25 outubro 2012

Opinião: O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares (Ramson Riggs)

O Lar da Sra. Peregrine para Crianças Peculiares by Ransom Riggs
Editora: Contraponto (2012)
Formato: Capa Mole | 344 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil
Descrição (Bertrand.pt): "Uma ilha misteriosa. Uma casa abandonada. Uma estranha coleção de fotografias peculiares. 
Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de dezasseis anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde vai encontrar as ruínas do lar para crianças peculiares, criado pela senhora Peregrine.
Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tenham sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar viva as...
Um romance arrepiante, ilustrado com fantasmagóricas fotografias vintage, que fará as delícias de adultos, jovens e todos aqueles que apreciam o suspense."
AVISO: Contém SPOILERS!
(Nota: a edição lida foi a inglesa, mas apresentam-se os dados da portuguesa)

Com a recente explosão de obras sobrenaturais juvenis no mercado português, é normal que uma pessoa alguma trepidação ao começar um livro do género.

No entanto depois das muitas opiniões positivas d'O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares que li no Goodreads estava com algumas expectativas em relação a este livro... e de certo modo estas expectativas não foram defraudadas. Mas lá chegaremos.

O nosso protagonista, Jacob, cresceu a ouvir as histórias fantásticas do seu avô, Abe, sobre o lar para crianças onde passara parte da infância.

Abe regalava o neto com o dia a dia atribulado de um conjunto de crianças muito peculiares: o rapaz que tinha abelhas dentro do corpo; a rapariga que flutuava como um balão e o rapaz invisível, entre muitos outros. Claro que Jacob, como todas as crianças cresce e aos 16 anos, sabe que as histórias do seu avô não passam de fantasia.

Quando Abe morre inesperadamente, atacado por uma criatura estranha as suas últimas palavras reacendem a dúvida no espírito de Jacob: será que aquilo que o avô lhe contava tinha um fundo de verdade?

As respostas estão numa ilha remota, no País de Gales, onde ficava o lar para crianças peculiares da Senhora Peregrine. E é para lá que Jacob vai.

Algumas opiniões no Goodreads mencionam que este livro parece ter duas "partes" (notavelmente a review dos Book Smugglers) e que o livro sofre uma transformação radical da primeira para a segunda parte. Eu concordo plenamente. Foi exactamente isso que senti ao ler o livro.

A primeira parte é genial. Muito atmosférica, com personagens bem desenvolvidas e uma magia muito própria. Abe conta histórias a Jacob e mostra-lhe fotografias antigas (reproduzidas no livro) de coisas "peculiares", o tipo de atracções que esperaríamos ver num circo dos anos 50. Jacob é um adolescente atípico e muitas vezes infantil, mas creio que resulta neste livro.

Depois da morte do avô é-nos mostrada a forma como Jacob lida com a dor e com os problemas que advêm de acreditar em "coisas peculiares". E claro, a visita à ilha e a descoberta das ruínas do lar da Senhora Peregrine tornaram a leitura ainda mais empolgante. Parecia estar a desenvolver-se um mistério interessantíssimo.

Infelizmente Jacob não tarda a perceber o que se passou no lar da Senhora Peregrine e a partir daí o livro perde muito da sua graça e encanto. Há um romance muito mal explicado e desenvolve-se uma linha de acção que é muito menos interessante do que a anterior. Algumas das explicações em relação aos "hollows" não me convenceram e algumas partes da história não fazem grande sentido. Continuamos a ter fotografias mas considero que são desnecessárias nesta parte e torna-se irritante ter o texto cortado por uma ou duas páginas de fotografias supérfluas.

No geral um livro com muito potencial e uma primeira parte belíssima. Mas penso que o autor quis fazer demasiado com a história logo no primeiro livro e ficou uma grande salganhada lá pelo meio. O facto de se apoiar nos materiais fotográficos durante o livro todo também não ajudou. Podia ter sido muito bom, mas mesmo assim recomendo. Dentro das obras juvenis com este tema, é das melhores publicadas em Portugal.

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