19 abril 2015

Opinião: Jovens Rebeldes (Edith Wharton)

Editora: Europa-América (1996)
Formato: Capa mole | 384 páginas
Géneros: Ficção histórica

(A edição lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa)

Edith Wharton foi uma escritora norte-americana nascida em meados do século XIX (faleceu em 1937), que escreveu diversas obras, sendo a mais famosa das quais (e também a vencedora de um prémio Pulitzer) "A Idade da Inocência" (The Age of Innocence).

Não sou muito de me forçar a ler clássicos; creio mesmo que, ao longo dos anos, adquiri uma espécie de aversão a tudo o que fosse livro classificado como "grande literatura" ou "clássico", por teimosia e porque não gosto muito de rótulos. Mas, se for sincera, é também um pouco por preguiça que não costumo pegar neste tipo de livros, que poderão, talvez, dar algum trabalho a ler e a absorver.

No entanto, a sinopse para esta obra de Edith Wharton interessou-me, pelo que, apesar de já ter visto a adaptação cinematográfica de "A Idade da Inocência" e achado que era demasiado dramática para o meu gosto, decidi ler, mesmo assim, este The Buccaneers ("Jovens Rebeldes" em português).

Este livro conta a história de quatro jovens americanas, filhas de duas famílias ricas (os St. George e os Elmsworth) mas ainda demasiado nouveau riche para poderem "entrar" na alta sociedade americana em Nova Iorque. Desanimada, Mrs. St. George segue o conselho da inglesa Laura Testvalley, precetora da sua filha mais nova, e leva as suas filhas para Londres, para tentar arranjar casamentos prestigiosos com aristocratas.

Os Elmsworth depressa seguem o exemplo e todas as quatro raparigas conseguem casar-se com partidos ricos. As raparigas St. George conseguem mesmo casar-se com aristocratas (Virgínia, a mais velha, com um herdeiro de um marquês e Annabel ("Nan"), com um duque.

Mas nem tudo são rosas... as raparigas, e especialmente Nan, em quem a história se vai focar, sentem-se como peixes fora de água no seio de uma sociedade alicerçada em tradições, rituais e na crença de que nada deve mudar.

Jovens Rebeldes explora as sociedades americana e londrina de 1870. As suas diferenças, como uma (a americana) tenta emular a outra (a inglesa) adotando uma visão elitista da riqueza: as antigas fortunas valem mais do que os "novos ricos", assim como em Inglaterra. Mas as diferenças são também exploradas, uma vez que as meninas St. George viajam para Londres; aqui vê-se, que apesar das tentativas de imitação, a sociedade americana não se rege pelos mesmos preceitos da inglesa. E que essa estranheza vai fazer com que os casamentos, pelo menos o casamento de Nan, não sejam felizes,

Gostei desta leitura. A autora consegue mostrar claramente as diferenças entre americanos e ingleses, o declínio do modo de vida inglês e como os aristocratas recusam a mudança, simbolizada pelas ricas herdeiras americanas que vêm para Londres para ganhar estatuto social, tanto nos Estados Unidos como na Inglaterra. O que não me agradou particularmente foi a falta de desenvolvimento das personagens, especialmente Nan e Guy.

Fiquei impressionada com a dimensão da tragédia que envolve Nan, o seu marido, o duque e Guy, porque não há realmente um vilão entre eles: apenas uma educação e valores ultrapassados pelo mundo real, decisões feitas sem todas as informações e um amor trágico (mas não demasiado trágico, o que me faria torcer o nariz). Mas, lá está, o problema foi não ter havido desenvolvimento das personagens. O de Guy é quase nulo, o de Nan é incipiente, e por vezes, não consegui sentir grande simpatia por ela, porque me pareceu uma personagem egoísta que não fez o mínimo esforço para tentar perceber a sua situação e mudá-la em vez de, simplesmente, se sentir sufocada.

Percebo que a ideia da autora poderá ter sido fazer com que as personagens representassem comportamentos, problemas e classes inteiros, mas, penso que poderia, ao mesmo tempo, ter feito algo para fazer com que o leitor se "ligasse" um pouco às personagens... para mim, isso não aconteceu.

Esta obra foi a última escrita por Wharton e ficou inacabada. A edição que li foi concluída por uma estudiosa de Wharton, Marion Mainwaring, e pareceu-me que esta última fez um bom trabalho. Mas, mais uma vez, não conseguiu tornar as personagens mais... humanas e menos conceitos.

No geral, uma boa leitura. Foi ótimo ler algo sobre a sociedade da época, escrito por quem a viveu e a escrita é bastante boa. Não consegui criar empatia com as personagens, mas gostei de ler sobre a minudências das sociedades inglesa e americana em meados do século XIX e ver como eram ao mesmo tempo semelhantes e diferentes, uma simbolizando o progresso mas tentando emular valores do passado e outra presa no passado, tentando resistir a uma mudança inevitável, mas entrando, ao mesmo tempo, em decadência.

1 comentário:

Carla disse...

Olá,
Desconhecia este livro, mas gostei muito da tua opinião. Este é o género de livro que eu gosto.
Boas leituras!