01 dezembro 2014

Opinião: For Darkness Shows the Stars (Diana Peterfreund)

Editora: Balzer + Bray (2012)
Formato: Capa dura | 407 páginas
Géneros: Ficção científica, Lit. Juvenil/YA
Sinopse.

For Darkness Shows the Stars é um “retelling” ou adaptação (mais ou menos) de Persuasão, uma das obras de Jane Austen.

Apesar do esqueleto de For Darkness Shows the Stars ser semelhante ao de Persuasão (ou seja, dois apaixonados que planeiam fugir, mas cuja fuga acaba por não se concretizar porque a rapariga decide não ir à última da hora. E toda a desarmonia que daí advém quando os dois protagonistas se encontram anos mais tarde), a autora, Diana Peterfreund acrescenta toda uma nova dimensão, decorrente do seu mundo pós-apocalíptico e das diversas ideologias que o moldam.

Elliott North faz parte de uma classe de nobres, os “Luditas” (Luddites, no original), que desde que o mundo foi destruído devido a avanços científicos na área da genética, reinam sobre uma hoste de “Reduzidos” (no original Reduced), homens e mulheres portadores de deficiência mental, devido a mudanças no ADN dos seus antepassados.

Os Luditas defendem um estilo de vida simples, sem tecnologia (que tanto mal causou), de volta às origens. Por isso instituíram um sistema de classes, em que eles são os nobres, os superiores, uma vez que os seus antepassados se opunham à modificação genética (segundo nos é dado a perceber, eram de facto uma seita religiosa) e assim não foram modificados e escaparam ao flagelo da “redução” (ou seja não tiveram filhos Reduzidos). Como classe superior, os Luditas acreditam que a sua missão é cuidar do planeta e dos Reduzidos (o que fazem, obrigando estes últimos a trabalhar nas suas terras) e proibir o uso de tecnologia (exceto a que lhes dê vantagens, como tratores e outras máquinas parecidas).

Mas depois de gerações de Reduzidos gerarem mais Reduzidos, começa a notar-se uma mudança: algumas das crianças já não exibem sinais de redução, são em tudo… normais. Kai é uma dessas crianças. Ele e Elliott vão desenvolver uma relação primeiro de amizade e depois de amor. Mas quando Kai quer abandonar a propriedade dos North juntamente com Elliott ela resiste; porque apenas ela se importa com as pessoas que vivem na sua propriedade.

Como quem já leu “Persuasão” provavelmente já adivinhou, Kai volta alguns anos mais tarde, capitão de um navio exploratório cujo objetivo é explorar o mundo (agora novamente desconhecido). Ele e o conjunto de “Posts” (pós-redução) que compõem o seu grupo são ricos e heróis para todos os Posts que continuam presos às terras dos Luditas. Eles alugam um estaleiro na terra dos North, que estão a precisar de dinheiro.
Kai está muito zangado com Elliott por o ter abandonado quatro anos antes. Mas, ao contrário de que acontece em Persuasão, a recusa de Elliott não se dá apenas devido a uma indecisão mas sim porque, sendo Ludita, Elliott acredita nos valores religiosos dos mesmos (apesar de ter uma mente mais aberta) e sabe que tem de cuidar dos que vivem nas terras dos North.

For Darkness Shows the Stars apresenta-nos a história romântica de Persuasão, mas adiciona-lhe uma batalha interior da parte de Elliott relativamente àquilo em que acredita e se os valores em que baseou a sua vida estarão realmente corretos. Não quero com isto dizer que este livro é melhor do que o “Persuasão”. Apenas que, no fundo, apesar dos aspetos comuns, é um livro que se consegue distinguir da sua obra de inspiração.

Achei Elliott uma personagem fantástica. Não é perfeita e sabe-o. É algo intolerante mas bondosa (como a maioria dos seres humanos no planeta, suponho) e luta para ser o melhor possível. Está aberta a novas ideias (pelo menos mais para o final do livro), o que é ótimo. Cresce enquanto personagem.

Kai é… bem, foi a personagem que me desapontou mais. É irritante e chega a ser mau. Para além disso não é nem de perto nem de longe tão intenso como o Capitão Wentworth da obra original.

No geral, um livro bastante bem escrito e interessante. Adorei o mundo criado pela autora, a doutrina religiosa que rege este mundo e sobretudo a forma como introduziu o velho e contínuo debate sobre até onde devemos ir com o nosso progresso científico e se as razões que damos para o mesmo (melhorar a vida das pessoas, por exemplo) justificam tudo. As personagens também me cativaram, especialmente a Elliott. O Kai teve algumas atitudes parvas mas não desgostei dele, no geral. Também achei muito interessante a forma como a autora desenvolve a relação entre a Elliott e o Kai através das cartas que escrevem um ao outro ao longo dos anos.

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