05 agosto 2013

Opinião: O Estrangulador de Cater Street (Anne Perry)

O Estrangulador de Cater Street by Anne Perry
Editora: Asa (2013)
Formato: Capa Mole | 336 páginas
Género: Ficção histórica, mistério/ thriller
Descrição (GR): "O primeiro mistério do casal de detectives Charlotte e Thomas Pitt Enquanto as irmãs Ellison - Charlotte, Sarah e Emily - visitam amigos e tomam chá nos melhores salões londrinos, uma das suas criadas é brutalmente assassinada. Para Thomas Pitt, o jovem e pacato inspetor destacado para o caso, ninguém está acima de suspeita. A sua investigação na requintada casa da família Ellison vai provocar reações extremas: para uns, será de absoluto pânico; para outros, de deselegante curiosidade; para a jovem Charlotte será algo mais íntimo e empolgante. Algo capaz de levar Thomas a perder momentaneamente o seu instinto detetivesco e a andar com a cabeça nas nuvens. Mas sobre o casal pairam sombras impossíveis de ignorar: Charlotte é uma menina da sociedade e Thomas pertence à classe trabalhadora... e o assassino que atormenta as ruas da cidade continua à solta, implacável."
Aviso: Um spoiler muito pequeno (nem sei se é)

Já tinha ouvido falar de Anne Perry, claro, porque esta senhora já escreve livros há bastante tempo e tem fama de escrever bons livros. No entanto, os mistérios nunca foram o meu género favorito e foi por isso que comecei esta leitura com alguma trepidação. 

Se me perguntassem o porquê de ter, sequer, adquirido este livro, tenho de confessar que não saberia como responder. Talvez tenha sido a capa, com o Big Ben em proeminência, ou a sinopse que dá a entender que se trata, mais ou menos, de um "cozy mystery" ao estilo dos da Agatha Christie, passado na época Vitoriana. Sinceramente não sei. Mas comprei-o e deu-me vontade de o ler, e apesar de este realmente não ser o meu género acho que valeu a pena pois foi uma leitura muito agradável.

Charlotte Ellison é a irmã do meio de uma família de classe média alta. O seu pai trabalha num banco na City e ela pode dar-se ao luxo de ser ociosa e de se preocupar com tão pouco como a paixoneta que tem pelo marido da irmã ou com os cachecóis que tem de levar à casa do vigário. Mas Charlotte é inquisitiva e gosta de fazer coisas "pouco femininas" como ler os jornais e discutir os assuntos que tipicamente são mais masculinos do que femininos.

Quando uma jovem aparece estrangulada em Cater Street, perto da sua casa, Charlotte trava conhecimento com Thomas Pitt, um inspector da polícia (de classe mais baixa, claro). Pitt dá-lhe a conhecer um mundo que Charlotte desconhecia e à medida que o assassino tresloucado vai deixando um rasto de vítimas, ela e Pitt têm de unir esforços (mais ou menos) para descobrir a identidade do estrangulador.

Este livro lembrou-me realmente, em certos aspectos, dos de Agatha Christie. Há um foco bastante vincado no desenvolvimento das personagens, no que diz respeito aos seus sentimentos relativamente aos crimes. Anne Perry mostra-nos com mestria como uma comunidade mais ou menos amigável se vai tornando hostil quando se abate sobre eles a suspeita. É curioso ler sobre os processos de pensamento de Charlotte, da sua mãe e de Dominic o marido da irmã de Charlotte, por quem ela tem uma paixão secreta. É também interessante (mas algo macabro) descobrir as motivações do culpado.

O mistério é bastante simples, mas não deixa de ser inventivo. Talvez se deva ao facto de ler poucos livros de mistério, mas apesar de ter algumas suspeitas não consegui ter a certeza da identidade do assassino.

O que já não achei tão bom foi o "romance". Charlotte e Pitt são uma "dupla" de detectives (isto não é propriamente um spoiler, vem na contracapa) e é neste livro que se conhecem. No entanto, não achei que houvesse grande química entre ambos. Mas tenho de reconhecer que ambas as personagens são carismáticas; gostei bastante do facto do Thomas gostar da Charlotte exactamente por ela não ser um modelo de feminilidade Vitoriana.

No geral, uma leitura agradável. A autora imprime um bom ritmo à narrativa, não havendo tempos mortos, apesar de haver uma boa dose de introspecção por parte das personagens. O mistério é adequado, as personagens são interessantes q.b. e a escrita é fluida. Para quem gosta de história, as descrições dos valores e do quotidiano vitorianos irão com certeza ser uma adição intrigante. Devo também referir a excelente qualidade da tradução (quero dizer, pelo menos do texto). Recomendado para os fãs de Agatha Christie.

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