20 outubro 2011

Sobre o preço dos livros

Quem me conhece, sabe que uma das principais fontes da minha irritação com o mundo editorial português é o preço dos livros. Actualmente os livros são taxados a 6% e segundo algumas notícias parece que vão continuar a ser, no ano que vem.

No entanto, os livros estão cada vez mais caros.

Nunca foram baratos, certamente. Sempre considerei o livro em Portugal como um luxo, um item a ser comprado uma vez por outra, quando se tem um dinheirinho a mais para gastar. Mas parece-me que as coisas vão de mal a pior, como constatei com surpresa no início desta semana.

Estava eu na FNAC a olhar para as novidades quando um livro me chamou a atenção. Já tinha ouvido falar dele mas como já desisti de comprar livros em português "passou-me ao lado" digamos. Mas como o autor é português e escreve dentro de um género que me agrada decidi dar-lhe uma oportunidade. Pego no livro e viro-o para ver o preço... 16 euros e 96 cêntimos. 17 euros, senhores! Um livro de capa mole, com pouco mais de 200 páginas e de um autor português. Nem sequer há a desculpa de ser mais caro por causa da tradução. Oh, reconheço que é um risco apostar num autor novo, claro, mas não seria mais fácil vender o livro se fosse um bocado mais acessível?
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Pronto. Tinha decidido apoiar o autor e por isso acabei por comprar o livro. Enquanto pagava, lembrei-me da encomenda que havia feito no dia anterior, numa loja online estrangeira: dois livros por pouco mais de 12 euros. E ambos com mais páginas do que a obra que acabara de adquirir.

Esta é a razão pela qual, se puder, não compro livros em português. Não estou propriamente a fazer um boicote, mas apesar das traduções e campanhas publicitárias custarem dinheiro; apesar das nossas edições terem alguma qualidade e apesar das nossas editoras serem bastante mais pequenas do que as estrangeiras, ainda assim acho que o preço dos livros é... bem, uma roubalheira. Pelo que, sempre que posso (quase sempre) compro em inglês.

Ah pois, mas nem toda a gente sabe ler em inglês, dizem-me vocês. A sério? Eu antes também não sabia. Mas como não sou rica achei que era útil aprender e toca de comprar livros em inglês até os conseguir ler sem problemas.

Mas... mas... as editoras estão a fazer um esforço!! Agora até já têm edições de bolso!!
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Ah sim? Edições de bolso que custam mais de dez euros? Belo progresso! Pois se eu compro livros estrangeiros de capa dura que definitivamente não são edições de bolso, na sua maioria a menos de dez euros! Porque é que hei-de me incomodar com as excessivamente caras edições de bolso portuguesas?
Compreendo que não sejam rentáveis (ainda) este tipo de livros, uma vez que os leitores portugueses, segundo consta, franzem o nariz aos livros de bolso. Mas se as editoras decidissem publicar a maioria dos seus livros neste formato (especialmente quando se trata de novos autores, que é sempre mais arriscado porque nunca se sabe como é que o público vai reagir) decerto que as pessoas se haviam de habituar. Desde que não sejam edições de bolso a 10 euros, claro. Se calhar é por isso que as pessoas não compram... digo eu.

Poder-se-á dizer também que os custos da publicidade fazem com que os livros sejam mais caros. A isto respondo: sejam criativas, editoras! Aproveitem veículos como as redes sociais e os blogues dedicados aos livros! É o que fazem as editoras estrangeiras, com um sucesso razoável.

Enfim. Confesso que não sei muito sobre o mundo editorial e certamente posso estar a dizer uma data de parvoíces, mas pelo que tenho visto, as editoras portuguesas não parecem gostar de arriscar (tirando uma ou outra). Continuam a publicar no formato tradicional que parece ser bastante mais dispendioso. O resultado? Bem, adivinhem. Estamos no meio de uma crise, poucos são os livros que custam menos de 16 euros (será que ainda há algum?). Parece-me que entre comida e livros a escolha é óbvia.

