13 setembro 2012

Opinião: Long Lankin (Lindsey Barraclough)

Editora: Corgi Children's (2012)
Formato: Capa mole | 464 páginas
Géneros: Lit. Juvenil, Mistério, Terror, Fantasia Urbana
Descrição (GR): "In an exquisitely chilling debut novel, four children unravel the mystery of a family curse - and a ghostly creature known in folklore as Long Lankin. 
When Cora and her younger sister, Mimi, are sent to stay with their elderly aunt in the isolated village of Byers Guerdon, they receive a less-than-warm welcome. Auntie Ida is eccentric and rigid, and the girls are desperate to go back to London. But what they don't know is that their aunt's life was devastated the last time two young sisters were at Guerdon Hall, and she is determined to protect her nieces from an evil that has lain hidden for years. Along with Roger and Peter, two village boys, Cora must uncover the horrifying truth that has held Bryers Guerdon in its dark grip for centuries - before it's too late for little Mimi. Riveting and intensely atmospheric, this stunning debut will hold readers in its spell long after the last page is turned."
AVISO: Alguns SPOILERS.
Geralmente não costumo escrever opiniões em português de livros que não estão publicados por cá, mas Long Lankin foi uma leitura tão surpreendente que decidi que valia a pena dar a conhecer este livro aos leitores que gostam deste género.

Quando comecei esta leitura não esperava muito da obra. Este livro é geralmente classificado como "juvenil" (ou YA - jovem adulto) pelo que depreendi que se tratava de mais uma obra na veia de Sangue Ruim. Com fantasmas e casas assombradas e uma heroína metida no meio de um imbróglio sobrenatural. Provavelmente com um romance adolescente lá pelo meio.

Devia ter lido melhor a sinopse.

Primeiro, Long Lankin não se passa na actualidade, mas sim nos finais dos anos 50, em Inglaterra. A autora pinta um retrato assustadoramente real da vida numa pequena aldeia pouco mais de dez anos após a Segunda Guerra. Não há qualquer tentativa de sanitizar a realidade: Barraclough descreve a situação de miséria em que tantos ingleses se encontravam; as diferenças entre classes e entre o campo e a cidade; a dor sentida pelas famílias ao perderem os seus filhos. Os protagonistas desta história - um grupo de crianças de idade indeterminada - comem mal (por vezes comem mesmo pão bolorento), brincam em abrigos contra bombas e têm muitas vezes de se desenvencilhar sozinhos. São crianças muito auto-suficientes, com preocupações diferentes das actuais.

Tudo isto nos é descrito em pormenor pela autora, nas primeiras 200 páginas. Este é outro aspecto a reter em relação a este livro: o ritmo é lento, quase demasiado lento a princípio. Barraclough leva o seu tempo a descrever os locais de interesse na aldeia onde se passa a trama, a vida quotidiana das pessoas, os passatempos das crianças protagonistas, entre outras coisas. A parte sobrenatural do enredo vai-se insinuando lentamente em conversas e suspeitas vagas, mas nada de significativo acontece durante quase metade do livro.

Este ritmo e esta demora em chegar ao ponto central da história tornaram a leitura aborrecida. Mas quando Cora (a heroína) e Roger (o herói) começam a investigar a lenda de Long Lankin, o livro torna-se tão interessante (apesar de igualmente descritivo) que é quase impossível largá-lo. Queremos sempre saber mais.

Long Lankin é, de certo modo, a personagem central deste livro. Trata-se de um espírito maléfico baseado numa personagem de uma balada inglesa ('Long Lamkin'), que é também várias vezes apresentada ao longo do livro (na sua versão de 1968, cantada por Martin Carthy). Os nossos heróis vão ter vários encontros com esta personagem e terão de tentar descobrir as suas origens.

No geral, gostei deste livro. Custou-me um bocado entrar na leitura porque muito pouco acontece de início, mas assim que o Long Lankin aparece, o livro torna-se mais interessante. Algumas partes são perturbadoras, quer devido ao realismo que influi por esta obra quer devido à mestria da autora em criar uma personagem maléfica e repulsiva. Apesar do seu começo lento, Long Lankin é um livro que fica connosco muito depois de terminarmos a leitura. 
Penso no entanto que dificilmente agradará aos leitores de YA mais tradicional não só pelo nível de exposição, mas também porque as personagens são mais realistas e consequentemente mais 'infantis' do que é normal dentro do género. A inexistência de um romance poderá também desencorajar alguns leitores.

2 comentários :

WhiteLady3 disse...

Parece bastante interessante.

slayra disse...

É. Mas lá está, tens de ter paciência porque demora um bocado a ficar interessante. xD