30 março 2014

Opinião: A Vingança do Assassino (Robin Hobb)

A Vingança do Assassino by Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência (2010)
Formato: Capa mole | 441 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição (GR): "FitzCavalaria renasce dos mortos graças à magia desprezada da Manha, mas a sua fuga das garras da morte deixou-o mais selvagem do que humano. Os seus velhos amigos têm que ensiná-lo a ser um homem de novo, e depois deixá-lo escolher o seu próprio destino. Incapaz de esquecer a tortura a que foi submetido às mãos do príncipe usurpador, Fitz planeia vingança enquanto recupera a sua alma e sanidade. Até ao momento em que o seu verdadeiro rei o chama para o servir numa missão misteriosa com consequências inimagináveis. Numa terra arruinada pela ganância e crueldade onde Fitz se tornou uma lenda temida, ele fará tudo para restaurar a verdadeira regência nos Seis Ducados. Mas primeiro terá que escapar dos seus inimigos que lhe movem uma perseguição sem quartel…"
AVISO: Spoilers (mínimos).
"A Vingança do Assassino" é o quarto livro da série "A Saga do Assassino" e corresponde (se não estou em erro) à primeira metade do terceiro livro da trilogia original (cujo título é "The Assassin's Quest"). Penso que o principal problema aqui é que o título é um bocado enganador... uma pessoa lê "A Vingança" e pensa logo que o nosso herói, Fitz, vai andar por aí a utilizar as suas habilidades como assassino para se vingar do rei traidor Majestoso e dos seus pérfidos (mwahahah) seguidores.

O que de facto acontece, pouco ou nada tem a ver com isto. Por isso, creio que o título original faz mais sentido ("A Demanda do Assassino" - eu sei, eu sei, esse é o título do último, mas pronto). Este quarto livro é mais introspetivo e apoia-se mais no clássico enredo dos livros de fantasia: a viagem, a demanda em busca de algo. É um livro mais parado, com poucos momentos de ação onde Fitz vai modelando a sua personalidade, descobrindo quem é, lutando contra os seus impulsos (de criança) de simplesmente se atirar contra os seus inimigos estilo Kamikaze e, em vez disso, pensa mais a longo prazo.

No fundo, este livro foca-se mais no desenvolvimento das personagens principais (menos o Bobo, que está notoriamente ausente... snif), no crescimento do Fitz e de Olhos-de-Noite, no seu amadurecimento e na diversificação das suas experiências.

O vilão, Majestoso, continua a ser bastante simplista e na sua construção, dando a ideia de não passar de um rapazinho mimado (pensem no Joffrey Baratheon, mas adulto e mais sedutor em companhia) e não consigo perceber Vontade e os seus colegas de círculo muito bem, pelo que os considero igualmente simplistas apesar de autora sugerir que há mais por detrás da sua lealdade aparentemente cega a Majestoso. Este é um dos pontos fracos desta série: as motivações dos "vilões" nunca são claramente explicadas; nem sequer nos é dito que são assim porque são pura e simplesmente ambiciosos. Os vilões são vilões porque... são vilões e o seu objetivo é criar conflito para que os heróis da trama possam brilhar. Not cool.

Neste livro, descobrimos também um pouco sobre a Manha e conhecemos outras pessoas que a utilizam. Ficamos a perceber um pouco melhor a relação entre Fitz e Olhos-de-Noite, o laço que os une e como esta capacidade, esta magia, é vista com desconfiança e medo enquanto o Talento (que me parece no fundo, mais invasivo e perigoso) é visto como um poder nobre. A força das perceções é descrita muito claramente neste livro.

No geral, mais uma excelente adição à série. Este livro segue o esquema mais comum do livro de fantasia épica, com a "demanda", a "busca" de Fitz, tanto por um lugar onde pertença como pelo seu rei Veracidade. É um livro de ligação, que estabelece fortemente a personalidade dos protagonistas, Fitz e Olhos-da-Noite e prepara tudo para uma conclusão que se adivinha épica. Não tem tanta ação como os outros livros mas gostei.

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