E vocês o que acham? Concordam? Discordam? Estariam dispostos a dar uma oportunidade aos livros de bolso, se as editoras decidissem começar a publicar a maioria dos livros neste formato? Que ideias têm para diminuir os custos de tradução e publicidade dos livros? :)

(1) Edição inglesa de capa dura "A Dance with Dragons" de George R.R. Martin - 1016 páginas (17.25 €) e edição portuguesa com capa mole "Anoitecer" de Karen Marie Moning - 260 páginas (17.16 €).
(2) Edição inglesa de capa dura "Blood Magic" de Tessa Gratton - 405 páginas (10.50 €) e edição de bolso (capa mole) de "A Paixão de Maria Madalena - volume/parte 1" - 544 páginas (10.09 €)

19 comentários:

Célia disse...

Eu acho que esta é uma questão muito complexa. Depende um pouco do que estamos a utilizar como termo de comparação quando dizemos "isto é caro".

Se compararmos com as edições em inglês, concordo que as edições portuguesas são caras. Percebo, na maioria dos casos, porque assim é: custos de tradução, material de mais qualidade, etc. Nos casos de autores portugueses que vendem milhares de exemplares (José Rodrigues dos Santos ou Miguel Sousa Tavares) que costumam ter os seus livros a 20€ ou mais, aí acho que é só aproveitamento por parte das editoras.

Se compararmos o preço de um livro com, por exemplo, uma ida ao cinema, acho que não são caros. Proporcionam-me mais horas de lazer do que um filme e deixam-me mais satisfeita, na maioria das vezes. E isto leva à subjetividade, que penso ser importante nesta questão. O facto de ser ou não caro depende muito de quem compra e do valor pessoal que atribui àquele objeto. Há pessoas que dão facilmente 500 e tal € por um iPhone, mas que acham um simples livro caro. Acho que este exemplo ilustra bem a ideia :)

Posto isto, e como compradora de edições portuguesas e inglesas, posso dizer que tenho cada vez mais tendência a comprar em inglês principalmente porque muitas vezes prefiro ler no original. E claro que é bom ser mais barato :)

Jessie disse...

E há outra roubalheira: livros que na versão original só têm um volume e que na tradução são divididos em dois (como, por exemplo, The Pillars of the Earth, os livros do George R. R. Martin, etc.).

slayra disse...

*nods* Esse é um ponto válido, sem dúvida. Mas no meu caso em particular só comparo mesmo com outros livros, até porque penso que se uma pessoa tem dinheiro para comprar Iphones não deve ter grande problema em comprar livros. Mas concordo, o cinema também é ridiculamente caro... :P

Claro que toda a gente sabe que muitas pessoas não têm qualquer problema em gastar 500 euros que não têm num Iphone. Isso é um problema recorrente.
Mas supondo que se tratam de pessoas que têm realmente acesso a esse capital sem dificuldade, não é dessas pessoas que falo (porque para essas, o preço dos livros não seria um grande problema). Falo de leitores com menos possibilidades que deixam de poder comprar livros porque os preços são muito elevados.

Mesmo comparando os preços em Portugal com os preços em França, por exemplo, estamos em desvantagem.
Em França os livros traduzidos são em média 1 a 2 euros mais baratos do que aqui (quando não são mais). Pode não parecer muito mas temos de ver que o nível de vida deles é superior ao nosso. E claro, as edições de bolso deles têm preços normais para edições de bolso... 5, 6 e 7 euros. O-o

slayra disse...

Jessie: Sinceramente não sei se é roubalheira ou não... se os livros não fossem divididos se calhar custavam uns 35 euros... quase tanto como as duas metades (o mais correcto seria que estes livros divididos fossem mais baratos... mas não). E depois andar com os calhamaços para trás e para a frente? O-o

Há, efectivamente livros que acho que não precisavam de ser divididos, mas outros se calhar não foi má ideia, lol.

WhiteLady3 disse...

