06 março 2015

Opinião: O Miniaturista (Jessie Burton)

Editora: Editorial Presença (2015)
Formato: Capa mole | 412 páginas
Género: Ficção histórica

"O Miniaturista" é o romance de estreia de Jessie Burton e tem sido um sucesso de vendas nos EUA. Segundo a capa, foi considerado um dos melhores livros de 2014 pela Waterstones.

Foi, em parte, por isso que comprei este livro. As outras razões incluem a maravilhosa campanha de marketing, a bela edição portuguesa (abram o livro, I dare you) e, claro, a sinopse, que me pareceu bastante interessante.

Esta obra foi, nalguns aspetos, bastante interessante. Nunca tinha lido um romance histórico focado nos Países Baixos e como não sei muito sobre a sociedade da época na região, foi bastante intrigante ler sobre a mesma e a sua evolução política, religiosa, social e cultural, em alguns aspetos tão diferente da do resto da Europa.

O livro centra-se em Nella Oortman, uma jovem de 18 anos de uma família rural aristocrata mas empobrecida, que se vê subitamente casada com um rico mercador de Amesterdão, chamado Johannes Brandt.

Nella chega à sua nova casa sem nunca ter conhecido bem o marido (apenas se viram na cerimónia de casamento) e mal preparada para a vida na grande cidade. A adaptação revela-se difícil: o marido é distante, a irmã do marido é autoritária e amarga e os criados tomam demasiadas liberdades. Nella sente-se deslocada, sozinha e como se não pertencesse a lado nenhum e vai encontrar consolo na compra de miniaturas para uma pequena casa, réplica da sua nova casa, que Johannes lhe oferece, como prenda de casamento.

Encomenda algumas miniaturas a um misterioso profissional, que começa depois a mandar-lhe cada vez mais miniaturas, que parecem prever as tragédias e segredos com que Nella terá de lidar na sua nova vida. À medida que Nella procura conseguir a identidade do miniaturista, a sua vida e a sua nova família começam a cair numa espiral de intrigas e segredos negros que podem ter consequências muito graves.

O enredo deste livro tinha tudo para ser genial: uma jovem largada no seio de uma nova família rica e poderosa, parte da elite e aparentemente de bem, mas também com muitos segredos e intrigas à mistura. E, claro, temos o miniaturista, uma figura misteriosa que adiciona ainda mais mistério e alguma magia subtil à história.

Podia ter sido bom, sim. Mas creio que a execução deixa muito a desejar, possivelmente porque é o primeiro livro da autora (e nota-se). O problema, para mim, enquanto leitora, é que este livro deveria ter sido... mais atmosférico. Mais misterioso. Mais... mágico. Mas não foi.

A autora não conseguiu criar a atmosfera que o livro merecia. Não acreditei na "magia" do miniaturista. Os segredos da família não me deixaram de boca aberta, quer por serem demasiado óbvios, quer por terem, pelo contrário, aparecido de repente, sem qualquer explicação racional ou premonição. Nella não é uma personagem suficientemente interessante para sustentar a narrativa, pelo que não consegui ligar-me a ela e sentir algo quando ela descobre o que realmente se passa na sua nova casa. O resto das personagens pareceram-me igualmente sem sal e bidimensionais. 

Gostei, como já mencionei, de ler sobre a cultura dos Países Baixos no final do século XVII, sobre o facto da sociedade ser bastante puritana e do contraste que a autora faz entre estas mentalidades e a realidade de uma cidade governada pela ganância e pela riqueza. Mas aquela magia que esperava sentir, não está lá. 

No geral, uma boa leitura dentro do género do romance histórico. A escrita da autora é competente e mesmo de leitura compulsiva, por vezes, mas o enredo não foi desenvolvido e falta qualquer coisa ao livro para o tornar especial.

1 comentário:

randomutopias disse...

Não tinha ainda ouvido falar do livro, mas o conceito parece interessante o suficiente para querer ler - só não irei com expectativas muito elevadas.

:)