12 fevereiro 2014

Opinião: Angelfall (Susan Ee)

Angelfall by Susan Ee
Editora: Amazon Children's Publishing (2012)
Formato: Capa Mole | 283 páginas
Género: Fantasia Urbana, Ficção pós-apocalíptica, Lit. Juvenil
Sinopse.

AVISO: Contém SPOILERS (nada de grave)
Vou fazer parte da minoria, tanto de leitores internacionais, como de alguns nacionais e dizer francamente: não achei este livro nada de especial.

Talvez tivesse expetativas demasiado altas. Talvez seja uma pessoa demasiado picuinhas que vê sempre algo de errado em tudo. Mas não consegui sentir a magia, a ligação e o entusiasmo de centenas de outros leitores que deixaram aqui a sua opinião.

Por isso, eis o que achei (numerado, para ser mais fácil).

1. O enredo: Angelfall é uma história apocalíptica, o que é bastante óbvio pelo título: "Queda de anjos". Acompanha a jornada de Penryn, uma jovem de dezassete anos que vive numa sociedade recentemente (há seis semanas, no livro) destruída pelo Apocalipse. Com A grande. Com anjos a voarem dos céus e a destruírem a Humanidade. Penryn tem uma irmã de sete anos que é paraplégica e uma mãe esquizofrénica. Quando a irmã, Paige, é raptada por anjos, Penryn tem de formar uma aliança desconfortável com o anjo Raffe, que parece ter inimigos entre os da sua espécie.

Tenho de admitir que tinha alguma curiosidade sobre a forma como a autora ia explorar um Apocalipse com implicações religiosas. Mas a minha curiosidade não foi satisfeita porque este livro não refere nada, nadinha mesmo, sobre isso... apenas que chegaram uns anjos e BAM, destruíram tudo e são mesmo maus.

Tudo o que acontece é uma espécie de demanda onde a Penryn convence um anjo chamado Raffe a dizer-lhe onde fica o (a?) aerie, o covil dos anjos em São Francisco para que ela possa ir salvar a irmã. A dinâmica entre estas duas personagens poderia ter sido interessante se houvesse realmente antagonismo entre ambas; mas apesar de eles trocarem bitaites nunca há realmente "faíscas" (de serem inimigos) e tensão entre eles. Isto deve-se provavelmente à narrativa e à escrita: o livro está na primeira pessoa do presente indicativo, o que significa que apenas temos o lado da Penryn. E a escrita, apesar de competente, não consegue transmitir adequadamente os sentimentos dos personagens.

Algumas das cenas do livro são bastante "foleiras", como o facto de se dizer que ah e tal os anjos não são humanos, mas o que fazem os anjos mal se "instalam" na Terra? Vão curtir, meus! Abrem um "clube"/bar e andam por lá a cirandar, com roupas dos anos 20 e mulheres meio despidas no braço. Yeah, baby.

E que raio vem a ser toda aquela história com as experiências em humanos. Não faz sentido nenhum.

2. Mundo: muito mal desenvolvido. A sociedade humana basicamente ruiu em 6 semanas e a autora dá muito pouco contexto sobre como tal aconteceu. Penryn não fala sobre o que se passou, não temos qualquer ideia sobre o que os anjos estão ali a fazer, o que despoletou o Apocalipse, etc. Basicamente, a construção do mundo é incipiente.

3. Personagens: admito, a Penryn é uma protagonista bastante decente. Sabe cuidar de si e não se derrete toda por causa do protagonista masculino. Mas também não é uma personagem propriamente memorável. A sua voz narrativa é algo monocórdica e cinzenta e mesmo os sentimentos que professa (pela irmã, mãe e pelo Raffe) parecem distantes.

O Raffe é um estereotipo andante, se bem que ganha pontos por não ser creepy como a maioria dos protagonistas... não observa a heroína a dormir, não a persegue, etc. E é... agnóstico. Tal como, aparentemente o são muitos outros anjos, o que não impediu que fizessem o que lhes mandou o anjo manda-chuva que supostamente recebe ordens de Deus... que eles não têm a certeza se existe... erm.

4. Personagens secundárias: A Paige quase não aparece e a mãe da Penryn é provavelmente a pessoa mais interessante da história.

No geral... foi uma leitura mediana. Nada mais. Infelizmente este livro não me conseguiu cativar. :/

Lido para a Temporada Ficção Pós-apocalíptica:

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