Entre livros e comida para mim a escolha sempre foi óbvia. Prefiro comer, muito obrigada, ou não tenho energia para ler. :P

E concordo com a Célia, é uma questão subjectiva. E quem diz livros, diz DVDs e outros produtos do género. Ainda ontem conversava com o meu irmão sobre isso. Comprámos um DVD que acabou de sair, independentemente do valor, porque se tratava de um filme que adoramos e tínhamos de o ter naquele momento. Outros, não me importo de esperar inúmeros meses, até anos, para comprar a preços mais baixos.

Sim, parece que os preços dos livros demoram um pouco mais a baixar. Ou assim me parece, já que nunca encontrei a Saga das Ilhas Brilhantes da Juliet Marillier a menos de 15€, a edição normal não me venham falar na de bolso que dividiram e ficam ao mesmo preço ou mais caras, mesmo tendo já decorrido anos desde a sua publicação.

Mas daí preferir empréstimos. Nunca tive grandes posses e desde cedo me habituei a tal. Agora com uma biblioteca ao lado do trabalho ainda é melhor! Sim, sei que nem todos têm a mesma sorte que eu, que frequenta uma rede de bibliotecas bem apetrechada, onde consigo encontrar títulos que procuro, mas há maneiras de contornar alguns dos preços altos. Há feiras, alfarrabistas...

E será que o comprar lá fora não aumenta o preço por cá? As edições inglesas têm tiragens superiores, ou pelo menos é a ideia que tenho, e geralmente quanto mais se edita, mais barato sai, ou pelo menos é mais uma ideia que tenho e que pode estar completamente errada. Será que não é um ciclo vicioso? A perda de clientes que se viram para o exterior para comprar e influência o preço do produto interno?

Tchetcha disse...

Compreendo bem o teu ponto de vista e o da Célia e concordo com ambos. Vendo a situação de uma forma muito elementar, como compradora que tem de tomar uma decisão no momento de compra, dou por mim a não comprar exactamente porque sinto que é caro. Mesmo tendo consciência da qualidade de edição, do país pequeno, nas horas de entretenimento que me vai dar, não consigo pensar além do "bolas que é caro" no momento de o pagar.
Eu sou fã, sempre fui e sempre serei da edição de bolso mas até esses acho-os caros, como tu bem referiste no teu texto.

Patrícia Cálão disse...

Olá slayra!

Como leitora, concordo contigo. Desde que se começou a falar em "crise" que a maior parte das editoras tem vindo a subir o preço dos livros, mesmo com os 6% de IVA inalterados. Também comecei a comprar e a ler livros em inglês por achar um absurdo os preços que se praticam no mercado nacional. E sendo ainda estudante, é difícil dar quase 20€ por um livro, quando posso trazer 3 ou 4 livros em inglês pelo mesmo preço, sem pagar portes de envio.

Como estudante de edição, compreendo que uma editora é uma empresa e, como tal, o objectivo que prevalece no final é o maior lucro possível. Mas mesmo assim, concordo contigo. Existem outras maneiras de alcançar o sucesso. Penso que muitas editoras já estão a apostar nas redes sociais como meio publicitário, o que é uma mais valia. Mas os preços não estão a baixar. É claro que para algumas pessoas 20€ são 2€, mas essa não é a realidade da maioria. A maioria das pessoas nem sequer se dá ao trabalho de ler e, como a Célia disse, prefere gastar o pouco que têm em brinquedos electrónicos.

Depois há que ter em conta a mentalidade das pessoas do nosso país. Os ingleses e os americanos compram livros de bolso nos aeroportos e deixam-nos no banco quando acabam de ler. Eu não era capaz de fazer isso, e não conheço ninguém que fosse. Talvez seja por isso que os livros de bolso não tenham saída. Por mais 6€/7€ compramos um livros que fica 100x melhor na estante. As pessoas adoram as capas brilhantes e sedutoras. Já para não falar de que a maioria desconhece o Book Depository, por exemplo. No entanto, se os livros de bolso fossem mais baratos (deviam ser com a qualidade que têm), comprava sem dúvida alguma.

É uma questão complicada! Porque a empresa tem de sobreviver no mercado, com uma competição renhida. Mas ao mesmo tempo, tem de agradar e cativar clientes. Tem de se considerar os custos do papel e da impressão no nosso país, ainda que por vezes a impressão gráfica seja feita no estrangeiro. Tem de se considerar o salário de uma série de pessoas e também que o editor ou o dono da editora quer algum dinheiro para si.

