na Universidade que descobri a economia de comprar livros em inglês; foi-me dado o trabalho de adquirir um livro nesta língua e de escrever sobre ele uma "ficha de leitura" (isto era, claro, para a disciplina de Inglês, lol). Quando me dirigi à FNAC para o comprar (foi "O Sétimo Papiro" de Wilbur Smith) apercebi-me de que todos os livros ingleses em exposição eram muito mais baratos do que os portugueses! A partir daí comecei a comprar em inglês o que me permitiu expandir em muito a minha (até aí) diminuta biblioteca. E ainda bem porque o meu gosto pela leitura não mostra sinais de diminuir. :)

8 comentários:

WhiteLady3 disse...

E de referir que me pegaste o vício de comprar livros em inglês (é verdade, só reparei na secção em inglês na FNAC quando me a indicaste) e me deste a conhecer os bodice rippers que eu era capaz de desdenhar até ler um. :P

Não consigo imaginar a tua biblioteca como alguma vez tendo sido diminuta! XD

slayra disse...

Lol, ainda bem para a tua carteira, mas suponho que não é muito bom para as tuas estantes... pelo menos eu sofro de uma quase crónica falta de espaço. Quanto aos bodice rippers, penso que todos os livros têm o seu lugar; os pretenciosos e os simples, os eróticos e os clássicos. Limitar a nossa leitura apenas a um tipo de livros tornaria, na minha humilde opinião, a experiência de ser uma "bookahólica2 bem mais pobre. Ler de tudo um pouco é saudável... é como comer de tudo um pouco.

Ahah, mas era, acredita. ^__^

Ana C. Nunes disse...

1000 livros? O.o Se eu já ficava horas a admirar a pequenita estante da minha mãe, então imagino como seria se tivesse crescido com tantos livros em casa.
E será que eu sou a única que nunca ficou fã dos "Cinco" ou de outros que tal? Devia ter os gostos todos torcidos naquela altura. :)

E não haja dúvida que ler em inglês fica mais barato (Bookdepository is my kingdom of books!).

slayra disse...

Lol... praí. Não sei, nunca os contei, mas o meu pai faz colecção daqueles livros pequenos da Europa-América e dos Livros do Brasil e cada uma dessas colecções deve ter uns 400 e tal livros por isso é bem capaz de chegar quase aos 1000. ^_^ Claro que agora já não compram livros, eu é que compro, lol.

Tenho a certeza que não és a única... simplesmente, foi um livro dos cinco que me catapultou para o mundo das leituras, por isso li todos. Mas havia outros livros interessantíssimos para jovens. :D

Book Depository is evil. LOL. Mas também faço a maioria das minhas compras lá, de resto só na Tema em Lisboa e mais raramente na Fnac.

jen7waters disse...

Mais ninguém lia a "Guida e Lena" da Francine Pascal? My God, aquela colecção era a minha bíblia, mais até do que Os Cinco. Bons tempos. :D

Sinceramente as leituras obrigatórias do nosso tempo não eram as melhores para incitar à leitura. Eu percebo que tenham uma moral, e etc, mas eram tão secantes :s (tirando os Maias, para mim, que adorei); e digo "do nosso tempo" porque mesmo sem ter a certeza do que é leitura obrigatória hoje em dia, há uns tempos vi na livraria um miúdo(talvez 16, 17 anos) com a mãe, a comprar As Brumas de Avalon, que a professora tinha mandado. Escusado dizer que fiquei :o e a pensar que no meu tempo não havia disto.
Btw, eu quero uma tshirt daquelas xD

slayra disse...

Por acaso esse não, mas esqueci-me de mencionar "Os Desastres de Sofia" da Condessa de Segur e "O Cavalo Preto" da Anne Sewel. Adorava esses. E o "Ulisses" da Maria Alberta Meneres, uma das únicas leituras obrigatória que adorei mesmo (sem contar com "O Cavaleiro da Dinamarca", claro).

Acho que as leituras obrigatórias não mudaram muito excepto que agora os miúdos têm de ler Saramago... mas não sei. LOL.

jen7waters disse...

A bom...Saramago O_O

Cat SaDiablo disse...

Realmente não consigo imaginar a tua biblioteca pequena :P

O meu tem cerca de 400 livros da colecção Vampiro, e eu sempre me senti fascinada por eles. Mas de certa forma assumia que eram objecto de devoção e conteúdo muitíssimo adulto, e só muito tarde comecei a lê-los. Deveria ter começado mais cedo ^^

Realmente, eu só tenho muito poucos livros d'Os Cinco, que foram comprados numa fase em que já estava a começar a ler outras coisas. Todos os outros foram emprestados da minha tia ou das bibliotecas, porque de facto não existiam à venda em lado nenhum.
Agora está a ser publicada uma nova edição d'As Gémeas, que de certeza vai fazer as delícias de muito jovem leitor actual :)

Jen, agora existe toda uma colecção de livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura, centenas deles, para as várias idades. Faz parte do esforço de incentivo à leitura, que considero louvável, principalmente porque finalmente saiu-se do compartimento estanque em que durante anos se meteram as obras recomendadas nas escolas. Agora há obras muito diversificadas, de autores portugueses e não só. Além desses livros existem, essas sim, continuam a ser as mesmas, na maioria, leituras obrigatórias, que fazem parte do programa e são analisadas. Provavelmente As Brumas de Avalon foi recomendado pela tal professora àquele aluno ou turma em particular, tendo em consideração o interesse desses alunos (o que é também louvável e deviam fazer todos os professores).