06 agosto 2012

Opinião: Desejo Subtil (Lisa Kleypas)

Desejo Subtil by Lisa Kleypas
Editora: Porto Editora (2012)
Formato: Capa mole | 375 páginas
Géneros: Romance Histórico
Sinopse (GR): "Quatro jovens da sociedade elegante de Londres partilham um objetivo comum: usar os seus encantos femininos para arranjarem marido. E assim nasce um ousado esquema de sedução e conquista. A delicada aristocrata Annabelle Peyton, determinada a salvar a família da desgraça, decide usar a sua beleza e inteligência para seduzir um nobre endinheirado. Mas o admirador mais intrigante e persistente de Annabelle – o plebeu arrogante e ambicioso Simon Hunt – deixa bem claro que tenciona arruinar-lhe os planos, iniciando-a nos mais escandalosos prazeres da carne. 
Annabelle está decidida a resistir, mas a tarefa parece impossível perante uma sedução tão implacável… e o desejo descontrolado que desde logo a incendeia.
Por fim, numa noite escaldante de verão, Annabelle sucumbe aos beijos tentadores de Simon, descobrindo que, afinal, o amor é o jogo mais perigoso de todos."
Li este livro em 2009, mas com a sua saída em português, com o título "Desejo Subtil", decidi colocar aqui no blogue, as minhas impressões.

Lisa Kleypas é uma das minhas autoras de romances históricos favoritas, juntamente com Julia Quinn e Laura Lee Guhrke.

Dito isto, o primeiro livro da série "À Flor da Pele" (The Wallflowers, no original) não foi um dos melhores que já li dela.

Anabelle Peyton, Lillian and Daisy Bowman e Evangelline Jenner têm uma coisa em comum: devido às suas peculiares situações pessoais, são consideradas maus partidos. Como tal, nunca são o alvo da atenção de homens abastados e são ignoradas em todos os bailes e ocasiões sociais.

Cansadas deste estado de coisas, as quatro jovens decidem formar um grupo chamado "As Debutantes"; uma aliança cujo objectivo é conceber planos que as ajudem a arranjar um marido.

A situação de Anabelle Peyton é das mais desesperadas. Apesar de ser uma senhora de linhagem nobre, a sua família é pobre; e como se sabe, nenhum homem abastado quer casar com uma mulher sem dote. Assim, apesar da sua beleza e estatuto social, Anabelle não consegue arranjar marido. O fim da sua última "temporada social" em Londres aproxima-se e ela teme ficar para sempre solteira (e consequentemente sem perspectivas de um futuro confortável). As Debutantes decidem concentrar os seus esforços em Lord Kendall, esperando persuadi-lo a casar com Anabelle. Mas Simon Hunt, o filho de um rico talhante decide que quer Anabelle como amante.

Li esta série fora de ordem. O número três foi o primeiro que li, e gostei imenso. Deste, nem tanto. O herói, Simon Hunt, é demasiado insistente e egocêntrico pelo que não consegui simpatizar minimamente com ele. Também não achei a Annabelle uma grande heroína. No fundo, o romance não me convenceu.

No aspecto histórico, o livro é fenomenal porque mostra claramente as profundas mudanças sociais que ocorrem em meados do século XIX, cortesia da industrialização: famílias nobres, herdeiras de grandes latifúndios caem na pobreza porque a agricultura já não é tão viável como antigamente. A burguesia, constituída por homens do comércio e da indústria, muitos deles de origens modestas, ganham terreno na arena social, mas são vistos com desconfiança pela nobreza devido ao facto de serem homens do povo, não criados segundo as regras da sociedade nobre e por terem conseguido as suas fortunas através do trabalho (segundo a mentalidade da época, um "cavalheiro" não tinha ocupação).

Por outro lado, a nobreza empobrecida vê-se obrigada a 'vender' as suas filhas (e filhos) a estes homens. Era, com efeito, uma troca comercial: os nobres conseguiam fundos e os burgueses conexões e linhagem. No entanto, a nobreza ainda olhava com sobranceria para estes novos ricos.

Esta dinâmica é claramente visível no livro uma vez que Anabelle é filha de nobres e Simon é filho de um talhante e portanto, de classe baixa. A autora explorou muito bem este tema. Infelizmente a parte do romance não é tão brilhante.

No geral, uma leitura relativamente agradável, mas nada de especial. Não é um começo de série dos mais auspiciosos, mas tendo já lido os quatro livros que a constituem posso dizer que, no geral, os outros volumes são superiores, pelo menos no que diz respeito à parte do "romance".

1 comentário:

Juliana disse...

Continue a ler essa séria, o primeiro não é o melhor mais o segundo e o terceiro são ótimos