Mas, lá está, como leitora, deixei de comprar livros em português. Agora, quando compro, é em inglês. Os livros em PT vêm, na sua maioria, da biblioteca.

Bjs***

Diana disse...

Eu também sou cada vez mais adepta dos livros em inglês! Não tenho dificuldade nenhuma em ler inglês, por isso aposto cada vez mais neles.

Dou por mim, por vezes, em livrarias, de volta de um livro que quero muito e depois penso, "não vou comprar porque em inglês é metade do preço". E eu, como também não sou rica...

E concordo em relação às edições de bolso... Sim, são mais baratas que as edições normais mas, ainda assim, acho que o preço é elevado para uma edição de bolso.
Resta-me continuar a comprar em inglês!

Quigui disse...

Hear Hear! Eu já há alguns anos que leio os livros no original, primeiro por questões de disponibilidade (finalmente começa a haver livros recentes traduzidos), e por questões de traduções e do que se perde com ela. Mas a verdade é que os preços nunca foram muito convidativos, em especial quando era mais nova e devorava livros. Comecei por comprar livros na Livraria Britânica, e mais tarde na Amazon, que mesmo pagando portes compensava.

Em alguns casos as edições portuguesas até são bem bonitas, e não me importo de dar uns 10€ mais, especialmente se for autor português (aí não tenho grande opção, na verdade). Mas na maior parte dos casos são livros grandes, com margens enormes, e pesados - pesam na carteira pelo tamanho e pelo preço.

Os livros de bolso também têm os seus problemas, pelo menos os mais recentes: margens centrais reduzidas em livros que têm quase a grossura do original = ter de adivinhar a última/primeira palavra de cada linha. Além que a maioria são o original dividido em 2, ligeiramente mais barato que este, o que acaba por não compensar.

jen7waters disse...

Essa questão dos livros de bolso também me deixa danada. Quando vi "os primeiros" nas lojas (pelo menos quando me apercebi deles - foi na Bertrand) fiquei toda contente, mas isto durou pouco porque vi o preço (na altura eram 9euros e tal), e outra coisa (a Jessie e a quigui já fizeram referência a ela): o dito livro era só metade do livro original (posso dizer qual é e já se percebe: O Filho de Thor, da Juliet), e a segunda metade custava o mesmo. Ou seja, feitas as contas, os dois livros de bolso custavam o mesmo que a edição no formato "normal". Mas isto faz algum sentido?
Por outro lado também percebo que Portugal não tenha o mesmo mercado literário que tem por exemplo os E.U.A., a Austrália, ou Inglaterra, países que vendem livros todos os anos como se fossem pãezinhos quentes, mas também se os preços aqui continuam assim, nunca se vão criar mais hábitos de leitura, porque não é fácil dar uma nota de 20 euros por um livro de 200 páginas e receber uns trocos de volta. É uma pescadinha de rabo na boca isto : livros caros->poucas vendas->poucos hábitos de leitura->editoras cobram livros a preço do ouro para terem lucro na mesma. Alguém tem de ceder! (Cheguem-se à frente editoras.) Ler é mesmo um luxo para quem não se vira para o inglês. :S

Diana disse...

Lembrei-me agora de outra coisa: já vi livros de autores portugueses traduzidos para inglês, francês, espanhol e, meus caros, é mais barato ler um autor português traduzido do que no original. o_O

Ana C. Nunes disse...

Concordo com o que dizes, tanto que praticamente agora também só compro livros em Inglês ou em PT mas de promoções.

Falas na publicidade, mas sejamos sinceros, que publicidade? Aqui em Portugal é raro ver-se publicidade a livros e muito menos a livros de novos escritores.
E eu também gosto de apoiar os autores nacionais mas com preços absurdos, só mesmo de vez em quando. É como dizes, nem sequer têm de pagar a um tradutor e já sabemos que os próprios autores ganham uma mísera percentagem, por isso porquê tão caros? Certamente não é para pagar ao autor.

