19 agosto 2012

Opinião: Grita (Laurie Halse Handerson)

Grita by Laurie Halse Handerson
Editora: Asa (2012)
Formato: Capa mole | 176 páginas
Géneros: Lit. Juvenil
Sinopse (GR): "Desperdicei as últimas semanas de agosto a ver desenhos animados da treta. Não fui ao centro comercial, ao lago, à piscina, nem atendi chamadas. Entrei na escola secundária com o cabelo errado, a roupa errada, o feitio errado. E não tenho ninguém sentado a meu lado." Melinda Sordino é a pessoa mais odiada do Liceu de Merryweather. No final do verão chamou a polícia, acabando com uma festa e colocando em sarilhos alguns dos finalistas mais populares da escola. Mas Melinda tem um segredo que guarda bem fundo, dentro de si, e que não pode contar a ninguém. Mas Melinda está a ser corroída pelo que aconteceu, e o mundo de reclusão que construiu para si ameaça ruir a qualquer momento."
(a edição lida foi a inglesa, mas são apresentados os dados da portuguesa)

Melinda Sordino é uma solitária. Ninguém lhe fala e ela não fala com ninguém. Velhas amizades são esquecidas quando Melinda telefona para a polícia e denuncia uma festa ilícita.

Rejeitada por todos, remete-se ao silêncio. Mas o que os ex-amigos não sabem é que Melinda passou por algo terrível naquela festa; algo que não a deixa falar, que a transforma numa sombra sem vida.

"Grita" (Speak no original) é o que pode ser considerado "um pequeno grande livro". Em cerca de 250 páginas (na edição lida) a autora traça um retrato cruel e terrível na sua verosimilhança, da experiência de uma adolescente na Escola Secundária.

A protagonista passou por algo indescritível e Laurie Halse Anderson mostra-nos com uma mestria horripilante como isso a afecta internamente. Melinda é uma personagem vazia e emocionalmente quebrada e isso nota-se no seu discurso. Em adição a este problema, Melinda deixou de ter amigos e de falar. Todo o livro é construído em volta da negação dos acontecimentos que levaram ao seu estado.

Ao mesmo tempo a autora apresenta-nos diversas situações da vida numa escola secundária: o facto de os professores não se importarem, os cliques, as instâncias de bullying (por parte de alunos e professores) e a completa inutilidade de algumas das disciplinas leccionadas.

Escrito de forma simples, na primeira pessoa, Grita é uma narrativa pungente. De leitura recomendada a quem gostou de livros como A Lua de Joana. E a toda a gente, vá.

1 comentário :

WhiteLady3 disse...

Convenceste-me com A Lua de Joana.