23 novembro 2014

Opinião: These Broken Stars (Kaufman, Spooner)

Editora: Disney Hyperion (2013)
Formato: Capa dura | 374 páginas
Géneros: Romance, Ficção científica
Sinopse.

These Broken Stars é o resultado do esforço conjunto das autoras Meagan Spooner e Amie Kaufman e é o primeiro livro de uma trilogia passada no futuro e direcionada a um público juvenil.

Neste livro conhecemos Lilac LaRoux, a filha do homem mais rico e importante da galáxia e o major Tarver Merendsen, um soldado condecorado que veio de origens humildes. Nunca se pensaria que o destino destas duas pessoas se viesse a cruzar, mas quando a nave espacial de lazer Icarus se despenha num planeta misterioso, Lilac e Tarver vão ter de pôr de lado a sua animosidade um pelo outro se querem sobreviver.

A primeira coisa que me veio à cabeça quando comecei a ler este livro foi o filme “Titanic” com o Leonardo DiCaprio e a Kate Winslet. A história principal de These Broken Stars, o romance entre estas duas personagens, parece mais ou menos tirada a papel químico do filme de 1997. No “universo” do livro, está novamente instituído um sistema de classes extremamente vincado; e a Icarus é uma nave de “recreio”, como se fosse um luxuoso transatlântico onde os mais ricos embarcam para se divertir e onde muitas pessoas de classe média e baixa fazem as suas viagens pela galáxia.

Lilac é uma jovem acostumada ao privilégio e à riqueza, mas tal como Rose em Titanic, também ela conhece o lado obscuro de ser uma “menina de sociedade”. Aparentemente, também aqui a Humanidade regrediu – ou deixou de progredir – porque é suposto as mulheres serem coqueluches vápidas; por exemplo, é-nos dito que o pai de Lilac não gostaria que a sua filha aprendesse engenharia e mecânica, e como consertar sistemas de naves ou mesmo que conhecesse os fundamentos teóricos das viagens pelo hiperespaço, porque… não eram “ocupações para uma mulher”. Sinceramente, sociedade ficcional ou não, isto entristeceu-me. Quero dizer, quando pudermos viajar pelas estrelas espero que já sejamos esclarecidos o suficiente para não fazermos este tipo de distinções idiotas.

Tarver é o “self-made man”. Como Jack é um rapaz bondoso, com algumas ambições. E, claro, nunca tentaria falar com Lilac porque tipo, são de classes tão diferentes.

Até que a nave Icarus se despenha num planeta parcialmente “terra formado” e os dois protagonistas parecem ser os únicos sobreviventes. Forçados a conviver, vão perceber que as opiniões e preconceitos que tinham acerca um do outro estão errados.

These Broken Stars é, primeiro que tudo, um romance. Tal como já apontei anteriormente, este romance tem semelhanças incríveis com o filme Titanic, exceto que o filme é um bocado mais “amor à primeira vista” ou “insta-love”. Neste livro as autoras não se coíbem de desenvolver realmente o romance e apesar de haver alguma atração, as personagens não acham que estão completamente apaixonadas logo nas primeiras dez páginas. O que é de louvar.

Mas, apesar de o livro ser um romance, não significa que romance seja tudo o que podemos esperar dele. A luta de Lilac e Tarver pela sobrevivência não é descrita apenas em termos que nos permitem discernir a sua aproximação um pelo outro; existe algo mais, vozes misteriosas, o mistério de um planeta que estava a ser colonizado mas que foi, por motivos desconhecidos, abandonado.

Este enredo tem quase tanto protagonismo quanto o romance e mantém os leitores investidos na narrativa. Devo dizer que o desfecho desta parte da história me pareceu um bocado irrealista demais, mas enfim… foi interessante o suficiente.

No geral, These Broken Stars foi uma leitura agradável. Sinceramente, com as ótimas críticas estava à espera de mais, tanto ao nível do romance como do resto da história, mas foi um livro que li com gosto, ainda mais porque se tenta afastar de tantos dos clichés que povoam a literatura juvenil: o protagonista não é um homem das cavernas, a protagonista tem mais de dois neurónios na cabeça e não os perde “por amor” e o desenvolvimento das personagens é consistente e realista (dentro dos possíveis). A parte da “ficção científica” merecia uma exploração mais cuidada, mas alas, não se pode ter tudo.

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