20 março 2014

Opinião: O Punhal do Soberano (Robin Hobb)

O Punhal do Soberano by Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência (2009)
Formato: Capa mole | 364 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição (GR): "Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo, enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais, que deve manter em segredo a todo o custo. Enquanto recupera, o reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o rei Sagaz não viverá por muito mais tempo. Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?"
"O Punhal do Soberano" constitui a primeira parte do segundo volume da série The Farsee Trilogy.

Depois de mal sobreviver aos acontecimentos no Reino da Montanha, Fitz, filho bastardo do príncipe Cavalaria regressa aos Seis Ducados para servir o seu rei. Mas depara-se com um reino mudado: Moli, o seu amor de infância desapareceu, o rei Sagaz está doente e a rainha expectante, Kettricken, definha confinada a uma cultura diferente daquela a que está habituada. Majestoso recuperou o seu lugar na corte, apesar das suas intrigas, o Bobo continua tão misterioso como sempre e a ameaça dos Navios Vermelhos paira sobre Torre do Cervo.

Se o primeiro livro foi na sua generalidade um livro de introdução, em que assistimos ao crescimento de Fitz desde a infância, à formação de relacionamentos e amizades e ao seu treino como assassino, em "O Punhal do Soberano" temos um Fitz à beira da vida adulta (apesar de ser um bocado obtuso, coitado) que começa a ver-se envolvido muito mais ativamente nas tramas da corte.

Foi exatamente por isso que este livro me agradou mais do que o primeiro. No primeiro livro tudo me pareceu um bocado juvenil e inconsequente; neste, Fitz começa aos poucos a participar na vida do rei e do herdeiro e a ter um papel protetor muito mais vincado.

Mais uma vez, foram as personagens o ponto forte deste livro. Gostei imenso de Kettricken, a esposa de Veracidade, apesar de ter achado que a autora podia ter feito muito mais com ela (e se calhar ainda fará, quem sabe); comparativamente a Veracidade, ela é bem mais carismática e interessante de seguir. Tenho pena que Hobb não tenha explorado algumas das personagens interessantes que compõem o rol desta série, como Paciência e a sua aia. Fitz, apesar de não ser uma personagem irritante, per se é demasiado "Gary Stu" (ou seja especial, com super poderes que mais ninguém tem) para o meu gosto e ainda não se afirmou decisivamente como protagonista.

Gostei bastante de Veracidade neste livro, achei que está a dar mostras de ser uma personagem interessante. E, claro, o Bobo é genial.

Também gostei do facto de a autora nos ter dado mais informações sobre o Talento, a Manha e o processo de Forjamento. Gosto do facto deste mundo ter magia mas esta ser subtil e não composta de feitiços e bolas de fogo, apesar de não ser subtil o suficiente para quase não ter um papel na história (eu cá gosto da minha fantasia com magia, o que querem?).

Esta é uma série que começou bem e tem potencial para se tornar ainda melhor. Estou com imensa curiosidade sobre os Ilhéus, sobre os Antigos e sobre o destino de todas as personagens que Hobb nos deu a conhecer. Uma série a não perder para quem gosta de fantasia.

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