22 outubro 2012

Opinião: Breathe (Sarah Crossan)

Breathe by Sarah Crossan
Editora: Bloomsbury (2012)
Formato: Capa mole | 384 páginas
Géneros: Ficção Científica, Lit. Juvenil
Descrição (GR): "When oxygen levels plunge in a treeless world, a state lottery decides which lucky few will live inside the Pod. Everyone else will slowly suffocate. Years after the Switch, life inside the Pod has moved on. A poor Auxiliary class cannot afford the oxygen tax which supplies extra air for running, dancing and sports. The rich Premiums, by contrast, are healthy and strong. Anyone who opposes the regime is labelled a terrorist and ejected from the Pod to die. Sixteen-year-old Alina is part of the secret resistance, but when a mission goes wrong she is forced to escape from the Pod. With only two days of oxygen in her tank, she too faces the terrifying prospect of death by suffocation. Her only hope is to find the mythical Grove, a small enclave of trees protected by a hardcore band of rebels. Does it even exist, and if so, what or who are they protecting the trees from? A dystopian thriller about courage and freedom, with a love story at its heart."
Há livros que lemos devagar simplesmente para que durem mais tempo; e há livros que lemos o mais depressa possível para acabarmos a leitura e podermos passar para outra coisa. Breathe encaixa-se nesta última categoria.

Quando escolhi este livro para figurar na rubrica Waiting on Wednesday, escrevi que era ficção científica distópica meets romance adolescente (e triângulo amoroso, hmm). Tem potencial para ser interessante... ou muito mau. Pois, apesar de não ter sido muito mau, está longe de ter sido bom.

Vejamos. Breathe passa-se num futuro incerto em que a Humanidade conseguiu dar conta do planeta ao destruir todas as florestas e praticamente todas as plantas, para já não falar dos oceanos. Um acontecimento chamado "The Switch" (a mudança) parece ter ocorrido de repente (ao invés de ser gradual) fazendo com que os níveis de oxigénio baixassem imenso e que o planeta se tornasse incapaz de suster vida.

Cerca de 100 anos mais tarde (deduzo eu, porque muito poucos pormenores nos são dados), os sobreviventes vivem em redomas onde o ar é constantemente reciclado. Como em qualquer boa distopia, temos uma classe privilegiada de indivíduos, os "Premiums" (ou ricos) e o resto (auxiliares ou pobres). Sair da redoma significa morrer porque a atmosfera na Terra tem apenas cerca de 3% de oxigénio (o que é o suficiente para chover, aparentemente). Previsivelmente, dentro da redoma, têm de se pagar impostos sobre o oxigénio.

Seguimos as aventuras de três personagens: a Bea, a Alina e o Quinn. A Bea é a típica estudante modelo pobre que aspira a uma condição mais elevada; a Alina é a rapariga pseudo-rebelde (literalmente); e o Quinn é o rapaz privilegiado. O livro vai sendo alternadamente narrado do ponto de vista destas três personagens, o que me irritou um bocado, confesso.

Com esta premissa, este poderia ter sido um livro muito interessante. Mas não foi. Eis porquê:

1. O enredo é demasiado típico: ou corriqueiro ou cliché, ou o que lhe quiserem chamar. Havia muito sítio por onde levar esta história, muitas linhas de acção que poderiam ter sido exploradas, mas a autora decidiu, preguiçosamente, tomar o caminho mais fácil, com vilões muito maus e previsíveis, uma conspiração escondida e rebeldes ambientalistas.

2. O triângulo amoroso define a acção. Quase tudo acontece porque a personagem A está apaixonada pela personagem B que por sua vez gosta da personagem C. O que me pareceu ridículo, mas lá está, é a formula deste tipo de livros e não sei porque é que ainda me surpreendo.

3. As personagens bidimensionais. São uns pãozinhos sem sal, não me consegui identificar com nenhum deles e não me interessei minimamente pelas suas histórias. As personalidades de Bea, Quinn e Alina são inconsistentes e as suas vozes indistinguíveis umas das outras.

No geral, temos um livro com uma premissa interessante, que podia ter dado origem a uma história intrigante. Mas o enredo simplista, as personagens apagadas e o foco no drama adolescente (vá lá, estão a tentar sobreviver num mundo sem oxigénio! Podemos ter mais tensão, please) tiraram muito do brilho a Breathe. O mundo está mal explorado e a história raramente faz grande sentido. Nem o romance me convenceu.

Se querem um bom livro de ficção científica com protagonistas jovens, não peguem em Breathe.

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