Quanto aos livros de bolso, já os há com preços de 5-7€ o que já é bastante mais aceitável e até tenho alguns, mas realmente há muitos livros de bolso com preços abusivos. Chegamos até ao cúmulo de termos na edição de bolso dois livros que equivalem a um livro na edição normal e os dois livros de bolso ficam mais caros que o livro normal. O.O Se isto não é ridículo, não sei o que será.

Por um lado compreendo que em Portugal não se possam praticar os preços dos USA ou da Inglaterra, por não termos a mesma tiragem. Mas pagar 3-4 vezes mais? Isso é ganância e nada mais.
Já para não falar que há muitas traduções de levar as mãos à cabeça.

Olinda P. Gil © disse...

Solução: reforçar as nossas redes de amigos e família e fazer empréstimos e troca de livros, dvd's, etc. Vão a bibliotecas!

Andie disse...

É um facto que os livros em Portugal são caros. Exemplo 1: o novo livro do Carlos Ruiz Zafón tem pouco mais de 200 páginas (parece letra 16, ou seja maior que o habitual logo ‘para encher chouriços’) e custa cerca de 18€. No Bookdepository o hardback custa 9.44€! Exemplo 2: Nos últimos dois livros da J. R. Ward aumentaram o tamanho letra (again , ‘para encher chouriços’), passando o preço de cerca de 16€ para 18€. Exemplo 3: A Presença passou a usar papel reciclado (e os livros parecem-me de menores dimensões) e continuam a publicar livros a 22€. E são poucas as editoras cujos livros tem um preço ligeiramente mais baixo (2-3€) como a Quinta-Essência ou a Livros d’Hoje.
Outra coisa (que não tendo a ver directamente com o tema, está relacionada): reparei nos últimos meses que a FNAC (a do Colombo pelo menos, que é a que eu visito com frequência) tem vindo a aumentar o espólio dos livros em Inglês. É certo que mais caros que no Bookdepository ou na Amazon. Será isto um sinal de que alguém se está a aperceber que o leitor português começa a ler mais em Inglês? Fica a questão.

p7 disse...

Revi-me naquilo que dizes, pois hoje em dia quando vou a uma livraria faço precisamente esse tipo de cálculos e saio quase sempre sem gastar dinheiro e a pensar que gastava menos a comprar em inglês. Os meus hábitos de compras modificaram-se precisamente porque comecei a olhar para os preços. Ainda compro bastante em português, mas é geralmente uma promoção, um livro a meio duma série que já tenho em português, ou um livro que quero muito e acho que vale muito a pena comprar (por causa do autor/história e por causa da edição).

Livros de bolso leria mais, se não acontecesse tanto aquilo que referes das divisões e dos preços ainda altos. Se houvesse mais variedade, também apostava mais no formato. É uma pescadinha de rabo na boca: se não há compradores, os livros não têm maior tiragem e não baixam de preço; mas se não há procura devido aos preços serem altos, também os deviam tornar mais atractivos para os consumidores. Pessoalmente espero que a segunda parte vença, mas da maneira como as coisas estão, imagino que a primeira persista por algum tempo.

Publicidade a livros em Portugal é quase nenhuma, os grandes grupos podem dar-se ao luxo de fazer anúncios na televisão e revistas e possivelmente influenciar as livrarias a expôr melhor os seus livros, mas fica por aí. A blogosfera literária portuguesa ainda deve ser considerada demasiado pequena pelas editoras para ser um bom instrumento de marketing, mas vai-se vendo algum investimento nas redes sociais, o que já é positivo.

Isabel Maia disse...

O facto de entrar nas livrarias e ser raro encontrar livros em formato normal abaixo dos 15€ fez-me mudar para o formato de bolso já há algum tempo. São várias as colecções, umas mais completas que outras, com preços variados (tenho que concordar que a 11x17 abusa um bocado no preço) e com uma qualidade razoável.
Acabo por só me permitir comprar edições em formato normal em Feiras do Livro, aproveitando os descontos.
E depois quem diz Feiras do Livro e edições de bolso também diz alfarrabistas, edições de revistas/jornais...
Compreendo perfeitamente o que dizes quanto à diferença ed. Inglês/ed. Português mas no meu caso pessoal, não funciona. Gosto de ler em Português, bom Português, Português nosso, e não esse português que nos querem fazem engulir.

slayra disse...

