16 dezembro 2013

Opinião: Mistborn (Brandon Sanderson)

Mistborn: The Final Empire by Brandon Sanderson
Editora: Tor Books (2007)
Formato: Capa mole | 647 páginas
Género: Fantasia, Distopia
Descrição (GR): "Once, a hero arose to save the world. A young man with a mysterious heritage courageously challenged the darkness that strangled the land.
He failed.
For a thousand years since, the world has been a wasteland of ash and mist ruled by the immortal emperor known as the Lord Ruler. Every revolt has failed miserably.
Yet somehow, hope survives. Hope that dares to dream of ending the empire and even the Lord Ruler himself. A new kind of uprising is being planned, one built around the ultimate caper, one that depends on the cunning of a brilliant criminal mastermind and the determination of an unlikely heroine, a street urchin who must learn to master Allomancy, the power of a Mistborn."
AVISO: Alguns SPOILERS!
Não sei se isto vos acontece, mas para mim sempre foi mais fácil dizer mal de um livro do que dizer bem. Ou talvez, pondo as coisas em termos mais "agradáveis", sempre me foi mais fácil criticar do que elogiar. Não sei se isto é um problema geral da humanidade ou se eu simplesmente sou mazinha e chata, mas é verdade. Na verdade, penso que se prenderá com o facto de que, quando lemos um livro de que não gostamos, temos (ou eu tenho) tendência a ficar um pouco "presos" nos aspetos que não nos agradaram enquanto que quando lemos um livro de que gostamos... nos limitamos a gostar.

Toda esta conversa para dizer que a minha opinião geral de Mistborn é... OMG, que fixe! Basicamente. E que me é bastante difícil escrever algo concreto e minimamente (não nos esqueçamos que se trata de uma opinião) objetivo. Por isso, fiquem com isto para começar: gostam de fantasia? Leiam este livro.

Creio que, se tenho de apontar alguma falha (subjetivamente, pois suponho que deva ter falhas a nível 'técnico'... todos os livros têm, penso eu), diria que o começo algo lento será o maior problema deste primeiro livro da trilogia "Mistborn". De facto as primeiras, oh, 150 páginas arrastam-se e são algo aborrecidas. No entanto, o ritmo não tarda a acelerar (quando os protagonistas se encontram) e o livro torna-se muito mais interessante.

Devo dizer também que o final do livro foi um bocado anticlimático. O autor passou o livro todo a acumular tensão e depois o desfecho... soube a pouco. Ligeiramente.

De resto, "Mistborn" é certamente um dos meus livros preferidos de 2013. Tem ação, intriga, um mundo bem desenvolvido e imaginativo, personagens carismáticas e interessantes e até algum romance. A narrativa é empolgante e desenvolve-se a bom ritmo. As personagens crescem diante dos olhos do leitor.

O livro tem lugar num mundo fantástico onde um tirano imortal escraviza todo um povo. O mundo de Mistborn é um mundo quase estéril, onde plantar algo requer muito esforço e onde apenas alguns colhem os benefícios. Os "Skaa" (o equivalente aos camponeses/trabalhadores na Europa Feudal) trabalham quase vinte e quatro horas por dia, não são pagos (apenas em géneros... e mesmo assim mal) e ainda levam tareias se abrandarem o ritmo de trabalho. Do outro lado do espetro temos a nobreza, os exploradores de toda a terra e comércio. São os ricos, a classe privilegiada e quem fica com os frutos do trabalho dos Skaa.

Apesar desta disposição não ser propriamente original num livro de fantasia, gostei da forma como Sanderson a desenvolveu. O autor pega em diversas ideias e fundamentos com raiz histórica para explicar o seu sistema social. Os Skaa são vistos como inferiores (aos nobres) e quase como animais (tanto que matar um Skaa não é crime), o que me lembrou do racismo científico, uma doutrina que surgiu no século XVIII e que visava explicar porque é que os Europeus (brancos) eram superiores a outras raças. O mundo de Sanderson parece ter uma ideologia semelhante, que explica muitas das atrocidades cometidas contra grande parte da população.

Existe também a ideia de que se deve manter a "pureza do sangue", prevalecente durante tanto tempo entre as casas reais Europeias. No caso da "Dominância Central" e do "Último Império" (a designação do império comandado pelo Lord Ruler), isto prende-se com os poderes da Alomância (Allomancy em inglês... se o autor inventa, eu também invento) - um poder mágico que advém da "queima interior" (e figurada) de metais - que é, aparentemente hereditário.

E é aqui que entra uma das personagens principais, Vin a ladra. Vin é uma "Mistborn", uma 'maga' que pode utilizar todos os metais da Alomância para conseguir poderes. O seu pai é um nobre, mas não tem conhecimento dela porque os nobres têm de matar todas as mulheres Skaa com quem têm relações, para impedir que nasçam Skaa com poderes mágicos. É o envolvimento de Vin com a rebelião Skaa e com o enigmático Kelsier que é o centro deste primeiro livro. Mas já lá iremos.

Não posso deixar passar também toda a mitologia referente ao Lord Ruler, o imperador imortal. Na superfície ele é apenas um vilão que oprime o povo e os controla a todos mediante os Inquisidores, umas criaturas com estacas de metal enfiadas nos olhos (I kid you not). Mas, à medida que vamos lendo, vamos descobrindo que o Lord Ruler tem efetivamente um papel importante no mundo criado por Sanderson.

Está então construída a fundação de "Mistborn". A mitologia e desenvolvimento do mundo foram o que mais gostei neste livro. Claro que o enredo é interessante (ler sobre pessoas que enfrentam inimigos muito mais poderosos é sempre), mas gostei do facto de este livro ser... mais do que isso. Mais do que essa luta. É como o Shrek ou as cebolas... tem camadas.

Gostei da maioria das personagens. A Vin é uma personagem intrigante, com as suas inseguranças, que a tornam tão humana. Kelsier foi uma personagem que me irritou e me fez gostar dele à vez; não gostei particularmente da forma como manipulava as pessoas à sua volta, mas não posso negar que é uma personagem carismática. A única personagem que não achei nada de especial foi o Elend Venture.

No geral, um livro que recomendo vivamente a todos os amantes de fantasia. Correndo o risco de me repetir (mas vou mesmo, eh eh), "Mistborn" tem um pouco de tudo: ação, intriga, um mundo bem desenvolvido e imaginativo, personagens carismáticas e interessantes e até algum romance. É uma obra que se lê num ápice; assim que "entramos" na narrativa é quase impossível parar.

Conta para o:

2 comentários:

WhiteLady3 disse...

Este é dos que sempre me passou ao lado mas criaturas com estacas de metal enfiadas nos olhos e um livro como o Shrek e as cebolas parece-me bem. :D

slayra disse...

Vês? Eu sabia que havias de gostar das estacas de metal. xD