10 junho 2014

Opinião: Noite Sobre as Águas (Ken Follett)

Noite Sobre as Águas by Ken Follett
Editora: Bertrand (2011)
Formato: Capa mole | 528 páginas
Géneros: Mistério/Thriller, Ficção Histórica
Descrição: "Em 1939, com a guerra a acabar de ser declarada, um grupo de pessoas privilegiadas embarca no mais luxuoso avião de sempre, o Pan American Clipper, com destino a Nova Iorque: um aristocrata britânico, um cientista alemão, um assassino e a sua escolta, uma jovem em fuga do marido e um ladrão encantador, mas sem escrúpulos. Durante trinta horas, não há escapatória possível desse palácio voador. Sobre o Atlântico, a tensão vai crescendo até finalmente explodir num clímax dramático e perigoso."
Ken Follett é um autor muito aclamado tanto a nível nacional e internacional e alguns dos seus livros foram adaptados à televisão. "Noite sobre as Águas" foi comparado ao "Crime no Expresso do Oriente" de Agatha Christie (mas num avião) e os comentários na capa do livro prometem um crescendo de suspense.

Bem... não me pareceu assim muito misterioso, este livro. O mistério propriamente dito (se é que se pode considerar isto um mistério) só tem lugar nas últimas duzentas páginas do livro e é bastante simples e fácil de adivinhar. De thriller, este livro não tem assim muito.

"Noite sobre as Águas" tem lugar em 1939 e conta a história fictícia do voo de um avião de luxo que a Pan American utilizava para transportar os seus passageiros mais ricos através do Atlântico. Temos um conjunto de personagens que lembra realmente um pouco aquelas que nos são apresentadas por Christie em "O Crime no Expresso do Oriente"; basicamente os ricos e os ociosos, misturados com alguns novos ricos e indivíduos da classe média.

A primeira parte do livro desenvolve algumas das personagens que terão mais protagonismo no enredo. Temos Margaret, filha de um marquês fascista, Harry Marks, um ladrão de joias, Diana Lovesey, uma mulher pouco satisfeita com a sua vida e outros. Estas personagens vão formar a teia de intriga e enganos que culminará a bordo do avião (Clipper). E algumas das personagens são efetivamente interessantes, especialmente Margaret com as suas ideias feministas e socialistas e Hartmman o físico judeu fugido da Alemanha. Follett explora com mestria os choques ideológicos que tiveram lugar na Europa nesta altura através das suas personagens.

E é por isto, na minha opinião, que este livro vale. Como disse anteriormente, o mistério é bastante "morno" e simples. Não há nesta parte da história qualquer traço de genialidade. São as personagens e as suas interações que dão vida a esta obra.

No geral, um livro agradável mas nem de perto nem de longe tão bom como outros que já li do autor. Não o consideraria um thriller, per se, e definitivamente não o compararia à obra de Agatha Christie.

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