Obrigada por todas as respostas! É interessante ver que toda a gente tem mais ou menos os mesmos problemas com o preço dos livros (edições de bolso enganosas e caras, más traduções, etc). Concordo com todos os pontos de vista, mas penso que se uma pessoa se restringir aos livros de bolso passa muita da oferta porque nem todos os livros chegam a esse formato. Mas sim, concordo que já existem colecções muito em conta... a da Book.it, por exemplo, é muito boa em termos de preço e qualidade da encadernação.

Laura disse...

Concordo com muitos dos pontos de vista colocados, mas gostava de adicionar uma coisa realcionado com o que a Célia introduziu: é verdade que existem pessoas que são capazes de gastar 500€ com um iPhone e depois acham que um livro de 15€ é caro. Mas não nos podemos esquecer que em comparação com a utilidade que cada objecto tem, os 500€ do iPhone são um género de investimento e o livro talvez não: não podem utilizá-lo para comunicar, para ir à internet, etc.,etc.. Não quero com isto dizer que não ache absurdo um argumento daqueles: efectivamente, se alguém tem disponibilidade para comprar um iPhone, também o teria para comprar um livro. Mas o próprio hábito de leitura não é muito usual em Portugal, o que obviamente leva a atribuições contrárias, na maioria dos casos, à utilidade dos ditos objectos.

Quanto ao resto, também comecei a investir em livros em inglês e acho que me vou manter assim. Nunca percebi aquela lógica económica de "se produzir 2 e gastar 10€ em cada um e os vender a 5€, sou obrigada a produzir 2 para obter um lucro de 10€. No entanto, se produzir 2, que me custam 10€ à mesma, e vender cada um a 10€, obtenho um lucro de 20€". Parece-me que, em certos casos e até um certo valor, seria benéfico vender mais barato porque, à partida, o número de pessoas que podem adquirir aquele produto aumentam e, com os números certos, podem ultrapassar os valores obtidos com preços mais altos. Mas, tal como tu, Slayra, também não percebo tudo tintin por tintin a nível editorial, excepto que as livrarias em Portugal têm custos elevados (mas quão elevados?).

Quanto aos livros de bolso, talvez adquirisse mais alguns, mas eu sou fã de livros de tamanho normal (?), por isso tenho uma tendência a fugir aos de bolso (especialmente quando não os acho baratos. Há uns dias vi um livro do Ruiz Zafon (?), edição de bolso, a 9.50-9.95€ - não me recordo do preço exacto - e ainda tinha um autocolante a dizer "preço baixo". 10€ não é um preço baixo para um livro...)

Landa disse...

Sei que já vou um pouco atrasada mas não poderia deixar de comentar este tópico tão interessante. Em primeiro lugar também eu considero que os livros cá em Portugal são caros. Ainda a semana passada fui a Itália e fiquei bastante impressionada pois os livros são a metade do preço. No entanto pergunto-me porquê que algumas editoras conhecidas estão a entrar em insolvência. Será que seria possível praticar preços mais em conta?
Não sou contra aos livros de bolso, até pelo contrário até os acho mais práticos, desde que não sejam daqueles cujo o inicio das frases não se consiga ler por as palavras estarem muito juntas da lombada. No entanto também os considero caros para o seu tamanho.

O meu inglês não é muito famoso mas vou seguir o teu exemplo e insistir um pouco mais. Pode ser que assim ganhe prática e possa poupar um pouco mais de dinheiro.

Referiram também que parte do livros Portugueses são caros porque são grandes. Acho que em alguns casos poderiam ser de menores dimensões, como é o caso dos livros do José Rodrigues dos Santos cujas letras são muito grandes. Assim acabariam por ser um pouco mais baratos, leves e transportáveis.