08 maio 2013

Opinião: Vain (Fisher Amelie)

Editora: Fisher Amelie (2012)
Formato: e-book | 180 páginas
Género: Romance, Lit. Juvenil
Descrição (GR): "If you’re looking for a story about a good, humble girl, who’s been hurt by someone she thought she could trust, only to find out she’s not as vulnerable as she thought she was and discovers an empowering side of herself that falls in love with the guy who helps her find that self, blah, blah, blah...then you’re gonna’ hate my story.
Because mine is not the story you read every time you bend back the cover of the latest trend novel. It’s not the “I can do anything, now that I’ve found you/I’m misunderstood but one day you’ll find me irresistible because of it” tale. Why? Because, if I was being honest with you, I’m a complete witch. There’s nothing redeeming about me. I’m a friend using, drug abusing, sex addict from Los Angeles. I’m every girlfriend’s worst nightmare and every boy’s fantasy.
I’m Sophie Price...And this is the story about how I went from the world’s most envied girl to the girl no one wanted around and why I wouldn’t trade it for anything in the world."
E, pronto, aqui está outro livro que parecia ter uma premissa original. Uma heroína que é má como as cobras mas não se arrepende do seu comportamento? Uma heroína que não é transformada pelo amor de um rapaz bonzão? Sim, se faz favor!

Ou não... porque a sinopse, meus amigos... mente! Mente, digo-vos!

É verdade que a Sophie Price é muita má... não porque dorme com todos, mas porque dorme com os namorados das amigas e ainda se vangloria! Claro que tem "má reputação" (e pelas razões erradas) mas isso agora não interessa nada. O que interessa é que esta rapariga estouvada que trai as amigas e snifa coca está prestes a ver a sua vida dar uma grande reviravolta. Depois de ser apanhada a consumir drogas é julgada e condenada a trabalho voluntário... num orfanato no Uganda.

Sim, fiquei muito entusiasmada e sinceramente perguntei-me como é que nenhum editor tinha pegado no livro... mas depois li mais e voilá fez-se luz! Após algumas páginas em que se fala um pouco da terrível e desumana situação das crianças no Uganda (muitas são recrutadas pelo Exército de Resistência do Senhor) a história passa a centrar-se nos sentimentos "poderosos e inexplicáveis" da Sophie pelo... bonzão de 20 anos que trabalha no orfanato. E a Sophie passa a ser uma mulher mudada! Em parte por causa dos órfãos mas mais porque o bonzão ao princípio não gosta dela!

Sinceramente, depois da autora introduzir um assunto tão sério e merecedor de atenção, o romance entre as personagens não era definitivamente sobre o que eu queria ler! Além disso prometeram-me uma transformação gradual e significativa de um ser humano que, sinceramente, não era assim muito boa pessoa. Mas isso não encontrei eu no livro. Nada de auto-reflexões, nada de tentativas da parte da Sophie de perceber porque é que se comportava da maneira como se comportava... nada. Só "oh, ele é mesmo bom" e "oh, sinto uma ligação física com este gajo bom". 

A mudança de Sophie não foi gradual... foi abrupta e irrealista para que a autora se pudesse focar no romance. O desenvolvimento das personagens é incipiente e as suas atitudes pouco realistas (mais para o fim há um acontecimento traumático com o qual os protagonistas lidam friamente). Os diálogos têm pouco brilho (vejam o meu comentário sobre a escrita mais em baixo) e soam a falso. Ao romance (o aspecto principal do livro) falta-lhe magia. 

Enfim... podia ter sido muito, muito bom, este livro mas não foi. Não posso deixar de mencionar a escrita: por vezes a construção frásica era um pouco estranha e encontrei bastantes erros gramaticais e de escrita (este livro precisava urgentemente de um editor). Como foi a minha primeira obra "self-published" custou-me um pouco a ultrapassar estes problemas. 

No geral, um livro que podia ter sido bom, podia ter explorado problemas atuais e importantes, mesmo incluindo o romance adolescente, mas que preferiu focar-se no romance adolescente. Para meu desespero. Oh e durante o tempo todo só ouvia esta música na minha cabeça (sei que não sou a primeira reviewer a dizer isto, mas estou totalmente a falar a sério). :P

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