20 outubro 2014

Opinião: Até que Sejas Minha (Samantha Hayes)

Até que Sejas Minha de Samantha Hayes
Editora: Topseller (2014)
Formato: Capa mole | 352 páginas
Géneros: Mistério/thriller
Sinopse.

Ai, por onde começar? Pelas opiniões maravilhosas que li noutros blogues? Pela capa cheia de opiniões positivas e conjuntos de 5 estrelas? Pelo facto de ir, mais uma vez, tecer uma opinião negativa sobre um livro do qual muitos gostam? Bem, vou. Por isso, fãs, pessoas que gostaram e pessoas que ainda querem dar uma oportunidade ao livro: agora é a altura de parar de ler.

Este livro é... uma confusão. Está mal construído. As personagens são pouco interessantes. O enredo é pouco linear e não há qualquer crescendo ou pistas relativamente ao desenlace.

Mas comecemos pelo princípio. "Até que sejas minha" abre com um prólogo em que uma das personagens da história nos conta um pouco da sua infância; como a mãe tinha problemas em ter filhos e como ela queria ter filhos. Não sabemos qual das personagens é.

Depois, conhecemos Claudia, uma mulher que sofreu diversas perdas mas que finalmente está grávida e quase a ter o bebé. O marido de Claudia trabalha para a Marinha e está longe durante longos períodos de tempo; por isso, decidem contratar uma ama para ajudar a fazer a transição e para acompanhar Claudia.

E é assim que conhecemos Zoe. Uma jovem misteriosa. Cedo Claudia começa a ter suspeitas acerca da sua nova ama, apesar das excelentes (e comprovadas) referências.

"Até que sejas minha" é contado do ponto de vista de três personagens: Claudia, Zoe e Lorraine, uma detetive encarregada de um caso macabro em que as vítimas são mulheres grávidas.

O problema é que a autora tem tanta subtileza como um elefante numa loja de cristais. Logo desde o início não só Claudia suspeita de Zoe, como a própria Zoe tem monólogos inquietantes acerca do "mal que vai fazer à família" e de "como se arrepende" do que está prestes a fazer. Isto, juntamente com o seu comportamento marcadamente suspeito, faz com que seja muito óbvio que a autora aponta freneticamente para Zoe como suspeita/assassina dos crimes hediondos que estão a ser investigados por Lorraine. Pois. Mesmo uma pessoa que não lê muitos livros de mistério, como eu, vai ficar desconfiada com tanta insistência...

Depois, temos a investigação fragmentada de Lorraine e do seu parceiro Adam, que é também o seu marido e que teve um caso extra-conjugal. Como tal, passam mais tempo com indiretas e animosidade do que a resolver efetivamente o caso. E para ficar tudo ainda mais fragmentado, temos acesso a páginas detalhando a vida de Lorraine e os problemas que tem com a filha mais velha, blá, blá, blá. Se Loraine fosse a personagem principal, ainda se compreendia, mas não é. Esta exploração da sua vida privada não faz sentido.

E por fim, temos o "twist". Alguns consideram que é de génio. Eu considero que não faz sentido nenhum. Para que este "twist do enredo" funcionasse era necessário que houvesse algum tipo de "foreshadowing", antevisão, sinais que permitissem ao leitor, mesmo que a posteriori, dizer "ah então é por isso que aconteceu tal e tal assim". Mas não há. Este "twist" vem do nada e é ilógico.

No geral, um livro com uma escrita fácil de ler e este é quase o único ponto positivo que posso apontar a "Até que sejas Minha". Como livro de mistério/suspense penso que falha redondamente e que, em termos globais, é um livro pouco interessante.

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