06 dezembro 2013

Opinião: Luz e Sombra (Leigh Bardugo)

Luz e Sombra by Leigh Bardugo
Editora: Asa (2013)
Formato: Capa mole | 312 páginas
Género: Fantasia, Romance, Lit. Juvenil/YA
Descrição (GR): "Só ela consegue vencer as trevas... Rodeada por inimigos, a outrora grande nação de Ravka foi dividida em duas pelo Sulco de Sombra, uma faixa de escuridão quase impenetrável cheia de monstros que se alimentam de carne humana. Agora, o seu destino pode depender de uma só refugiada. Alina Starkov nunca foi boa em nada. Órfã de guerra, tem uma única certeza: o apoio do seu melhor amigo, Maly, e a sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa do regimento militar, numa das expedições que tem de fazer ao Sulco de Sombra, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros volcra e ficar brutalmente ferido. O seu instinto leva-a a protegê-lo , e ela revela um poder adormecido que lhe salva a vida, um poder que poderia ser a chave para libertar o seu país devastado pela guerra. Arrancada de tudo aquilo que conhece, Alina é levada para a corte real para ser treinada como um membro dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina no seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir o Sulco de Sombra. No entanto, nada naquele mundo pródigo é o que parece. Com a escuridão a aproximar-se e todo um reino dependente da sua energia indomável, Alina terá de enfrentar os segredos dos Grisha... e os segredos do seu coração."
(Li esta obra no inglês original, mas apresentam-se os dados da portuguesa).

"Luz e Sombra", publicado recentemente pela ASA e incluído na colecção de fantasia 1001 mundos, é o primeiro livro da trilogia "The Grisha".

Acompanha as aventuras de Alina Starkov, uma jovem órfã acolhida por um poderoso Duque de Ravka, um reino dilacerado pela guerra.

Alina, uma criança doente e frágil, cresce na companhia de Mal, outro órfão e é também na sua companhia que se alista no Primeiro exército.

Nos primeiros capítulos do livro, Alina prepara-se para a sua primeira travessia pelo Sulco de Sombra, um espaço de escuridão que divide o país onde nada cresce e povoado por volcra, criaturas que vivem no sulco e se alimentam de humanos.


Durante a perigosa viagem, a barca de Alina é atacada por volcra e, para salvar o seu amigo, Alina demonstra de repente um poder há muito escondido que a marca como fazendo parte dos Grisha - um exército de magos e cientistas que lutam para defender o reino através das suas artes. Alina é levada para o palácio dos Grisha e trava conhecimento com o Darkling, o senhor desta facção.

Já tinha este livro há algum tempo, mas foi só quando saiu em Portugal e começaram a aparecer as primeiras opiniões (positivas) da obra que me decidi a ler finalmente este "Luz e Sombra".

Não é propriamente um mau livro. O problema é que é demasiado genérico, com a sua mitologia, geografia e sistema de magia mal explicados. Ao início estava a achar a leitura bastante agradável porque parecia que a autora se iria focar na luta do povo (e exército) de Ravka. Mas logo que se percebe que a Alina é uma Grisha toda Xpto (sim... ela é um espécime raro), o livro descarrila.

De repente estamos na Escola Secundária, com raparigas populares e mazinhas, raparigas a fofocar nas costas dos outros e toda a gente quase a desmaiar por causa do Darkling, que é muito poderoso e muita bom e aparentemente velho como as montanhas (mas parece um modelo da GQ). A Alina, sempre descrita como uma rapariga não muito bonita transforma-se de repente numa beldade.

A partir daqui, e durante muitas páginas, o livro é pouco mais do que uma obra juvenil normal, com adolescentes, hormonas e toda a gente de olhos esbugalhados porque a nossa heroína é super especial.

Redime-se um pouco mais para o final, quando o enredo dá uma reviravolta mais ou menos pouco previsível e passa a ser novamente mais focado na aventura e na magia em vez de em bailes e invejas.

No geral, uma leitura interessante, mas nada de especial. A ideia é boa, um mundo fantástico baseado na civilização Russa, mas a execução deixa um bocado a desejar. Devo dizer no entanto, que a mitologia me pareceu interessante (se bem que incipiente) e que, com alguma construção do mundo poderia ser bastante intrigante. Gostaria também de saber porque é que os poderes de Alina têm alguma relevância, uma vez que me pareceu que não podia fazer muito... por isso, mais um aspecto que seria interessante desenvolver. Gostei mas não tenho grande pressa em ler o resto.

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