27 maio 2013

Opinião: Estrada Vermelha, Estrada de Sangue (Moira Young)

Estrada Vermelha, Estrada de Sangue by Moira Young
Editora: Editorial Presença (2012)
Formato: Capa mole | 336 páginas
Géneros: Ficção Científica, Lit. Juvenil
Descrição (GR): "Estrada Vermelha, Estrada de Sangue é um thriller futurista, uma aventura épica que se passa num período pós-apocalíptico e extremamente violento. Saba, a protagonista, é uma jovem que viveu sempre em Silverlake, numa zona remota, inóspita e quase deserta, até ao dia em que uma tempestade de areia traz consigo um bando de terríveis criminosos que lhe matam o pai e levam consigo Lugh, o irmão gémeo que ela adora. Sozinha com Emmi, a irmã mais nova, Saba vai investir toda a sua coragem e o seu espírito combativo na busca do irmão, numa demanda perigosíssima e empolgante, através de intermináveis extensões desérticas e violentas intempéries, que culminará numa apoteose de pura adrenalina."
(a edição lida está em inglês, mas são apresentados os dados da portuguesa)

Ainda não sei bem o que dizer deste livro, mais um de tantos que estão na minha estante há já algum tempo, mas nos quais tenho medo de pegar por ouvir tanta coisa boa. Parece estranho, mas é verdade; quando oiço/leio muitas coisas boas acerca de um livro, tenho mais receio de lhe pegar. Porque penso sempre "e se eu não gostar do livro? Como é que vou escrever uma opinião de um livro tão adorado?"

Felizmente, não foi o caso com "Estrada Vermelha, estrada de sangue" (Blood Red Road). Gostei bastante deste livro, com as suas personagens refrescantes, o seu romance bem desenvolvido e a sua heroína "kick-ass". Ok, algumas partes foram um bocado foleiras (o colar da Saba, por exemplo), mas no geral foi uma boa leitura, compulsiva mesmo.

Saba vive num local isolado com a sua família, constituída pelo pai, pela irmã de nove anos Emmi e pelo seu gémeo Lugh. Eles são as únicas pessoas em Silverlake.

Mas quando homens armados a cavalo raptam Lugh e matam o seu pai, Saba sente a raiva a crescer dentro de si. Ela vai ter de atravessar desertos e enfrentar tempestades de areia para cumprir a promessa que fez ao irmão: a de que o encontraria, seja onde for que ele estivesse.

Pela primeira vez, Saba sai da sua pequena terra e enfrenta um mundo hostil onde o deserto e o sol reinam e não existem leis a não ser as da crueldade, impostas por um misterioso Rei.

Estrada Vermelha, estrada de sangue tem uma estrutura parecida com as dos livros de fantasia, apesar de ser um livro distópico/ pós-apocalíptico. Saba deixa a sua terra isolada numa demanda (encontrar o irmão e salvá-lo dos seus raptores), conhece outros locais e vai "coleccionando" companheiros que a ajudarão a conseguir o seu objectivo. O próprio mundo tem um ambiente muito fantástico, com criaturas estranhas, um Rei tirânico e tudo coberto de areia. No entanto, Young conseguiu introduzir habilmente ao longo da narrativa alguns aspectos que nos lembram que este local fantástico é, de facto, o nosso próprio planeta. Por exemplo, Saba mede a distância a que está uma tempestade contando os segundos entre o relâmpago e o trovão com uma variante da utilizada pelos americanos ("one Mississipi, two Mississipi"); Jack possui uns binóculos; uma das personagens tem um livro sobre Luís XIV.

Mas nunca sabemos muito sobre o que aconteceu à sociedade humana e ao planeta para que a primeira tenha sido destruída e o segundo transformado num grande deserto com poucas fontes de água. Existem pistas, mas nada de concreto; espero que a autora nos diga mais sobre o que se passou em livros posteriores.

Apesar da construção do mundo ser um pouco vaga, a acção e as personagens mantêm-nos interessados. Saba é uma heroína deliciosa: é teimosa e rude, mas de forma engraçada. Tem defeitos (alguns deles algo graves), mas redime-se ultrapassando os seus maus hábitos e as suas percepções erradas de certas coisas. Saba (e as outras personagens) é muito humana e é definitivamente uma personagem que gostei de seguir. As suas interacções com Jack explodem de química e alguns dos momentos entre estes dois protagonistas são tão incrivelmente "fofos" que só apetece dizer "awwww" (eu senti-me sorrir diversas vezes).

Temos então uma história interessante e bem construída, personagens carismáticas que são alvo de desenvolvimento e uma narrativa com um bom ritmo, colorida com o inglês (ou português, na tradução) estranho falado pelos protagonistas. Isto, para mim, equivale a umas horas bem passadas. Gostei imenso deste livro por ser YA mas não se focar no romance (apesar de haver romance), por ter um enredo imaginativo e por ter personagens com fibra (e sem poderes especiais). Gostaria de ter lido mais sobre o mundo e as suas origens, mas esta falta de desenvolvimento do mundo não impediu o desenvolvimento da história uma vez que esta não estava directamente ligada ao mundo e ao que se acontecera no passado (ao contrário do que se passa em muitos livros pós-apocalípticos), porque as personagens não estavam interessadas em saber o que causou o declínio da sociedade. Assim a falta de desenvolvimento do mundo não me irritou tanto como o faz geralmente, mas estou algo curiosa e espero saber mais sobre ele.

No geral, uma boa leitura. Recomendo este livro sobretudo pelos protagonistas.

1 comentário :

Sr. Schlacter disse...

Ola,
Achei seu blogue bastante interessante, apressei me em seguir te.
Att: Sr. Schlacter