22 outubro 2014

Opinião: This is Not a Test (Courtney Summers)

This is Not a Test de Courtney Summers
Editora: St. Martin's Griffin (2012)
Formato: Capa mole | 326 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juv./YA
Sinopse: "It’s the end of the world. Six students have taken cover in Cortege High but shelter is little comfort when the dead outside won’t stop pounding on the doors. One bite is all it takes to kill a person and bring them back as a monstrous version of their former self. To Sloane Price, that doesn’t sound so bad. Six months ago, her world collapsed and since then, she’s failed to find a reason to keep going. Now seems like the perfect time to give up. As Sloane eagerly waits for the barricades to fall, she’s forced to witness the apocalypse through the eyes of five people who actually want to live. But as the days crawl by, the motivations for survival change in startling ways and soon the group’s fate is determined less and less by what’s happening outside and more and more by the unpredictable and violent bids for life—and death—inside. When everything is gone, what do you hold on to?"
Disclaimer: não gosto muito de histórias com zombies...

... mas este livro não é mesmo um livro sobre zombies, por isso está tudo bem. Tem zombies, sim, mas o foco é o monólogo interior e exterior da protagonista. A Sloane é uma jovem à beira do abismo e não apenas porque o mundo acabou e está cheio de zombies.

Na verdade Sloane é uma rapariga perturbada que sofreu durante anos às mãos do pai (abusos físicos, neste caso), juntamente com a sua irmã Lily. As duas tinham um plano para escapar quando Lily atingisse a maioridade. Mas quando Lily foge sozinha e deixa Sloane sozinha a sofrer os abusos do pai, Sloane decide que já não vale a pena viver mais... mas depois o mundo acaba.

E Sloane vê-se barricada na sua escola com um grupo de adolescentes, com água e comida finitas e muita tensão. Enquanto os outros só pensam em sobreviver, Sloane imagina uma forma de ir lá fora e acabar com o sofrimento que o abuso do pai e a traição da irmã lhe infligiram.

Nas mãos de outro escritor, talvez esta narrativa tivesse tido mais... emotividade. Profundidade. Mas Sloane é tão monocórdica que não consegui criar qualquer ligação a ela, não consegui sentir que aquela pessoa tinha mesmo uma razão para ser tão egoísta na situação em que se encontra.

O mundo acabou e Sloane teima em sentir-se mal com algo que pertence ao passado. Gostei disso, de certa forma. Mesmo na adversidade, o ser humano agarra-se àquilo que mais diretamente o afeta e incomoda e Sloane tem certamente razões para o seu humor suicida. Mas... novamente o tom seco e pouco emotivo da personagem não permite a ligação do leitor. Muito bem; Sloane tem certamente uma depressão e isso pode traduzir-se em períodos de pouca emotividade em que a pessoa está simplesmente cansada de tudo; mas nem o monólogo interior da personagem me interessou.

Ao mesmo tempo, a história exterior a esta personagem, os zombies, os companheiros de Sloane na escola, foi apenas medianamente interessante (previsivelmente não há grande desenvolvimento desta vertente). Até o romance me pareceu irrealista.

No geral, uma leitura com alguns pontos interessantes e que poderia ter sido um livro espetacular, se a personagem principal me tivesse conseguido cativar. Recomendado com reservas.

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