01 janeiro 2009

Nefertiti

Título Original: "Nefertiti"
Autor: Michelle Moran
Editora: Bertrand Editora - 2007
Nº de Páginas: 480
Idioma: Português
Géneros: Ficção Histórica, Romance
Sinopse (site Bertrand): Trata-se da biografia de uma das mulheres mais belas e famosas do antigo Egipto, contando-nos a história do seu apogeu como Grande Esposa Real e da influência que teve na política egípcia. Esta rainha e o seu marido formam os primeiros monoteístas da História.

Este livro foi, numa palavra, decepcionante.

A história de Nefertiti e Akhenaton, dois dos líderes mais emblemáticos da Civilização Egípcia sempre foi um tema que me interessou particularmente.
Talvez por isso, tivesse grandes expectativas para este livro... expectativas essas que não foram correspondidas.

Segundo a sinopse oferecida no site da editora Bertrand, esta obra da autoria de Michelle Moran, retrata a vida de Nefertiti, esposa do Faraó Egípcio Akhenaton; também, segundo a sinopse, esta obra é bibliográfica. Em relação a este último ponto, sempre tive as minhas dúvidas, uma vez que não existem vestígios suficientes da vida desta Rainha para "construir" uma biografia bem fundada da sua vida.

"Nefertiti", não só contém uma grande quantidade de erros históricos (o que devia ser impossível numa obra deste cariz e bem investigada, segundo a contracapa) como espelha uma visão subjectiva da autora em relação às suas personagens pelo que está longe de ser uma biografia, sendo antes uma obra de ficção, um romance.

Moran retrata Akhenaton como um homem violento, inseguro e pouco inteligente; condena a sua visão (a mudança religiosa efectuada por este líder) e apesar de nos apresentar a principal razão para ela (a tentativa de dispersar o poder dos sacerdotes do deus Amon, que neste período era tanto que podia influenciar as decisões de vizires e Faraós), condena-a não lhe reconhecendo qualquer mérito, como o fazem muitos historiadores.

Já Nefertiti, é como uma rapariguinha mimada; ler sobre ela neste livro fez-me lembrar o último filme sobre Marie Antoinette e a maneira como a sua personagem parecia uma lider de claque fútil e parvinha. Nefertiti comporta-se de um modo infantil e petulante durante a maior parte do livro, recuperando apenas um pouco no final do livro.

Em relação às discrepâncias históricas, há muitas que podem ser apresentadas; nomeadamente no que respeita aos actos políticos e reinado do Faraó e num âmbito mais geral, erros que demonstram uma total incompreensão por parte da autora, da sociedade egípcia; muitas vezes pensei estar a ler sobre uma sociedade medieval.
Por exemplo, Michelle Moran confunde os "haréns" Egípcios com os dos Sultões Otomanos; fala-nos também de "dinheiro" quando é bem conhecido o facto de que a sociedade Egípcia era uma sociedade de trocas e que o dinheiro só foi introduzido aquando da chegada dos gregos.

"Nefertiti" é, portanto, uma obra de ficção; não se deve dar grande valor às informações históricas nela contidas, sob pena de se conceber uma ideia errada sobre a sociedade do Antigo Egipto.

Creio que se não estivesse realmente à espera de ler um livro bem pesquisado e suportado por factos históricos sólidos não teria ficado tão desiludida e teria gostado bem mais do livro, que no fundo não é mau de todo de se ler.

3 comentários:

Cantinhos da Surpresa disse...

Olha gosto de livro do antigo egito,
seu blog é legal,
mas como faço para te seguir?

slayra disse...

Olá! Muito obrigada.

Penso que é só copiar o endereço do blog e colá-lo no espaço apropriado no teu "dashboard". Penso eu de que. O__O

CAROLINA disse...

Esse livro é muito bom. Eu o tenho e recomendo.