25 fevereiro 2014

Opinião: Robopocalipse (Daniel H. Wilson)

Robopocalypse by Daniel H. Wilson
Editora: Bertrand Editora (2014)
Formato: Capa mole | 368 páginas
Géneros: Ficção científica
Descrição (Bertrand.pt): "Num futuro não muito longínquo, a espantosa tecnologia que gere o nosso mundo vira-se contra nós. Controlada por uma inteligência artificial infantil, mas extremamente poderosa, chamada Archos, a rede global de máquinas de que o nosso mundo se tornou dependente transforma-se de repente num inimigo implacável e mortal. Na hora H, o momento em que os robôs atacam, a espécie humana é quase completamente erradicada, mas, à medida que os sobreviventes se começam a reagrupar, a humanidade une-se pela primeira vez num esforço concertado de resistência. 
Este é o relato oral do conflito, contado por um elenco internacional de sobreviventes que viveram na pele este confronto longo e sangrento com as máquinas. 
Robopocalipse é um épico brilhante, cheio de ação e de pormenores ricos, com implicações arrepiantes no que diz respeito à tecnologia que nos rodeia."
"Robopocalipse" é um daqueles livros que, mal saiu, tinha logo um contrato para um filme. E percebe-se porquê. Fãs de filmes como "Exterminador Implacável", "Eu, Robô" e "The Matrix" irão reconhecer muitos dos elementos do enredo de "Robopocalipse". De facto, esta leitura esteve pejada de momentos de "deja vu".

A premissa é bem conhecida: um dia, uma inteligência artificial chamada "Archos" espalha um vírus que atinge todas as máquinas e as faz virarem-se contra os humanos. Por motivos desconhecidos, as máquinas desatam a matar pessoas aos milhões. Os sobreviventes refugiam-se nas zonas rurais onde as "máquinas ainda não conseguiam andar porque estavam habituadas a ambientes urbanos" e nascem diversos movimentos de resistência.

E... é isto. E mais, uma vez que este livro, tal como, segundo dizem o "Guerra Mundial Z", está escrito na forma de relatos vários sobre a "Nova Guerra" (New War, I kid you not) é bastante óbvio desde o início quem ganhou a guerra, o que para mim retirou bastante interesse à leitura.

O enredo, o mundo e as personagens não são nada se não genéricos. Não existe um narrador, per se, uma vez que se tratam de diversos acontecimentos espalhados no tempo, vividos por diversas pessoas, mas nem mesmo a pessoa que está a recolher esses relatos é interessante. Não há grandes descrições sobre como o mundo foi afetado pela guerra, não há descrições claras das máquinas e nem sequer sabemos em que ano (ou século) isto se passa.

Quanto a Archos, a inteligência artificial, parece estar no livro apenas para ser o vilão. Tipicamente, escolhe fazer-se representar pela imagem de uma criança e falar com uma voz infantil. Se o autor fosse menos subtil, não sei se isto teria sido publicado.

Não existe qualquer tipo de reflexão acerca do que é a vida, do que é viver e sobre como os robôs experimentam esta mudança. Este livro é apenas uma coleção de cenas de ação. E é por isso que dará um ótimo filme.

Existem diversas pontas soltas, sendo a mais grave de todas o facto de nunca nos serem explicadas as motivações de Archos. Porque é que a primeira coisa que uma inteligência artificial faz, ao ser criada, é tentar destruir a Humanidade? Supostamente seria por despeito, porque as pessoas criaram e destruíram outras IA antes de Archos, mas sinceramente isso não me parece um motivo muito válido para uma inteligência que é, supostamente, lógica.

Também nunca percebemos porque é que os robôs faziam experiências em humanos, porque é que não os mataram a todos e porque é que uma inteligência que controla todas as máquinas do planeta não conseguiu antecipar alguns dos movimentos dos humanos.

O final é... nem tenho palavras para o quão anticlimático e ilógico é.

No geral, uma obra pouco interessante. É realmente demasiado parecida com os filmes listados acima para ser original e não tem muitos atributos que a redimam. A única coisa que posso dizer em favor de "Robopocalipse" é que se lê rapidamente.
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Lido para a Temporada de Ficção Pós-apocalíptica:

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