21 julho 2013

Opinião: Morte em Pemberley (P.D. James)

Morte em Pemberley by P.D. James
Editora: Porto Editora (2013)
Formato: Capa mole | 304 páginas
Género: Mistério, Ficção histórica
Descrição (Porto Editora): "1803. Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy o famoso par de Orgulho e Preconceito, casados há já seis anos e com dois filhos, não podiam estar mais felizes na imponente propriedade rural de Pemberley. Até ao dia em que Lydia, uma das irmãs Bennet, chega à mansão gritando que o marido foi assassinado na floresta.
Em Morte em Pemberley, P. D. James combina as suas duas maiores paixões: a literatura policial e a obra de Jane Austen. O romance é uma clara homenagem à grande autora novecentista, mas faz justiça também às melhores histórias de assassinato, seguindo a tradição dos grandes romances de mistério sobre a aristocracia inglesa. Ou não fosse P. D. James a grande senhora do crime nas terras de Sua Majestade..."
PRIMEIRAS IMPRESSÕES: Nem sei bem o que dizer. O que me tem passado pela cabeça mais frequentemente é "que raio de introdução à autora de "The Children of Men"!"

Primeiro, devo dizer que não tinha quaisquer expectativas em relação a este livro. Quero dizer, já tinha visto que tinha classificações algo baixas aqui no Goodreads, mas não li nenhuma crítica e tentei não formar ideias preconcebidas. Dentro da medida do possível, porque obviamente, apesar de nunca ter lido nenhum livro dela, sei quem é a P.D. James. E como tantas outras pessoas, já vi "Os Filhos do Homem".

Mas que desilusão que este livro foi. Fiquei bastante curiosa com a ideia do livro: um crime em Pemberley, com as personagens da minha obra favorita, "Orgulho e Preconceito", envolvidas? Sim, se faz favor! Muitos fans não gostam de ler o que é, essencialmente, "fan fiction" (isto é, tudo o que são sequelas e afins) dos seus livros favoritos, mas eu até gosto de um ou outro. Mas este. Não. Simplesmente, não.

1803. Elizabeth e Darcy estão casados há seis anos, têm dois filhos e passam as suas vidas tranquilamente entre visitas aos seus vizinhos os Bingley, festas e outras coisas que os nobres da altura faziam. Um dia, estão todos muito bem na conversa quando a Lydia aparece a dizer que o Wickham foi assassinado, ai qu'horror. E pronto assim começa. Eu pensei que o Mr. Darcy e a Elizabeth iam desvendar um mistério, mas não é nada disso que acontece. O que acontece é entrarem todos em pânico e sentirem-se todos muito deprimidos (a tentativa falhada da autora de dar um ar gótico à coisa, juntamente com a noite escura e ventosa) porque quem morreu foi o Denny, o amigo do Wickham, e o Mr. Darcy tem de ser uma testemunha no inquérito, woe!

Eis o meu problema principal: o "mistério" foi completamente ridículo e previsível. Parece ter sido escrito por um miúdo de cinco anos (sem ofensa para os miúdos de cinco anos), uma vez que o seu grau de complexidade é para aí... menos um. Metade do livro é "info-dump" sobre o que se passou em "Orgulho e Preconceito" com uma data de personagens; a autora limita-se a fazer um resumo do livro, como se estivéssemos a ler um daqueles livros que explicam aquelas obras chatas que temos de ler no secundário para que possamos passar sem termos de ler o livro.
Além disso, todas as personagens, quer apareçam quer não (quer entrem no enredo por carta, como é o caso da Lady Catherine ou do Mr Collins) dizem e fazem coisas muito parecidas com o que fizeram no livro original; ou seja, desenvolvimento das personagens? Zero.

A Elizabeth quase não aparece, o Mr. Darcy não faz uso dos miolos e o Coronel Fitzwilliam e a Georgiana foram vítimas dos body-snatchers, só pode, porque longe de não terem mudado nada, estão 100% diferentes sem nenhuma razão aparente.

Nenhuma das personagens participa na resolução do crime, são todos meros espectadores e/ou testemunhas. Tudo o que fazem é prestar depoimentos (e nem o julgamento tem emoção suficiente para interessar o leitor) e lamentarem-se porque uma pessoa morreu no bosque de Pemberley e ai que agora está tudo tão gótico por causa disso. Alguns dos acontecimentos nem sequer são explicados (as letras que a Elizabeth e a Georgiana encontraram gravadas nas árvores, por exemplo) e não existem quaisquer pistas que nos permitam tentar adivinhar ou mesmo apenas especular sobre o que se passou. A conclusão, com a descoberta do culpado, é completamente aleatória e não faz muito sentido. Não descobri quem era o culpado porque simplesmente não há pistas, "foreshadowing", nada que nos permita antever as motivações para o crime.

Este foi o meu primeiro livro de P.D. James mas esperava mais, sendo ela tão famosa. Isto foi... bastante mau. Sinceramente, não recomendo isto a ninguém. Nem aos fans de Jane Austen, nem aos de James e nem a quem só queira ler um livro de mistério.
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5 comentários :

barroca disse...

Oi! Eu acabo de o ler ainda esta semana, mas está a ser maçador (é verdade, as personagens perderam carisma, cor, bah...); estava com esperanças de que acabasse com um "big bang", mas a tua opinião só me faz prever expectativas goradas! :\

Isa Lavinia disse...

É pena, eu gosto de ler P&P retellings, e este com esse enredo de crime estava mesmo a parecer bom...

addle disse...

Quando li a sinopse e vi que era uma sequela do Orgulho e Preconceito fiquei um bocado de pé atrás, já que este tipo de livros não resulta bem. Pelos vistos, este está nessa categoria. É pena, até tem uma história que poderia dar certo.

Madrigal disse...

Olá era só para dizer que referenciei esta opinião no blogue Jane Austen Portugal (http://janeaustenpt.blogs.sapo.pt/) para poder ser lida por outras fãs de Jane Austen.

Fabiana disse...

realmente tens toda a razão....fiquei decepcionada com o livro, ainda para mais no que toca aos depoimentos são bastante repetitivos e cansativos...Se me permite indicar um excelente livro de P.D.James é "Mortalha para uma Enfermeira" ou Morte no seminário, vais ver que te vais decepcionar...