10 maio 2013

Opinião: Tu Contra Mim (Jenny Downham)

Tu Contra Mim by Jenny Downham
Editora: Bertrand (2011)
Formato: Capa mole | 344 páginas
Géneros: Lit. Juvenil, Ficção realista, Romance
Descrição (GR): "Se alguém fizesse mal à tua irmã e tu fosses um rapaz haverias de te vingar, não achas? Se o teu irmão fosse acusado de um crime horrível mas se dissesse inocente, tu acreditavas nele, não era?
Quando a irmã do Mikey diz que foi violada, o mundo dele começa a desmoronar-se. Quando o irmão da Ellie é acusado do crime, o mundo dela começa a revelar-se. Quando o Mikey e a Ellie se encontram, são dois mundos que colidem.
Um romance corajoso e inabalável da autora de Antes de Eu Morrer. Um livro sobre a lealdade e as escolhas a que ela obriga. Mas acima de tudo um livro sobre o amor."
Na verdade não sei bem o que dizer acerca deste livro (desculpem se não for muito coerente... esta obra deixou-me confusa). O ano passado li outro livro com esta temática, mas que se centrava mais nos sentimentos da vítima. "Tu Contra Mim" centra-se nos sentimentos de todas as pessoas envolvidas num drama destes. Especialmente a família do agressor. Muitas vezes não nos apercebemos que os acusados também têm família... e que essa família não consegue acreditar que essa pessoa que pensavam conhecer tão bem seja capaz de fazer algo tão horrível.

Esta foi uma leitura um bocado estranha para quem, como eu, está habituado a livros juvenis escritos por autores americanos. A linguagem, a caracterização e a própria sociedade e hierarquia adolescente são diferentes (a acção passa-se no Reino Unido). Achei sinceramente que os adolescentes descritos por Jenny Downham são mais... realistas do que os que encontramos em livros juvenis americanos. Menos sofisticados, mais infantis e, ao mesmo tempo, mais humanos e reais.

Mikey MacKenzie não tem uma vida fácil. A sua família é pobre, a sua mãe tem problemas de alcoolismo e está desempregada. É Mikey que sustenta a família e cuida das irmãs. E um dia acontece o impensável: Karyn, a sua irmã de 15 anos é violada. Mikey não sabe como se sentir, apenas sente raiva e vontade de partir a cara ao tipo que magoou a sua irmã.

Ellie Parker não acredita no que aconteceu à sua família. O seu irmão, Tom, o irmão engraçado e amoroso que sempre conheceu é acusado de violação. O que não pode, de todo, ser verdade. A rapariga tem de estar a mentir... certo?

Mikey e Ellie conhecem-se a tentam vingar-se um do outro ao mesmo tempo que se apaixonam sem querer. Mas as acções de Tom pairam sobre a sua relação; será que conseguirão ficar juntos?

Como disse em cima, penso que os tópicos abordados neste livro são importantes. O problema foi que foram abordados como forma de justificar as interacções entre Mikey e Ellie que vivem um romance inverosímil (quase amor instantâneo).

No geral, esta leitura não me impressionou (apesar de ser bastante pesada, devido ao tema). Achei que o romance foi mal explorado e que faltava química às personagens, e sinceramente sendo esse o foco da narrativa, deveria ter sido melhor explorado do que foi.
Penso que a parte mais digna deste livro foi a exposição de como um crime como a violação afecta todos os que estão envolvidos (amigos, família da vítima e do acusado e o próprio acusado). Gostei também da exploração das "pressões do grupo" na adolescência, como o facto de querermos estar integrados num grupo nos pode levar a fazer coisas que não faríamos normalmente.
Teria gostado de um maior desenvolvimento das personagens secundárias (a Karyn e o Tom) e talvez de um final menos abrupto, mas mesmo assim achei que foi um final (relativamente) positivo tendo em conta o assunto do livro.

Nota (sobre a tradução): Este é o primeiro livro em português que leio este ano. Não sei se é por isto, mas confesso que a tradução me impediu de apreciar o livro tanto como devia. As frases tinham demasiadas vírgulas e muitas vezes os tempos verbais mudavam dentro da mesma frase ou do mesmo parágrafo... é natural que um tradutor cometa erros mas sinceramente é para isso que servem os revisores, certo?

Enfim... achei que a tradução devia ter sido revista com mais cuidado para evitar as quebras na leitura que inevitavelmente ocorreram quando me deparava com uma frase do género: Ele achava, que, não devia ter feito aquilo, mas não conseguia evitá-lo e, gostava dela. Esta frase é completamente inventada e não consta do livro, mas penso que dá para perceber do que estou a falar.

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