12 julho 2011

Opinião: O Segundo Cerco

O Segundo Cerco de Henry H. Neff
Editora: Editorial Presença (2011)
Formato: Capa Mole | 423 páginas
Géneros: Lit. Infanto-Juvenil, Fantasia Urbana
Descrição (Ed. Presença): "Este segundo volume de A Tapeçaria leva a série a um novo nível de sofisticação e suspense. Max Mc Daniels e David Menlo, agora no seu segundo ano na Academia de Rowan, desenvolveram as suas potencialidades, os seus conhecimentos e são agora jovens adultos preparados para enfrentar os seus adversários. Entretanto Astaroth, um demónio que se libertou de um cativeiro de séculos, vai tentar apoderar-se do Livro de Tot, o Livro das Origens, e utilizá-lo para os seus tenebrosos objectivos. Uma saga que decorre no mundo actual e que reúne fantástico, ficção científica e magia." 
AVISO: Contém alguns SPOILERS!
Após ter ficado algo desiludida com o primeiro livro desta série, entrei na leitura de "O Segundo Cerco" com expectativas algo baixas. Talvez tenha sido um pouco por isso que este segundo livro da série me agradou mais do que o primeiro; mas creio que o facto de o autor ter passado muito mais tempo a desenvolver o seu mundo e as personagens também contribuíram para que este livro fosse bem mais interessante do que o seu predecessor.

Passou um ano desde que Max McDaniels, agora a viver permanentemente na Academia de Rowan com o seu pai, descobriu que tinha poderes mágicos. O primeiro ano de aprendizagem na Academia foi atribulado e resultou na libertação de um mal antigo: Astaroth, o temido líder do "Inimigo".
Com Astaroth à solta, o mundo torna-se um lugar sombrio: governos caiem, o caos instala-se em cidades e vilas e as pessoas vivem num clima de medo. Em Rowan, os Místicos preparam-se para uma luta difícil e esforçam-se por chegar antes de Astaroth a um objecto mágico que lhe dará poder suficiente para controlar o planeta: o Livro de Tot.

"O Segundo Cerco" foi, como já referi, bastante mais interessante do que o "O Guardião de Rowan". Nota-se um esforço claro por parte do autor para desenvolver mais o seu mundo e as personagens. Muitas das questões levantadas no primeiro livro (como a relevância de Max, entre outras) são respondidas de forma clara, há um incremento na acção o que tornou o livro mais fácil de ler e muitas das personagens que no primeiro livro pouca ou nenhuma personalidade possuíam parecem neste ganhar dimensão.

Neff dá-nos muitos mais pormenores acerca do mundo dos místicos, das suas relações com o mundo "exterior" e outras Ordens secretas como as que preferem seguir a via da tecnologia. Dá-nos a conhecer as tensões existentes neste mundo escondido onde diversas tradições mágicas se cruzam e coexistem numa frágil paz. Distancia-se assim da realidade construída por Rowling na série "Harry Potter"; consegue também integrar com muito mais eficácia do que no primeiro livro, a mitologia dos Tuatha Dé Danann e a lenda de Cúchulain.

Max cresce imenso como personagem e senti que neste livro ele passou realmente a ter o papel principal, ao contrário do que acontecia no primeiro livro onde sempre me pareceu ter um papel secundário. Ao ler sobre Max n'"O Guardião de Rowan" lembrava-me sempre de personagens como Ron Weasley ou Robin (o parceiro do Batman); nesta segunda obra o papel e a importância de Max são bem referenciados e a própria personagem parece adquirir uma auto-confiança que o catapulta para primeiro plano. Outras personagens como a Professora Boon e o Agente Cooper ganham também vida através das interacções com Max e David.

David continua a ser uma personagem bastante mono-dimensional e desinteressante apesar da sua aparente importância. A sua evolução é irrealista, muito porque parece que o rapaz "já nasceu ensinado" sabendo fazer tudo e mais alguma coisa - é o melhor Feiticeiro e parece ser muito sábio apesar da idade. E nunca dá explicações acerca daquilo que diz ou do que pede aos outros para fazer.

Apesar destas melhorias, existem ainda alguns problemas na construção da história: algumas situações parecem forçadas e mesmo inverosímeis (como o facto dos humanos comuns aceitarem com naturalidade, ao que parece, as estranhas mudanças a ocorrer pelo mundo fora); outras parecem não ter qualquer objectivo. A magia, apesar de ser o 'fio condutor' da narrativa continua a ser pouco impressionante; basicamente alguém sussurra umas palavras ou faz um gesto com a mão.

Contudo, mesmo com estas falhas penso que este livro foi bastante melhor do que o primeiro e as reviravoltas no enredo certamente aguçaram a minha curiosidade acerca do que se passará no terceiro livro!

No geral, "O Segundo Cerco" foi uma leitura bem mais agradável e interessante do que "O Guardião de Rowan" e representa uma melhoria considerável em relação ao primeiro livro. Mesmo assim, considero que o autor continua a não desenvolver suficientemente bem alguns dos aspectos e "regras" do seu mundo e que este seria mais intrigante se a magia dos Místicos e os engenhos dos cientistas fossem explicados com mais pormenor.
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Nota: Foi-me enviado, pela Editora, um exemplar desta obra para análise mas isso não influenciou em nada a opinião aqui apresentada.

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